sexta-feira, abril 20, 2007

Afinal diz que era uma espécie de uma história muito mal contada

Nota de imprensa do PCP:

A propósito da noticia do DN hoje publicada sob o título «PCP veta “Gato”» o PCP entende esclarecer o seguinte:
● Só por absoluta inexactidão, ou declarada má fé, se pode atribuir ao PCP, como é intenção da peça, a atitude de veto de Ricardo Araújo Pereira a propósito da intervenção de um jovem em representação de organizações juvenis na iniciativa de comemoração do 25 de Abril.
● Em rigor o que se pode afirmar é que esta questão, a exemplo do que sucedeu com a inviabilização do acordo sobre o “Apelo” dos promotores, é expressão da atitude dos que, no quadro da comissão promotora, agiram para impedir nas comemorações quaisquer referências ou juízos críticos à acção do governo do PS.
● Na actual situação – de agravamento dos problemas dos jovens e em particular dos jovens trabalhadores, que a recente lei sobre trabalho temporário veio acentuar, e de que a acção de luta de jovens trabalhadores de 28 de Março foi expressivo testemunho – a JCP apresentou e defendeu, desde o primeiro momento, por razões de actualidade política, a proposta (que chegou a ser consensualizada embora com a ausência da JS) de um jovem dirigente sindical (Pedro Frias) para a referida representação. É na sequência do desacordo manifestado já em momento posterior pelo representante da Juventude Socialista a esta proposta que o nome de Ricardo Araújo Pereira é apresentado e defendido (três reuniões mais tarde) pela JS e o BE. Perante o desacordo destas organizações àquela proposta foi ainda adiantado em alternativa, por iniciativa da Interjovem o nome de Joana Bastos para eventual consideração.
● Foi a falta de consenso entre as várias organizações juvenis – indispensável no processo de construção de decisões da comissão promotora das comemorações do 25 de Abril – que inviabilizou o acordo necessário para a referida escolha.
● O sentido que o título do DN e a peça que o acompanha pretende atingir é assim manifestamente tendencioso. Com igual «rigor» o DN poderia ter titulado “PS(ou BE) veta jovem sindicalista”.
● É assim absolutamente falso que o PCP tenha “vetado” o nome de Ricardo Araújo Pereira. Para o PCP, a presença de todos quantos, como Ricardo Araújo Pereira, e tantos outros designadamente dos meios artísticos e culturais, se queiram associar às comemorações de Abril é sinal de uma desejável manifestação de vontade democrática de participação e dos afirmação de valores de Abril.

19.04.2007
O Gabinete de Imprensa do PCP

quinta-feira, abril 19, 2007

Geração

Sentido-me desafiado pelo desproposito para reabir o baú dos tesourinhos deprimentes da nossa cultura, recordo o texto que escrevi como resposta à revista em causa:


A REVOLTA DOS BÁRBAROS

O último "JA" de Janeiro, Fevereiro e Março de 2004, foi consagrado à "minha geração".
Até há bem pouco tempo considerava que o tema das gerações me estaria de alguma forma alheio. Não me conseguindo encaixar em nenhuma geração, parecia-me que a discussão seria mais de índole futebolística - tipo selecção nacional de Sub-17 vs Veteranos. Contudo a minha opinião inverteu-se quando, numa reunião de arquitectos, me foi dito que abordar a questão dos salários seria uma temática fracturante da classe, ao que respondi que para a "minha geração" fracturante seria não o abordar.
Assim este texto parte da seguinte premissa - ser jovem arquitecto, na actualidade, é uma condição social.
Lendo as diversas opiniões sobre a "minha geração", interessa-me sobretudo o texto do Alexandre Alves Costa que coloca uma série de questões de fundo em detrimento dos clichés habituais.
A reflexão do Alexandre Alves Costa é uma inteligente sinopse de vários momentos do séc. XX em que o 25 de Abril e o processo revolucionário subsequente se afirmam como denominador comum de toda a construção do texto.
A primeira questão que o texto me levanta é o facto da geração dos Filhos de Abril ainda não existir ou ser uma criança durante a Revolução. Ou seja, tenho dúvidas que para a construção de uma tese sobre uma determinada geração se possa partir de um elemento que ela fisicamente não presenciou.
Por mais que me custe dizê-lo, as primeiras memórias políticas da "minha geração" remontam aos Governos do Bloco Central ou de Cavaco , chegámos à arquitectura com a queda do Muro de Berlim, a divisão da União Soviética e com a Guerra do Golfo, e demos os primeiros passos na profissão com a Guerra dos Balcãs, Iraque II e Afeganistão. A "minha geração" não leu Althusser nem Breton, mas lê Naomi Klein, Negri, Virilio ou Arundhati Roy.
Poder-se-ia, contudo, dizer que esta geração não aproveitou as "portas que Abril abriu", as "liberdades" ou a "democracia", deixando-se enredar na trama dos individualismos - argumento com o qual até posso concordar. Mas julgo que o Alexandre também concordará que "as portas que Abril abriu" têm vindo passo a passo a ser fechadas (até ao último R) o que não poderá ser só imputável à "minha geração".
A "minha geração" viveu in situ a neoliberalização das Universidades, perdeu a guerra das propinas, e assistiu ao aumento exponencial das licenciaturas de arquitectura. Ao chegar ao mercado de trabalho vive neste regime de exploração que se agrava de dia para dia. Daí resulta a condição de que parti para este texto: ser jovem arquitecto em Portugal é uma condição social.
Dir-se-ia que somos culpados em aceitar salários de miséria, dir-se-ia que aceitar o trabalho não remunerado é promover a concorrência desleal, dir-se-ia que não o denunciar é deontologicamente questionável, dir-se-ia que somos burgueses e que se realmente precisássemos de sobreviver não aceitávamos esta condição.
Mas este fascismo social que as universidades instituem e o mercado aplaude , onde se impõe um mestre dizendo ao discípulo que ainda está sob aprendizagem, fazendo-o crer que a sua actividade produtiva não tem tradução em termos económicos, ou que tem de dar a alma ao ofício vendendo primeiro o corpo, directa após directa, não é mais do que uma escravatura dos tempos modernos.
Essa nova forma de fascismo é uma condicionante fundamental que marca toda uma geração e, isso não pode ficar à margem de uma análise da "minha geração".
Neste ponto tenho a certeza que tanto o e-studio (atelier do qual faço parte com mais 4 colegas) como o Atelier 15 concordam. É necessário um esforço tremendo a escritórios que não alinham neste fascismo quando concorrem em concursos contra outros que arregimentam um batalhão de estagiários.
Também me interessa os discursos que são feitos em torno das imagens - "não constituindo construção de alternativas metodológicas para o exercício disciplinar" .
Ora o problema das imagens, do 3D ou do Photoshop, não se põe para os ateliers constituídos pela nova geração. Esta geração domina essas ferramentas que surgem actualmente como uma forma de expressão e comunicação de uma ideia, tal como um esquisso. Na minha opinião o esquisso do Monumento às Associações de Moradores do Siza é tão virtual como o 3D da Casa do Voo dos Pássaros do Bernardo Rodrigues, sendo igualmente legítimos como forma de expressão de uma ideia arquitectónica.
Parece-me mais estranho é a utilização dos 3D's, Photoshop's e afins por parte de quem não domina directamente esses instrumentos, dando a outros a oportunidade de fazer a "imagem" daquilo que não lhes vai na alma.
Por último vem a constatação de que cada vez é maior o número de jovens arquitectos que se associam para abrir atelier. Divide-se as despesas numa primeira fase, fazem-se concursos, sobrevive-se. Pondo de lado a vontade de estrelato de que tanto somos acusados, baralham o sistema quando se assumem com um nome de grupo (Auz, a.s*, Emitflesti ou Stereomatrix), em detrimento das individualidades. Um atelier da contemporaneidade é cada vez mais o produto de quem nele trabalha e não das estrelas que o encabeçam.
A última estação é a Esperança, claro. Olhar para o rol de quinze escolhidos e ver que muitos ficaram de fora. E assim se fará a revolta dos bárbaros!



1. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.
2. Chamo Filhos de Abril pois esta denominação parece-me mais correcta que a de Geração X - retirado de um livro publicado há 13 anos, sobre uma geração dos Anos 80
3. Só assim Mário Soares ou Freitas do Amaral podem ser vistos hoje como adeptos dos movimentos anti-globalização
4. Muitas vezes o Mercado e a Universidade até são a mesma pessoa.
5. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.

Diz que é uma espécie de "veto"

De acordo com o DN de hoje, o nome do Ricardo Araújo Pereira foi "vetado" pela JCP. Antes de mais, esclareço que o RAP me parece um bom nome, sobretudo se evitasse o discurso do Vasco Lourenço.
Agora a notícia do DN é uma fraude, e revela o anti-comunismo reinante no jornal.
Se a JCP vetou o RAP, então a JS vetou quem a JCP e outras organizações propuseram, e que nem sequer teve direito a nome no texto.
Quem já esteve em reuniões para organização de acções unitárias como esta, sabe que há nomes que são apresentados e discutidos - é normal. O que não é normal, é que esses nomes venham a público como "vetados", a menos que alguém esteja de má fé ou queira dividir essa acção unitária.
Seria igualmente desonesto se a notícia titulasse: "JS e BE unem-se para vetar discurso de jovem ecologista"

domingo, abril 15, 2007

Eleições em França

Todos estamos conscientes da importância das próximas eleições em França. Para se perceber melhor o programa dos candidatos aqui fica um excelente trabalho feito pelo "Le Monde" de comparação entre os vários candidatos.

[link]

Ladrões de Bicicletas

Ainda em fase de testes, o novo blog do Pedro Nuno Santos, Zé Guilherme, João Rodrigues e o Nuno Teles - Ladrões de Bicicletas

sábado, abril 14, 2007

Uma nota de credibilidade


Com a ajuda dos arquivos do Google lá fui encontrar o quão brilhante quanto assíduo professor Alberto João. O seu elogio pode ser lido aqui, bem como o respectivo Curriculum Vitae.

Ricardo Araújo Pereira

Neste momento, Portugal tem no governo um partido socialista que não é socialista, liderado por um engenheiro que não é engenheiro, que tirou o curso numa universidade que já não é universidade.
Visão, 12 de Abril de 2007.

A entrevista


A entrevista correu-lhe mal.
O problema político não está resolvido: Sócrates terá sido beneficiado por ser Secretário de Estado? A resposta só se saberá quando for feita a comparação com processos de transferência similares e que aparentemente seriam frequentes - baseando-me nas declarações de Sócrates quando refere que era normal os alunos do ISEL transferirem-se para a UNI.
A utilização indevida do título, os diferentes documentos de Estado assinados pelo próprio em que dizia ter uma licenciatura que não tinha, e as prudentes faltas de memoria que existiram neste processo, levantam uma dúvida moral e ética sobre o actual primeiro-ministro.
Contudo, regressemos às medidas do Governo, que é aí que Sócrates nos pode fazer pior.

sexta-feira, abril 06, 2007

Votar no Zeca [actualização]

No blogue da Associação José Afonso, li que os CTT puseram a concurso online 20 séries de selos a editar em 2008. A Associação tenta que deste modo o Zeca seja homenageado. Aqui fica o link directo para votar no Zeca e para derrotar temas como "Cavalo lusitano" ou "60 anos da land-rover"...

[actualização]
Tendo em conta que os seleccionados serão 20, e que o Zeca parece ter a eleição assegurada, aqui fica o apelo ao voto útil na proposta da Rosa que está a poucos votos de entrar para os vinte primeiros (link directo)

Cartaz Retirado


Afinal parece que quando escrevi o último post o cartaz já havia sido retirado.
Não querendo comparar a proporção do horror, espero que a Câmara Municipal de Lisboa seja igualmente zelosa no que diz respeito às apropriações de espaços públicos por parte de marcas comerciais e restaurantes e bares, que seja igualmente célere no embargo de obras que atentam contra a população de Lisboa, e que seja igualmente cumpridora no que diz respeito aos andaimes e contentores de obras paradas que se multiplicam pela cidade.

Ah! E já agora, pedia aos senhores da CML que ordenaram a retirada deste cartaz, que também retirassem, ali bem próximo do Marquês na Av. Fontes Pereira de Melo, uma tela de propaganda da requalificação urbana da Cidade de Lisboa. Esta tela, ainda do tempo "Santana-Carmona em sã convivência", para além de ser uma provocação para todo os habitantes de Lisboa, está em ritmo acelerado de degradação com a poluição e as obras do túnel ali bem perto.

Gato Fedorento [actualização CARTAZ RETIRADO]

De uma forma célere, que contrasta com a forma como responde aos cidadãos, a Câmara Municipal de Lisboa disse que irá intimar os "Gatos " a retirarem o contra-cartaz no qual ridicularizam o partido fascista PNR.
Será que chegaremos a ter, a triste imagem de um cartaz cómico a ser derrubado e o cartaz fascista a permanecer?
Parece-me que o fascismo não resistirá ao 25 de Abril...
[actualização]«A decisão foi discutida e repensada», explicou fonte do gabinete do vereador António Proa ao PortugalDiário, acrescentado que se «optou por fazer as coisas de forma voluntária». Ou seja, «os representantes dos Gato Fedorento vão ser notificados, até ao fim do dia, pela autarquia para removerem voluntariamente o cartaz que lá foi colocado».

[actualização II]
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) retirou, ao início da manhã desta sexta-feira, o outdoor da autoria dos Gato Fedorento, colocado na Praça do Marquês de Pombal, que satiriza um outro cartaz, colocado no mesmo local pelo Partido Nacional Renovador (PNR). Segundo um comunicado da CML, o cartaz dos Gato não possuía licença camarária e portanto a ausência de pedido de licenciamento não permitiu que os infractores fossem notificados, para procederam voluntariamente à sua remoção. Em relação ao cartaz de propaganda política, a nota de imprensa informa que o PNR já foi notificado para que proceda à remoção voluntária. O argumento legal utilizado para a notificação e remoção do cartaz baseia-se no avançado estado de degradação do outdoor, que afecta a estética e o ambiente da paisagem urbana onde se insere.Segundo António Prôa, vereador da CML, apesar da liberdade das forças políticas é necessário que os partidos tenham bom-senso na utilização dos espaços públicos. «A Lei confere total liberdade às forças políticas, não permitindo qualquer actuação da câmara, mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam exigir. A CML tem apelado ao bom-senso dos partidos políticos na utilização do espaço público», esclarece. Se o PNR não remover o cartaz voluntariamente o comunicado revela ainda que a Câmara de Lisboa avançará para a remoção, sendo os custos da operação imputados ao infractor.

domingo, abril 01, 2007

Tribunal de Contas

O tão falado relatório do Tribunal de Contas sobre os últimos governos, é público, e todos os cidadãos o podem ler e interpretar.

[Auditoria aos Gabinetes Governamentais]

Tribunal de Contas

O tão falado relatório do Tribunal de Contas sobre os últimos governos, é público, e todos os cidadãos o podem ler e interpretar.

[Auditoria aos Gabinetes Governamentais]

Trienal de Arquitectura vs O Despropósito

Um post sobre o concurso "Vamos fazer Cidade" organizado pela Secção Regional Sul da OA e o Expresso.

Um argumento parolo:

Ao DN, uma fonte do gabinete de Sócrates garantiu que o chefe do Governo está a ser alvo de "uma série de boatos e atoardas sem qualquer fundamento". De acordo com a mesma fonte, o primeiro-ministro tem "um certificado de habilitações inatacável". Mais: já depois da licenciatura, concluiu um MBA em gestão de empresas no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, "e foi o melhor aluno desse curso".

Não é a inteligência ou a capacidade de estudo de José Sócrates que está em causa, mas sim o facto de, aparentemente, ter mentido nas suas habilitações académicas. Será que não percebem?

Sócrates

Há um mês atrás o curriculum vitae de José Sócrates referia ser Engenheiro com pós-graduação em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública. Se o "Engenheiro" já foi alterado para Licenciado em Engenharia, de acordo com quem tem vindo a revelar todas estas histórias, também parece que a "pós-graduação" afinal não o era.
Contudo o juízo, neste caso, não deve ser político. Politicamente, se o primeiro-ministro é o não licenciado, é absolutamente indiferente.
O juízo é ético. A serem verdade todas estas histórias, Sócrates representa o Portugal do "chico espertismo" e do preconceito social. Aquele Portugal que pensa que quem não tem um título antes do nome, deve ser menos do que os que têm.