quinta-feira, março 23, 2006

Tenham vergonha!


Há um senhor, que ocupou o lugar de Ministros dos Negócios Estrangeiros no governo de Durão, que há alguns dias, deu uma entrevista a uma estação pública de rádio. Este senhor, para além de nunca se lhe ter conhecido grandes ligações a Portugal pois desde sempre foi o representante de interesses estrangeiros (ora americanos, ora espanhóis) em Portugal, deu uma entrevista a um canal público de rádio a "malhar forte e feio" no anterior Presidente da República. Longe de mim defender Sampaio, mas este senhor, que não se lhe conhece grandes feitos em prol da pátria e que é mais conhecido por se ter sido o Ministro que foi obrigado a demitir-se por ter posto uma cunha a outro Ministro (sem que daí tenha havido qualquer consequência judicial) teve a arrogância de voltar à ribalta como se nada fosse, e como se tratasse da pessoa mais séria do mundo. Tenham vergonha!

quarta-feira, março 22, 2006

Cyril Ferez II

Mais um video da carga policial sobre os manifestantes em Paris. Numa primeira fase às 19.00 vê-se Cyril ainda consciente, com a cara ensanguentada a ser levado pelos CRS. No segundo video, filmado uma hora depois, já por terra, continua a ser espancado.
O video
Como "sou de modas" e não gosto de dar um ar demasiado sério a este blog, sou forçado a aceitar o repto do Às duas por três:

O que estava a fazer há 10 anos atrás?
* A estudar na FAUTL e na luta anti-propinas. Também trabalhava num atelier e preparava o exílio em Madrid - 1997

O que estava a fazer o ano passado?
* Em Junho mudava de casa, em Julho mudava de atelier, em Agosto sabia que ia ter uma filha e mudava de vida...

Cinco snacks de que gosto:
* Tremoços com cervejola - uma bela conversa ou um jogo de bola
* Bola de Berlim
* Sopa de Caldo Verde
* Ovo cozido
* Pastel do Fruta Almeidas

Cinco músicas cuja letra conheço de cor:
* Quase todas do Zeca

Cinco coisas que faria se fosse milionário:
* Vestia uma camisola vermelha
* Brincava com os meus gatos
* Esperava ansioso o nascimento da Amélia
* Ia trabalhar todos os dias
* Não fazia nada que já não fizesse antes

Cinco coisas que gosto de fazer:
* Ler
* Estar
* Ouvir
* Rir
* Trabalhar (pelo qual peço desculpa...)

Cinco coisas que nunca voltaria a vestir/calçar:
* Umas botas que comprei e que sempre me estiveram largas e que periodicamente tento vestir
* (só me lembro desta)

Cinco "brinquedos" favoritos:
* Os brinquedos dos gatos
* O computador (pelo qual também peço desculpa...)
* O carimbo do atelier
* A fita métrica
* (não me lembro de mais e até já tive de por a fita métrica e o carimbo que não fazem sentido nehum...)

Passo a brincadeira para os seguintes... e desculpem lá...
Entre Sonhos
Tessituras
Titaml
Malaposta
Blogotinha

Euskadi - já não há mais desculpas

A ETA divulga hoje em comunicado, que pode ser lido aqui, o cesar-fogo permanente.

Civilização?

Via email, chegou-me este link com o aviso de que não seria aconselhável a pessoas impressionáveis.
Impressionei-me.

Cyril Ferez

O meu analfabetismo internético não me ajuda a colocar este video no blog, por isso aqui fica o link:
video

Somos todos jovens franceses

Camaradagem

O Nuno Ramos de Almeida no seu Aspirina B, fez uma simpática referência a este humilde cidadão que vos escreve.
Agradeço e devolvo a camaradagem e afinidades que sempre fui sentido nos teus textos seja no Aspirina, no Já ou na Vida Mundial - da qual julgo ter todos os números.

terça-feira, março 21, 2006

Recordando o G8 em Génova


Carlo Giuliani foi morto por um tiro proveniente de uma arma de um polícia durante as manifestações contra o G8 em Génova. Tendo-se encontrado a arma e identificado quem disparou, a tese do juiz foi que a bala, embora tendo sido disparada para o ar, fez ricochete numa pedra lançada pelos manifestantes alterando o seu trajecto.
Com Berlusconi não se fez nem fará justiça, e do nosso lado do muro ficou mais um mártir. Cinco anos passados, não precisamos de mais mártires.

Manifestante entre a vida e a morte


Noticia no Libération
Cyril Ferez tem 39 anos, é operador da companhia telefónica Orange e sindicalista do SUD PTT. Encontra-se em coma, desde Sábado passado, por ter tido o azar de se ter cruzado com o pelotão das CRS (corpo de intervenção), na altura da dispersão da manifestação.


Decreto Lei 73/73 | Mistificações

Comentando um meu post recente sobre o DL 73/73, alguém coloca a questão nos seguintes termos:
"Acho que os Agentes Técnicos de Arquitectura e Engenharia têm todo o direito de exercer a sua profisão, têm o direito a se defender de pessoas que simplesmente lhe querem tirar o unico sustento"
Esta é a forma como se tem conseguido perpetuar este Decreto Lei. Tentar através de uma mistificação social dizer que existem os "ricos" e os "pobres" e que aqueles "pobres" que "desenham" os projectos de arquitectura sustentam "pobres" famílias numerosas. Aquilo que se omite é que os "pobres" às vezes são muito ricos, recebendo muito por um pobre "serviço de arquitectura" que demorou um dia a preparar. Alicerçada a esta mistificação do "pobre" e do "rico" aparece sempre a ideia de que o "pobre" agente técnico, tem um atelier muito "pobre" e está muito longe de ter relações de promiscuidade com funcionários da câmaras que "orientam" os processos e com as construtoras. A terceira mistificação é que existem muitos agentes técnicos.

Novo Vizinho

Aqui no Randomblog tem sido época mais de leituras do que de escritas, de qualquer forma aqui fica o anúncio de um novo Vizinho: Malaposta.

sábado, março 18, 2006

Liberdade de Expressão

No dia 24 de Fevereiro, o Serviço de Informações da Polícia Dinamarquesa (PET) pôs-se em contacto com o fornecedor de Internet do Arbejderen (O Trabalhador) , jornal diário publicado pelo Partido Comunista da Dinamarca ML em versão impressa e electrónica. A polícia obrigou o fornecedor a retirar um Apelo, redigido pela associação Rebelião, da página web do jornal, sob a ameaça de, caso não o fizesse, ser julgado segundo a legislação "antiterrorista".

Violação das leis dinamarquesas
A acção da polícia constitui uma clara violação da actual legislação dinamarquesa. Nesse mesmo dia, a polícia tentou retirar o Apelo de várias outras páginas web, das quais duas - a página da Juventude Vermelha e a do grupo parlamentar da Aliança Vermelha-Verde - foram parcial ou totalmente encerradas. Todas estas acções constituem claras violações da liberdade de expressão, tão hipocritamente elogiada pelos reaccionários círculos dominantes durante a chamada crise dos cartoons.
No entanto, a censura levada a cabo pela polícia contra a página web do Arbejderen é ainda mais séria e de especial gravidade pois, segundo a Constituição Dinamarquesa, é expressamente proibido reintroduzir a censura na Dinamarca. Além disso, a Lei de Responsabilidade Mediática estabelece que o director é o único responsável pelo que se publica no seu jornal, e caso a polícia suspeite que o material publicado constitui uma infracção à lei, não pode agir por sua própria conta, devendo responsabilizar o director - e não o fornecedor de Internet - e levar o caso perante um juiz, antes de agir.
Como vemos, a lei dinamarquesa é muito clara neste domínio, mas no dia 24 de Fevereiro a polícia actuou sem um mandado judicial e sem informar quer os proprietários quer os editores do jornal. Conhecidos especialistas jurídicos estão de acordo em que a censura feita pela polícia contra o Arbejderen constitui uma flagrante violação da legislação dinamarquesa. Até a Associação de Diários Dinamarqueses, à qual o Arbejderen pertence, confirmou a ilegalidade da acção policial.
O Partido Comunista da Dinamarca ML, através do director do seu jornal, enviou uma carta de protesto à polícia, a qual até agora não comentou. Outra carta foi enviada ao primeiro ministro, Anders Fogh Rasmussen, que é também ministro da Comunicação Social. No entanto, o primeiro ministro que, em nome da liberdade de expressão, durante a crise dos cartoons defendeu muito activamente o alegado direito de o Jyllands-Posten insultar os muçulmanos, deu a entender que só responderá daqui a um mês.

A legislação "antiterrorista"
O Partido Comunista da Dinamarca ML considera que a censura contra o seu jornal representa mais um sintoma da transformação totalitária que se tem operado no Estado dinamarquês durante as duas últimas décadas. Este processo acelerou-se nos últimos anos, especialmente depois do 11 de Setembro de 2001, com a subsequente introdução das leis "antiterroristas", que constituem um fenómeno mais ou menos comum em todas as "democracias" ocidentais.
É bem sabido que estas leis não pretendem somente combater terroristas, reais ou imaginários, mas também os comunistas e outras forças progressistas que, de uma forma ou outra, constituem um desafio à ordem actual. Como tal, representam uma restrição dos direitos cívicos e das liberdades fundamentais. Não constitui surpresa que a primeira organização condenada segundo a versão dinamarquesa da legislação "antiterrorista" tenha sido a Greenpeace, por ter colocado um cartaz num edifício de Copenhaga!
A legislação "antiterrorista" estende-se a cada vez mais esferas da vida quotidiana. Na semana passada, por exemplo, a ministra da Justiça, Lene Jespersen, anunciou uma série de novas leis que, entre muitas outras coisas, permitirão aos Serviços de Informações da Policia e do Exército o livre acesso - sem mandado judicial - a todos os registos públicos que contenham dados pessoais de todo o tipo, desde o pagamento de impostos até à saúde de cada indivíduo. Como a Dinamarca é um dos países com mais registos em todo o mundo, estas leis significarão que o Estado poderá dispor de informações quase completas sobre cada cidadão do país. A ministra da Justiça anunciou que se podem aguardar mais leis deste tipo no futuro.
Na semana passada também vimos outra expressão da evolução totalitária do Estado dinamarquês. Durante uma reunião na Cidade do Cabo, na África do Sul, do Grupo de Acção Financeira (GAFI), que é um grupo de tipo "antiterrorista" instituído pelo G-8, o governo dinamarquês, juntamente com outros 33 países membros da OCDE, comprometeu-se a vigiar " as associações voluntárias e os seus membros, para evitar que estas associações sejam utilizadas por terroristas para transferir dinheiro ". Ou seja, esta nova medida "antiterrorista" foi decidida por uma organização internacional e aceite pelo governo dinamarquês sem nenhum tipo de discussão no Parlamento dinamarquês. Parece que os tradicionais procedimentos democráticos já não convêm ao muito "democrático" Estado dinamarquês e aos igualmente "democráticos" Estados da OCDE.

A oposição à legislação "antiterrorista"
É compreensível que a totalitária legislação "antiterrorista" tenha gerado uma oposição cada vez maior. Uma expressão desta oposição é a associação de base Rebelião, fundada em 2004, para desafiar as leis "antiterroristas" que, entre outras coisas, criminalizam a solidariedade com os movimentos revolucionários e de libertação nacional que os EUA e a União Europeia, de forma arbitrária, colocaram nas suas chamadas listas "antiterroristas".
Pela sua história e pelos seus objectivos seculares, democráticos e humanistas, a Rebelião decidiu desde o princípio concentrar o seu trabalho em duas organizações deste tipo, as FARC da Colômbia e a FPLP da Palestina, e apoiá-las moral e financeiramente. Meses depois, a Rebelião, desafiando as leis "antiterroristas" dinamarquesas, enviou publicamente significativas somas de dinheiro a essas duas organizações.
No verão de 2005, a Rebelião publicou um Apelo Internacional às organizações democráticas de toda a Europa para que tomassem " partido no desafio constante contra a legislação europeia antiterrorista e contra a 'lista de terroristas' da União Europeia ". Pouco depois, o porta-voz da associação, Patrick Mac Manus, foi detido e acusado, ao abrigo da secção "antiterrorista" do Código Penal Dinamarquês, de apoiar organizações constantes da "lista de terroristas" da União Europeia, uma acusação que pode mantê-lo preso durante dez anos. Ao mesmo tempo, a polícia retirou - desta vez com um mandado judicial - o Apelo da página web da Rebelião, depois de a associação se ter negado a fazê-lo.
Como resposta a tudo isto, o Arbejderen, juntamente com outros partidos e organizações democráticas e da esquerda, decidiu colocar o Apelo na sua própria página web. Três meses depois, o seu director recebeu uma carta na qual a polícia de Copenhaga lhe pedia que retirasse o Apelo da página web do jornal. No dia 13 de Dezembro, o Arbejderen e outras onze organizações, que hospedavam o Apelo, reuniram-se e decidiram não acatar o pedido da polícia.
Oito dias depois, o Arbejderen decidiu procurar "asilo político" para o Apelo, que imediatamente foi colocado, em três línguas, num total de 25 páginas web de toda a Europa, além de numa série de outras páginas de organizações comunistas e progressistas. A directora do jornal, Birthe Sorensen, afirmou na altura:
"Tomámos esta medida para sublinhar que pensamos que a questão da liberdade de expressão deve ser levada a sério. Discute-se em todo o mundo se o Jyllands-Posten tem o direito de insultar os muçulmanos, e enquanto isso o governo dinamarquês está a introduzir a censura".
Desde então, e até ao dia 24 de Fevereiro, altura em que a polícia interveio de forma claramente ilegal, retirando o Apelo da página web do Arbejderen, não houve nenhum tipo de comunicação entre o jornal e a polícia. Mas quatro dias antes, sete activistas - entre os quais um militante do Partido Comunista da Dinamarca ML- foram detidos e acusados por vender t-shirts de apoio às FARC e ao FPLP. Já estão em liberdade mas, tal como o porta-voz da Rebelião, Mac Manus, podem ser condenados a até dez anos de prisão.

Contradições dentro dos círculos dominantes na Dinamarca
A repressão da liberdade de expressar solidariedade com os movimentos revolucionários e de libertação nacional tem lugar num momento muito especial da história recente da Dinamarca. A crise dos cartoons, que por um lado é uma consequência de décadas de humilhações aos povos muçulmanos e, por outro, o resultado da arrogância e estupidez do actual governo de direita e dos editores do Jyllands-Posten, provocou sérios desentendimentos dentro dos círculos dominantes na Dinamarca.
A revolta dos muçulmanos já se traduziu em importantes perdas económicas para uma série de grandes empresas dinamarquesas, que agora descarregam as suas frustrações sobre o governo. Tanto a Confederação das Indústrias Dinamarquesas como o Conselho Dinamarquês de Agricultura, vieram a público criticar o governo pela forma como lidou com a crise. O director executivo da Grundfos, fabricante de mais de metade das bombas de água a nível mundial, declarou que a sua empresa está a considerar deslocalizar a produção para o exterior, caso o governo não altere a sua posição arrogante.
Por outro lado, tanto dentro do governo, especialmente no Partido Conservador, como entre os restantes partidos parlamentares, com excepção do extremista Partido Popular Dinamarquês, notam-se manifestações de uma frustração crescente e críticas contra a rígida posição do governo durante a crise dos cartoons. Também uma larga série de intelectuais ilustres e até editores de alguns dos principais meios de comunicação se juntaram ao coro de críticas.
Como resposta, o primeiro ministro Anders Fogh Rasmussen e outros ministros e dirigentes do seu Partido Liberal - numa acção sem precedentes na recente história política da Dinamarca - lançaram-se num contra-ataque, acusando o mundo dos negócios de corrupção moral e de só pensar em dinheiro, acusando de hipocrisia os meios de comunicação e os intelectuais e de não defenderem a liberdade de expressão, da qual beneficiam para viver e trabalhar. Desta forma, estamos perante uma dessas raras situações em que um partido político enfrenta a classe social que o apoia.
Até agora, no entanto, a sobrevivência do governo não está em causa, e uma das razões é exactamente o facto de o governo, noutras frentes, tal como a da redução das prestações sociais, das privatizações e da repressão das ideias progressistas, estar a fazer aquilo que o Grande Capital espera dele. Desta forma, resulta que a situação política, apesar das profundas contradições, continua relativamente estável, embora futuramente não se possa descartar uma possível remodelação do governo e do parlamento.

A liberdade de expressão é um conceito de classe
Não é possível ver televisão, escutar rádio e ler um jornal sem assistir ao grande debate que se está a desenvolver na sociedade dinamarquesa, em consequência da crise dos cartoons. Na sua essência, o debate é saudável, mas também encerra grandes perigos, devido à forma como os grandes meios de comunicação entendem a liberdade de expressão.
Por um lado, não perdem nenhuma oportunidade para louvar a liberdade de expressão que se pratica na Dinamarca, especialmente durante a actual crise. Por outro lado, mantêm um forte controlo sobre o debate e esforçam-se por evitar que certas ideias progressistas e comunistas tenham acesso aos grandes meios, privados e públicos, de comunicação. Não se diz quase nada sobre a real ameaça contra a liberdade de expressão. Desta forma, o conceito de tolerância repressiva, formulada há quatro décadas por um filósofo norte-americano, adquire, nas presentes condições, um novo significado e actualidade.
Há alguns dias, o director do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, publicou um comentário sobre a crise dos cartoons e a liberdade de expressão, no qual, entre outras coisas, escreveu:
"A liberdade de expressão - pilar fundamental da democracia - não está hoje ameaçada na Europa pelo Islão. Como sabemos, essa liberdade está em perigo por outras causas: a concentração mediática, o poder do dinheiro e os consensos ideológicos".
Ignacio Ramonet tem mil vezes razão quanto à liberdade de expressão "dos de baixo", mas ao mesmo tempo é um facto que a liberdade de expressão "dos de cima" é reforçada pela actual concentração da propriedade nas suas mãos. A liberdade de expressão é um dos termos polémicos e polissémicos que - tal como a democracia - representam dois conceitos diferentes. Embora compartilhem uma origem comum e, até certo ponto, também uma base comum, jamais devemos esquecer que um dos conceitos pertence à classe operária e aos comunistas, enquanto que o outro pertence à burguesia e aos seus ideólogos.
Há alguns anos, a classe dominante da Dinamarca contentava-se com o facto de a concentração mediática aumentar o seu controlo sobre os media, marginalizando a imprensa progressista e revolucionária como o Arbejderen. Depois, começou a proibir a linguagem da verdade, ou seja, as palavras exactas para caracterizar os fenómenos sociais modernos como, por exemplo, chamar racista a um partido racista. Agora, vemos como o Estado intervém para apagar documentos inconvenientes em nome da chamada guerra contra o terrorismo.
Talvez alguém considere que a eliminação de um documento das páginas web do Arbejderen - e de outras organizações - não tem assim tanta importância, e que não vale a pena fazer tanto alarido por isso. No entanto, a verdade é que se trata de uma questão de princípio. Se hoje permitirmos que a polícia dinamarquesa abra um precedente, praticando uma censura arbitrária, isso significará a perda de mais uma batalha na secular luta de classes entre o Trabalho e o Capital, que o Estado utilizará mais tarde para implementar mais medidas reaccionárias contra a imprensa progressista e revolucionária.

Solidariedade internacional
O Partido Comunista da Dinamarca ML considera que a acção policial contra o seu jornal diário - e contra outras organizações progressistas na Dinamarca - faz parte da criminalização geral das forças comunistas e progressistas da Europa, desde a ameaça de proibir a União da Juventude Comunista (KSM) da República Checa, passando pela ilegalização dos comunistas nos países bálticos, até à moção anticomunista parcialmente aprovada pelo Parlamento do Conselho da Europa, no passado mês de Janeiro. É parte integrante da ofensiva geral contra a classe operária e os povos europeus.
Tudo isto mostra que os sectores mais prudentes da burguesia europeia compreendem que o capitalismo moderno, apesar da sua superfície relativamente estável, se caracteriza por uma crise estrutural que, mais tarde ou mais cedo, conduzirá a uma agudização das contradições de classe, pelo que já se estão a preparar para as inevitáveis batalhas do futuro. Em tal situação, ganha uma extrema importância a solidariedade internacional entre os Partidos Comunistas e os movimentos progressistas, solidariedade que deve encontrar formas cada vez mais amplas.


Sven Tarp, Secretário Internacional do Partido Comunista da Dinamarca ML. Tradução de LP.
retirado do Resistir.info

França - France


Escrevo este texto Sábado, antes das grandes manifestações que sucederão da parte da tarde um pouco por todo o país.
O governo francês aprovou uma lei que prevê que os jovens até aos 26 anos e que tenham um vínculo contratual com uma empresa possam ser liminarmente despedidos sem justa causa. Esta lei pode parecer mais uma brincadeira de um governo de direita mas não é.
É uma lei que renega a matriz social da direita de protecção da família, desestabilizando o cidadão na maior parte do tempo de vida em que pode procriar. Esta lei, pretensamente para aumentar a oferta de emprego, aumenta o tempo de dependência do cidadão dos seus progenitores e redundará na aniquilação intelectual das capacidades produtivas de gerações e gerações.
Em Portugal, a comunicação social tem dado grande destaque aquilo que chama violência, esquecendo a lei genocída.
O que se passa em França não é mais que o eco de uma alteração global do paradigma do capitalismo; deixamos a era da exploração do homem para entrar na era da aniquilação intelectual do mesmo (esta Orwell não imaginou).
Na comunicação social também tem havido um esforço por referir que estes acontecimentos estão muito aquém dos de Maio de 68, e nisto têm razão. O movimento é menos ideológico e menos colectivo porque houve uma alteração social de quem está nas universidades.
O capitalismo e a sua capacidade de adaptação, permitiu pós-68, que a universidade francesa se tornasse mais multi-classista, através do endividamento dos mais pobres. A burguesia de 68 tornou o movimento mais ideológico do que o de hoje, mas afastou-a dos sindicatos e da população mais explorado.
Hoje, os franceses (de diferentes origens) que se manifestam nos subúrbios, são os mesmos que estão na Sorbonne a estudar e a trabalhar à noite a entregar pizzas.
Por isso qualquer acha para a fogueira do conflito o faz incendiar.
Por outro lado, ao governo, este conflito interessa. Cria um evento que absorve todas as atenções mediáticas e um sentimento global de insegurança, medo e terror. A alguns meses das eleições presidências, ganha pontos quem faz o discurso mais duro contra a violência, ainda que seja o seu principal promotor.
Para o Poder, a Guerra, serve como justificativo e capa, para as suas acções. Para o Povo a Paz é um dos conceitos mais importantes, pois é quem perde com a Guerra.

sexta-feira, março 17, 2006

- Não somos todos verdes fascistas!

Resposta dos manifestantes de Paris à pergunta do Jorge Ferreira: "Daniel Cohn Bendit já foi visto nas manifestações parisienses?"

Decreto Lei 73/73 | Interesses, interesseiros e interessados

A Associação dos Agentes Técnicos de Arquitectura e Engenharia (aatae) tem sido a única entidade a dar a cara contra a iniciativa legislativa de revogação parcial do DL 73/73. Ao que pude apurar a sua advogada é a Dra. Paula Teixeira da Cruz, ex-deputado do PSD, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, casada com o Presidente do BCP...

quinta-feira, março 16, 2006

Decreto Lei 73/73

No final do ano passado foi entregue na Assembleia da República uma iniciativa popular com cinquenta mil assinaturas, na qual se procurava revogar o decreto lei transitório 73/73, que permite que qualquer cidadão execute projectos de arquitectura. Em Abril esta primeira iniciativa legislativa a ser entregue na Assembleia da República terá de ser votada em plenário.
Vamos ver como é que o PS irá conseguir dar a volta ao texto, para satisfazer os seus autarcas e outros construtores militantes, que tanto asco têm aos arquitectos...

segunda-feira, março 13, 2006

"Gente que se liga na gente"

Obrigado à Bomba Inteligente pelo destaque.

Estágios na Administração Pública

O Diário Económico (do dia 10 de Março) reproduzia na capa, a notícia que não teria havido muita procura dos estágios na administração pública, anunciados pelo Governo. Dizia o Diário Económico que os candidatos teriam faltado em massa às entrevistas.
A primeira questão que se levanta é onde foram publicitados os regulamentos?
Em sites da administração pública como por exemplo o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça. Ora parece-me estranho que os candidatos tivessem de andar à procura por todos os sites da administração pública para ver qual é que abria vagas. Ainda mais surreal se torna, quando por exemplo este Instituto oferecia vagas para arquitectos. Por isso só concorreram 33, pode-se ver aqui (candidatura D).
Para se perceber melhor a situação, dir-se-ia que para este atelier concorreram 140 licenciados em arquitectura, para o Estado apenas três dezenas.
Por outro lado, os poucos que tiveram conhecimento do concurso, também não notaram uma claúsula estranha ao Código de Procedimento Administrativo: os candidatos seriam convocados para a entrevista através de afixação de listagem com data e hora, e não por notificação... Ou seja, as listagens foram tornadas públicas lá para os confins de um Instituto e de um site pouco detectável. A duas fases, far-se-ia a selecção natural entre os que tinham amigos que zelosamente os avisavam (tanto do concurso como da entrevista) dos que não tinham.
Contudo, e porque nestas coisas a arquitectura costuma sempre surpreeender, o que era suposto, o que tinha os amigos certos e o que tinha no pai um destacado membro do PS, também faltou à entrevista. Apressadamente, o Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça lá o entrevistou. Aos outros informava-se que não havia hipóteses para calendarizar outra entrevista.
Darei mais notícias aquando da decisão.

Proponho que quem souber de mais histórias destas as publique que ecoarão por aqui (esta situação também já foi levantada no Spectrum). Sugiro que se estabeleça uma corrente de protesto e denuncia destas fraudes nos estágios para a Administração Pública.

sexta-feira, março 10, 2006

Novos Vizinhos

Foi actualizada a coluna da direita com novos vizinhos: Sentidos da Vida, Abafos e Desabafos e Fuga para a Vitória. Como diria o Perestrelo "gente que se liga na gente".

Cavaco e a vitória dos caixilhos de alumínio

Das eleições presidênciais, bem sabemos, saiu o resultado previsto, Cavaco e a vitória dos caixilhos de alumínio com vidro espelhado.
No primeiro dia do novo presidente em Belém, penso na senhora que no Rossio vende, faça sol ou faça chuva, isqueiros do PSD. Penso naquelas pessoas que Cavaco despreza, mas a quem deve a vitória.

Sampaio, o 1º Presidente de Direita do pós-25 de Abril

Sampaio nos últimos dias de magistratura, procurou através de muitas entrevistas "esclarecer" a sua conduta, de modo a regressar incólume à sua casa política. Contudo, na minha opinião, Sampaio ficará para a história como o Presidente da República que conseguiu impedir que uma direcção mais aberta do PS, de formar um governo de esquerda com comunistas.
Agora, Sampaio poder-se-á desculpar com o que quiser mas, de acordo com o que me foi explicado no calor dos acontecimentos por um dos seus assessores, Sampaio não confiava em Ferro Rodrigues e na sua capacidade para atingir uma maioria absoluta, e assim sendo, tudo apontava para comunistas no governo. Neste contexto Sampaio preferia Santana, promovendo a reorganização do PS através de Sócrates.
Conforme me foi explicado a solução seria apenas temporária, a partir do momento que a reorganização estivesse cumprida, Santana cairia e ir-se-ia para eleições antecipadas. Resultou.
Em tempos de ditadura de consensos, foi com orgulho que vi que a bancada do PCP na Assembleia da República não aplaudir o seu discurso de despedida, senti-me representado.

Alguém se lembra de algum sinal do PP em que se sentisse que estava em discordância com o governo na era Santana Lopes? Eu não.

Os suspeitos do costume:

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou o comissariado para revitalizar a Baixa-Chiado. A proposta, assinada pela vereadora Maria José Nogueira Pinto ( CDS-PP), foi aprovada pela maioria, tendo apenas um voto contra, de José Sá Fernandes do BE e duas abstenções, do PCP.O comissariado terá seis meses para apresentar um plano estratégico que enquadre a operação de revitalização. Maria José Nogueira Pinto admitiu, que o modelo de gestão a adoptar poderá incluir a fusão das entidades que actualmente gerem aquela zona histórica da cidade, nomeadamente a Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Pombalina, a Agência de Promoção da Baixa-Chiado, a Unidade de Projecto da Baixa-Chiado e o Fundo Remanescente do Chiado.Relativamente ao seu voto contra, José Sá Fernandes referiu que, no seu entender as propostas aprovadas provam que a Câmara «não tem estratégia para a Baixa-Chiado e por isso encomendam-na a seis atarefadas personalidades». Para além disso, na óptica do eleito do Bloco de Esquerda, todos os diagnósticos estão feitos e portanto podia-se começar a discutir medidas concretas em vez de estar à espera seis meses por um plano.Deste grupo de trabalho fazem parte o ex-ministro da Economia Augusto Mateus, com a competência do financiamento e sustentabilidade económica, o presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico Elísio Summavielle, responsável por coordenar a área do património histórico e actividades culturais. O arquitecto Manuel Salgado terá competências no urbanismo, mobilidade e espaço público, Maria Celeste Hagatong, nas actividades económicas, o ex-deputado do PP Miguel Anacoreta Correia, na área executiva, e a investigadora e docente de História de Arte na Universidade Nova de Lisboa, Raquel Henriques da Silva.

terça-feira, março 07, 2006

A História que se repete

O Governo da República Checa, seduzido pelas virtudes do capital, está a ameaçar ilegalizar e banir a Juventude Comunista de República Checa (KSM). Neste site pode-se ler sobre o assunto e assinar a petição.

segunda-feira, março 06, 2006

DIREITO À HABITAÇÃO PARA TODOS - CONTRA AS DEMOLIÇÕES SEM REALOJAMENTO

Concentração – Palácio de São Bento – 07 de Março de 2006 – das 17h as 22h

O Direito à Habitação é um direito básico e fundamental consagrado pela Constituição Portuguesa:
Artigo 65
“1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a
intimidade pessoal e a privacidade familiar."
(...)
"3. O Estado adoptará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria.”


Nos últimos meses várias famílias dos bairros de barracas nos concelhos de Amadora, Cascais e Loures viram as suas habitações serem destruídas de maneira desumana e prepotente pelos poderes públicos, deixando-as sem tecto e sem alternativa de um realojamento digno.
Milhares de pessoas vivem em Portugal em avançadas condições de insalubridade, não têm acesso ao mercado privado da habitação e não lhes
é reconhecido o Direito à Habitação e a Cidade. Segundo um relatório recente da REAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal), “em termos de
habitação Portugal aparece como o país que enfrenta o maior risco de privação, muito longe dos restantes Estados Membros, com cerca de 40% da população apresentando pelo menos um problema de habitação”.
As políticas do Governo têm sido até agora ineficazes para resolver esta situação o que demonstra a nítida recusa deste em querer abrir os olhos
perante a grave crise da habitação que penaliza a vida de grande parte da população há já muitos anos.
Por isso os moradores dos bairros de Azinhaga dos Besouros (Amadora), Marianas e Fim do Mundo (Cascais), Quinta da Serra (Loures) e o grupo
DAH (Direito à Habitação) da Associação Solidariedade Imigrante convocam uma concentração frente à residência Oficial do Primeiro-Ministro, no
próximo dia 7 de Março de 2006, desde as 17h até as 22h.
Solicitamos a vossa presença e apoio nesta acção. A solidariedade das associações é imprescindível na defesa de um direito tão fundamental
para todos como o acesso à uma habitação digna. As associações devem unir-se para formar um movimento de pressão significativo e levar até o
Governo a necessidade de definir e aplicar políticas sociais de habitação que possibilitam o acesso à habitação para todos.
Contamos com a sua presença e a divulgação desta mensagem.

Contactos: Sylvia Almeida 965829606; Rita Silva 918208853; Maria 963661268
Grupo Direito à Habitação – Associação Solidariedade Imigrante

sexta-feira, março 03, 2006

"We are all ears"

"We are all ears!"
(Somos todos ouvidos!)
José Socrates numa aula de inglês do ensino básico quando, informado pela Sr. Ministra da Educação, se apercebe que as crianças irão cantar uma canção.

quinta-feira, março 02, 2006

Paste & Copies

Às vezes há blogues que consideramos referenciais e que nos apetece ler todos os dias, mas que nos escapam durante muito tempo por estarem no meio de todos os outros (Bombyx-mori). Outros há, que no meio dos "Paste & Copy" desta vida, desaparecem sem se saber porquê tendo de ser, mais tarde, recuperados (Ad Argumentandum).

quarta-feira, março 01, 2006

Mulheres nos Parlamentos Nacionais

Através do Causa Nossa cheguei a este ranking que classifica os países por percentagem de mulheres nos respectivos parlamentos nacionais.
Portugal ocupa o 42º lugar, a par do Paquistão, atrás de países como o Iraque (26º), Moçambique (10º) ou Cuba (7º) e à frente dos EUA (69º), e Grã- Bretanha (50º).

A democracia e o Sporting

Dias da Cunha demite-se e a SAD resolve, sem eleições, nomear Soares Franco, pessoa de reconhecido valor nestas coisas.
Soares Franco foi Presidente da Assembleia Municipal de Cascais, eleito pelo CDS-PP, beneficiando do acordo que este partido tinha com José Luis Judas (PS). Em Cascais, Soares Franco sempre foi reconhecido pelo seu interesse pela construção, aliás, partilhado com o ex-presidente da autarquia. Agora é Presidente do Sporting.
O presidente do Sporting tem vindo a dirigir o Sporting com descrição, até que chegou a incómoda altura em que tinha de começar a vender património. Diz a lei que terá de consultar os sócios, essa entidade abstracta, que dá à SAD as receitas de bilheteira e quotas. Chegando à Assembleia, o sr. Presidente com a sua experiência dos tempos de Cascais em que já vinha tudo cozinhado, apercebe-se que estão demasiadas caras desconhecidas, e que até têm direito de voto(!). Então, o sr. Presidente resolve que afinal, e na iminência de ter o seu primeiro contacto com os sócios do clube a que preside, seria melhor ir decidir para outro lado. Assim foi.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Admissão à Ordem dos Arquitectos

Gostaria de iniciar este texto com uma resumida síntese histórica do processo:
Em 2000 a OA, aprovou um documento intitulado Regulamento Interno de Admissão (RIA) que procurava estabelecer alguma regulação sobre a desenfreada criação de cursos de arquitectura que nos anos 90 o Estado havia permitido e incentivado. Este processo dividia as licenciaturas de arquitectura em Reconhecidas e Acreditadas, criando um estágio obrigatório de um ano e uma prova final para os licenciados provenientes dos cursos que apenas eram Reconhecidos. O RIA foi parcialmente suspenso em 2001, continuando apenas em vigor os processos de Reconhecimento e Acreditação dos diferentes cursos. Em 2002, com a entrada da nova direcção da OA (da qual faço parte desde então) foi levantada a suspensão e iniciado o processo de admissão à OA de acordo com o documento de 2000. Surgiram os problemas conhecidos; provas que implicavam a enunciação de um projecto de arquitectura a ser realizado em oito horas sobre uma folha de papel vegetal, a inconstitucional (a opinião éminha) distinção entre cursos de arquitectura, as contratações de docentes só para Ordem ver...
A OA, fazendo a inevitável autocrítica, iniciou a revisão do RIA criando o Regulamento de Admissão (RA) actualmente em vigor, ferido à nascença pela desnfreada acreditação de uns quantos (poucos) cursos de arquitectura em 2000, que dava direitos adquiridos a licenciaturas até 2007. Assim o RA sobreviverá até 2007 enquanto documento de transição.

Esta reflexão foi produzida no âmbito do processo de revisão do Regulamento de Admissão à Ordem dos Arquitectos e na sequência do debate que já perpassou por vários blogues (complexidade e contradição, posthabitat ou blasfémias)
Este texto tem como objectivo expor aquilo que penso, sobre o modelo de admissão à Ordem dos Arquitectos que poderá vir a ser preparado para 2007. Só analisarei a relação Ordem/Candidato deixando de lado a relação Ordem/Estabelecimentos de Ensino, que reconheço ser igualmente complexa.
Parto da premissa que por agora me parece ser a mais consensual, de que todos os candidatos serão sujeitos aos mesmos procedimentos. Parto também de uma segunda premissa que, por mais imaginativos que possamos serou por mais sistemas estrangeiros que tenhamos estudado, existem três instrumentos ao nosso dispor para conduzir o processo de admissão: Estágio, Acções de Formação e Prova Final.
Optei por resumir em diagramas os diferentes procedimentos, de modo a tornar mais clara esta reflexão.

O primeiro diagrama reflecte o modelo actualmente existente.
A leitura que faço deste modelo, que em parte herdámos, revelou problemas em duas áreas.
O peso determinante da Prova. De facto para os candidatos provenientes de cursos reconhecidos apenas conta a prova. Assistimos por isso ao abanar do sistema quando produzimos uma prova da qual resultou uma percentagem exagerada de reprovações. Esta questão veio a ser aligeirada, pelo facto de passo a passo todas as licenciaturas se terem apresentado a acreditação, restando apenas 3 ou 4 licenciaturas reconhecidas, o que se reflecte numa diminuição significativa do número de candidatos que têm de fazer a prova.
Por outro lado, os estágios obrigatórios, tiveram um efeito devastador no mercado de trabalho assalariado, desregulando-o. Os milhares de estagiários que anualmente procura lugar para estagiar, aceitando fazê-lo de uma forma gratuita, veio a provocar inúmeras situações de substituição de jovens arquitectos por um, dois ou três estagiários, causando um aumento de desemprego na classe, sobretudo nos membros mais jovens e cujas consequências sociais ainda estão por avaliar. Por outro lado também surgiram autênticos ateliers-sombra compostos por estagiários sem vencimento e por patronos ausentes, sem custos e só com proveitos.
Pela análise que faço dos erros do anterior modelo de Admissão não posso concordar com o sistema que define a universalidade de estágio e prova.

Reconhecendo que torna o sistema mais justo, ao ser aplicável a todos os candidatos, poderá vir a traduzir-se num monstro ainda maior, pelo facto de aumentar exponencialmente o número de candidatos que realizarão a prova. O que sucederáse os resultados se mantiverem na ordem dos 90% de reprovação?
No que diz respeito às acções de formação, apesar de ser unânime, a tentativa de melhoria da sua qualidade global, existe a dúvida da sua avaliação e se terá algum peso, na prova final.
Os estágios, nesta proposta, mantêm-se nos moldes actuais, embora haja quem defenda que se estenda o seu período para dois anos. Esta questão levanta-me uma dúvida imediata: que escritório de arquitectura poderáassegurar dois anos de trabalho remunerado (que também existe) a um estagiário? Muito poucos. Se um ano de estágio desregulou muito, dois anos de estágio desregulará muito mais.
Gostaria ainda de escrever, que dos países (poucos) que conheço o sistema de admissão às respectivas associações profissionais, não existe nenhuma formulação que vá muito para além destes três instrumentos - Formação, Estágio, Prova. Contudo não conheço nenhum, exceptuando o nosso, que aplique os três instrumentos em conjunto, na sua admissão.

O que proponho:

1. MODELO DE AVALIAÇÃO CONTÍNUA
A manutenção da situação actual do Estágio, apenas limitando a possibilidade do Patrono ser parte da Entidade de Acolhimento, para que exista uma maior independência na resolução de eventuais problemas que se coloquem entre o Estagiário e a Entidade de Acolhimento, por parte do Patrono.
Por outro lado, durante o período de estágio, ou quando o entender (para precaver estágios no estrangeiro), o candidato à Ordem dos Arquitectos terá de acumular um número mínimo de créditos em acções de formação nas quais obtenha aproveitamento.
O finalizar do processo de admissão à Ordem dos Arquitectos, passa a ser uma verificação dos números de créditos obtidos nas acções de formação, do cumprimento dos objectivos reflectidos pelo relatório de estágio e do parecer positivo do Patrono. Retira-se da Ordem dos Arquitectos o ónus de conceber, produzir e avaliar a Prova de Admissão.


2. MODELO COM PROVA
Este modelo parte do actualmente proposto, retirando o Estágio.
Sendo a Prova Final o elemento decisor na avaliação da admissão, julgo que o Estágio poderá ser dispensado. O estágio profissional não acrescenta nada e apenas torna o processo mais pesadopara a OA, na medida em que tem de analisar as propostas de estágio e relatórios finais, isto se não houver nenhum problema durante o estágio. Não tendo, até hoje,havido qualquer reprovação no Estágio e continuando a não se prever reprovações, parece-me óbvio concluir que a Ordem apenas tem pretendido verificar se o candidato exerceu actividade profissional durante o ano transacto. Para quê?
Existindo acções de formação, que em teoria fornecerão ao candidato as ferramentas que a Academia não dá, para exercer os actos próprios da profissão, e a prova final para avaliar os conhecimentos para o exercício, não posso compreender que mais valia trará à Ordem dos Arquitectos o candidato ter estado a exercer a actividade profissional no ano transacto.
Aliás, a questão poder-se-á também por de forma inversa: de quem é a responsabilidade se o candidato chumbar na Prova Final? Patrono/Entidade de acolhimento, Licenciatura, Candidato ou Ordem?
O modelo que proponho é baseado nos dois instrumentos: Acções de Formação e Prova Final.
Para não correr o risco de a Prova Final ser um monstro reprovatório parece-me fundamental que apenas signifique 50% da avaliação, ficando reservado os outros 50% à avaliação decorrente das Acções de Formação. Durante este processo o candidato poderá exercer a actividade profissional que entender e poderá ir-se inscrevendo nas acções de formação àmedida que forem disponibilizadas pela Ordem. Quando o candidato atingir o número de créditos estabelecido poder-se-á propor à prova final.

Com as propostas de modelos que aqui faço não considero ter encontrado um modelo imbatível e ideal para a admissão à Ordem dos Arquitectos. Continuo a afirmar que entendo que essa não deverá ser a competência da Ordem dos Arquitectos mas sim do Estado. Para mim o modelo ideal será aquele em que o Estado indica anualmente à Ordem dos Arquitectos os licenciados em arquitectura habilitados a exercer a profissão. Contudo o problema existe e cumpre à Ordem dos Arquitectos zelar pelo exercício da profissão em prol do bem público e colectivo.

[1 de Março] Mais argumentos que entretanto fui lendo:
Arqportugal
Arte da Fuga
Hardblog
Quase em Português

A UniPop avança

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Porque Tchernobyl nunca existiu

Ontem na FIL houve uma conferência sobre a energia nuclear, promovida pela Ordem dos Engenheiros, CIP e AIP e que contou com um mui ilustre público a assistir - secretário de estado e tudo. Quando estava na Ordem dos Arquitectos já tinha passado pelos meus olhos o convite para esta conferência, e na altura tinha-me ingenuamente interrogado sobre a oportunidade do evento. A minha interrogação ficou esclarecida no telejornal da SIC Notícias.
A história conta-se da seguinte forma:
Existe um senhor chamado Patrick Monteiro de Barros, daqueles ricos fachos sempre bem relacionados com o poder, que pretende fazer numa qualquer zona de Portugal uma central nuclear para "seu lucro próprio" e "sem subsídios nem apoios do estado" conforme afirma. Este senhor, a quem desconheço qualquer actividade em prol do país, já reuniu com o Governo com o qual combinou manter segredo sobre as negociações durante as eleições "municipais" e presidenciais.
Pondo de lado o perigo que esta solução se afigura com um governo pronto a lamber as botas a um qualquer idiot€, é divertido ouvir a argumentação do dito senhor.
"Toda a gente sabe", "é fácil armazenar os lixos" e "como se faz nos outros países", são as expressões que dominam a arguência, rematando com a exclamação que na Europa nunca ninguém tinha morrido por um acidente nuclear!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

http://worm.wonderm00n.blog.com.pt/

Neste mural digital já se pode ver as "liberdades creativas" deste que vos escreve.

BENFICA

Hoje ainda sou mais vermelho: o Benfica lá ganhou a uma equipa que parecia ser treinada pelo Trapattoni.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

A Saúde da Nação II

A Saúde não é sustentável. A culpa será dos doentes ou dos diversos governos que a administraram?
Raciocínio similar:
Não tenho fome. A culpa será da minha mãe ou será por ter acabado de almoçar?

A Saúde da Nação I

O Ministro da Saúde quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde respeitando a Constituição. Diz este responsável da nação que as despesas na Saúde aumentam exponencialmente e que em breve se as coisas não se inverterem a gratuitidade deixará de ser sustentável.
Pois eu, ao contrário do que seria de supor rebato esta ideia dizendo que a Saúde dá lucro, aliás dá muito lucro.
Utilizando a mesma lógica capitalista que o Sr. Ministro utiliza para fazer a sua avaliação diria que a sustentabilidade é o produto resultante entre os proveitos e os custos ou, com uma linguagem menos contabilística, entre as receitas e as despesas. Ora as receitas na Saúde são maioritariamente provenientes dos Impostos, diria mais, quando os portugueses preenchem a sua declaração de IRS deveriam poder dizer para onde gostariam de ver canalizados os seus impostos. Não tenho dúvidas de que a partir desse momento a Saúde e a Educação passariam largamente sustentáveis. Ao invés, talvez o salário do Sr. Ministro deixasse de o ser.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

# Itália - Democracia Ocidental


A senhora ao lado de Berlusconi chama-se Maria Antonietta Cannizzaro, mulher de Gaetano Saya.
Gaetano Saya é fundador de um partido chamado Nuovo MSI - Destra Nazionale, que conforme se pode ver na foto foi à pouco tempo preso por ter criado um serviço secreto paralelo para atingir e detectar extremistas islâmicos.

A sua mulher, Maria Antonietta Cannizzaro, recentemente eleita Presidente do Nuovo MSI, foi negociar com Berlusconi a entrada nas listas da coligação de direita do seu movimento.

fonte La Repubblica

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

# Eleições em Itália


As eleições que conduzirão à queda de Berlusconi aproximam-se. Tenho vindo a acompanhá-las através do La Repubblica e do Il Manifesto.
A questão do momento são as declarações de Prodi, lider da grande coligação de centro-esquerda, referindo que a Rifundazione Comunista pode vir a ter as pastas da Justiça, Educação e Saúde.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Mandamentos de Pacheco Pereira para os debates na Blogosfera

O Pai da blogosfera portuguesa mostra-nos neste post quais são as Leis do Abruto para o debate na blogosfera:
1. Evitar discutir a Posição, procurar atacar a Contradição.
2. A ferocidade dos comentários está em relação directa com o seu anonimato mais o número de comentários produzidos por metro quadrado de ecrã / dia.
3. A esmagadora maioria dos temas, comentários, reacções, alinhamentos, posições é absolutamente previsível.
4. A blogosfera tem horror ao vazio.
5. O carácter lúdico dos blogues diminui à medida que a importância da blogosfera aumenta na atmosfera.
6. O tribalismo é a doença infantil da blogosfera.
Ainda não tendo chegado à anunciada décima Lei, permito-me desde já identificar uma falta grave:
Dar destaque tanto à opinião como ao contraditório - estabelecendo ligações para todos os críticos e comentadores que se identifiquem.

As vantagens de ter Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia

Lei Bolkestein

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Parabéns atrasados

ao Renas e Veados.

Bloggers libertários

É interessante constatar que os bloggers que na questão dos "cartoons", mais dizem defender a liberdade de expressão, esquecem-se dela na sua própria caixa de comentários...

Onde andam os americanos?

Uns "cartoons" publicados por um insignificante jornal de extrema-direita dinamarquês, devidamente impulsionados pelas organizações muçulmanas mais radicais e "bem cobertos" pelos media globais, tiveram mais destaque, do que os prédios habitados por turcos incendiados pela extrema-direita alemã em Berlim ou as barbaridades cometidas pelas tropas de ocupação do Iraque. Porquê?
Se compararmos os exemplos à luz da "ética da civilização ocidental" de que tanto se fala, dir-se-ia que os "cartoons" seriam, à partida, uma não notícia. Contudo foi explorado e difundido esperando a reacção dos bárbaros.
E a reacção lá chegou. Por alguns países foram sendo incendiadas embaixadas de países europeus (porque não americanas?) belas peças de radicalismo e de terror que, bem difundidas, propagam o medo da outra civilização.
Assim, os europeus aparecem na vanguarda da civilização ocidental e, quase a uma só voz, vão afirmando a sua superioridade ética e moral, sobre os povos muçulmanos maioritariamente governados por tiranos corruptos, lá colocados pelas civilizações ocidentais.
A par disto, crescem as notícias sobre o radicalismo do presidente do Irão, pelas suas posições relativamente ao nuclear e a "unânime" crítica internacional. Prepara-se a invasão…
E onde estão os americanos?
Os americanos desapareceram da cena internacional deixando os europeus como idiotas úteis (a expressão é do Daniel Oliveira) que propagam a noção de civilização superior, argumento complicado de dirimir dentro dos Estados Unidos pela representatividade da sua comunidade muçulmana. Deste modo irão mais tarde recolher os argumentos para voltar a lançar uma investida no Médio Oriente, designadamente no Irão, desta vez com um pouco mais de apoios internacionais. O domínio do Irão significa o domínio absoluto do Médio Oriente e principalmente do seu petróleo. No momento em que a América Latina foge ao jugo americano há que continuar a garantir o alimento do Império.
A Guerra continua.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O famoso instinto de superioridade ocidental

"Após o 11 de Setembro de 2001, a generalidade das discussões sobre este tema estão viciadas entre o radicalismo bélico e o militantismo relativista. Este documento é por isso um contributo para explorar uma alternativa a essa dicotomia, subscrito por cidadãos e cidadãs com percursos distintos e filiações políticas muito diversas, à esquerda e à direita, com ou sem religião, que têm leituras por vezes opostas quanto ao terrorismo e à sua prevenção. Em comum têm porém a recusa na cedência de um conjunto de princípios que, no seu entender, poderão traduzir parte do património civilizacional ocidental. A começar pela liberdade de expressão, que pode e deve ser um valor universal."

Circula na internet um abaixo assinado, para o qual não faço o link pois não o subscrevo, mas que se pode chegar através do Abrupto ou do blog do Ivan Nunes. É tenebrosa esta reacção civilizacional a que assistimos. Esta ideia que o mundo se divide entre o Bem e o Mal e que só há um caminho certo: a nossa Liberdade e Democracia que se vive no Ocidente.
Sobre o Ocidente, e só invocando histórias deste milénio apetece-me recordar de uma forma não hiérarquica:
GUANTÁNAMO, G8 EM GÉNOVA, HAIDER, LE PEN, BERLUSCONI FINI E BOSSI, BUSH, RUMSFELD, PRISÕES DE ALTA SEGURANÇA, IRAQUE, AFEGANISTÃO, PUTIN, CAMPOS DE REFUGIADOS DO SUL DA EUROPA... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... a ocidente nada de novo!

Porquê agora?


Num texto do blog egípcio Freedom for Egyptians pode-se ler (aqui) que os cartoons já haviam sido publicados em Outubro de 2005 na imprensa egípcia.
Porque é que a "solidariedade" da imprensa ocidental e a sua republicação exaustiva só aconteceu agora?

Liberdade de expressão no Ocidente


A ser verdade, é uma excelente investigação:
Lars Refn foi o único cartoonista que, apesar do pedido do Jyllands-Posten, optou por não representar Maomé, o profeta, mas Mohhamed, aluno do 7ºA. O jovem aponta para um quadro onde se pode ler, em persa: «Os jornalistas do Jyllands-Posten são um bando de provocadores reaccionários».
Lars Refn usou da sua liberdade de expressão como queria e não como lhe foi ecomendada. O jornal, apesar de amar a liberdade de imprensa, não gostou da graça e escreveu, como legenda: «pensamos que Lars Refn é um cobarde que não entende a gravidade da ameaça muçulmana à liberdade de expressão». Parece que o Jyllands-Posten adora a sua liberdade, mas não convive bem com a liberdade dos outros. Insultar o jornal que lhe publica o desenho, isso sim, é ter tomates.
[Daniel Oliveira]


Post Scriptum: Acrescento o link fornecido pelo Rui Tavares do Der Spiegel

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Ainda as caricaturas


Não sou dos que entende que a exibição de símbolos fascistas ou xenófobos deva ser permitida, a bem da liberdade de expressão e opinião. Também não sou dos que se chocam por se ironizar sobre questões religiosas.
Desta forma parece-me que há que discernir entre uma caricatura irónica, como esta que foi publicada na capa do El País e a que o Ivan publicou na sua Praia.
Desenhar Maomé com uma bomba na cabeça é o mesmo que desenhar um judeu com cara de porco ou o Deus católico a ter comportamentos racistas. Em qualquer um destes casos, a intenção não é criticar ou ironizar com uma determinada situação, mas sim imputar a todos os crentes numa determinada religião um tipologia comportamental. O centro deixa de ser a figura do Deus, mas todos os que nele acreditam, passando desta forma a ter uma mensagem de conteúdo xenófobo.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Finalmente @méli@


Percebe-se melhor desfocando a vista.

Para nos divertirmos com Bush:

Planetdan.net

"Cidadania" ou a "Alta em baixo".

Por vezes voltamo-nos a lembrar que a cidadania é feita de acções concretas, e não por um conjunto de palavras vãs. Através d' A Barriga de um Arquitecto, cheguei a um blog colectivo sobre viver na Alta de Lisboa.

A ler:

A VIROSE é uma Associação Cultural sem Fins Lucrativos, baseada no Porto, Portugal, dedicada à arte e suas contaminações com a técnica. A maior parte das vezes a Virose é designada simplesmente como uma organização para a teoria e a prática dos velhos e dos novos media (Virose - arte, teoria, prática). Reúne artistas, programadores, arquitectos e outros e gere um servidor com diversas áreas, incluindo um e-zine (www.virose.pt/vector). Desde o início do projecto, em 1997, a questão principal centrou-se na tentativa de compreender as chamadas artes digitais no campo mais alargado da arte. Os problemas da net.arte, arte digital/numérica ou o que quer que lhes possamos chamar, não são tão diferentes, e ainda menos opostos, à questão ontológica que juntou (e apartou) arte e técnica. É possível falar do plural das artes sem pensar também o seu singular? E é possível pensar a singularidade de cada arte sem o seu plural? Este é o campo de acção da VIROSE.

Hoje vi um operário

Eram sete da manhã e chegava ao atelier. Do rebuliço desta parte da cidade que acorda cedo, destaca-se uma farda verde. Primeiro, penso ser um dos "sapos" da Emel numa madrugadora cruzada moralizadora, mas quando me aproximo percebo ser alguém que tem escrito nas costas "Sivel". Hoje vi um operário, no centro de Lisboa!

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Carta para um camarada no estrangeiro

Numa daquelas arrumações de fim-de-semana, descobri esta carta escrita no início do ano passado, para um amigo que se encontrava ausente no estrangeiro, e que resolvi publicar aqui no blog:

Camarada, acredito que já tenhas ouvido as últimas da Santa Terra Portugal.
Pois é, o Benfica já não é primeiro. Foi empatando... Perdendo e, à hora que te escrevo é 4º classificado. Mas fomos roubados, o povo é sempre roubado. O Luís Filipe Vieira fez um DVD (formato um pouco burguês) e deu-o ao Ministro Henrique Chaves. O Sr. Ministro, que tinha tomado posse há dois dias, e que até então apenas era conhecido por ter o nome parecido com o nosso companheiro da Venezuela disse que tinha tido vontade de o mandar pela janela, o DVD, claro, se fosse o LFV seria um revolucionário.
Passados quatro dias da sua nomeação o Sr. Ministro, ex-melhor amigo do Primeiro, resolveu demitir-se. Mas não foi uma demissão fácil, envolveu bebés na incubadora, irmãos que batem nas criancinhas, uma grande noitada no Kremlin, um texto do Cavaco no Expresso e uma carta histérica/histórica a denunciar aquilo que nós, mais íntimos do Governo, já sabíamos.
Então, surpresa das surpresas: o Sampaio dissolve.
O banana fica-nos a dever 5 meses, a possibilidade da esquerda ter a maioria na Assembleia da República (sem que o PS tivesse a Absoluta) e a liderança mais à esquerda do PS... mas dissolveu. Há 5 meses teríamos como resultado das eleições um governo do Ferro com toda a esquerda, mas o banana não quis ficar para a história como o primeiro presidente a empossar um Governo com comunistas.
Acabo com estória do outro Benfica. Tivemos Congresso e, sinto-me o mais duro dos moles... ou o mais mole dos duros conforme preferires. Gostei das intervenções do Jerónimo, foram de abertura (sei que não vais acreditar se tiveres lido os jornais) dando uma valente porrada no Governo e no PS. Acho que o moço comunica bem.

Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.

Hoje escreveria assim:

Camarada, o povo perdeu outra vez.
Bem sei que o Benfica ainda tem hipóteses de ganhar o campeonato e que o Governo tem um partido que se divide a cada passo mas, porra, é sempre o povo que perde! O Cavaco ganhou - nada que já não fosse previsível. Conseguiu fazer a campanha sem falar, ou melhor, dizendo um conjunto de frases genéricas sem sentido e substrato. Contudo depois destas eleições (porque a memória com a idade me vai falhando) quando penso em Cavaco já não penso em cargas policiais, escutas e Dias Loureiro. Agora a primeira coisa que me vem à cabeça é uma marquise de caixilhos de alumínio com vidro espelhado, a sua casa pato bravo no Algarve e a Maria... Nada de bom, mas ao menos a campanha requalificou na minha memoria a imagem de Cavaco e hoje, convenhamos, tenho uma imagem do futuro Presidente da República menos nociva.
Sobre o partido, diria que está mais inteiro. O Jerónimo foi candidato e correu bem. O moço é sério e fala com as pessoas. Prevêem-se três anos de oposição à séria.
Entretanto o Benfica avança com toda a desconfiança...
Contudo, aviso-te que embora não pareça, Portugal está igual.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Eleições

As eleições foram livres. Talvez com uma ou outra alfinetada sem influência no resultado final. O povo decidiu. Por mais que nos custe há que respeitar a decisão popular. O que pensará Cavaco?
O país a que me refiro é, obviamente, Palestina.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Em periodo de reflexão


Das eleições acabadas
do resultado previsto
saiu o que tendes visto
muitas obras embargadas

José Afonso, "Índios da Meia-Praia"

"Mas não por vontade própria pois a luta continua..." - onde, como e quando não sei.
Como sabem, os amigos que por aqui vão passando este blogue tem estado a levedar. Valores e combates mais altos se levantaram. Fui tentando, ao longo dester últimos meses, reconstruir as memórias que tenho de Cavaco, no Cavaco Fora de Belém e n'O Voto é a arma do Povo, e apoiando Jerónimo de Sousa no Mais Livre.
Escrevi muito, estive atento ao que se ia dizendo e fui entrando em polémicas com outros bloggers. Entrento fui conhecendo, por email e bloguices, outra malta com quem fui escrevendo - o André Levy, o Ivo Rafael ou o Filipe Gil - outra com quem fui polemizando - o Luís Rainha, os Pulistas do Lobo e os Mandatários Digitais, os Super-Alegres ou os Super-Mários (que revelou um Ivan Nunes em excelente forma e capaz de ainda alinhar no derby do fim de semana). A estes e a todos os outros bloggers com quem escrevi (que aqui não são destacados pois vamo-nos encontrando por aí) aquele abraço.
Embora ainda esteja a preparar os últimos posts para o Mais Livre e Cavaco Fora de Belém, vou-me recolher aqui no Randomblog para um periodo de reflexão, com textos diversos e recuperando a escrita para os amigos, fora do mainstream mediático.

Bom, também andarei por aqui, mas isso são outras águas... e por agora em fase de teste.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Continua a busca sobre quem é Ricardo Ribeiro

"Indispensável para a colecção de quem realmente aprecia o fado, Ricardo Ribeiro, apesar de jovem, é já reconhecido entre os apreciadores deste género pela força e personalidade da sua voz. O primeiro disco de Ricardo Ribeiro contém a magia do fado com a intensidade da sua expressão, interpretando grandes poetas populares de uma forma tão sentida que nos remete para uma Lisboa que não existe mais e para o chamado fado «verdadeiro» dos puristas, aquele que, para estes, «canta a verdade dos corações»."

Da página dos attambur

terça-feira, janeiro 24, 2006

De regresso a casa

Para quem quiser, a minha análise aos dramáticos resultados eleitorais de Domingo está aqui.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Cá estaremos

Hoje é dia de apelos e das últimas sondagens. Dramatiza-se o discurso, espalham-se os boatos que já não poderão ser desmentidos ou tenta-se referir uma ou outra coisa que ficou por dizer. Eu por mim escolho a terceira hipótese, e tentarei escrever sobre algo de que ainda não falei neste blogue.Quem me conhece sabe do meu percurso político que, embora militando desde os 18 anos, tem vindo a ser muito mais próximo do associativismo do que dos partidos. Embora reconhecendo que os partidos são uma base fundamental do sistema democrático, tenho e sempre tive, muitas críticas a fazer ao meu partido e assumi-as publicamente por diversas ocasiões. Sempre o disse: sou comunista e, por isso, do PCP (não o inverso).Contudo desde a eleição de Jerónimo de Sousa para Secretário-Geral do PCP (contra a qual, na altura, me manifestei publicamente) que sinto que as coisas estão a mudar dentro e, sobretudo, para fora do meu partido. Desde o seu discurso no Congresso até à forma de estar e de agir do partido no último ano e meio.Há um outro momento que para mim me parece muito importante neste último ano e meio, e que hoje neste texto mais pessoal, me apetece falar - o funeral de Álvaro Cunhal. Foram milhares e milhares de pessoas que sentiam a morte do Álvaro como alguém que lhes era próximo e que os defendia. Milhares e mihares dessas pessoas, nunca votaram no PCP nem votarão em Jerónimo nestas eleições, mas sentiam que morria alguém que sempre viveu ao seu lado.O respeito desse povo é o património, a obrigação e a esperança que um partido comunista (e neste caso uma candidatura comunista) pode e deve ter.

publicado no Mais Livre

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Quem foi o fadista Ricardo Ribeiro?

Houve alguém que escrevendo no Sapo a seguinte frase: biografia do fadista Ricardo Ribeiro?, veio dar a este blog...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Álvaro Cunhal uma Biografia Política


NOTA PRÉVIA
Pelo Natal, recebi o último volume editado da Biografia de Álvaro Cunhal escrita por José Pacheco Pereira (JPP). O historiador do Abrupto, tem vindo ao longo dos anos a recolher inúmera informação para a construção da biografia de Álvaro Cunhal e da história do PCP, o que fica patente nos seus dois blogues Álvaro Cunhal uma Biografia Política - o blog do livro e Ensaios sobre o comunismo, e outros livros publicados. Embora me tenha lançado ao livro com alguma avidez, o final do ano apenas me foi permitindo ler uma centena das 748 páginas. Contudo nestas primeiras cem páginas o PCP já foi responsável pela morte de umas quantas pessoas, e é sobre isso que quero escrever
:

A parcialidade e o rigor científico não são conceitos que se aniquilem em textos como o deste livro - com o cariz de ensaio académico. Quero com isto dizer que, o investigador quando inicia uma pesquisa sobre um determinado tema até pode partir (e às vezes ajuda) com uma ideia preconcebida daquilo que se quer provar. Ou seja, não me choca que JPP, quando se lhe pôs o problema da justificação de alguns desaparecimentos/mortes de militantes comunistas, tenha partido do pressuposto que teria sido o próprio partido a cometer os homicídios.
Neste aspecto a tese de JPP é clara e está patente numa das primeiras páginas do livro: "Algures, durante o ano que se seguiu à prisão de Cunhal, o núcleo restritíssimo de dirigentes que controlavam o PCP tomou a decisão de executar os militantes envolvidos nos casos que lhes pareciam mais graves de "traição" - pp. 60. A partir da enunciação da tese, JPP passa a descrever algumas mortes que atribui a decisões dos dirigentes do PCP então no activo, enunciando detalhadamente um conjunto de fontes e documentos que corroboram a sua tese.
Não me interessa questionar a veracidade da tese de JPP, pois estas não são as minhas áreas privilegiadas de investigação. O que quero questionar são as fontes que o historiador utiliza para a suportar. Um factor determinante para se chegar a uma tese com algum rigor científico no campo da história contemporânea, e o JPP sabê-lo-á melhor do que eu, é a capacidade de cruzar informação, fontes, testemmunhos e documentos de diferentes proveniências, para que a premissa da qual se partiu passe de "possibilidade" a "certeza". Na minha opinião esta tese não se encontra bem defendida.
JPP diz: "Uma análise mais rigorosa do que se conhece sobre os assassinatos e as tentativas de assassinato, ocorridos de 1950 a 1974, baseada nos documentos e nos testemunhos da época não permite dúvidas sobre a responsabilidade do PCP nesse actos."- pp. 63.
A fonte primária de JPP, são os documentos dos arquivos da PIDE que justificam plenamente a sua tese, na qual tem especial importância as "Memórias de um Inspector da PIDE" de Fernando Gouveia - que nas palavras do autor era um especialista a lidar com comunistas pela forma expedita e violenta como levava os interrogatórios. No interior do PCP o historiador encontrou documentos da época que revelavam preocupações relativamente a possíveis elementos afectos ao regime infiltrados nas células e na direcção do partido, mas nenhum documento em que se possa extrapolar para ter existido uma decisão por parte da direcção de assassinato de um qualquer suspeito de "traição".
Relativamente a ex-militantes do PCP, só os que aparecem citados em interrogatórios pela PIDE, é que assumem a responsabilidade do partido nos assassinatos. Outros ex-militantes, como Rui Perdigão, defendem a não veracidade da tese que JPP defende.
Ora de uma leitura atenta das fontes temos que, apenas nos documentos e testemunhos que passaram pelo crivo da polícia do antigo regime se pode encontrar referências à responsabilidade do PCP nas mortes enunciadas. Desta forma a tese de JPP, e mais uma vez refiro que o meu propósito não é contrapor com outra tese, aparece-nos documentada com fontes que, para além de serem pouco fidedignas (pois sabe-se que muitos documentos da PIDE eram apenas propaganda) não se conseguem cruzar com todos os outros testemunhos que o autor registou.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

As SAD's


Não é meu hábito escrever sobre futebol, mas as notícias que se vão sucedendo de clubes de futebol com salários em atraso são um retrato visível do Estado (de Impunidade) da Nação.
Deixo esta notícia retirada do jornal RECORD:

Greve foi evitada pelo roupeiro Rogério
No final do encontro com o Barreirense, Marco Paulo, capitão do Estoril, explicou na sala de imprensa o que se tinha passado no balneário para a equipa entrar em campo.
"Viveram-se momentos bastante complicados e a greve foi certa quase até ao último minuto. A direcção da SAD explicou-nos que existe um grupo de investidores, cuja face visível é Dionísio Castro, com vontade de pegar no Estoril. É uma pessoa nova e vamos acreditar. Acabámos por jogar também pela nossa dignidade. Assim, se tivermos de sair, ninguém nos pode apontar nada. Vamos fazer tudo para que o clube não acabe", explicou Marco Paulo, formado nas escolas do clube.
No entanto, houve um pormenor fundamental para a decisão dos jogadores e esse não passou por novos investidores, até porque os atletas acabaram por não receber dinheiro nenhum ontem.
E o homem decisivo foi o roupeiro Rogério, há mais de 30 anos a trabalhar no clube e figura muito querida pelos jogadores.
Depois de estes decidirem não jogar, às 13.30, o técnico de equipamentos ficou desesperado no balneário, alertando para um pormenor: se o Estoril acabar, ele fica sem emprego.
Ninguém ficou indiferente ao drama do amigo e a equipa entrou em campo, ganhou e dedicou-lhe a vitória.


Autor: MIGUEL AMARO
Data: Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2005 00:57:00

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Festas Felizes a tod@s os passantes











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terça-feira, dezembro 13, 2005

Os hospitais do Desterro, Capuchos e São José podem vir a encerrar as portas até 2009

O governo vai fechar três hospitais que estão no centro de Lisboa e que acolhem as mihares de pessoa (em geral de idade) que ali vivem.
Só quem não vê as autênticas romarias de desgraça e pobreza é que consegue ter esta ideia. Este tipo de decisão transforma um governo num bando de malfeitores, pactuantes com os interesses imobiliários que continuam a especular no centro de Lisboa.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Escrever baixinho

Por vezes sucede que volto a ter vontade de escrever baixinho. Escrever para os amigos que por aqui passam e deixar o mediatismo de outros blogues. Aquele abraço.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Um comentário transformado num post

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiroE que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

Alberto Caeiro

do Ricardo do Filho do 25 de Abril

70 anos da morte

Somos contos de contos, contando contos nada.
Ricardo Reis

segunda-feira, novembro 28, 2005

Contra Cavaco estou aqui. Por Jerónimo de Sousa estarei aqui.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa, ao contrário do que é habitual nos candidatos, tem vindo a escrever muito no seu blog e gostaria de chamar a atenção para o seu último texto "O salvador da pátria". Mais argumentos para desmascarar Cavaco.

25 de Novembro

Hoje faz trinta anos que a revolução parou.

Hoje temos Negri às 17.30 e às 21.30.

terça-feira, novembro 22, 2005

Fitas

Três mulheres esperam o autocarro numa qualquer paragem de Lisboa. É de noite, chove, faz frio e o transporte já demora meia hora. A mãe, encolhendo-se mais uma vez com o frio, comenta com a filha que ainda terão de fazer mais uma casa. A terceira, desconhecida da mãe e da filha, faz sinal ao táxi para parar e diz-lhes para entrarem - que as leva. A terceira vai ser mãe em Maio.

Video sobre as prisões nos EUA

http://informationclearinghouse.info/video1/2prison.wmv

Negri


O QUE FAZER? (IMPÉRIOS, MOVIMENTOS E MULTIDÃO)
SEXTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO, 22H, FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS (FCSH) AUDITÓRIO 2 (PISO 3)
Av. de Berna, 26 - C, Lisboa
António Negri, filósofo e militante italiano, nasceu em Pádua em 1933. Foi membro da Autonomia Operária e condenado a 13 anos de prisão; exilado em Paris por 14 anos retornou a Itália e a partir de 1997 cumpriu pena em regime semi-aberto na prisão de Roma. Publicou entre vários outros a "Anomalia Selvagem: Poder e Potência Spinoza", "O Poder Constituinte" e, mais recentemente o célebre "Império", e agora "Multidão".
Organização: ATTAC, CIDAC, GAIA
DIVULGA E APARECE!