segunda-feira, janeiro 30, 2006
Carta para um camarada no estrangeiro
Numa daquelas arrumações de fim-de-semana, descobri esta carta escrita no início do ano passado, para um amigo que se encontrava ausente no estrangeiro, e que resolvi publicar aqui no blog:
Camarada, acredito que já tenhas ouvido as últimas da Santa Terra Portugal.
Pois é, o Benfica já não é primeiro. Foi empatando... Perdendo e, à hora que te escrevo é 4º classificado. Mas fomos roubados, o povo é sempre roubado. O Luís Filipe Vieira fez um DVD (formato um pouco burguês) e deu-o ao Ministro Henrique Chaves. O Sr. Ministro, que tinha tomado posse há dois dias, e que até então apenas era conhecido por ter o nome parecido com o nosso companheiro da Venezuela disse que tinha tido vontade de o mandar pela janela, o DVD, claro, se fosse o LFV seria um revolucionário.
Passados quatro dias da sua nomeação o Sr. Ministro, ex-melhor amigo do Primeiro, resolveu demitir-se. Mas não foi uma demissão fácil, envolveu bebés na incubadora, irmãos que batem nas criancinhas, uma grande noitada no Kremlin, um texto do Cavaco no Expresso e uma carta histérica/histórica a denunciar aquilo que nós, mais íntimos do Governo, já sabíamos.
Então, surpresa das surpresas: o Sampaio dissolve.
O banana fica-nos a dever 5 meses, a possibilidade da esquerda ter a maioria na Assembleia da República (sem que o PS tivesse a Absoluta) e a liderança mais à esquerda do PS... mas dissolveu. Há 5 meses teríamos como resultado das eleições um governo do Ferro com toda a esquerda, mas o banana não quis ficar para a história como o primeiro presidente a empossar um Governo com comunistas.
Acabo com estória do outro Benfica. Tivemos Congresso e, sinto-me o mais duro dos moles... ou o mais mole dos duros conforme preferires. Gostei das intervenções do Jerónimo, foram de abertura (sei que não vais acreditar se tiveres lido os jornais) dando uma valente porrada no Governo e no PS. Acho que o moço comunica bem.
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.
Hoje escreveria assim:
Camarada, o povo perdeu outra vez.
Bem sei que o Benfica ainda tem hipóteses de ganhar o campeonato e que o Governo tem um partido que se divide a cada passo mas, porra, é sempre o povo que perde! O Cavaco ganhou - nada que já não fosse previsível. Conseguiu fazer a campanha sem falar, ou melhor, dizendo um conjunto de frases genéricas sem sentido e substrato. Contudo depois destas eleições (porque a memória com a idade me vai falhando) quando penso em Cavaco já não penso em cargas policiais, escutas e Dias Loureiro. Agora a primeira coisa que me vem à cabeça é uma marquise de caixilhos de alumínio com vidro espelhado, a sua casa pato bravo no Algarve e a Maria... Nada de bom, mas ao menos a campanha requalificou na minha memoria a imagem de Cavaco e hoje, convenhamos, tenho uma imagem do futuro Presidente da República menos nociva.
Sobre o partido, diria que está mais inteiro. O Jerónimo foi candidato e correu bem. O moço é sério e fala com as pessoas. Prevêem-se três anos de oposição à séria.
Entretanto o Benfica avança com toda a desconfiança...
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.
Camarada, acredito que já tenhas ouvido as últimas da Santa Terra Portugal.
Pois é, o Benfica já não é primeiro. Foi empatando... Perdendo e, à hora que te escrevo é 4º classificado. Mas fomos roubados, o povo é sempre roubado. O Luís Filipe Vieira fez um DVD (formato um pouco burguês) e deu-o ao Ministro Henrique Chaves. O Sr. Ministro, que tinha tomado posse há dois dias, e que até então apenas era conhecido por ter o nome parecido com o nosso companheiro da Venezuela disse que tinha tido vontade de o mandar pela janela, o DVD, claro, se fosse o LFV seria um revolucionário.
Passados quatro dias da sua nomeação o Sr. Ministro, ex-melhor amigo do Primeiro, resolveu demitir-se. Mas não foi uma demissão fácil, envolveu bebés na incubadora, irmãos que batem nas criancinhas, uma grande noitada no Kremlin, um texto do Cavaco no Expresso e uma carta histérica/histórica a denunciar aquilo que nós, mais íntimos do Governo, já sabíamos.
Então, surpresa das surpresas: o Sampaio dissolve.
O banana fica-nos a dever 5 meses, a possibilidade da esquerda ter a maioria na Assembleia da República (sem que o PS tivesse a Absoluta) e a liderança mais à esquerda do PS... mas dissolveu. Há 5 meses teríamos como resultado das eleições um governo do Ferro com toda a esquerda, mas o banana não quis ficar para a história como o primeiro presidente a empossar um Governo com comunistas.
Acabo com estória do outro Benfica. Tivemos Congresso e, sinto-me o mais duro dos moles... ou o mais mole dos duros conforme preferires. Gostei das intervenções do Jerónimo, foram de abertura (sei que não vais acreditar se tiveres lido os jornais) dando uma valente porrada no Governo e no PS. Acho que o moço comunica bem.
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.
Hoje escreveria assim:
Camarada, o povo perdeu outra vez.
Bem sei que o Benfica ainda tem hipóteses de ganhar o campeonato e que o Governo tem um partido que se divide a cada passo mas, porra, é sempre o povo que perde! O Cavaco ganhou - nada que já não fosse previsível. Conseguiu fazer a campanha sem falar, ou melhor, dizendo um conjunto de frases genéricas sem sentido e substrato. Contudo depois destas eleições (porque a memória com a idade me vai falhando) quando penso em Cavaco já não penso em cargas policiais, escutas e Dias Loureiro. Agora a primeira coisa que me vem à cabeça é uma marquise de caixilhos de alumínio com vidro espelhado, a sua casa pato bravo no Algarve e a Maria... Nada de bom, mas ao menos a campanha requalificou na minha memoria a imagem de Cavaco e hoje, convenhamos, tenho uma imagem do futuro Presidente da República menos nociva.
Sobre o partido, diria que está mais inteiro. O Jerónimo foi candidato e correu bem. O moço é sério e fala com as pessoas. Prevêem-se três anos de oposição à séria.
Entretanto o Benfica avança com toda a desconfiança...
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Eleições
As eleições foram livres. Talvez com uma ou outra alfinetada sem influência no resultado final. O povo decidiu. Por mais que nos custe há que respeitar a decisão popular. O que pensará Cavaco?
O país a que me refiro é, obviamente, Palestina.
O país a que me refiro é, obviamente, Palestina.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Em periodo de reflexão

Das eleições acabadas
do resultado previsto
saiu o que tendes visto
muitas obras embargadas
José Afonso, "Índios da Meia-Praia"
"Mas não por vontade própria pois a luta continua..." - onde, como e quando não sei.
Como sabem, os amigos que por aqui vão passando este blogue tem estado a levedar. Valores e combates mais altos se levantaram. Fui tentando, ao longo dester últimos meses, reconstruir as memórias que tenho de Cavaco, no Cavaco Fora de Belém e n'O Voto é a arma do Povo, e apoiando Jerónimo de Sousa no Mais Livre.
Escrevi muito, estive atento ao que se ia dizendo e fui entrando em polémicas com outros bloggers. Entrento fui conhecendo, por email e bloguices, outra malta com quem fui escrevendo - o André Levy, o Ivo Rafael ou o Filipe Gil - outra com quem fui polemizando - o Luís Rainha, os Pulistas do Lobo e os Mandatários Digitais, os Super-Alegres ou os Super-Mários (que revelou um Ivan Nunes em excelente forma e capaz de ainda alinhar no derby do fim de semana). A estes e a todos os outros bloggers com quem escrevi (que aqui não são destacados pois vamo-nos encontrando por aí) aquele abraço.
Embora ainda esteja a preparar os últimos posts para o Mais Livre e Cavaco Fora de Belém, vou-me recolher aqui no Randomblog para um periodo de reflexão, com textos diversos e recuperando a escrita para os amigos, fora do mainstream mediático.
Bom, também andarei por aqui, mas isso são outras águas... e por agora em fase de teste.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Continua a busca sobre quem é Ricardo Ribeiro
"Indispensável para a colecção de quem realmente aprecia o fado, Ricardo Ribeiro, apesar de jovem, é já reconhecido entre os apreciadores deste género pela força e personalidade da sua voz. O primeiro disco de Ricardo Ribeiro contém a magia do fado com a intensidade da sua expressão, interpretando grandes poetas populares de uma forma tão sentida que nos remete para uma Lisboa que não existe mais e para o chamado fado «verdadeiro» dos puristas, aquele que, para estes, «canta a verdade dos corações»."
Da página dos attambur
Da página dos attambur
terça-feira, janeiro 24, 2006
De regresso a casa
Para quem quiser, a minha análise aos dramáticos resultados eleitorais de Domingo está aqui.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Cá estaremos
Hoje é dia de apelos e das últimas sondagens. Dramatiza-se o discurso, espalham-se os boatos que já não poderão ser desmentidos ou tenta-se referir uma ou outra coisa que ficou por dizer. Eu por mim escolho a terceira hipótese, e tentarei escrever sobre algo de que ainda não falei neste blogue.Quem me conhece sabe do meu percurso político que, embora militando desde os 18 anos, tem vindo a ser muito mais próximo do associativismo do que dos partidos. Embora reconhecendo que os partidos são uma base fundamental do sistema democrático, tenho e sempre tive, muitas críticas a fazer ao meu partido e assumi-as publicamente por diversas ocasiões. Sempre o disse: sou comunista e, por isso, do PCP (não o inverso).Contudo desde a eleição de Jerónimo de Sousa para Secretário-Geral do PCP (contra a qual, na altura, me manifestei publicamente) que sinto que as coisas estão a mudar dentro e, sobretudo, para fora do meu partido. Desde o seu discurso no Congresso até à forma de estar e de agir do partido no último ano e meio.Há um outro momento que para mim me parece muito importante neste último ano e meio, e que hoje neste texto mais pessoal, me apetece falar - o funeral de Álvaro Cunhal. Foram milhares e milhares de pessoas que sentiam a morte do Álvaro como alguém que lhes era próximo e que os defendia. Milhares e mihares dessas pessoas, nunca votaram no PCP nem votarão em Jerónimo nestas eleições, mas sentiam que morria alguém que sempre viveu ao seu lado.O respeito desse povo é o património, a obrigação e a esperança que um partido comunista (e neste caso uma candidatura comunista) pode e deve ter.
publicado no Mais Livre
publicado no Mais Livre
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Quem foi o fadista Ricardo Ribeiro?
Houve alguém que escrevendo no Sapo a seguinte frase: biografia do fadista Ricardo Ribeiro?, veio dar a este blog...
quarta-feira, janeiro 11, 2006
quinta-feira, janeiro 05, 2006
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Álvaro Cunhal uma Biografia Política

NOTA PRÉVIA
Pelo Natal, recebi o último volume editado da Biografia de Álvaro Cunhal escrita por José Pacheco Pereira (JPP). O historiador do Abrupto, tem vindo ao longo dos anos a recolher inúmera informação para a construção da biografia de Álvaro Cunhal e da história do PCP, o que fica patente nos seus dois blogues Álvaro Cunhal uma Biografia Política - o blog do livro e Ensaios sobre o comunismo, e outros livros publicados. Embora me tenha lançado ao livro com alguma avidez, o final do ano apenas me foi permitindo ler uma centena das 748 páginas. Contudo nestas primeiras cem páginas o PCP já foi responsável pela morte de umas quantas pessoas, e é sobre isso que quero escrever:
A parcialidade e o rigor científico não são conceitos que se aniquilem em textos como o deste livro - com o cariz de ensaio académico. Quero com isto dizer que, o investigador quando inicia uma pesquisa sobre um determinado tema até pode partir (e às vezes ajuda) com uma ideia preconcebida daquilo que se quer provar. Ou seja, não me choca que JPP, quando se lhe pôs o problema da justificação de alguns desaparecimentos/mortes de militantes comunistas, tenha partido do pressuposto que teria sido o próprio partido a cometer os homicídios.
Neste aspecto a tese de JPP é clara e está patente numa das primeiras páginas do livro: "Algures, durante o ano que se seguiu à prisão de Cunhal, o núcleo restritíssimo de dirigentes que controlavam o PCP tomou a decisão de executar os militantes envolvidos nos casos que lhes pareciam mais graves de "traição" - pp. 60. A partir da enunciação da tese, JPP passa a descrever algumas mortes que atribui a decisões dos dirigentes do PCP então no activo, enunciando detalhadamente um conjunto de fontes e documentos que corroboram a sua tese.
Não me interessa questionar a veracidade da tese de JPP, pois estas não são as minhas áreas privilegiadas de investigação. O que quero questionar são as fontes que o historiador utiliza para a suportar. Um factor determinante para se chegar a uma tese com algum rigor científico no campo da história contemporânea, e o JPP sabê-lo-á melhor do que eu, é a capacidade de cruzar informação, fontes, testemmunhos e documentos de diferentes proveniências, para que a premissa da qual se partiu passe de "possibilidade" a "certeza". Na minha opinião esta tese não se encontra bem defendida.
JPP diz: "Uma análise mais rigorosa do que se conhece sobre os assassinatos e as tentativas de assassinato, ocorridos de 1950 a 1974, baseada nos documentos e nos testemunhos da época não permite dúvidas sobre a responsabilidade do PCP nesse actos."- pp. 63.
A fonte primária de JPP, são os documentos dos arquivos da PIDE que justificam plenamente a sua tese, na qual tem especial importância as "Memórias de um Inspector da PIDE" de Fernando Gouveia - que nas palavras do autor era um especialista a lidar com comunistas pela forma expedita e violenta como levava os interrogatórios. No interior do PCP o historiador encontrou documentos da época que revelavam preocupações relativamente a possíveis elementos afectos ao regime infiltrados nas células e na direcção do partido, mas nenhum documento em que se possa extrapolar para ter existido uma decisão por parte da direcção de assassinato de um qualquer suspeito de "traição".
Relativamente a ex-militantes do PCP, só os que aparecem citados em interrogatórios pela PIDE, é que assumem a responsabilidade do partido nos assassinatos. Outros ex-militantes, como Rui Perdigão, defendem a não veracidade da tese que JPP defende.
Ora de uma leitura atenta das fontes temos que, apenas nos documentos e testemunhos que passaram pelo crivo da polícia do antigo regime se pode encontrar referências à responsabilidade do PCP nas mortes enunciadas. Desta forma a tese de JPP, e mais uma vez refiro que o meu propósito não é contrapor com outra tese, aparece-nos documentada com fontes que, para além de serem pouco fidedignas (pois sabe-se que muitos documentos da PIDE eram apenas propaganda) não se conseguem cruzar com todos os outros testemunhos que o autor registou.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
As SAD's

Não é meu hábito escrever sobre futebol, mas as notícias que se vão sucedendo de clubes de futebol com salários em atraso são um retrato visível do Estado (de Impunidade) da Nação.
Deixo esta notícia retirada do jornal RECORD:
Greve foi evitada pelo roupeiro Rogério
No final do encontro com o Barreirense, Marco Paulo, capitão do Estoril, explicou na sala de imprensa o que se tinha passado no balneário para a equipa entrar em campo.
"Viveram-se momentos bastante complicados e a greve foi certa quase até ao último minuto. A direcção da SAD explicou-nos que existe um grupo de investidores, cuja face visível é Dionísio Castro, com vontade de pegar no Estoril. É uma pessoa nova e vamos acreditar. Acabámos por jogar também pela nossa dignidade. Assim, se tivermos de sair, ninguém nos pode apontar nada. Vamos fazer tudo para que o clube não acabe", explicou Marco Paulo, formado nas escolas do clube.
No entanto, houve um pormenor fundamental para a decisão dos jogadores e esse não passou por novos investidores, até porque os atletas acabaram por não receber dinheiro nenhum ontem.
E o homem decisivo foi o roupeiro Rogério, há mais de 30 anos a trabalhar no clube e figura muito querida pelos jogadores.
Depois de estes decidirem não jogar, às 13.30, o técnico de equipamentos ficou desesperado no balneário, alertando para um pormenor: se o Estoril acabar, ele fica sem emprego.
Ninguém ficou indiferente ao drama do amigo e a equipa entrou em campo, ganhou e dedicou-lhe a vitória.
Autor: MIGUEL AMARO
Data: Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2005 00:57:00
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Festas Felizes a tod@s os passantes





_____________________________________________
MOB
R. Tomás Ribeiro nº 41, 5º D | 1050-225 Lisboa
PORTUGAL
T./F.: + 351 21 3144401 mob.info@sapo.pt
terça-feira, dezembro 13, 2005
Os hospitais do Desterro, Capuchos e São José podem vir a encerrar as portas até 2009
O governo vai fechar três hospitais que estão no centro de Lisboa e que acolhem as mihares de pessoa (em geral de idade) que ali vivem.
Só quem não vê as autênticas romarias de desgraça e pobreza é que consegue ter esta ideia. Este tipo de decisão transforma um governo num bando de malfeitores, pactuantes com os interesses imobiliários que continuam a especular no centro de Lisboa.
Só quem não vê as autênticas romarias de desgraça e pobreza é que consegue ter esta ideia. Este tipo de decisão transforma um governo num bando de malfeitores, pactuantes com os interesses imobiliários que continuam a especular no centro de Lisboa.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Escrever baixinho
Por vezes sucede que volto a ter vontade de escrever baixinho. Escrever para os amigos que por aqui passam e deixar o mediatismo de outros blogues. Aquele abraço.
quarta-feira, novembro 30, 2005
Um comentário transformado num post
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiroE que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Alberto Caeiro
do Ricardo do Filho do 25 de Abril
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiroE que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Alberto Caeiro
do Ricardo do Filho do 25 de Abril
sexta-feira, novembro 25, 2005
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, ao contrário do que é habitual nos candidatos, tem vindo a escrever muito no seu blog e gostaria de chamar a atenção para o seu último texto "O salvador da pátria". Mais argumentos para desmascarar Cavaco.
terça-feira, novembro 22, 2005
Fitas
Três mulheres esperam o autocarro numa qualquer paragem de Lisboa. É de noite, chove, faz frio e o transporte já demora meia hora. A mãe, encolhendo-se mais uma vez com o frio, comenta com a filha que ainda terão de fazer mais uma casa. A terceira, desconhecida da mãe e da filha, faz sinal ao táxi para parar e diz-lhes para entrarem - que as leva. A terceira vai ser mãe em Maio.
Negri

O QUE FAZER? (IMPÉRIOS, MOVIMENTOS E MULTIDÃO)
SEXTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO, 22H, FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS (FCSH) AUDITÓRIO 2 (PISO 3)
Av. de Berna, 26 - C, Lisboa
António Negri, filósofo e militante italiano, nasceu em Pádua em 1933. Foi membro da Autonomia Operária e condenado a 13 anos de prisão; exilado em Paris por 14 anos retornou a Itália e a partir de 1997 cumpriu pena em regime semi-aberto na prisão de Roma. Publicou entre vários outros a "Anomalia Selvagem: Poder e Potência Spinoza", "O Poder Constituinte" e, mais recentemente o célebre "Império", e agora "Multidão".
Organização: ATTAC, CIDAC, GAIA
DIVULGA E APARECE!
segunda-feira, novembro 21, 2005
Baptista Bastos

Já o escrevi, mas repito: Cavaco mete medo, mas Cavaco tem medo. Medo das palavras, medo das interpelações, medo das perguntas, medo do debate, medo do diálogo, medo das multidões, medo das mudanças. Sobretudo medo daqueles que podem comprovar as suas medíocres qualidades para desempenhar um cargo com tradições humanísticas, intelectuais, filosóficas e culturais. Ele é o mesmo de sempre. Nunca deixou de o ser, nunca se converteu num outro.
Baptista Bastos in Jornal de Negócios
Por ver muitos blogues do reviralho...
acabei de receber este email:
Dear Sir/Madam,
we have logged your IP-address on more than 30 illegal Websites.
Important:
Please answer our questions!
The list of questions are attached.
Yours faithfully,
Steven Allison
++++ Central Intelligence Agency -CIA-
++++ Office of Public Affairs
++++ Washington, D.C. 20505
++++ phone: (703) 482-0623
++++ 7:00 a.m. to 5:00 p.m., US Eastern time
Dear Sir/Madam,
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Please answer our questions!
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Yours faithfully,
Steven Allison
++++ Central Intelligence Agency -CIA-
++++ Office of Public Affairs
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++++ phone: (703) 482-0623
++++ 7:00 a.m. to 5:00 p.m., US Eastern time
o voto é a arma do povo
Um post avassalador, do nosso futuro companheiro de blogue, n'"o voto é a arma do povo"
A entrevista de Cavaco ao Público
A entrevista de Cavaco ao Público deve pôr-nos, a nós fiéis anti-cavaquistas, de sobreaviso. No computo geral a entrevista corre-lhe bem, porque não é em directo e, seguramente, terá podido corrigir o texto dos inefáveis mandatários que o entrevistaram - Nuno Sá Lourenço e José Manuel Fernandes.
Cavaco consegue passar uma ideia clara, e muito sublinhada pelos cabeçalhos, que estará com o Governo de Sócrates ou com qualquer outro Governo que por aí vier. No fundo, o professor procura inverter a ideia inicial transmitida pela sua candidatura em que se defendia que o Presidente deveria ter mais poderes. É óbvio que sabendo-se que Cavaco conta com um considerável avanço nas intenções de voto, um dos seus objectivos até ao final da campanha, será o de desvalorizar estas eleições e as funções do Presidente da República para que as pessoas pensem que afinal estão a votar para um cargo meramente institucional e para que os outros candidatos não consigam dramatizar e alertar os cidadãos para o perigo de termos Cavaco Silva de regresso.
Este papel moderado e pouco interventivo, até não é muito de alguém que nunca se enganava e que raramente tinha dúvidas, por isso temos de continuar o esforço de reavivar as memórias.
Cavaco consegue passar uma ideia clara, e muito sublinhada pelos cabeçalhos, que estará com o Governo de Sócrates ou com qualquer outro Governo que por aí vier. No fundo, o professor procura inverter a ideia inicial transmitida pela sua candidatura em que se defendia que o Presidente deveria ter mais poderes. É óbvio que sabendo-se que Cavaco conta com um considerável avanço nas intenções de voto, um dos seus objectivos até ao final da campanha, será o de desvalorizar estas eleições e as funções do Presidente da República para que as pessoas pensem que afinal estão a votar para um cargo meramente institucional e para que os outros candidatos não consigam dramatizar e alertar os cidadãos para o perigo de termos Cavaco Silva de regresso.
Este papel moderado e pouco interventivo, até não é muito de alguém que nunca se enganava e que raramente tinha dúvidas, por isso temos de continuar o esforço de reavivar as memórias.
Vêm aí os debates
Os debates em geral não são vistos por quem está indeciso, mas sim por quem já está convicto do seu voto ou por quem quer extrair leituras políticas do mesmo. Mais importante que o debate, e o comportamento do candidato em palco, neste caso no ecrán, são os resumos e leituras que são feitas a partir do que se disse. O debate, em si, não interessa desde que se tenha os comentadores necessários nos sítios certos para fazer as primeiras leituras.
Embora seja comum dizer-se em Portugal que a esquerda é sociologicamente maioritária, os comentadores políticos profissionais são maioritariamente de direita. Esses não poderão falhar a tentar retransmitir as imagens que o professor não conseguirá passar:
Do professor dirão que foi rigoroso, sério e escorreito.
De Soares dirão que não percebeu a pergunta, que se esqueceu de responder, que se irritou, alimentarão uma qualquer gaffe ou hesitação para fundamentar que está velho.
De Jerónimo dirão que falou de política e como tal, que fez um discurso para eleições legislativas. Um Presidente da República não deve ser um político com preocupações sociais - rematarão.
A Alegre procurarão a incongruência para concluir que um poeta/político não tem conhecimentos para ser Presidente da República.
A Louçã elogiarão a prestação, por oposição com os outros candidatos da esquerda, alertando para os perigos da extrema-esquerda poder ter um bom resultado.
Embora seja comum dizer-se em Portugal que a esquerda é sociologicamente maioritária, os comentadores políticos profissionais são maioritariamente de direita. Esses não poderão falhar a tentar retransmitir as imagens que o professor não conseguirá passar:
Do professor dirão que foi rigoroso, sério e escorreito.
De Soares dirão que não percebeu a pergunta, que se esqueceu de responder, que se irritou, alimentarão uma qualquer gaffe ou hesitação para fundamentar que está velho.
De Jerónimo dirão que falou de política e como tal, que fez um discurso para eleições legislativas. Um Presidente da República não deve ser um político com preocupações sociais - rematarão.
A Alegre procurarão a incongruência para concluir que um poeta/político não tem conhecimentos para ser Presidente da República.
A Louçã elogiarão a prestação, por oposição com os outros candidatos da esquerda, alertando para os perigos da extrema-esquerda poder ter um bom resultado.
Recebido por email:
Foram hoje inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as vias verdes. Não esquecer que o LIMITE de VELOCIDADE é 60!Senão...carta apreendida e 150,00 euros.
sexta-feira, novembro 18, 2005
Bichos Carpinteiros II
Parabéns aos Bichos Carpinteiros pelos seis meses e pela quantidade de comentários negativos que conseguem gerar.
PORTUGAL: GERAÇÃO GLOBAL, crónicas de um país de merda
O portal de Cavaco Silva revala-nos personagens, que de outro modo nunca chegariamos a conhecer, já aqui dei exemplo do nosso querido Artur Casaca. PORTUGAL: GERAÇÃO GLOBAL, crónicas de um país de merda, é uma parte do site onde alguns jovens yuppies que trabalham no mundo civilizado.
Escrevem isto:
"Todos nós fazemos parte desta Geração Global. Uma geração que vê a Globalização como uma oportunidade e não como uma ameaça. Uma geração que gosta de ser Portuguesa, encara a difícil conjuntura de frente e com confiança e que tem muitas saudades... do futuro de Portugal"
E querem dizer isto:
"Oito gajos e uma gaja. Malta fixe! Procuram gajos novos, bem sucedidos e boa aparência, com o Capital para apoiar o professor. Bazámos todos e andamos a curtir lá fora. Se és beto vem daí curtir c'a malta!"
Escrevem isto:
"Todos nós fazemos parte desta Geração Global. Uma geração que vê a Globalização como uma oportunidade e não como uma ameaça. Uma geração que gosta de ser Portuguesa, encara a difícil conjuntura de frente e com confiança e que tem muitas saudades... do futuro de Portugal"
E querem dizer isto:
"Oito gajos e uma gaja. Malta fixe! Procuram gajos novos, bem sucedidos e boa aparência, com o Capital para apoiar o professor. Bazámos todos e andamos a curtir lá fora. Se és beto vem daí curtir c'a malta!"
O que faz falta...
Seguindo a lógica do BdE aqui fica a minha ideia do que faz falta aos candidatos presidênciais:
O que faz falta à campanha de Soares:
A prisão de Jorge Coelho, Lamego, Lello... e de alguns outros "seus apoiantes"...
O que faz falta à campanha de Louçã:
Um comentário sobre futebol ou, não sendo sobre futebol, sobre um desporto qualquer... algo que demonstre que tem vida para além da política.
O que faz falta à campanha de Alegre:
A rescisão do contrato com os vendedores de bandeirolas nacionais.
O que faz falta à campanha de Cavaco:
Um apagão até 20 de Janeiro... e não só... que as pessoas não falem, não leiam, não pensem.
O que faz falta à campanha de Jerónimo:
A comunicação social.
O que faz falta à campanha de Soares:
A prisão de Jorge Coelho, Lamego, Lello... e de alguns outros "seus apoiantes"...
O que faz falta à campanha de Louçã:
Um comentário sobre futebol ou, não sendo sobre futebol, sobre um desporto qualquer... algo que demonstre que tem vida para além da política.
O que faz falta à campanha de Alegre:
A rescisão do contrato com os vendedores de bandeirolas nacionais.
O que faz falta à campanha de Cavaco:
Um apagão até 20 de Janeiro... e não só... que as pessoas não falem, não leiam, não pensem.
O que faz falta à campanha de Jerónimo:
A comunicação social.
Prémio Mobilidade - aos arquitectos e arquitectos estagiários que por aqui passem
Toda a atenção a este concurso - Prémio Mobilidade - Regulamento.
quinta-feira, novembro 17, 2005
Sobre a revolta em França
ia-europa um blog de três textos: Anabela Fino, Miguel Portas e Padre Mário de Oliveira - esperemos que continue.
Sobre o cumprimento da Constituição
1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.
quarta-feira, novembro 16, 2005
O candidato que tem medo de si próprio

Paulo Tunha, no pulo-do-lobo, fala naquela curiosidade que o Professor não quis satisfazer. "É a curiosidade, danada, arranha, sobretudo quando se esperam milagres da sua satisfação" - diz Paulo Tunha. Cavaco, segundo o seu apoiante, preocupou-se em distinguir o essencial do acessório, em não satizfazer a curiosidade alheia, insistiu naquilo que do seu ponto de vista era o importante, isto digo eu, a economia. Mas o que disse Cavaco sobre economia? Não lhes bastará a declaração da insuspeita (neste caso) Constança Cunha e Sá sobre a entrevista ao professor" Por mais finca pé que fizesse» não deu para «obter respostas para algumas das perguntas" - 24Horas.
Bichos Carpinteiros
A Joana Amaral Dias desde que foi anunciada como Mandatária da Candidatura de Mário Soares tem vindo a ser bombardeada com uma verborreia de insultos e comentários, por qualquer post que escreva. Poder-se-ia pensar que seria um tradicional ódio contra-poder, contudo no mesmo blog, JAD, coabita com José Medeiros Ferreira e Mário Bettencourt Resendes, personagens "bem mais públicas" e melhor relacionados com os poderes públicos. Nos comentários é um desfilar de anónimos que demonstram todo o seu ódio pela blogger.
Para mim há só uma explicação, é a tristeza dum país serôdio que vê com maus olhos que uma mulher tenha posições políticas, que as assuma e que lute por elas. O modelo ainda vigente, na cabeça destes anónimos rapados que por lá escrevem, é a da mulher cujo seu fado é permanecer calada e... possivelmente em casa.
Para mim há só uma explicação, é a tristeza dum país serôdio que vê com maus olhos que uma mulher tenha posições políticas, que as assuma e que lute por elas. O modelo ainda vigente, na cabeça destes anónimos rapados que por lá escrevem, é a da mulher cujo seu fado é permanecer calada e... possivelmente em casa.
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Blogues Presidenciais
dossier presidenciais 2006;
o quadrado;
super mário;
super cavaco;
mega cavaco;
stop cavaco;
hiper cavaco;
alegra portugal;
alegre presidente;
dar voz aos cidadãos;
cadaval com jerónimo;
manuela magno;
bandeira vermelha;
tinta fresca;
quadratura do círculo;
desgovernos da república;
o velho da montanha;
politica tsf;
pulo-do-lobo;
superalegre;
randomblog02.
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terça-feira, novembro 15, 2005
Cavaco e o medo de si próprio
Ontem foi o dia em que Cavaco voltou à televisão sem ser por imagens de arquivo.
Foi confrangedor ver a forma como o professor se procurava esgueirar às perguntas mais objectivas, sobre a forma como entendia as funções de Presidente da República. A amiga Constança Cunha e Sá, ainda tentou franzir-lhe o sobrolho para que dissesse pelo menos uma coisa que faria diferente de Sampaio, mas o professor assustado com as suas próprias ideias e maneira de ser, refugiou-se no respeito que tem ao Presidente da Repúblicapara não emitir opinião sobre os assuntos. Durante a campanha, Cavaco é quem tem mais medo de si próprio.
Foi confrangedor ver a forma como o professor se procurava esgueirar às perguntas mais objectivas, sobre a forma como entendia as funções de Presidente da República. A amiga Constança Cunha e Sá, ainda tentou franzir-lhe o sobrolho para que dissesse pelo menos uma coisa que faria diferente de Sampaio, mas o professor assustado com as suas próprias ideias e maneira de ser, refugiou-se no respeito que tem ao Presidente da Repúblicapara não emitir opinião sobre os assuntos. Durante a campanha, Cavaco é quem tem mais medo de si próprio.
segunda-feira, novembro 14, 2005
O Regresso à Bertrand
À medida que vou escrevendo assisto ao programa de Maria João Avilez com Zita Seabra na SIC Notícias. Uma hora de promoção da nova empresa editorial de Zita, sem enfeites e sem pudor. Quando sai o livro x?, que bonito!, Sucessos...foi este o registo da entrevistadora, ao passo que a entrevistada tinha a agenda bem estudada para poder mostrar tudo o que tinha trazido para mostrar. A única certeza é que já posso voltar a comprar na Bertrand.
São as sondagens, estúpido!

Comentar sondagens ésempre um desafio um pouco estúpido, pois as sondagens são normalmente encomendadas e manipuláveis para servir um qualquer interesse. Contudo não resisto a comentar a sondagem que este fim-de-semana dominou os telejornais, feita por aquele senhor do PS (Oliveira e Costa/Eurosondagem) e paga por aqueles senhores do PSD (Pinto Balsemão/Expresso, SIC e Rádio Renascença).
Em primeiro, surpresa das surpresas, aparece Cavaco com uma dinâmica de vitória reforçada pelos seus silêncios e discursos vagos apimentados por pequenas gaffes.
Em segundo lugar surge Soares com 18%, situação que não me espanta especialmente, se pensarmos em todo o aparelho do PS que, de momento, pertence ao aparelho de Estado e que seguramente terá a lógica de protecção dos seus interesses e partido, para além de alguns dependentes da Fundação Mário Soares. Parece-me que os 18% corresponderão a esses dependentes e respectivas famílias, o que significará sensivelmente, um milhão e duzentos mil votantes.
A surpresa, em meu entender, é o facto de aparentemente a Eurosondagem já saber que Soares surgiria em segundo, Alegre em terceiro, Louçã em quarto e Jerónimo em quinto, pois só assim poderia, com as quatro perguntas sobre a intenção de voto (de acordo com a ficha técnica), fazer a sondagem prevendo, sucessivamente, os casos de desistência de Jerónimo, Louçã e Alegre.
Sarkozi
Em França a revolta dos banlieue entra na sua terceira semana e, ao que parece, alastra de uma forma pontual, mas exponencial, para outros países Alemanha, Bélgica, Grécia e Holanda.
O Governo francês, continua a tomar conta da situação, dando a Sarkozi todo o protagonismo. O que já se percebeu é que o ministro não quer resolver o problema, mas sim inflamá-lo. A sua estratégia radical de combater pela força a escumalha de estrangeiros que põe em risco a descansada vida dos franceses, traz muitos votos para as eleições presidenciais, como aliás demonstram as últimas sondagens. Sarkozi está a dar corpo às políticas mais fascistas do pós-guerra em França, como são o recolher obrigatório ou a expulsão de estrangeiros.
O Governo francês, continua a tomar conta da situação, dando a Sarkozi todo o protagonismo. O que já se percebeu é que o ministro não quer resolver o problema, mas sim inflamá-lo. A sua estratégia radical de combater pela força a escumalha de estrangeiros que põe em risco a descansada vida dos franceses, traz muitos votos para as eleições presidenciais, como aliás demonstram as últimas sondagens. Sarkozi está a dar corpo às políticas mais fascistas do pós-guerra em França, como são o recolher obrigatório ou a expulsão de estrangeiros.
1994 | O cavaquismo
O cavaquismo caracteriza-se não só por opções políticas ou económicas mas também como formas de relacionamento, através da comunicação social, com as pessoas em geral - a frieza, a mentira, a arrogância, o silêncio ou a tentativa de ocultação das situações mais embaraçosas.
Recordo, neste capítulo das minhas memórias do que foi o cavaquismo, a proliferação de casos de polícia, ora ocultados ora desvalorizados pelos agentes do poder e designadamente por Dias Loureiro eterno tropa de choque de Cavaco.
A 30 de Junho de 1994 o Público dava destaque a uma série de histórias de violência policial, nunca averiguadas ou pelo menos sempre sem conclusões. Das balas de borracha disparadas para o ar (Dias Loureiro) que na ponte 25 de Abril, tornaram paraplégico o Luís Miguel (18 anos). O caso de Romão Monteiro (31 anos) cidadão de etnia cigana e alegadamente morto (na primeira versão oficial ter-se-ia suicidado) na esquadra de Matosinhos da PSP. A baladisparada por um agente da PSP numa festa do PS em Ponta Delgada, que matou João Paulo Aguiar (16 anos), e que da respectiva investigação foram identificados os dois agentes que dispararão as balas, mas que foram absolvidos por nunca se ter encontrado o projéctil. A estória de Armindo Reis Tomás (40 anos) casado e com uma filha de 10 anos, baleado enquanto conduzia o seu automóvel por um soldado da Guarda Fiscal, que foi apenas acusado de homicídio por negligência e remetido para um tribunal militar, que nem sequer permitiu à viúva da vítima constituir advogado de acusação. A situação de Alexandre Luís Garvanita (19 anos) estudante universitário abordado nas ruas de Setúbal por um agente da PSP e sem qualquer razão aparente levado para a esquadra, espancado e apelidado de porco angolano e preto abrilhantado por um volta para o teu país, da qual resultou em tribunal o pagamento de 150 contos e umas quantas penas suspensas para os intervenientes. Por último o caso de Paulo Portugal, talhante da Charneca da Caparica, que por contestar uma multa foi espancado, arrastado pelos cabelos, humilhado e metido numa prisão durante uma noite, tendo ficado com traumatismos no crânio e tórax, equimoses nos braços, costas e sobretudo no rosto alegadamente provocadas pelos seis agentes acusados.
Mas estes eram só os casos que o Público do dia 30 de Junho de 2004 relatava. Uma leitura mais detalhada, obrigar-nos-ia a reler os inúmeros casos, que a Amnistia Internacional ia descrevendo nos seus relatórios anuais sobre Portugal,e que contavam com o silêncio colaborante dos governantes e de Cavaco.
Recordo, neste capítulo das minhas memórias do que foi o cavaquismo, a proliferação de casos de polícia, ora ocultados ora desvalorizados pelos agentes do poder e designadamente por Dias Loureiro eterno tropa de choque de Cavaco.
A 30 de Junho de 1994 o Público dava destaque a uma série de histórias de violência policial, nunca averiguadas ou pelo menos sempre sem conclusões. Das balas de borracha disparadas para o ar (Dias Loureiro) que na ponte 25 de Abril, tornaram paraplégico o Luís Miguel (18 anos). O caso de Romão Monteiro (31 anos) cidadão de etnia cigana e alegadamente morto (na primeira versão oficial ter-se-ia suicidado) na esquadra de Matosinhos da PSP. A baladisparada por um agente da PSP numa festa do PS em Ponta Delgada, que matou João Paulo Aguiar (16 anos), e que da respectiva investigação foram identificados os dois agentes que dispararão as balas, mas que foram absolvidos por nunca se ter encontrado o projéctil. A estória de Armindo Reis Tomás (40 anos) casado e com uma filha de 10 anos, baleado enquanto conduzia o seu automóvel por um soldado da Guarda Fiscal, que foi apenas acusado de homicídio por negligência e remetido para um tribunal militar, que nem sequer permitiu à viúva da vítima constituir advogado de acusação. A situação de Alexandre Luís Garvanita (19 anos) estudante universitário abordado nas ruas de Setúbal por um agente da PSP e sem qualquer razão aparente levado para a esquadra, espancado e apelidado de porco angolano e preto abrilhantado por um volta para o teu país, da qual resultou em tribunal o pagamento de 150 contos e umas quantas penas suspensas para os intervenientes. Por último o caso de Paulo Portugal, talhante da Charneca da Caparica, que por contestar uma multa foi espancado, arrastado pelos cabelos, humilhado e metido numa prisão durante uma noite, tendo ficado com traumatismos no crânio e tórax, equimoses nos braços, costas e sobretudo no rosto alegadamente provocadas pelos seis agentes acusados.
Mas estes eram só os casos que o Público do dia 30 de Junho de 2004 relatava. Uma leitura mais detalhada, obrigar-nos-ia a reler os inúmeros casos, que a Amnistia Internacional ia descrevendo nos seus relatórios anuais sobre Portugal,e que contavam com o silêncio colaborante dos governantes e de Cavaco.
sábado, novembro 12, 2005
Com a chegada à blogosfera do Pulo do Lobo os blogues mais activos nas presidênciais lançaram-se numa escrita compulsiva. Já temos alguém do outro lado e isso é salutar.
Contudo até agora o Pulo do Lobo tem-se unicamente preocupado em justificar o silêncio do homem do leme. Aguarda-se para breve o momento em que darão argumentos para votar Cavaco.
Contudo até agora o Pulo do Lobo tem-se unicamente preocupado em justificar o silêncio do homem do leme. Aguarda-se para breve o momento em que darão argumentos para votar Cavaco.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Debates segundo Pacheco Pereira
Pacheco Pereira fála-nos sobre os debates para as presidênciais ilucidando-nos que afinal a questão se resume a uma "estratégia de comunicação". O problema não está na forma, está na ausência...
Capitalismo
Quando a Direita fala das principais causas dos acontecimentos em França refere sempre os problemas de integração, dos estrangeiros, do desemprego. Mas quem se manifesta são franceses como Zidane, Pires ou Henry, vivem e sempre viveram em França e muito possivelmente nem estão desempregados - mas sentem-se excluidos. O problema não é, por isso, conjuntural é da sociedade.
Contudo a sociedade em que vivemos até vive bem com estes acontecimentos, veja-se o nível de aceitação das leis repressivas impostas pelo governo francês. Já alguém ouviu o mesmo governo, nos útlimos 14 dias, anunciar alguma medida que procure ir à raiz dos problemas?
Contudo a sociedade em que vivemos até vive bem com estes acontecimentos, veja-se o nível de aceitação das leis repressivas impostas pelo governo francês. Já alguém ouviu o mesmo governo, nos útlimos 14 dias, anunciar alguma medida que procure ir à raiz dos problemas?
quarta-feira, novembro 09, 2005
Toutes les banlieues s'ressemblent alors j'voudrais que toutes les banlieues s'rassemblent!
Na dificuldade de encontrar informação sobre o que se passa em França aqui fica um blog francês que vale por algumas imagens dos acontecimentos: http://cites2france.skyblog.com
Nos próximos dias tentarei encontrar mais, este foi com a ajuda do céu sobre lisboa
Nos próximos dias tentarei encontrar mais, este foi com a ajuda do céu sobre lisboa
terça-feira, novembro 08, 2005
Al Berto
"(...) porque Cavaco simboliza aquilo que mais náuseas me provoca: a banalização de tudo, o sucesso ranhoso e vazio, o atropelo dos valores e das pessoas, o autoritarismo descabelado, a demagogia, o nacional-carreirismo e os favores, a aldrabice e a cunha, a indiferença, o elogio da pirosice, a ignorância e a escandalosa nulidade cultural, etc, etc..."
Al berto, "NEM MAIS - jornal do movimento de jovens apoiantes incondicionais de sampaio", 1995
Al berto, "NEM MAIS - jornal do movimento de jovens apoiantes incondicionais de sampaio", 1995
segunda-feira, novembro 07, 2005
1995 | O traidor e a sua estratégia pessoal
Em 1995 Cavaco Silva anuncia, após um longo tabu, que não se recandidataria à liderança do PSD porque, dizia querer estar mais tempo com a família. Durante a campanha de 1995 o seu "amigo" Fernando Nogueira, candidato do PSD a primeiro ministro, anuncia que o professor se candidataria à Presidência da República. O professor que um dia havia dito que nunca tinha dúvidas e que raramente se enganava, imediatamente lhe puxa o tapete, em plena campanha, desmentindo-o naquilo que mais tarde se revelaria verdade. Nove meses após ter declarado que queria reservar mais tempo à família o "professor que nunca foi político" lançava-se para mais um voo.
1985 | O ano da primeira traição
Cavaco, desempenhou o seu primeiro cargo no Governo, como Ministro das Finanças, em 1982 (há 23 anos) depois foram treze anos no Governo! Contudo, em 1985, já como lider do PSD dá-se uma das batalhas históricas da nossa curta democracia: as Eleições Presidênciais que oposeram na 2ª volta Freitas do Amaral a Mário Soares. Cavaco, após a derrota de Freitas que nunca assumiu como sua, deixou-o completamente sózinho. Sabe-se hoje que aquela campanha foi das mais caras, e que Freitas a pagou durante anos.
sábado, novembro 05, 2005
1 de Outubro de 1995 | A primeira derrota eleitoral de Cavaco
"Portugal acorda hoje como um país muito diferente", assim começava o editorial do "Público" do dia 2 de Outubro, escrito pelo seu director Vicente Jorge Silva, mais tarde deputado do PS e Blogger do Causa Nossa. Na primeira pasta, o "Público" desenhava a nova configuração da Assembleia da República na qual PS e PCP/PEV, com quatro deputados ainda por apurar, somavam 55,75% dos votos.O PS, em comparação com os resultados de 1991, tinha mais 900 mil votos e não chegava à maioria absoluta, o PSD (de Fernando Nogueira) perdia quase um milhão de votos e o PP tinha um resultado histórico à custa do PSD passando a ser a terceira força em número de votos (mais 250 mil). O PCP-PEV não sofria tanto com o voto útil no PS como as sondagens haviam prognosticado, mas continuava a descida em número de votantes (menos 1000) e deputados (menos 2 deputados). O PSR, ao contrário do que diziam as sondagens, inclusivamente, as da noite eleitoral, não elegia mais uma vez, Francisco Louçã, perdendo quase metade dos seus votantes (menos 30 mil votos).Era há dez anos, e na TSF os resultados iam sendo comentados por Teresa Sousa, Carlos Magno e Marcelo Rebelo de Sousa. Foi aquele famoso ano em que a SIC se adiantou a todos, revelando às 18h24 ainda com o acto eleitoral a decorrer, que Guterres havia ganho.No dia 2 de Outubro acordávamos mais livres. Cavaco embora se tivesse escondido por trás de um tabú, tinha perdido pela primeira vez.No PSD começava o tiroteio em que se pedia a cabeça de Fernando Nogueira e, Durão Barroso, apelava à candidatura de Cavaco à Presidência da República. Um actor, daqueles que dez anos depois nunca mais ouvimos falar - Ribeiro da Silva, preidente da distrital de Braga do PSD de acordo com o Público "íntimo de Eurico de Melo", colocava-se ao lado do líder, dizendo "Tenho umas coisas a dizer ao prof. Cavaco Silva, mas vou dizê-las a sós". Já então Cavaco havia prejudicado o seu partido em prol da sua estratégia pessoal.
O dia mais longo de Dias Loureiro | Re-mataria
Passavam poucos minutos das cinco da manhã quando o telefone tocou. Do outro lado, um comandante da GNR avisava que a Ponte 25 de Abril estava bloqueada. Centenas de cidadãos barricaram-se em protesto pelo aumento das portagens. Dias Loureiro, na altura Ministro da Administração Interna, começava assim o dia mais longo da sua vida profissional. «Foram momentos dramáticos. É complicado tomar a decisão de avançar com a força, nunca se sabe o que vai acontecer. Foi, sem sombra de dúvida, o dia mais difícil da minha carreira» assegura o homem que, há 12 anos, enfrentou o bloqueio da ponte. E que hoje, garante, «faria tudo igual».
O então ministro de Cavaco Silva passou grande parte desse dia 21 de Junho de 1994 «sozinho». Entrou no gabinete às seis da manhã e ordenou que se mobilizasse um camião grua, o único meio capaz de retirar os camiões da ponte. «Mas a grua estava em Tancos e era impossível chegar antes das 15 horas». Entretanto, as filas de trânsito atingiam dimensões históricas, milhares de pessoas estavam impedidas de chegar ou sair da capital. E o primeiro-ministro estava fora do país. «Convidei outro ministro(*) para me acompanhar numa visita ao local, mas ele não aceitou», lembra Dias Loureiro, que aterrou no largo das portagens por volta das 10 horas. «Deixei claro que o Governo não ia conversar, queriamos a ponte desimpedida». Mas ninguém arredou pé. O ministro voltou para o ministério. «Foi a fase mais complicada do dia. Proibi que me dessem notícias para que o ruído não interferisse na minha decisão». Antes de avançar, falou com o Presidente da República, mas Mário Soares defendeu o direito à indignação. «A sua posição isolou-me», diz.
Acabaram por sair a mal. «Por volta das três da tarde, actuámos mesmo e as coisas compuseram-se», é como Dias Loureiro resume os confrontos entre manifestantes e polícia. No final, um rapaz ficou paraplégico, mas «as coisas podiam ter sido mais graves». Quando chegou a casa, Dias Loureiro tomou um banho e deitou-se, «com a sensação de que tinha feito aquilo que devia fazer», remata.
(*) Ferreira do Amaral
in Público, Suplemento DIAD, 31.10.2005
O então ministro de Cavaco Silva passou grande parte desse dia 21 de Junho de 1994 «sozinho». Entrou no gabinete às seis da manhã e ordenou que se mobilizasse um camião grua, o único meio capaz de retirar os camiões da ponte. «Mas a grua estava em Tancos e era impossível chegar antes das 15 horas». Entretanto, as filas de trânsito atingiam dimensões históricas, milhares de pessoas estavam impedidas de chegar ou sair da capital. E o primeiro-ministro estava fora do país. «Convidei outro ministro(*) para me acompanhar numa visita ao local, mas ele não aceitou», lembra Dias Loureiro, que aterrou no largo das portagens por volta das 10 horas. «Deixei claro que o Governo não ia conversar, queriamos a ponte desimpedida». Mas ninguém arredou pé. O ministro voltou para o ministério. «Foi a fase mais complicada do dia. Proibi que me dessem notícias para que o ruído não interferisse na minha decisão». Antes de avançar, falou com o Presidente da República, mas Mário Soares defendeu o direito à indignação. «A sua posição isolou-me», diz.
Acabaram por sair a mal. «Por volta das três da tarde, actuámos mesmo e as coisas compuseram-se», é como Dias Loureiro resume os confrontos entre manifestantes e polícia. No final, um rapaz ficou paraplégico, mas «as coisas podiam ter sido mais graves». Quando chegou a casa, Dias Loureiro tomou um banho e deitou-se, «com a sensação de que tinha feito aquilo que devia fazer», remata.
(*) Ferreira do Amaral
in Público, Suplemento DIAD, 31.10.2005
Havana, CUBA - Setembro de 1963, ENCONTRO DE ESTUDANTES DE ARQUITECTURA DA UNIÃO INTERNACIONAL DOS ARQUITECTOS | Sobre o Ser Político
"O arquitecto, como todo o profissional, é um homem e está dentro da sociedade. Pode reunir-se em organismos internacionais apolíticos - e é correcto que assim seja - para manter a convivência e a coexistência pacífica, mas dizer como homem que se é apolítico, é coisa que não entendo.
Ser apolítico é estar de costas para todos os movimentos do mundo, estar de costas para quem vai ser presidente ou mandatário da nação de que se trate, é estar de costas para a construção da sociedade, ou para a luta para que a nova sociedade para que se aponta não surja. Em qualquer dos casos é-se político. Um homem na sociedade moderna é político por natureza."
CHE GUEVARA, Ernesto (1964), "Hasta Siempre - Obras Escolhidas", Hugin Editores, Janeiro de 1998.
Ser apolítico é estar de costas para todos os movimentos do mundo, estar de costas para quem vai ser presidente ou mandatário da nação de que se trate, é estar de costas para a construção da sociedade, ou para a luta para que a nova sociedade para que se aponta não surja. Em qualquer dos casos é-se político. Um homem na sociedade moderna é político por natureza."
CHE GUEVARA, Ernesto (1964), "Hasta Siempre - Obras Escolhidas", Hugin Editores, Janeiro de 1998.
6 de Maio de 1994 | "Isso não é nada comigo!"
Diamantino Durão e Coutos dos Santos já haviam tido passagens meteóricas pelo Ministério da Educação, mas quem lhes tinha sucedido, Manuela Ferreira Leite, tinha objectivos de maior longevidade na política portuguesa.
Interpelada pelo Diário de Notícias*, sobre as cargas policiais nas manifestações dos estudantes do secundário de dia 4 de Maio, Manuela Ferreira apenas afirmou "Isso não é nada comigo!". Já tinha aprendido!
Nas mesma página, o DN, faz referência a um aluno da Escola C+S de Sabrosa em Vila Real, que terá sido arrastado pelos cabelos para dentro de uma sala de aula por um professor que não o deixou fazer greve. Outros colegas afirmavam também terem sido coagidos a não participar no protesto.
* Diário de Notícias, Sexta-Feira 6 de Maio de 1994
Interpelada pelo Diário de Notícias*, sobre as cargas policiais nas manifestações dos estudantes do secundário de dia 4 de Maio, Manuela Ferreira apenas afirmou "Isso não é nada comigo!". Já tinha aprendido!
Nas mesma página, o DN, faz referência a um aluno da Escola C+S de Sabrosa em Vila Real, que terá sido arrastado pelos cabelos para dentro de uma sala de aula por um professor que não o deixou fazer greve. Outros colegas afirmavam também terem sido coagidos a não participar no protesto.
* Diário de Notícias, Sexta-Feira 6 de Maio de 1994
24 de Novembro de 1993 | As cargas policiais sobre os estudantes
"Chama-se Gilberto Raimundo, tem 21 anos, e foi ontem, à frente da Assembleia da República brutalmente espancado por um polícia. Um rosto, a sangrar, entre outros. Milhares de estudantes protestavam contra as propinas. A polícia investiu e nem o Major Tomé foi poupado.
Atacaram pelas costas e foi isso que mais chocou os estudantes. Os traseuntes, também, que, estando ali por acaso foram alvo da bordoada. Um idoso foi espancado. Estava ao pé da paragem 100."
Cadi Fernandes, Diário de Notícias, Quinta-Feira 25 de Novembro de 1993
No dia 24 de Novembro de 1993, Dias Loureiro e Cavaco Silva, foram a voz de comando para que o Corpo de Intervenção da PSP, espancasse os estudantes desobedientes e os mirones da manifestação que decorria nas escadarias da Assembleia da República. Couto dos Santos, então Ministro da Educação, foi atropelado pelos acontecimentos. As manifestações sucederam-se e, Cavaco e Loureiro que nunca foram de "solidariedades", optaram por lançar fora do barco Couto dos Santos - aquele que dos três seria o menos responsável pelos acontecimentos.
Cavaco, não comentava as manifestações nem as propinas, mas fazendo com que Couto dos Santos se demitisse conseguia concentrar neste todas as responsabilidades. O seu silêncio procurava cobardemente disfarçar as suas responsabilidades. Ainda faltavam dois anos para Cavaco ser derrotado!
Atacaram pelas costas e foi isso que mais chocou os estudantes. Os traseuntes, também, que, estando ali por acaso foram alvo da bordoada. Um idoso foi espancado. Estava ao pé da paragem 100."
Cadi Fernandes, Diário de Notícias, Quinta-Feira 25 de Novembro de 1993
No dia 24 de Novembro de 1993, Dias Loureiro e Cavaco Silva, foram a voz de comando para que o Corpo de Intervenção da PSP, espancasse os estudantes desobedientes e os mirones da manifestação que decorria nas escadarias da Assembleia da República. Couto dos Santos, então Ministro da Educação, foi atropelado pelos acontecimentos. As manifestações sucederam-se e, Cavaco e Loureiro que nunca foram de "solidariedades", optaram por lançar fora do barco Couto dos Santos - aquele que dos três seria o menos responsável pelos acontecimentos.
Cavaco, não comentava as manifestações nem as propinas, mas fazendo com que Couto dos Santos se demitisse conseguia concentrar neste todas as responsabilidades. O seu silêncio procurava cobardemente disfarçar as suas responsabilidades. Ainda faltavam dois anos para Cavaco ser derrotado!
APELO
Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver.Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos Dias Loureiro, Diamantino Durão ou Couto dos Santos. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres" se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas.Fomos desobedientes naquela altura e agora volta a ser necessário que voltemos a sê-lo.Entretanto fomo-nos encontrando, seja por amizade, profissão ou até mesmo aqui nos blogues. Hoje vamos ter de voltar a juntarmo-nos para desobedecer!Proponho que constituamos um blog de desobedientes para lutar contra Cavaco Silva e tudo aquilo que ele significa. Um blog constituído por pessoas que, independentemente de apoiarem Soares, Alegre, Jerónimo, Louçã ou nenhum destes, entendem que o principal objectivo destas eleições é o de derrotar Cavaco, apoiando na segunda volta qualquer que seja o candidato da esquerda.Aqui fica o apelo!
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