segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Admissão à Ordem dos Arquitectos

Gostaria de iniciar este texto com uma resumida síntese histórica do processo:
Em 2000 a OA, aprovou um documento intitulado Regulamento Interno de Admissão (RIA) que procurava estabelecer alguma regulação sobre a desenfreada criação de cursos de arquitectura que nos anos 90 o Estado havia permitido e incentivado. Este processo dividia as licenciaturas de arquitectura em Reconhecidas e Acreditadas, criando um estágio obrigatório de um ano e uma prova final para os licenciados provenientes dos cursos que apenas eram Reconhecidos. O RIA foi parcialmente suspenso em 2001, continuando apenas em vigor os processos de Reconhecimento e Acreditação dos diferentes cursos. Em 2002, com a entrada da nova direcção da OA (da qual faço parte desde então) foi levantada a suspensão e iniciado o processo de admissão à OA de acordo com o documento de 2000. Surgiram os problemas conhecidos; provas que implicavam a enunciação de um projecto de arquitectura a ser realizado em oito horas sobre uma folha de papel vegetal, a inconstitucional (a opinião éminha) distinção entre cursos de arquitectura, as contratações de docentes só para Ordem ver...
A OA, fazendo a inevitável autocrítica, iniciou a revisão do RIA criando o Regulamento de Admissão (RA) actualmente em vigor, ferido à nascença pela desnfreada acreditação de uns quantos (poucos) cursos de arquitectura em 2000, que dava direitos adquiridos a licenciaturas até 2007. Assim o RA sobreviverá até 2007 enquanto documento de transição.

Esta reflexão foi produzida no âmbito do processo de revisão do Regulamento de Admissão à Ordem dos Arquitectos e na sequência do debate que já perpassou por vários blogues (complexidade e contradição, posthabitat ou blasfémias)
Este texto tem como objectivo expor aquilo que penso, sobre o modelo de admissão à Ordem dos Arquitectos que poderá vir a ser preparado para 2007. Só analisarei a relação Ordem/Candidato deixando de lado a relação Ordem/Estabelecimentos de Ensino, que reconheço ser igualmente complexa.
Parto da premissa que por agora me parece ser a mais consensual, de que todos os candidatos serão sujeitos aos mesmos procedimentos. Parto também de uma segunda premissa que, por mais imaginativos que possamos serou por mais sistemas estrangeiros que tenhamos estudado, existem três instrumentos ao nosso dispor para conduzir o processo de admissão: Estágio, Acções de Formação e Prova Final.
Optei por resumir em diagramas os diferentes procedimentos, de modo a tornar mais clara esta reflexão.

O primeiro diagrama reflecte o modelo actualmente existente.
A leitura que faço deste modelo, que em parte herdámos, revelou problemas em duas áreas.
O peso determinante da Prova. De facto para os candidatos provenientes de cursos reconhecidos apenas conta a prova. Assistimos por isso ao abanar do sistema quando produzimos uma prova da qual resultou uma percentagem exagerada de reprovações. Esta questão veio a ser aligeirada, pelo facto de passo a passo todas as licenciaturas se terem apresentado a acreditação, restando apenas 3 ou 4 licenciaturas reconhecidas, o que se reflecte numa diminuição significativa do número de candidatos que têm de fazer a prova.
Por outro lado, os estágios obrigatórios, tiveram um efeito devastador no mercado de trabalho assalariado, desregulando-o. Os milhares de estagiários que anualmente procura lugar para estagiar, aceitando fazê-lo de uma forma gratuita, veio a provocar inúmeras situações de substituição de jovens arquitectos por um, dois ou três estagiários, causando um aumento de desemprego na classe, sobretudo nos membros mais jovens e cujas consequências sociais ainda estão por avaliar. Por outro lado também surgiram autênticos ateliers-sombra compostos por estagiários sem vencimento e por patronos ausentes, sem custos e só com proveitos.
Pela análise que faço dos erros do anterior modelo de Admissão não posso concordar com o sistema que define a universalidade de estágio e prova.

Reconhecendo que torna o sistema mais justo, ao ser aplicável a todos os candidatos, poderá vir a traduzir-se num monstro ainda maior, pelo facto de aumentar exponencialmente o número de candidatos que realizarão a prova. O que sucederáse os resultados se mantiverem na ordem dos 90% de reprovação?
No que diz respeito às acções de formação, apesar de ser unânime, a tentativa de melhoria da sua qualidade global, existe a dúvida da sua avaliação e se terá algum peso, na prova final.
Os estágios, nesta proposta, mantêm-se nos moldes actuais, embora haja quem defenda que se estenda o seu período para dois anos. Esta questão levanta-me uma dúvida imediata: que escritório de arquitectura poderáassegurar dois anos de trabalho remunerado (que também existe) a um estagiário? Muito poucos. Se um ano de estágio desregulou muito, dois anos de estágio desregulará muito mais.
Gostaria ainda de escrever, que dos países (poucos) que conheço o sistema de admissão às respectivas associações profissionais, não existe nenhuma formulação que vá muito para além destes três instrumentos - Formação, Estágio, Prova. Contudo não conheço nenhum, exceptuando o nosso, que aplique os três instrumentos em conjunto, na sua admissão.

O que proponho:

1. MODELO DE AVALIAÇÃO CONTÍNUA
A manutenção da situação actual do Estágio, apenas limitando a possibilidade do Patrono ser parte da Entidade de Acolhimento, para que exista uma maior independência na resolução de eventuais problemas que se coloquem entre o Estagiário e a Entidade de Acolhimento, por parte do Patrono.
Por outro lado, durante o período de estágio, ou quando o entender (para precaver estágios no estrangeiro), o candidato à Ordem dos Arquitectos terá de acumular um número mínimo de créditos em acções de formação nas quais obtenha aproveitamento.
O finalizar do processo de admissão à Ordem dos Arquitectos, passa a ser uma verificação dos números de créditos obtidos nas acções de formação, do cumprimento dos objectivos reflectidos pelo relatório de estágio e do parecer positivo do Patrono. Retira-se da Ordem dos Arquitectos o ónus de conceber, produzir e avaliar a Prova de Admissão.


2. MODELO COM PROVA
Este modelo parte do actualmente proposto, retirando o Estágio.
Sendo a Prova Final o elemento decisor na avaliação da admissão, julgo que o Estágio poderá ser dispensado. O estágio profissional não acrescenta nada e apenas torna o processo mais pesadopara a OA, na medida em que tem de analisar as propostas de estágio e relatórios finais, isto se não houver nenhum problema durante o estágio. Não tendo, até hoje,havido qualquer reprovação no Estágio e continuando a não se prever reprovações, parece-me óbvio concluir que a Ordem apenas tem pretendido verificar se o candidato exerceu actividade profissional durante o ano transacto. Para quê?
Existindo acções de formação, que em teoria fornecerão ao candidato as ferramentas que a Academia não dá, para exercer os actos próprios da profissão, e a prova final para avaliar os conhecimentos para o exercício, não posso compreender que mais valia trará à Ordem dos Arquitectos o candidato ter estado a exercer a actividade profissional no ano transacto.
Aliás, a questão poder-se-á também por de forma inversa: de quem é a responsabilidade se o candidato chumbar na Prova Final? Patrono/Entidade de acolhimento, Licenciatura, Candidato ou Ordem?
O modelo que proponho é baseado nos dois instrumentos: Acções de Formação e Prova Final.
Para não correr o risco de a Prova Final ser um monstro reprovatório parece-me fundamental que apenas signifique 50% da avaliação, ficando reservado os outros 50% à avaliação decorrente das Acções de Formação. Durante este processo o candidato poderá exercer a actividade profissional que entender e poderá ir-se inscrevendo nas acções de formação àmedida que forem disponibilizadas pela Ordem. Quando o candidato atingir o número de créditos estabelecido poder-se-á propor à prova final.

Com as propostas de modelos que aqui faço não considero ter encontrado um modelo imbatível e ideal para a admissão à Ordem dos Arquitectos. Continuo a afirmar que entendo que essa não deverá ser a competência da Ordem dos Arquitectos mas sim do Estado. Para mim o modelo ideal será aquele em que o Estado indica anualmente à Ordem dos Arquitectos os licenciados em arquitectura habilitados a exercer a profissão. Contudo o problema existe e cumpre à Ordem dos Arquitectos zelar pelo exercício da profissão em prol do bem público e colectivo.

[1 de Março] Mais argumentos que entretanto fui lendo:
Arqportugal
Arte da Fuga
Hardblog
Quase em Português

A UniPop avança

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Porque Tchernobyl nunca existiu

Ontem na FIL houve uma conferência sobre a energia nuclear, promovida pela Ordem dos Engenheiros, CIP e AIP e que contou com um mui ilustre público a assistir - secretário de estado e tudo. Quando estava na Ordem dos Arquitectos já tinha passado pelos meus olhos o convite para esta conferência, e na altura tinha-me ingenuamente interrogado sobre a oportunidade do evento. A minha interrogação ficou esclarecida no telejornal da SIC Notícias.
A história conta-se da seguinte forma:
Existe um senhor chamado Patrick Monteiro de Barros, daqueles ricos fachos sempre bem relacionados com o poder, que pretende fazer numa qualquer zona de Portugal uma central nuclear para "seu lucro próprio" e "sem subsídios nem apoios do estado" conforme afirma. Este senhor, a quem desconheço qualquer actividade em prol do país, já reuniu com o Governo com o qual combinou manter segredo sobre as negociações durante as eleições "municipais" e presidenciais.
Pondo de lado o perigo que esta solução se afigura com um governo pronto a lamber as botas a um qualquer idiot€, é divertido ouvir a argumentação do dito senhor.
"Toda a gente sabe", "é fácil armazenar os lixos" e "como se faz nos outros países", são as expressões que dominam a arguência, rematando com a exclamação que na Europa nunca ninguém tinha morrido por um acidente nuclear!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

http://worm.wonderm00n.blog.com.pt/

Neste mural digital já se pode ver as "liberdades creativas" deste que vos escreve.

BENFICA

Hoje ainda sou mais vermelho: o Benfica lá ganhou a uma equipa que parecia ser treinada pelo Trapattoni.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

A Saúde da Nação II

A Saúde não é sustentável. A culpa será dos doentes ou dos diversos governos que a administraram?
Raciocínio similar:
Não tenho fome. A culpa será da minha mãe ou será por ter acabado de almoçar?

A Saúde da Nação I

O Ministro da Saúde quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde respeitando a Constituição. Diz este responsável da nação que as despesas na Saúde aumentam exponencialmente e que em breve se as coisas não se inverterem a gratuitidade deixará de ser sustentável.
Pois eu, ao contrário do que seria de supor rebato esta ideia dizendo que a Saúde dá lucro, aliás dá muito lucro.
Utilizando a mesma lógica capitalista que o Sr. Ministro utiliza para fazer a sua avaliação diria que a sustentabilidade é o produto resultante entre os proveitos e os custos ou, com uma linguagem menos contabilística, entre as receitas e as despesas. Ora as receitas na Saúde são maioritariamente provenientes dos Impostos, diria mais, quando os portugueses preenchem a sua declaração de IRS deveriam poder dizer para onde gostariam de ver canalizados os seus impostos. Não tenho dúvidas de que a partir desse momento a Saúde e a Educação passariam largamente sustentáveis. Ao invés, talvez o salário do Sr. Ministro deixasse de o ser.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

# Itália - Democracia Ocidental


A senhora ao lado de Berlusconi chama-se Maria Antonietta Cannizzaro, mulher de Gaetano Saya.
Gaetano Saya é fundador de um partido chamado Nuovo MSI - Destra Nazionale, que conforme se pode ver na foto foi à pouco tempo preso por ter criado um serviço secreto paralelo para atingir e detectar extremistas islâmicos.

A sua mulher, Maria Antonietta Cannizzaro, recentemente eleita Presidente do Nuovo MSI, foi negociar com Berlusconi a entrada nas listas da coligação de direita do seu movimento.

fonte La Repubblica

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

# Eleições em Itália


As eleições que conduzirão à queda de Berlusconi aproximam-se. Tenho vindo a acompanhá-las através do La Repubblica e do Il Manifesto.
A questão do momento são as declarações de Prodi, lider da grande coligação de centro-esquerda, referindo que a Rifundazione Comunista pode vir a ter as pastas da Justiça, Educação e Saúde.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Mandamentos de Pacheco Pereira para os debates na Blogosfera

O Pai da blogosfera portuguesa mostra-nos neste post quais são as Leis do Abruto para o debate na blogosfera:
1. Evitar discutir a Posição, procurar atacar a Contradição.
2. A ferocidade dos comentários está em relação directa com o seu anonimato mais o número de comentários produzidos por metro quadrado de ecrã / dia.
3. A esmagadora maioria dos temas, comentários, reacções, alinhamentos, posições é absolutamente previsível.
4. A blogosfera tem horror ao vazio.
5. O carácter lúdico dos blogues diminui à medida que a importância da blogosfera aumenta na atmosfera.
6. O tribalismo é a doença infantil da blogosfera.
Ainda não tendo chegado à anunciada décima Lei, permito-me desde já identificar uma falta grave:
Dar destaque tanto à opinião como ao contraditório - estabelecendo ligações para todos os críticos e comentadores que se identifiquem.

As vantagens de ter Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia

Lei Bolkestein

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Parabéns atrasados

ao Renas e Veados.

Bloggers libertários

É interessante constatar que os bloggers que na questão dos "cartoons", mais dizem defender a liberdade de expressão, esquecem-se dela na sua própria caixa de comentários...

Onde andam os americanos?

Uns "cartoons" publicados por um insignificante jornal de extrema-direita dinamarquês, devidamente impulsionados pelas organizações muçulmanas mais radicais e "bem cobertos" pelos media globais, tiveram mais destaque, do que os prédios habitados por turcos incendiados pela extrema-direita alemã em Berlim ou as barbaridades cometidas pelas tropas de ocupação do Iraque. Porquê?
Se compararmos os exemplos à luz da "ética da civilização ocidental" de que tanto se fala, dir-se-ia que os "cartoons" seriam, à partida, uma não notícia. Contudo foi explorado e difundido esperando a reacção dos bárbaros.
E a reacção lá chegou. Por alguns países foram sendo incendiadas embaixadas de países europeus (porque não americanas?) belas peças de radicalismo e de terror que, bem difundidas, propagam o medo da outra civilização.
Assim, os europeus aparecem na vanguarda da civilização ocidental e, quase a uma só voz, vão afirmando a sua superioridade ética e moral, sobre os povos muçulmanos maioritariamente governados por tiranos corruptos, lá colocados pelas civilizações ocidentais.
A par disto, crescem as notícias sobre o radicalismo do presidente do Irão, pelas suas posições relativamente ao nuclear e a "unânime" crítica internacional. Prepara-se a invasão…
E onde estão os americanos?
Os americanos desapareceram da cena internacional deixando os europeus como idiotas úteis (a expressão é do Daniel Oliveira) que propagam a noção de civilização superior, argumento complicado de dirimir dentro dos Estados Unidos pela representatividade da sua comunidade muçulmana. Deste modo irão mais tarde recolher os argumentos para voltar a lançar uma investida no Médio Oriente, designadamente no Irão, desta vez com um pouco mais de apoios internacionais. O domínio do Irão significa o domínio absoluto do Médio Oriente e principalmente do seu petróleo. No momento em que a América Latina foge ao jugo americano há que continuar a garantir o alimento do Império.
A Guerra continua.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O famoso instinto de superioridade ocidental

"Após o 11 de Setembro de 2001, a generalidade das discussões sobre este tema estão viciadas entre o radicalismo bélico e o militantismo relativista. Este documento é por isso um contributo para explorar uma alternativa a essa dicotomia, subscrito por cidadãos e cidadãs com percursos distintos e filiações políticas muito diversas, à esquerda e à direita, com ou sem religião, que têm leituras por vezes opostas quanto ao terrorismo e à sua prevenção. Em comum têm porém a recusa na cedência de um conjunto de princípios que, no seu entender, poderão traduzir parte do património civilizacional ocidental. A começar pela liberdade de expressão, que pode e deve ser um valor universal."

Circula na internet um abaixo assinado, para o qual não faço o link pois não o subscrevo, mas que se pode chegar através do Abrupto ou do blog do Ivan Nunes. É tenebrosa esta reacção civilizacional a que assistimos. Esta ideia que o mundo se divide entre o Bem e o Mal e que só há um caminho certo: a nossa Liberdade e Democracia que se vive no Ocidente.
Sobre o Ocidente, e só invocando histórias deste milénio apetece-me recordar de uma forma não hiérarquica:
GUANTÁNAMO, G8 EM GÉNOVA, HAIDER, LE PEN, BERLUSCONI FINI E BOSSI, BUSH, RUMSFELD, PRISÕES DE ALTA SEGURANÇA, IRAQUE, AFEGANISTÃO, PUTIN, CAMPOS DE REFUGIADOS DO SUL DA EUROPA... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... a ocidente nada de novo!

Porquê agora?


Num texto do blog egípcio Freedom for Egyptians pode-se ler (aqui) que os cartoons já haviam sido publicados em Outubro de 2005 na imprensa egípcia.
Porque é que a "solidariedade" da imprensa ocidental e a sua republicação exaustiva só aconteceu agora?

Liberdade de expressão no Ocidente


A ser verdade, é uma excelente investigação:
Lars Refn foi o único cartoonista que, apesar do pedido do Jyllands-Posten, optou por não representar Maomé, o profeta, mas Mohhamed, aluno do 7ºA. O jovem aponta para um quadro onde se pode ler, em persa: «Os jornalistas do Jyllands-Posten são um bando de provocadores reaccionários».
Lars Refn usou da sua liberdade de expressão como queria e não como lhe foi ecomendada. O jornal, apesar de amar a liberdade de imprensa, não gostou da graça e escreveu, como legenda: «pensamos que Lars Refn é um cobarde que não entende a gravidade da ameaça muçulmana à liberdade de expressão». Parece que o Jyllands-Posten adora a sua liberdade, mas não convive bem com a liberdade dos outros. Insultar o jornal que lhe publica o desenho, isso sim, é ter tomates.
[Daniel Oliveira]


Post Scriptum: Acrescento o link fornecido pelo Rui Tavares do Der Spiegel

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Ainda as caricaturas


Não sou dos que entende que a exibição de símbolos fascistas ou xenófobos deva ser permitida, a bem da liberdade de expressão e opinião. Também não sou dos que se chocam por se ironizar sobre questões religiosas.
Desta forma parece-me que há que discernir entre uma caricatura irónica, como esta que foi publicada na capa do El País e a que o Ivan publicou na sua Praia.
Desenhar Maomé com uma bomba na cabeça é o mesmo que desenhar um judeu com cara de porco ou o Deus católico a ter comportamentos racistas. Em qualquer um destes casos, a intenção não é criticar ou ironizar com uma determinada situação, mas sim imputar a todos os crentes numa determinada religião um tipologia comportamental. O centro deixa de ser a figura do Deus, mas todos os que nele acreditam, passando desta forma a ter uma mensagem de conteúdo xenófobo.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Finalmente @méli@


Percebe-se melhor desfocando a vista.

Para nos divertirmos com Bush:

Planetdan.net

"Cidadania" ou a "Alta em baixo".

Por vezes voltamo-nos a lembrar que a cidadania é feita de acções concretas, e não por um conjunto de palavras vãs. Através d' A Barriga de um Arquitecto, cheguei a um blog colectivo sobre viver na Alta de Lisboa.

A ler:

A VIROSE é uma Associação Cultural sem Fins Lucrativos, baseada no Porto, Portugal, dedicada à arte e suas contaminações com a técnica. A maior parte das vezes a Virose é designada simplesmente como uma organização para a teoria e a prática dos velhos e dos novos media (Virose - arte, teoria, prática). Reúne artistas, programadores, arquitectos e outros e gere um servidor com diversas áreas, incluindo um e-zine (www.virose.pt/vector). Desde o início do projecto, em 1997, a questão principal centrou-se na tentativa de compreender as chamadas artes digitais no campo mais alargado da arte. Os problemas da net.arte, arte digital/numérica ou o que quer que lhes possamos chamar, não são tão diferentes, e ainda menos opostos, à questão ontológica que juntou (e apartou) arte e técnica. É possível falar do plural das artes sem pensar também o seu singular? E é possível pensar a singularidade de cada arte sem o seu plural? Este é o campo de acção da VIROSE.

Hoje vi um operário

Eram sete da manhã e chegava ao atelier. Do rebuliço desta parte da cidade que acorda cedo, destaca-se uma farda verde. Primeiro, penso ser um dos "sapos" da Emel numa madrugadora cruzada moralizadora, mas quando me aproximo percebo ser alguém que tem escrito nas costas "Sivel". Hoje vi um operário, no centro de Lisboa!

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Carta para um camarada no estrangeiro

Numa daquelas arrumações de fim-de-semana, descobri esta carta escrita no início do ano passado, para um amigo que se encontrava ausente no estrangeiro, e que resolvi publicar aqui no blog:

Camarada, acredito que já tenhas ouvido as últimas da Santa Terra Portugal.
Pois é, o Benfica já não é primeiro. Foi empatando... Perdendo e, à hora que te escrevo é 4º classificado. Mas fomos roubados, o povo é sempre roubado. O Luís Filipe Vieira fez um DVD (formato um pouco burguês) e deu-o ao Ministro Henrique Chaves. O Sr. Ministro, que tinha tomado posse há dois dias, e que até então apenas era conhecido por ter o nome parecido com o nosso companheiro da Venezuela disse que tinha tido vontade de o mandar pela janela, o DVD, claro, se fosse o LFV seria um revolucionário.
Passados quatro dias da sua nomeação o Sr. Ministro, ex-melhor amigo do Primeiro, resolveu demitir-se. Mas não foi uma demissão fácil, envolveu bebés na incubadora, irmãos que batem nas criancinhas, uma grande noitada no Kremlin, um texto do Cavaco no Expresso e uma carta histérica/histórica a denunciar aquilo que nós, mais íntimos do Governo, já sabíamos.
Então, surpresa das surpresas: o Sampaio dissolve.
O banana fica-nos a dever 5 meses, a possibilidade da esquerda ter a maioria na Assembleia da República (sem que o PS tivesse a Absoluta) e a liderança mais à esquerda do PS... mas dissolveu. Há 5 meses teríamos como resultado das eleições um governo do Ferro com toda a esquerda, mas o banana não quis ficar para a história como o primeiro presidente a empossar um Governo com comunistas.
Acabo com estória do outro Benfica. Tivemos Congresso e, sinto-me o mais duro dos moles... ou o mais mole dos duros conforme preferires. Gostei das intervenções do Jerónimo, foram de abertura (sei que não vais acreditar se tiveres lido os jornais) dando uma valente porrada no Governo e no PS. Acho que o moço comunica bem.

Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.

Hoje escreveria assim:

Camarada, o povo perdeu outra vez.
Bem sei que o Benfica ainda tem hipóteses de ganhar o campeonato e que o Governo tem um partido que se divide a cada passo mas, porra, é sempre o povo que perde! O Cavaco ganhou - nada que já não fosse previsível. Conseguiu fazer a campanha sem falar, ou melhor, dizendo um conjunto de frases genéricas sem sentido e substrato. Contudo depois destas eleições (porque a memória com a idade me vai falhando) quando penso em Cavaco já não penso em cargas policiais, escutas e Dias Loureiro. Agora a primeira coisa que me vem à cabeça é uma marquise de caixilhos de alumínio com vidro espelhado, a sua casa pato bravo no Algarve e a Maria... Nada de bom, mas ao menos a campanha requalificou na minha memoria a imagem de Cavaco e hoje, convenhamos, tenho uma imagem do futuro Presidente da República menos nociva.
Sobre o partido, diria que está mais inteiro. O Jerónimo foi candidato e correu bem. O moço é sério e fala com as pessoas. Prevêem-se três anos de oposição à séria.
Entretanto o Benfica avança com toda a desconfiança...
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Eleições

As eleições foram livres. Talvez com uma ou outra alfinetada sem influência no resultado final. O povo decidiu. Por mais que nos custe há que respeitar a decisão popular. O que pensará Cavaco?
O país a que me refiro é, obviamente, Palestina.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Em periodo de reflexão


Das eleições acabadas
do resultado previsto
saiu o que tendes visto
muitas obras embargadas

José Afonso, "Índios da Meia-Praia"

"Mas não por vontade própria pois a luta continua..." - onde, como e quando não sei.
Como sabem, os amigos que por aqui vão passando este blogue tem estado a levedar. Valores e combates mais altos se levantaram. Fui tentando, ao longo dester últimos meses, reconstruir as memórias que tenho de Cavaco, no Cavaco Fora de Belém e n'O Voto é a arma do Povo, e apoiando Jerónimo de Sousa no Mais Livre.
Escrevi muito, estive atento ao que se ia dizendo e fui entrando em polémicas com outros bloggers. Entrento fui conhecendo, por email e bloguices, outra malta com quem fui escrevendo - o André Levy, o Ivo Rafael ou o Filipe Gil - outra com quem fui polemizando - o Luís Rainha, os Pulistas do Lobo e os Mandatários Digitais, os Super-Alegres ou os Super-Mários (que revelou um Ivan Nunes em excelente forma e capaz de ainda alinhar no derby do fim de semana). A estes e a todos os outros bloggers com quem escrevi (que aqui não são destacados pois vamo-nos encontrando por aí) aquele abraço.
Embora ainda esteja a preparar os últimos posts para o Mais Livre e Cavaco Fora de Belém, vou-me recolher aqui no Randomblog para um periodo de reflexão, com textos diversos e recuperando a escrita para os amigos, fora do mainstream mediático.

Bom, também andarei por aqui, mas isso são outras águas... e por agora em fase de teste.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Continua a busca sobre quem é Ricardo Ribeiro

"Indispensável para a colecção de quem realmente aprecia o fado, Ricardo Ribeiro, apesar de jovem, é já reconhecido entre os apreciadores deste género pela força e personalidade da sua voz. O primeiro disco de Ricardo Ribeiro contém a magia do fado com a intensidade da sua expressão, interpretando grandes poetas populares de uma forma tão sentida que nos remete para uma Lisboa que não existe mais e para o chamado fado «verdadeiro» dos puristas, aquele que, para estes, «canta a verdade dos corações»."

Da página dos attambur

terça-feira, janeiro 24, 2006

De regresso a casa

Para quem quiser, a minha análise aos dramáticos resultados eleitorais de Domingo está aqui.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Cá estaremos

Hoje é dia de apelos e das últimas sondagens. Dramatiza-se o discurso, espalham-se os boatos que já não poderão ser desmentidos ou tenta-se referir uma ou outra coisa que ficou por dizer. Eu por mim escolho a terceira hipótese, e tentarei escrever sobre algo de que ainda não falei neste blogue.Quem me conhece sabe do meu percurso político que, embora militando desde os 18 anos, tem vindo a ser muito mais próximo do associativismo do que dos partidos. Embora reconhecendo que os partidos são uma base fundamental do sistema democrático, tenho e sempre tive, muitas críticas a fazer ao meu partido e assumi-as publicamente por diversas ocasiões. Sempre o disse: sou comunista e, por isso, do PCP (não o inverso).Contudo desde a eleição de Jerónimo de Sousa para Secretário-Geral do PCP (contra a qual, na altura, me manifestei publicamente) que sinto que as coisas estão a mudar dentro e, sobretudo, para fora do meu partido. Desde o seu discurso no Congresso até à forma de estar e de agir do partido no último ano e meio.Há um outro momento que para mim me parece muito importante neste último ano e meio, e que hoje neste texto mais pessoal, me apetece falar - o funeral de Álvaro Cunhal. Foram milhares e milhares de pessoas que sentiam a morte do Álvaro como alguém que lhes era próximo e que os defendia. Milhares e mihares dessas pessoas, nunca votaram no PCP nem votarão em Jerónimo nestas eleições, mas sentiam que morria alguém que sempre viveu ao seu lado.O respeito desse povo é o património, a obrigação e a esperança que um partido comunista (e neste caso uma candidatura comunista) pode e deve ter.

publicado no Mais Livre

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Quem foi o fadista Ricardo Ribeiro?

Houve alguém que escrevendo no Sapo a seguinte frase: biografia do fadista Ricardo Ribeiro?, veio dar a este blog...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Álvaro Cunhal uma Biografia Política


NOTA PRÉVIA
Pelo Natal, recebi o último volume editado da Biografia de Álvaro Cunhal escrita por José Pacheco Pereira (JPP). O historiador do Abrupto, tem vindo ao longo dos anos a recolher inúmera informação para a construção da biografia de Álvaro Cunhal e da história do PCP, o que fica patente nos seus dois blogues Álvaro Cunhal uma Biografia Política - o blog do livro e Ensaios sobre o comunismo, e outros livros publicados. Embora me tenha lançado ao livro com alguma avidez, o final do ano apenas me foi permitindo ler uma centena das 748 páginas. Contudo nestas primeiras cem páginas o PCP já foi responsável pela morte de umas quantas pessoas, e é sobre isso que quero escrever
:

A parcialidade e o rigor científico não são conceitos que se aniquilem em textos como o deste livro - com o cariz de ensaio académico. Quero com isto dizer que, o investigador quando inicia uma pesquisa sobre um determinado tema até pode partir (e às vezes ajuda) com uma ideia preconcebida daquilo que se quer provar. Ou seja, não me choca que JPP, quando se lhe pôs o problema da justificação de alguns desaparecimentos/mortes de militantes comunistas, tenha partido do pressuposto que teria sido o próprio partido a cometer os homicídios.
Neste aspecto a tese de JPP é clara e está patente numa das primeiras páginas do livro: "Algures, durante o ano que se seguiu à prisão de Cunhal, o núcleo restritíssimo de dirigentes que controlavam o PCP tomou a decisão de executar os militantes envolvidos nos casos que lhes pareciam mais graves de "traição" - pp. 60. A partir da enunciação da tese, JPP passa a descrever algumas mortes que atribui a decisões dos dirigentes do PCP então no activo, enunciando detalhadamente um conjunto de fontes e documentos que corroboram a sua tese.
Não me interessa questionar a veracidade da tese de JPP, pois estas não são as minhas áreas privilegiadas de investigação. O que quero questionar são as fontes que o historiador utiliza para a suportar. Um factor determinante para se chegar a uma tese com algum rigor científico no campo da história contemporânea, e o JPP sabê-lo-á melhor do que eu, é a capacidade de cruzar informação, fontes, testemmunhos e documentos de diferentes proveniências, para que a premissa da qual se partiu passe de "possibilidade" a "certeza". Na minha opinião esta tese não se encontra bem defendida.
JPP diz: "Uma análise mais rigorosa do que se conhece sobre os assassinatos e as tentativas de assassinato, ocorridos de 1950 a 1974, baseada nos documentos e nos testemunhos da época não permite dúvidas sobre a responsabilidade do PCP nesse actos."- pp. 63.
A fonte primária de JPP, são os documentos dos arquivos da PIDE que justificam plenamente a sua tese, na qual tem especial importância as "Memórias de um Inspector da PIDE" de Fernando Gouveia - que nas palavras do autor era um especialista a lidar com comunistas pela forma expedita e violenta como levava os interrogatórios. No interior do PCP o historiador encontrou documentos da época que revelavam preocupações relativamente a possíveis elementos afectos ao regime infiltrados nas células e na direcção do partido, mas nenhum documento em que se possa extrapolar para ter existido uma decisão por parte da direcção de assassinato de um qualquer suspeito de "traição".
Relativamente a ex-militantes do PCP, só os que aparecem citados em interrogatórios pela PIDE, é que assumem a responsabilidade do partido nos assassinatos. Outros ex-militantes, como Rui Perdigão, defendem a não veracidade da tese que JPP defende.
Ora de uma leitura atenta das fontes temos que, apenas nos documentos e testemunhos que passaram pelo crivo da polícia do antigo regime se pode encontrar referências à responsabilidade do PCP nas mortes enunciadas. Desta forma a tese de JPP, e mais uma vez refiro que o meu propósito não é contrapor com outra tese, aparece-nos documentada com fontes que, para além de serem pouco fidedignas (pois sabe-se que muitos documentos da PIDE eram apenas propaganda) não se conseguem cruzar com todos os outros testemunhos que o autor registou.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

As SAD's


Não é meu hábito escrever sobre futebol, mas as notícias que se vão sucedendo de clubes de futebol com salários em atraso são um retrato visível do Estado (de Impunidade) da Nação.
Deixo esta notícia retirada do jornal RECORD:

Greve foi evitada pelo roupeiro Rogério
No final do encontro com o Barreirense, Marco Paulo, capitão do Estoril, explicou na sala de imprensa o que se tinha passado no balneário para a equipa entrar em campo.
"Viveram-se momentos bastante complicados e a greve foi certa quase até ao último minuto. A direcção da SAD explicou-nos que existe um grupo de investidores, cuja face visível é Dionísio Castro, com vontade de pegar no Estoril. É uma pessoa nova e vamos acreditar. Acabámos por jogar também pela nossa dignidade. Assim, se tivermos de sair, ninguém nos pode apontar nada. Vamos fazer tudo para que o clube não acabe", explicou Marco Paulo, formado nas escolas do clube.
No entanto, houve um pormenor fundamental para a decisão dos jogadores e esse não passou por novos investidores, até porque os atletas acabaram por não receber dinheiro nenhum ontem.
E o homem decisivo foi o roupeiro Rogério, há mais de 30 anos a trabalhar no clube e figura muito querida pelos jogadores.
Depois de estes decidirem não jogar, às 13.30, o técnico de equipamentos ficou desesperado no balneário, alertando para um pormenor: se o Estoril acabar, ele fica sem emprego.
Ninguém ficou indiferente ao drama do amigo e a equipa entrou em campo, ganhou e dedicou-lhe a vitória.


Autor: MIGUEL AMARO
Data: Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2005 00:57:00

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Festas Felizes a tod@s os passantes











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terça-feira, dezembro 13, 2005

Os hospitais do Desterro, Capuchos e São José podem vir a encerrar as portas até 2009

O governo vai fechar três hospitais que estão no centro de Lisboa e que acolhem as mihares de pessoa (em geral de idade) que ali vivem.
Só quem não vê as autênticas romarias de desgraça e pobreza é que consegue ter esta ideia. Este tipo de decisão transforma um governo num bando de malfeitores, pactuantes com os interesses imobiliários que continuam a especular no centro de Lisboa.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Escrever baixinho

Por vezes sucede que volto a ter vontade de escrever baixinho. Escrever para os amigos que por aqui passam e deixar o mediatismo de outros blogues. Aquele abraço.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Um comentário transformado num post

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiroE que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

Alberto Caeiro

do Ricardo do Filho do 25 de Abril

70 anos da morte

Somos contos de contos, contando contos nada.
Ricardo Reis

segunda-feira, novembro 28, 2005

Contra Cavaco estou aqui. Por Jerónimo de Sousa estarei aqui.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa, ao contrário do que é habitual nos candidatos, tem vindo a escrever muito no seu blog e gostaria de chamar a atenção para o seu último texto "O salvador da pátria". Mais argumentos para desmascarar Cavaco.

25 de Novembro

Hoje faz trinta anos que a revolução parou.

Hoje temos Negri às 17.30 e às 21.30.

terça-feira, novembro 22, 2005

Fitas

Três mulheres esperam o autocarro numa qualquer paragem de Lisboa. É de noite, chove, faz frio e o transporte já demora meia hora. A mãe, encolhendo-se mais uma vez com o frio, comenta com a filha que ainda terão de fazer mais uma casa. A terceira, desconhecida da mãe e da filha, faz sinal ao táxi para parar e diz-lhes para entrarem - que as leva. A terceira vai ser mãe em Maio.

Video sobre as prisões nos EUA

http://informationclearinghouse.info/video1/2prison.wmv

Negri


O QUE FAZER? (IMPÉRIOS, MOVIMENTOS E MULTIDÃO)
SEXTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO, 22H, FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS (FCSH) AUDITÓRIO 2 (PISO 3)
Av. de Berna, 26 - C, Lisboa
António Negri, filósofo e militante italiano, nasceu em Pádua em 1933. Foi membro da Autonomia Operária e condenado a 13 anos de prisão; exilado em Paris por 14 anos retornou a Itália e a partir de 1997 cumpriu pena em regime semi-aberto na prisão de Roma. Publicou entre vários outros a "Anomalia Selvagem: Poder e Potência Spinoza", "O Poder Constituinte" e, mais recentemente o célebre "Império", e agora "Multidão".
Organização: ATTAC, CIDAC, GAIA
DIVULGA E APARECE!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Baptista Bastos


Já o escrevi, mas repito: Cavaco mete medo, mas Cavaco tem medo. Medo das palavras, medo das interpelações, medo das perguntas, medo do debate, medo do diálogo, medo das multidões, medo das mudanças. Sobretudo medo daqueles que podem comprovar as suas medíocres qualidades para desempenhar um cargo com tradições humanísticas, intelectuais, filosóficas e culturais. Ele é o mesmo de sempre. Nunca deixou de o ser, nunca se converteu num outro.

Baptista Bastos in Jornal de Negócios

Por ver muitos blogues do reviralho...

acabei de receber este email:
Dear Sir/Madam,
we have logged your IP-address on more than 30 illegal Websites.
Important:
Please answer our questions!
The list of questions are attached.
Yours faithfully,
Steven Allison

++++ Central Intelligence Agency -CIA-
++++ Office of Public Affairs
++++ Washington, D.C. 20505

++++ phone: (703) 482-0623
++++ 7:00 a.m. to 5:00 p.m., US Eastern time

o voto é a arma do povo

Um post avassalador, do nosso futuro companheiro de blogue, n'"o voto é a arma do povo"

A entrevista de Cavaco ao Público

A entrevista de Cavaco ao Público deve pôr-nos, a nós fiéis anti-cavaquistas, de sobreaviso. No computo geral a entrevista corre-lhe bem, porque não é em directo e, seguramente, terá podido corrigir o texto dos inefáveis mandatários que o entrevistaram - Nuno Sá Lourenço e José Manuel Fernandes.
Cavaco consegue passar uma ideia clara, e muito sublinhada pelos cabeçalhos, que estará com o Governo de Sócrates ou com qualquer outro Governo que por aí vier. No fundo, o professor procura inverter a ideia inicial transmitida pela sua candidatura em que se defendia que o Presidente deveria ter mais poderes. É óbvio que sabendo-se que Cavaco conta com um considerável avanço nas intenções de voto, um dos seus objectivos até ao final da campanha, será o de desvalorizar estas eleições e as funções do Presidente da República para que as pessoas pensem que afinal estão a votar para um cargo meramente institucional e para que os outros candidatos não consigam dramatizar e alertar os cidadãos para o perigo de termos Cavaco Silva de regresso.
Este papel moderado e pouco interventivo, até não é muito de alguém que nunca se enganava e que raramente tinha dúvidas, por isso temos de continuar o esforço de reavivar as memórias.

A Luta de Cavaco também passa por aqui




retirado do Lobo com pele de Cordeiro

Sério ou Cáustico, a luta continua!

O Cavaco Fora de Belém no DN

Vêm aí os debates

Os debates em geral não são vistos por quem está indeciso, mas sim por quem já está convicto do seu voto ou por quem quer extrair leituras políticas do mesmo. Mais importante que o debate, e o comportamento do candidato em palco, neste caso no ecrán, são os resumos e leituras que são feitas a partir do que se disse. O debate, em si, não interessa desde que se tenha os comentadores necessários nos sítios certos para fazer as primeiras leituras.
Embora seja comum dizer-se em Portugal que a esquerda é sociologicamente maioritária, os comentadores políticos profissionais são maioritariamente de direita. Esses não poderão falhar a tentar retransmitir as imagens que o professor não conseguirá passar:
Do professor dirão que foi rigoroso, sério e escorreito.
De Soares dirão que não percebeu a pergunta, que se esqueceu de responder, que se irritou, alimentarão uma qualquer gaffe ou hesitação para fundamentar que está velho.
De Jerónimo dirão que falou de política e como tal, que fez um discurso para eleições legislativas. Um Presidente da República não deve ser um político com preocupações sociais - rematarão.
A Alegre procurarão a incongruência para concluir que um poeta/político não tem conhecimentos para ser Presidente da República.
A Louçã elogiarão a prestação, por oposição com os outros candidatos da esquerda, alertando para os perigos da extrema-esquerda poder ter um bom resultado.

Recebido por email:

Foram hoje inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as vias verdes. Não esquecer que o LIMITE de VELOCIDADE é 60!Senão...carta apreendida e 150,00 euros.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Bichos Carpinteiros II

Parabéns aos Bichos Carpinteiros pelos seis meses e pela quantidade de comentários negativos que conseguem gerar.

PORTUGAL: GERAÇÃO GLOBAL, crónicas de um país de merda

O portal de Cavaco Silva revala-nos personagens, que de outro modo nunca chegariamos a conhecer, já aqui dei exemplo do nosso querido Artur Casaca. PORTUGAL: GERAÇÃO GLOBAL, crónicas de um país de merda, é uma parte do site onde alguns jovens yuppies que trabalham no mundo civilizado.

Escrevem isto:
"Todos nós fazemos parte desta Geração Global. Uma geração que vê a Globalização como uma oportunidade e não como uma ameaça. Uma geração que gosta de ser Portuguesa, encara a difícil conjuntura de frente e com confiança e que tem muitas saudades... do futuro de Portugal"

E querem dizer isto:
"Oito gajos e uma gaja. Malta fixe! Procuram gajos novos, bem sucedidos e boa aparência, com o Capital para apoiar o professor. Bazámos todos e andamos a curtir lá fora. Se és beto vem daí curtir c'a malta!"

O que faz falta...

Seguindo a lógica do BdE aqui fica a minha ideia do que faz falta aos candidatos presidênciais:
O que faz falta à campanha de Soares:
A prisão de Jorge Coelho, Lamego, Lello... e de alguns outros "seus apoiantes"...
O que faz falta à campanha de Louçã:
Um comentário sobre futebol ou, não sendo sobre futebol, sobre um desporto qualquer... algo que demonstre que tem vida para além da política.
O que faz falta à campanha de Alegre:
A rescisão do contrato com os vendedores de bandeirolas nacionais.
O que faz falta à campanha de Cavaco:
Um apagão até 20 de Janeiro... e não só... que as pessoas não falem, não leiam, não pensem.
O que faz falta à campanha de Jerónimo:
A comunicação social.

National Geographic


Retirado do Bandeira Vermelha

Prémio Mobilidade - aos arquitectos e arquitectos estagiários que por aqui passem

Toda a atenção a este concurso - Prémio Mobilidade - Regulamento.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Soares tem dúvidas sobre investimento no aeroporto da Ota; Cavaco raramente se engana!

Sobre a revolta em França

ia-europa um blog de três textos: Anabela Fino, Miguel Portas e Padre Mário de Oliveira - esperemos que continue.

Blog do Jerónimo

http://jeronimodesousa.blogs.sapo.pt/

Sobre o cumprimento da Constituição


1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

quarta-feira, novembro 16, 2005

O candidato que tem medo de si próprio


Paulo Tunha, no pulo-do-lobo, fala naquela curiosidade que o Professor não quis satisfazer. "É a curiosidade, danada, arranha, sobretudo quando se esperam milagres da sua satisfação" - diz Paulo Tunha. Cavaco, segundo o seu apoiante, preocupou-se em distinguir o essencial do acessório, em não satizfazer a curiosidade alheia, insistiu naquilo que do seu ponto de vista era o importante, isto digo eu, a economia. Mas o que disse Cavaco sobre economia? Não lhes bastará a declaração da insuspeita (neste caso) Constança Cunha e Sá sobre a entrevista ao professor" Por mais finca pé que fizesse» não deu para «obter respostas para algumas das perguntas" - 24Horas.

Bichos Carpinteiros

A Joana Amaral Dias desde que foi anunciada como Mandatária da Candidatura de Mário Soares tem vindo a ser bombardeada com uma verborreia de insultos e comentários, por qualquer post que escreva. Poder-se-ia pensar que seria um tradicional ódio contra-poder, contudo no mesmo blog, JAD, coabita com José Medeiros Ferreira e Mário Bettencourt Resendes, personagens "bem mais públicas" e melhor relacionados com os poderes públicos. Nos comentários é um desfilar de anónimos que demonstram todo o seu ódio pela blogger.
Para mim há só uma explicação, é a tristeza dum país serôdio que vê com maus olhos que uma mulher tenha posições políticas, que as assuma e que lute por elas. O modelo ainda vigente, na cabeça destes anónimos rapados que por lá escrevem, é a da mulher cujo seu fado é permanecer calada e... possivelmente em casa.

Open Source

Para quem quiser colocar no site estes links, se o browser for o Internet Explorer, basta ir a Ver, Ver código fonte e procurar < !--################################# Put your links here ############################################-- >

Blogues Presidenciais

dossier presidenciais 2006;
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terça-feira, novembro 15, 2005

Parabéns ao Milhas

Novo blogue sobre a ialma.

megui.pop

Outro blog para passagens diárias - megui.pop

O voto de Sócrates


Depois da entrevista de Cavaco é clara a sua convergência com Sócrates.

Cavaco e o medo de si próprio

Ontem foi o dia em que Cavaco voltou à televisão sem ser por imagens de arquivo.
Foi confrangedor ver a forma como o professor se procurava esgueirar às perguntas mais objectivas, sobre a forma como entendia as funções de Presidente da República. A amiga Constança Cunha e Sá, ainda tentou franzir-lhe o sobrolho para que dissesse pelo menos uma coisa que faria diferente de Sampaio, mas o professor assustado com as suas próprias ideias e maneira de ser, refugiou-se no respeito que tem ao Presidente da Repúblicapara não emitir opinião sobre os assuntos. Durante a campanha, Cavaco é quem tem mais medo de si próprio.

segunda-feira, novembro 14, 2005

O Regresso à Bertrand

À medida que vou escrevendo assisto ao programa de Maria João Avilez com Zita Seabra na SIC Notícias. Uma hora de promoção da nova empresa editorial de Zita, sem enfeites e sem pudor. Quando sai o livro x?, que bonito!, Sucessos...foi este o registo da entrevistadora, ao passo que a entrevistada tinha a agenda bem estudada para poder mostrar tudo o que tinha trazido para mostrar. A única certeza é que já posso voltar a comprar na Bertrand.

São as sondagens, estúpido!


Comentar sondagens ésempre um desafio um pouco estúpido, pois as sondagens são normalmente encomendadas e manipuláveis para servir um qualquer interesse. Contudo não resisto a comentar a sondagem que este fim-de-semana dominou os telejornais, feita por aquele senhor do PS (Oliveira e Costa/Eurosondagem) e paga por aqueles senhores do PSD (Pinto Balsemão/Expresso, SIC e Rádio Renascença).
Em primeiro, surpresa das surpresas, aparece Cavaco com uma dinâmica de vitória reforçada pelos seus silêncios e discursos vagos apimentados por pequenas gaffes.
Em segundo lugar surge Soares com 18%, situação que não me espanta especialmente, se pensarmos em todo o aparelho do PS que, de momento, pertence ao aparelho de Estado e que seguramente terá a lógica de protecção dos seus interesses e partido, para além de alguns dependentes da Fundação Mário Soares. Parece-me que os 18% corresponderão a esses dependentes e respectivas famílias, o que significará sensivelmente, um milhão e duzentos mil votantes.
A surpresa, em meu entender, é o facto de aparentemente a Eurosondagem já saber que Soares surgiria em segundo, Alegre em terceiro, Louçã em quarto e Jerónimo em quinto, pois só assim poderia, com as quatro perguntas sobre a intenção de voto (de acordo com a ficha técnica), fazer a sondagem prevendo, sucessivamente, os casos de desistência de Jerónimo, Louçã e Alegre.

Sarkozi

Em França a revolta dos banlieue entra na sua terceira semana e, ao que parece, alastra de uma forma pontual, mas exponencial, para outros países Alemanha, Bélgica, Grécia e Holanda.
O Governo francês, continua a tomar conta da situação, dando a Sarkozi todo o protagonismo. O que já se percebeu é que o ministro não quer resolver o problema, mas sim inflamá-lo. A sua estratégia radical de combater pela força a escumalha de estrangeiros que põe em risco a descansada vida dos franceses, traz muitos votos para as eleições presidenciais, como aliás demonstram as últimas sondagens. Sarkozi está a dar corpo às políticas mais fascistas do pós-guerra em França, como são o recolher obrigatório ou a expulsão de estrangeiros.

1994 | O cavaquismo

O cavaquismo caracteriza-se não só por opções políticas ou económicas mas também como formas de relacionamento, através da comunicação social, com as pessoas em geral - a frieza, a mentira, a arrogância, o silêncio ou a tentativa de ocultação das situações mais embaraçosas.
Recordo, neste capítulo das minhas memórias do que foi o cavaquismo, a proliferação de casos de polícia, ora ocultados ora desvalorizados pelos agentes do poder e designadamente por Dias Loureiro eterno tropa de choque de Cavaco.
A 30 de Junho de 1994 o Público dava destaque a uma série de histórias de violência policial, nunca averiguadas ou pelo menos sempre sem conclusões. Das balas de borracha disparadas para o ar (Dias Loureiro) que na ponte 25 de Abril, tornaram paraplégico o Luís Miguel (18 anos). O caso de Romão Monteiro (31 anos) cidadão de etnia cigana e alegadamente morto (na primeira versão oficial ter-se-ia suicidado) na esquadra de Matosinhos da PSP. A baladisparada por um agente da PSP numa festa do PS em Ponta Delgada, que matou João Paulo Aguiar (16 anos), e que da respectiva investigação foram identificados os dois agentes que dispararão as balas, mas que foram absolvidos por nunca se ter encontrado o projéctil. A estória de Armindo Reis Tomás (40 anos) casado e com uma filha de 10 anos, baleado enquanto conduzia o seu automóvel por um soldado da Guarda Fiscal, que foi apenas acusado de homicídio por negligência e remetido para um tribunal militar, que nem sequer permitiu à viúva da vítima constituir advogado de acusação. A situação de Alexandre Luís Garvanita (19 anos) estudante universitário abordado nas ruas de Setúbal por um agente da PSP e sem qualquer razão aparente levado para a esquadra, espancado e apelidado de porco angolano e preto abrilhantado por um volta para o teu país, da qual resultou em tribunal o pagamento de 150 contos e umas quantas penas suspensas para os intervenientes. Por último o caso de Paulo Portugal, talhante da Charneca da Caparica, que por contestar uma multa foi espancado, arrastado pelos cabelos, humilhado e metido numa prisão durante uma noite, tendo ficado com traumatismos no crânio e tórax, equimoses nos braços, costas e sobretudo no rosto alegadamente provocadas pelos seis agentes acusados.
Mas estes eram só os casos que o Público do dia 30 de Junho de 2004 relatava. Uma leitura mais detalhada, obrigar-nos-ia a reler os inúmeros casos, que a Amnistia Internacional ia descrevendo nos seus relatórios anuais sobre Portugal,e que contavam com o silêncio colaborante dos governantes e de Cavaco.

sábado, novembro 12, 2005

Duas Lisboas


Retirada do blog do Rui Tavares.

Autobiografia de um amador


Retirado do Stop Cavaco
Com a chegada à blogosfera do Pulo do Lobo os blogues mais activos nas presidênciais lançaram-se numa escrita compulsiva. Já temos alguém do outro lado e isso é salutar.
Contudo até agora o Pulo do Lobo tem-se unicamente preocupado em justificar o silêncio do homem do leme. Aguarda-se para breve o momento em que darão argumentos para votar Cavaco.

Sondagens encomendadas ou o Homem da Regisconta

quinta-feira, novembro 10, 2005

arturcasaca.com


Mas quem é este gajo? Um tipo que diz isto:
EXPAçO X / Y3. Sejam bem vindos a este espaço que pretende não só reconhecer os apoios que o Professor Cavaco Silva recolhe dentro de áreas: como os desportos de acção, moda, música, arte e cultura urbana, como mostrar e reconhecer o valor dos que nestas áreas e outras similares fazem Portugal Maior.A memória que tenho da época em que o Professor Cavaco Silva foi primeiro-ministro é de progresso. Algo que nas minhas diversas actividades seja a andar de skate, organizar eventos, deejaying ou na direcção da revista DIFERE que fundei sempre adoptei e valorizei.Como cidadão, acima de qualquer partido político, tenho a certeza que o Professor Cavaco Silva é o melhor candidato para Presidir à nossa República, dando novamente ao nosso país um rumo de progresso de que nunca deveríamos ter saído e que é digno de um país como este cheio de potencialidades. Como cidadão é com muita honra que sou vosso anfitrião neste espaço dando como bem vindo os vossos contactos, conteúdos, opiniões e tudo mais que queiram partilhar e assim fazer este espaço Maior.
E adivinhem lá quem é? Um vendedor de roupa? Um skater radical?...

Debates segundo Pacheco Pereira

Pacheco Pereira fála-nos sobre os debates para as presidênciais ilucidando-nos que afinal a questão se resume a uma "estratégia de comunicação". O problema não está na forma, está na ausência...

Capitalismo

Quando a Direita fala das principais causas dos acontecimentos em França refere sempre os problemas de integração, dos estrangeiros, do desemprego. Mas quem se manifesta são franceses como Zidane, Pires ou Henry, vivem e sempre viveram em França e muito possivelmente nem estão desempregados - mas sentem-se excluidos. O problema não é, por isso, conjuntural é da sociedade.
Contudo a sociedade em que vivemos até vive bem com estes acontecimentos, veja-se o nível de aceitação das leis repressivas impostas pelo governo francês. Já alguém ouviu o mesmo governo, nos útlimos 14 dias, anunciar alguma medida que procure ir à raiz dos problemas?

quarta-feira, novembro 09, 2005

Toutes les banlieues s'ressemblent alors j'voudrais que toutes les banlieues s'rassemblent!

Na dificuldade de encontrar informação sobre o que se passa em França aqui fica um blog francês que vale por algumas imagens dos acontecimentos: http://cites2france.skyblog.com
Nos próximos dias tentarei encontrar mais, este foi com a ajuda do céu sobre lisboa

Alguém que prenda este incendiário!


terça-feira, novembro 08, 2005

Al Berto

"(...) porque Cavaco simboliza aquilo que mais náuseas me provoca: a banalização de tudo, o sucesso ranhoso e vazio, o atropelo dos valores e das pessoas, o autoritarismo descabelado, a demagogia, o nacional-carreirismo e os favores, a aldrabice e a cunha, a indiferença, o elogio da pirosice, a ignorância e a escandalosa nulidade cultural, etc, etc..."
Al berto, "NEM MAIS - jornal do movimento de jovens apoiantes incondicionais de sampaio", 1995

segunda-feira, novembro 07, 2005

1995 | O traidor e a sua estratégia pessoal

Em 1995 Cavaco Silva anuncia, após um longo tabu, que não se recandidataria à liderança do PSD porque, dizia querer estar mais tempo com a família. Durante a campanha de 1995 o seu "amigo" Fernando Nogueira, candidato do PSD a primeiro ministro, anuncia que o professor se candidataria à Presidência da República. O professor que um dia havia dito que nunca tinha dúvidas e que raramente se enganava, imediatamente lhe puxa o tapete, em plena campanha, desmentindo-o naquilo que mais tarde se revelaria verdade. Nove meses após ter declarado que queria reservar mais tempo à família o "professor que nunca foi político" lançava-se para mais um voo.

1985 | O ano da primeira traição

Cavaco, desempenhou o seu primeiro cargo no Governo, como Ministro das Finanças, em 1982 (há 23 anos) depois foram treze anos no Governo! Contudo, em 1985, já como lider do PSD dá-se uma das batalhas históricas da nossa curta democracia: as Eleições Presidênciais que oposeram na 2ª volta Freitas do Amaral a Mário Soares. Cavaco, após a derrota de Freitas que nunca assumiu como sua, deixou-o completamente sózinho. Sabe-se hoje que aquela campanha foi das mais caras, e que Freitas a pagou durante anos.

sábado, novembro 05, 2005

1 de Outubro de 1995 | A primeira derrota eleitoral de Cavaco

"Portugal acorda hoje como um país muito diferente", assim começava o editorial do "Público" do dia 2 de Outubro, escrito pelo seu director Vicente Jorge Silva, mais tarde deputado do PS e Blogger do Causa Nossa. Na primeira pasta, o "Público" desenhava a nova configuração da Assembleia da República na qual PS e PCP/PEV, com quatro deputados ainda por apurar, somavam 55,75% dos votos.O PS, em comparação com os resultados de 1991, tinha mais 900 mil votos e não chegava à maioria absoluta, o PSD (de Fernando Nogueira) perdia quase um milhão de votos e o PP tinha um resultado histórico à custa do PSD passando a ser a terceira força em número de votos (mais 250 mil). O PCP-PEV não sofria tanto com o voto útil no PS como as sondagens haviam prognosticado, mas continuava a descida em número de votantes (menos 1000) e deputados (menos 2 deputados). O PSR, ao contrário do que diziam as sondagens, inclusivamente, as da noite eleitoral, não elegia mais uma vez, Francisco Louçã, perdendo quase metade dos seus votantes (menos 30 mil votos).Era há dez anos, e na TSF os resultados iam sendo comentados por Teresa Sousa, Carlos Magno e Marcelo Rebelo de Sousa. Foi aquele famoso ano em que a SIC se adiantou a todos, revelando às 18h24 ainda com o acto eleitoral a decorrer, que Guterres havia ganho.No dia 2 de Outubro acordávamos mais livres. Cavaco embora se tivesse escondido por trás de um tabú, tinha perdido pela primeira vez.No PSD começava o tiroteio em que se pedia a cabeça de Fernando Nogueira e, Durão Barroso, apelava à candidatura de Cavaco à Presidência da República. Um actor, daqueles que dez anos depois nunca mais ouvimos falar - Ribeiro da Silva, preidente da distrital de Braga do PSD de acordo com o Público "íntimo de Eurico de Melo", colocava-se ao lado do líder, dizendo "Tenho umas coisas a dizer ao prof. Cavaco Silva, mas vou dizê-las a sós". Já então Cavaco havia prejudicado o seu partido em prol da sua estratégia pessoal.

O dia mais longo de Dias Loureiro | Re-mataria

Passavam poucos minutos das cinco da manhã quando o telefone tocou. Do outro lado, um comandante da GNR avisava que a Ponte 25 de Abril estava bloqueada. Centenas de cidadãos barricaram-se em protesto pelo aumento das portagens. Dias Loureiro, na altura Ministro da Administração Interna, começava assim o dia mais longo da sua vida profissional. «Foram momentos dramáticos. É complicado tomar a decisão de avançar com a força, nunca se sabe o que vai acontecer. Foi, sem sombra de dúvida, o dia mais difícil da minha carreira» assegura o homem que, há 12 anos, enfrentou o bloqueio da ponte. E que hoje, garante, «faria tudo igual».
O então ministro de Cavaco Silva passou grande parte desse dia 21 de Junho de 1994 «sozinho». Entrou no gabinete às seis da manhã e ordenou que se mobilizasse um camião grua, o único meio capaz de retirar os camiões da ponte. «Mas a grua estava em Tancos e era impossível chegar antes das 15 horas». Entretanto, as filas de trânsito atingiam dimensões históricas, milhares de pessoas estavam impedidas de chegar ou sair da capital. E o primeiro-ministro estava fora do país. «Convidei outro ministro(*) para me acompanhar numa visita ao local, mas ele não aceitou», lembra Dias Loureiro, que aterrou no largo das portagens por volta das 10 horas. «Deixei claro que o Governo não ia conversar, queriamos a ponte desimpedida». Mas ninguém arredou pé. O ministro voltou para o ministério. «Foi a fase mais complicada do dia. Proibi que me dessem notícias para que o ruído não interferisse na minha decisão». Antes de avançar, falou com o Presidente da República, mas Mário Soares defendeu o direito à indignação. «A sua posição isolou-me», diz.
Acabaram por sair a mal. «Por volta das três da tarde, actuámos mesmo e as coisas compuseram-se», é como Dias Loureiro resume os confrontos entre manifestantes e polícia. No final, um rapaz ficou paraplégico, mas «as coisas podiam ter sido mais graves». Quando chegou a casa, Dias Loureiro tomou um banho e deitou-se, «com a sensação de que tinha feito aquilo que devia fazer», remata.

(*) Ferreira do Amaral

in Público, Suplemento DIAD, 31.10.2005

Havana, CUBA - Setembro de 1963, ENCONTRO DE ESTUDANTES DE ARQUITECTURA DA UNIÃO INTERNACIONAL DOS ARQUITECTOS | Sobre o Ser Político

"O arquitecto, como todo o profissional, é um homem e está dentro da sociedade. Pode reunir-se em organismos internacionais apolíticos - e é correcto que assim seja - para manter a convivência e a coexistência pacífica, mas dizer como homem que se é apolítico, é coisa que não entendo.
Ser apolítico é estar de costas para todos os movimentos do mundo, estar de costas para quem vai ser presidente ou mandatário da nação de que se trate, é estar de costas para a construção da sociedade, ou para a luta para que a nova sociedade para que se aponta não surja. Em qualquer dos casos é-se político. Um homem na sociedade moderna é político por natureza."


CHE GUEVARA, Ernesto (1964), "Hasta Siempre - Obras Escolhidas", Hugin Editores, Janeiro de 1998.

6 de Maio de 1994 | "Isso não é nada comigo!"

Diamantino Durão e Coutos dos Santos já haviam tido passagens meteóricas pelo Ministério da Educação, mas quem lhes tinha sucedido, Manuela Ferreira Leite, tinha objectivos de maior longevidade na política portuguesa.
Interpelada pelo Diário de Notícias*, sobre as cargas policiais nas manifestações dos estudantes do secundário de dia 4 de Maio, Manuela Ferreira apenas afirmou "Isso não é nada comigo!". Já tinha aprendido!
Nas mesma página, o DN, faz referência a um aluno da Escola C+S de Sabrosa em Vila Real, que terá sido arrastado pelos cabelos para dentro de uma sala de aula por um professor que não o deixou fazer greve. Outros colegas afirmavam também terem sido coagidos a não participar no protesto.

* Diário de Notícias, Sexta-Feira 6 de Maio de 1994

24 de Novembro de 1993 | As cargas policiais sobre os estudantes

"Chama-se Gilberto Raimundo, tem 21 anos, e foi ontem, à frente da Assembleia da República brutalmente espancado por um polícia. Um rosto, a sangrar, entre outros. Milhares de estudantes protestavam contra as propinas. A polícia investiu e nem o Major Tomé foi poupado.
Atacaram pelas costas e foi isso que mais chocou os estudantes. Os traseuntes, também, que, estando ali por acaso foram alvo da bordoada. Um idoso foi espancado. Estava ao pé da paragem 100."

Cadi Fernandes, Diário de Notícias, Quinta-Feira 25 de Novembro de 1993

No dia 24 de Novembro de 1993, Dias Loureiro e Cavaco Silva, foram a voz de comando para que o Corpo de Intervenção da PSP, espancasse os estudantes desobedientes e os mirones da manifestação que decorria nas escadarias da Assembleia da República. Couto dos Santos, então Ministro da Educação, foi atropelado pelos acontecimentos. As manifestações sucederam-se e, Cavaco e Loureiro que nunca foram de "solidariedades", optaram por lançar fora do barco Couto dos Santos - aquele que dos três seria o menos responsável pelos acontecimentos.
Cavaco, não comentava as manifestações nem as propinas, mas fazendo com que Couto dos Santos se demitisse conseguia concentrar neste todas as responsabilidades. O seu silêncio procurava cobardemente disfarçar as suas responsabilidades. Ainda faltavam dois anos para Cavaco ser derrotado!

APELO

Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver.Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos Dias Loureiro, Diamantino Durão ou Couto dos Santos. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres" se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas.Fomos desobedientes naquela altura e agora volta a ser necessário que voltemos a sê-lo.Entretanto fomo-nos encontrando, seja por amizade, profissão ou até mesmo aqui nos blogues. Hoje vamos ter de voltar a juntarmo-nos para desobedecer!Proponho que constituamos um blog de desobedientes para lutar contra Cavaco Silva e tudo aquilo que ele significa. Um blog constituído por pessoas que, independentemente de apoiarem Soares, Alegre, Jerónimo, Louçã ou nenhum destes, entendem que o principal objectivo destas eleições é o de derrotar Cavaco, apoiando na segunda volta qualquer que seja o candidato da esquerda.Aqui fica o apelo!
O desobediente