sábado, junho 24, 2006
Timor: o golpe
A situação em Timor continua preocupante. A comunicação social e os opinion makers já tomaram partido, por essa frente democrática e popular liderada por Xanana e Ramos Horta. Nem a visão mais patrioteira, mas óbvia, de que Xanana representa os interesses da Austrália singrou. Agora, é Ramos Horta, esse "grande homem do povo" que em todos os momentos difíceis de Timor estava no estrangeiro, é a salvação. Aqui, em Timor, fala-se de democracia, mas não convém falar de eleições, pois sabe-se que a Fretilin e Alkatiri, venceriam! O golpe de estado assim vai sendo montado.
Recebido via email:
ALERTA
Primeiro-Ministro Alkatiri faz Presidente Xanana Gusmão pensar duas vezes
Hoje o dia começou mal. A notícia era que na Terça-feira, dia 20 de Junho, o Presidente enviou um envelope ao Primeiro-Ministro que continha uma cassete de vídeo do programa de dia 19, 4 Corners da ABC TV da Australia, e uma carta a exigir que ele se demitisse até às 5 da tarde, caso contrário senão seria demitido. Isto significa uma ameaça de violação da Constituição. O programa 4 Corners alega que a Fretilin criou esquadrões de morte por ordem do Primeiro-Ministro e Secretário-Geral, Mari Alkatiri.
Felizmente, talvez, o Primeiro-Ministro não abriu o envelope até tarde nessa noite, depois das 5 da tarde. De qualquer forma, o Presidente não tomou nenhuma acção no final do prazo
Tinha sido marcada uma reunião do Conselho de Estado para as 10.30 da manhã de dia 21 de Junho – um conselho consultivo do Presidente constituído por 15 conselheiros, que não toma decisões. Na reunião, o Presidente renovou o seu pedido de demissão do Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro não aceitou o pedido.
Então, o Presidente disse que se o Primeiro-Ministro não se demitisse, demitia-se ele. Mas o Primeiro-Ministro disse-lhe para não fazer isso de forma nenhuma, e que se assim fosse demitia-se ele primeiro. O Ministro dos Negócios Estrangeiros propos que Alkatiri entregasse o seu lugar a dois vice-primeiros-ministros.
O Primeiro-Ministro respondeu que eles tinham de compreender que se ele se demitisse nestas circunstâncias, isso implicaria a demissão de todo o Governo, o antagonismo dos membros da Fretilin, e que o Orçamento de Estado não passaria no Parlamento Nacional e que a Lei eleitoral seria atrasada e que tudo isto não seria bom para o país nem traria benefícios para a situação.
Esta perspectiva surpreendeu, tanto o Presidente como o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
O Primeiro-Ministro disse que não lhe cabia a ele sozinho tomar essa decisão e que teria que consultar a FRETILIN e o Conselho de Ministros.
A reunião acabou com o Primeiro-Ministro a transmitir ao Presidente que o informaria da sua decisão após essas consultas. A Comissão Política Nacional da FRETILIN reunir-se-á no dia 22 de Junho de manhã, e à tarde o Primeiro-Ministro e o Presidente do Parlamento informarão o Presidente das conclusões da Comissão Política Nacional. Na sexta-feira de manhã há reunião do Conselho de Ministros. No Sábado reúne-se o Comité Central da FRETILIN. Por isso, talvez, Domingo ou Segunda-feira haverá um anúncio do resultado deste processo.
No entanto, o efeito psicológico do dia foi virou-se contra o Presidente. Ele exigiu a demissão do Primeiro-Ministro em dois dias consecutivos e não a recebeu.
Nem o Presidente, nem o Ministro dos Negócios Estrangeiros, prestaram declarações à Imprensa, nem a Embaixada da Austrália, depois do Conselho de Estado de hoje.
Os militares australianos tem sido cada vez mais agressivos dizendo às pessoas que Alkatiri é o 'ex-Primeiro-Ministro" e a perguntarem às pessoas quem é que elas apoiam. Hoje hastearam a bandeira da Austrália no edifício da Educação Não-Formal em Vila Verde, depois de terem impedido o içar da bandeira de Timor-Leste. Estas instalações são utilizadas pelo Ministério da Educação e também utilizado como dormitório por alguns soldados australianos.
No dia 9 de Junho, dois helicópteros militares australianos foram a Los Palos, na ponta Leste da ilha, dizendo às pessoas para apoiarem o Presidente e oporem-se ao Primeiro-Ministro. Foram surpreendidos por uma reacção agressiva e zangada da população e tiveram que partir apressadamente.
O demissionário Ministro do Interior, Rogério Lobato, foi interrogado pela polícia sobre as alegados esquadrões da morte, mas não foi preso.
Está em sua casa e visitou outras casas na sua zona, mas encontram-se militares australianos em sua casa. O Procurador-Geral da República disse nas notícias da noite da Televisão, a 21 de Junho, que havia um mandado de detenção para Rogério Lobato, mas que não tinha sido executado.
Por volta das 6 da tarde de 21 de Junho, algumas pessoas tentaram incendiar a casa do Procurador-Geral, mas os bombeiros dominaram o incêndio. A 20 de Junho tinha havido uma ameaça de lhe pegarem fogo à casa. Estão contra ele por não prender o Primeiro-Ministro e Rogério Lobato. Queimaram casas nessa noite em Díli.
Tanto quanto posso dizer dos membros da FRETILIN, existe um grande apoio a Mari Alkatiri, e existe a determinação de resolver a tensão actual com o Presidente de uma forma que garanta o respeito pela Constituição, a posição da FRETILIN, ajude a acabar com a crise no país e que permita realmente a realização das eleições em 2007.
O perigo é que as forças que querem mudar o Governo não desistam, especialmente agora que empurraram o Presidente à beira de violar a Constituição.
Peter Murphy
Dili, 21 de Junho de 2006
Primeiro-Ministro Alkatiri faz Presidente Xanana Gusmão pensar duas vezes
Hoje o dia começou mal. A notícia era que na Terça-feira, dia 20 de Junho, o Presidente enviou um envelope ao Primeiro-Ministro que continha uma cassete de vídeo do programa de dia 19, 4 Corners da ABC TV da Australia, e uma carta a exigir que ele se demitisse até às 5 da tarde, caso contrário senão seria demitido. Isto significa uma ameaça de violação da Constituição. O programa 4 Corners alega que a Fretilin criou esquadrões de morte por ordem do Primeiro-Ministro e Secretário-Geral, Mari Alkatiri.
Felizmente, talvez, o Primeiro-Ministro não abriu o envelope até tarde nessa noite, depois das 5 da tarde. De qualquer forma, o Presidente não tomou nenhuma acção no final do prazo
Tinha sido marcada uma reunião do Conselho de Estado para as 10.30 da manhã de dia 21 de Junho – um conselho consultivo do Presidente constituído por 15 conselheiros, que não toma decisões. Na reunião, o Presidente renovou o seu pedido de demissão do Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro não aceitou o pedido.
Então, o Presidente disse que se o Primeiro-Ministro não se demitisse, demitia-se ele. Mas o Primeiro-Ministro disse-lhe para não fazer isso de forma nenhuma, e que se assim fosse demitia-se ele primeiro. O Ministro dos Negócios Estrangeiros propos que Alkatiri entregasse o seu lugar a dois vice-primeiros-ministros.
O Primeiro-Ministro respondeu que eles tinham de compreender que se ele se demitisse nestas circunstâncias, isso implicaria a demissão de todo o Governo, o antagonismo dos membros da Fretilin, e que o Orçamento de Estado não passaria no Parlamento Nacional e que a Lei eleitoral seria atrasada e que tudo isto não seria bom para o país nem traria benefícios para a situação.
Esta perspectiva surpreendeu, tanto o Presidente como o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
O Primeiro-Ministro disse que não lhe cabia a ele sozinho tomar essa decisão e que teria que consultar a FRETILIN e o Conselho de Ministros.
A reunião acabou com o Primeiro-Ministro a transmitir ao Presidente que o informaria da sua decisão após essas consultas. A Comissão Política Nacional da FRETILIN reunir-se-á no dia 22 de Junho de manhã, e à tarde o Primeiro-Ministro e o Presidente do Parlamento informarão o Presidente das conclusões da Comissão Política Nacional. Na sexta-feira de manhã há reunião do Conselho de Ministros. No Sábado reúne-se o Comité Central da FRETILIN. Por isso, talvez, Domingo ou Segunda-feira haverá um anúncio do resultado deste processo.
No entanto, o efeito psicológico do dia foi virou-se contra o Presidente. Ele exigiu a demissão do Primeiro-Ministro em dois dias consecutivos e não a recebeu.
Nem o Presidente, nem o Ministro dos Negócios Estrangeiros, prestaram declarações à Imprensa, nem a Embaixada da Austrália, depois do Conselho de Estado de hoje.
Os militares australianos tem sido cada vez mais agressivos dizendo às pessoas que Alkatiri é o 'ex-Primeiro-Ministro" e a perguntarem às pessoas quem é que elas apoiam. Hoje hastearam a bandeira da Austrália no edifício da Educação Não-Formal em Vila Verde, depois de terem impedido o içar da bandeira de Timor-Leste. Estas instalações são utilizadas pelo Ministério da Educação e também utilizado como dormitório por alguns soldados australianos.
No dia 9 de Junho, dois helicópteros militares australianos foram a Los Palos, na ponta Leste da ilha, dizendo às pessoas para apoiarem o Presidente e oporem-se ao Primeiro-Ministro. Foram surpreendidos por uma reacção agressiva e zangada da população e tiveram que partir apressadamente.
O demissionário Ministro do Interior, Rogério Lobato, foi interrogado pela polícia sobre as alegados esquadrões da morte, mas não foi preso.
Está em sua casa e visitou outras casas na sua zona, mas encontram-se militares australianos em sua casa. O Procurador-Geral da República disse nas notícias da noite da Televisão, a 21 de Junho, que havia um mandado de detenção para Rogério Lobato, mas que não tinha sido executado.
Por volta das 6 da tarde de 21 de Junho, algumas pessoas tentaram incendiar a casa do Procurador-Geral, mas os bombeiros dominaram o incêndio. A 20 de Junho tinha havido uma ameaça de lhe pegarem fogo à casa. Estão contra ele por não prender o Primeiro-Ministro e Rogério Lobato. Queimaram casas nessa noite em Díli.
Tanto quanto posso dizer dos membros da FRETILIN, existe um grande apoio a Mari Alkatiri, e existe a determinação de resolver a tensão actual com o Presidente de uma forma que garanta o respeito pela Constituição, a posição da FRETILIN, ajude a acabar com a crise no país e que permita realmente a realização das eleições em 2007.
O perigo é que as forças que querem mudar o Governo não desistam, especialmente agora que empurraram o Presidente à beira de violar a Constituição.
Peter Murphy
Dili, 21 de Junho de 2006
domingo, junho 18, 2006
Junho - a morte sai à rua
Os comunistas e todos os militantes de esquerda sentem as contínuas perdas de camaradas dos últimos dias. Para além de Fernanda Barroso, também os escritores Miguel Medina, nascido em Lisboa em 1951 e filho de Fernando Medina e de Maria Eugénia Cunhal, e Mário Ventura Henriques e, hoje de manhã, recebi a notícia da morte do ex-eurodeputado comunista Joaquim Miranda. Às respectivas famílias um abraço solidário.
Frida
Mais um fabuloso texto do Xatoo. Desta vez, leva-nos pela vida e obra de Frida Kahlo a propósito do catálogo "cor-de-rosa" editado pelo CCB.
sábado, junho 17, 2006
Protesto: Tv Cabo | M6 | RTL
O movimento continua. Para além de já haver muitas notícias deste protesto pelos blogues e jornais, a petição online já tem mais de 5000 assinaturas. Pode assinar aqui.
DECO (2) - neonazis (0)

"José Pinto Coelho (líder do PNR), considerou hoje «escandalosa» a presença na selecção nacional do jogador Deco, que é natural do Brasil, mas tem dupla nacionalidade." - Portugaldiário
"O Partido Nacional Renovador (PNR) está a procurar financiamento junto de entidades do Estado iraniano, com quem contacta através do movimento «skinhead» alemão." - Expresso
terça-feira, junho 13, 2006
Quando a morte sai à rua
Exactamente um ano após o falecimento do camarada Álvaro Cunhal, a morte saiu mais uma vez à rua. Desta vez levou-nos a camarada Fernanda Barroso, sua companheira nos últimos 25 anos. O funeral realizar-se-á amanhã, às 9h00, para o Cemitério do Alto de S. João.
(Nota do Secretariado da Direcção da Org. Regional de Lisboa do PCP)
(Nota do Secretariado da Direcção da Org. Regional de Lisboa do PCP)
TvCabo M6
Através do Sitemeter notei que grande parte das pessoas que hoje acederam a este blog, vieram a partir do google procurando: "TvCabo M6". Percebi a partir de então que a indignação não é só minha já existindo dezenas de posts sobre o tema e alguns blogues a apoiarem a cadeia de protesto que alvitrei. Assim aqui fica a nota e o link para o browser da blogger onde se pode ir vendo os posts mais recentes sobre a matéria.
domingo, junho 11, 2006
Destaque 02
O Monte Olivete no Príncipe Real, local onde já se falou de {Destruição} {25 de Abril} e do {Terramoto} e onde se continua a falar ao avesso.
Links >>>>>
Finalmente algum tempo para editar a coluna da direita. Constituem-se novos "Vizinhos" e acaba-se com a coluna "A Editar".
VIZINHOS
Tugir
We have kaos in the garden
Almocreve das Petas
Briteiros
Cão de Guarda
Pensamentos
Bloguers Comunistas
Monte Olivete
Renas e Veados
Hardblog
Compl. e Contradição
a Barriga de um Arquitecto
Posthabitat
DIÁRIOS
a Vila
a Baixa do Porto
Recortar
Arrastão
Glória Fácil
SEMANAIS
Império Bárbaro
A Arte da Fuga
A hora que há-de vir
Diário da República
Abruzolhos
Garedelest
Ovelha Negra
A causa foi modificada
Analfabeto Político
Domingo no Mundo
Adufe
Avatares do Desejo
Bloguítica
Canhoto
Palombella Rossa
Homem a Dias
Grande Loja do Queijo Limianos
Margens de Erro
Insubmisso
Klepsydra
Os tempos que correm
Voz do Deserto
MENSAIS
Anónimos Optimistas
Canto Aberto
Kitschnet
Blog Marcelo
Viriato Teles
Almada
Em bom português
Kontratempos
Tertúlia
Crime Creme
Imprensa Canalha
Bazonga da Kilumba
Diário Ateísta
Diário de Lisboa
Opinion Desmaker
Rua da Judiaria
Resistente Existêncial
VIZINHOS
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sábado, junho 10, 2006
O Futebol é de Esquerda

Basta uma bola, que até pode ser de trapos ou jornal. Basta uma pessoa, mas todos os que se juntam são bem vindos para aproximar do 11 x 11. Basta um campo aberto, mas também pode ser uma rua inclinada. Bastam dois postes mas também podem ser duas pedras no chão.
O futebol é um jogo colectivo quanto melhor joga a equipa, mais ganha. Todos conhecemos Maradona, mas o que seria de Maradona sem Burruchaga, Caniggia ou Passarella, ou Rossi sem Bruno Conti, Bergomi ou Altobelli, ou Eusébio sem Coluna, José Augusto ou Torres? Primeiro há o colectivo depois as estrelas que desequilibram e, na realidade dentro de campo todos são iguais.
É óbvio que o Capital e o Neoliberalismo tenta passo a passo crescer e cimentar o seu domínio sobre o futebol. Constroem-se estádios com menos lugares e com bilhetes mais caros, cria-se mitos em torno de um ou outro jogador reafirmando-se a luxúria e a ostentação com que vive, transformam-se clubes em empresas, passa-se aos accionistas o poder que outrora foi dos sócios e, vende-se e compra-se muito!
Neste Mundial é dado mais um passo: o jogador que contesta de uma forma visível uma decisão do árbitro deve ser advertido com um cartão amarelo. Justifica-se esta decisão com o facto dos protestos poderem passar para os adeptos. No Futebol do capital, não se quer protesto nem contestação. Qualquer dia, quando o público no estádio já estiver devidamente seleccionado, poder-se-á também acabar com o aplauso incómodo para o copo de whisky na mão.
Mas o futebol resistirá, numa qualquer rua perto de si!
Post anti-SportTvTvCabo (actualização)
Todos os jogos em canal da TVcabo: M6.
Vive la France!
___________________________________________________________________
A TvCabo acabou de privar todos os seus assinantes do canal M6. Inacreditável a arrogância desta empresa que para além de poluir com os seus cabos as nossas cidades, contractualiza com o consumidor um serviço que de vez em quando lhe retira. É altura de protestar, o serviço contractualizado não está a ser cumprido. Sugiro que se enviem emailes de protesto para:
cliente@netcabo.pt
info@deco.proteste.pt
provedor@provedor-jus.pt
Tanto a Deco como o Provedor de Justiça abrem imediatamente um processo de averiguações.
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Vive la France!
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A TvCabo acabou de privar todos os seus assinantes do canal M6. Inacreditável a arrogância desta empresa que para além de poluir com os seus cabos as nossas cidades, contractualiza com o consumidor um serviço que de vez em quando lhe retira. É altura de protestar, o serviço contractualizado não está a ser cumprido. Sugiro que se enviem emailes de protesto para:
cliente@netcabo.pt
info@deco.proteste.pt
provedor@provedor-jus.pt
Tanto a Deco como o Provedor de Justiça abrem imediatamente um processo de averiguações.
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sexta-feira, junho 09, 2006
Mundial 2006
E agora que venha a bola!
Um mês de futebol total. Não acho mal, vamos ter festa, tristeza e drama. E não é só a selecção mas todos os jogos! Diariamente, pelo menos, cento e oitenta minutos. E, não me venham com tretas, que no Mundial todos os jogos são importantes pois "os que menos podem e menos têm" podem sempre vencer.
Em Portugal a neoliberalização do sistema privatizou o acesso a todos os jogos, em Itália por exemplo, a RAI continua a emitir todos os jogos em aberto. Por cá, apenas teremos alguns jogos... ainda não percebi quais.
Por mim não seria mal que Portugal fizesse o mesmo que no Euro; perdia o primeiro e o último jogo, na final, com a mesma selecção - Angola. (este pensamento surgiu quando ouvi o skin que está na berra, dizer que iria ver o jogo inaugural de Portugal)
Um mês de futebol total. Não acho mal, vamos ter festa, tristeza e drama. E não é só a selecção mas todos os jogos! Diariamente, pelo menos, cento e oitenta minutos. E, não me venham com tretas, que no Mundial todos os jogos são importantes pois "os que menos podem e menos têm" podem sempre vencer.
Em Portugal a neoliberalização do sistema privatizou o acesso a todos os jogos, em Itália por exemplo, a RAI continua a emitir todos os jogos em aberto. Por cá, apenas teremos alguns jogos... ainda não percebi quais.
Por mim não seria mal que Portugal fizesse o mesmo que no Euro; perdia o primeiro e o último jogo, na final, com a mesma selecção - Angola. (este pensamento surgiu quando ouvi o skin que está na berra, dizer que iria ver o jogo inaugural de Portugal)
quinta-feira, junho 08, 2006
Voto obrigatório
Na sequência dos argumentos de Rui Pena Pires sobre o voto obrigatório, o Daniel Oliveira diz recear "o voto meramente de protesto, inconsequente e sem qualquer objectivo que não seja o de demonstrar que não se queria votar" por oposição ao voto esclarecido, desinteressado e ideológico, que actualmente sucede.
Momento surrealista:

Quando o jornalista da RTP, perguntava a Reinado (claramente a gozar o prato) por que estavam na sua mansão militares australianos e por que não lhes podia fazer perguntas...
quarta-feira, junho 07, 2006
Mário Machado
Soube pelo post do André que finalmente o Mário Machado foi preso, na sequência da sua entrevista à RTP - ler entrevista ao Correio da Manhã. Julgo que ele, estará actualmente a ser presente no Tribunal de Instrução Criminal, na R. Gomes Freire (próximo do Campo Mártires da Pátria), pois esta manhã estavam concentrados à sua porta 5/6 nazis.
segunda-feira, junho 05, 2006
@nti-comunismos
É uma prática política corrente, sempre que existe um ou outro comunista numa lista candidata aos Bombeiros Voluntários, ao clube do bairro ou à associação do jogo da laranjinha, surgir imediatamente o rumor de que é o sectário e poderoso PCP (outrora dir-se-ia a URSS) que tenta dominar a associação em causa.
Pessoalmente recordo o tempo quando ainda não era militante comunista e fazia parte de uma lista para a direcção de uma associação de estudantes de uma escola secundária da linha do Estoril, cujo candidato a presidente e vice-presidente eram militantes do PS, essa lista ser, por minha causa, acusada de ser "perigosa".
Essa bandeira de anti-comunismo, continua até hoje, pensando-se que o PCP é um monstro organizativo que detém um conhecimento e domínio profundo sobre toda a actividade dos seus militantes. Este rumor, a que todo e qualquer comunista esteve e está sujeito, tem muito possivelmente a sua raíz cultural no Estado Novo.
Este comportamento é ainda mais incompreensível quando assumido por alguém que já foi militante do PCP e sabe do que falo. Embora não saiba quem é o Saboteur, consigo perceber por anteriores comentários, que é alguém que conheço bem e que tendo sido meu camarada de partido (com o qual partilhei ideias numa altura quente do PCP) se afastou com bastante mágoa. Neste contexto, consigo perceber um ou outro comentário mais mordaz, mas nunca a mesma argumentação que a direita como a que é aqui feita a propósito da Lista B para o Sindicato de Professores da Grande Lisboa.
A doença infantil da blogosfera: reparo agora que o post recebeu diversos comentários do mesmo anónimo. Começa a parecer-me que a solução de gestão dos comentários que o Daniel Oliveira faz no Arrastão, pode ser a melhor forma de combater a cobardia que se esconde sob a capa dos inúmeros anónimos da blogosfera.
Pessoalmente recordo o tempo quando ainda não era militante comunista e fazia parte de uma lista para a direcção de uma associação de estudantes de uma escola secundária da linha do Estoril, cujo candidato a presidente e vice-presidente eram militantes do PS, essa lista ser, por minha causa, acusada de ser "perigosa".
Essa bandeira de anti-comunismo, continua até hoje, pensando-se que o PCP é um monstro organizativo que detém um conhecimento e domínio profundo sobre toda a actividade dos seus militantes. Este rumor, a que todo e qualquer comunista esteve e está sujeito, tem muito possivelmente a sua raíz cultural no Estado Novo.
Este comportamento é ainda mais incompreensível quando assumido por alguém que já foi militante do PCP e sabe do que falo. Embora não saiba quem é o Saboteur, consigo perceber por anteriores comentários, que é alguém que conheço bem e que tendo sido meu camarada de partido (com o qual partilhei ideias numa altura quente do PCP) se afastou com bastante mágoa. Neste contexto, consigo perceber um ou outro comentário mais mordaz, mas nunca a mesma argumentação que a direita como a que é aqui feita a propósito da Lista B para o Sindicato de Professores da Grande Lisboa.
A doença infantil da blogosfera: reparo agora que o post recebeu diversos comentários do mesmo anónimo. Começa a parecer-me que a solução de gestão dos comentários que o Daniel Oliveira faz no Arrastão, pode ser a melhor forma de combater a cobardia que se esconde sob a capa dos inúmeros anónimos da blogosfera.
Timor - Info alternativas
De dentro da mole de emailes recebidos nos últimos dias destaque-se este de Vasco Paiva, português com profundo conhecimento da realidade timorense. Embora o email seja de 28 de Maio, aqui fica:
Vai-se clarificando quem está a fazer o quê, para além do ruído provocado pelo vandalismo, quem se aproveita? Algumas notícias das últimas horas:
- Xanana continua calado, não fala, fala a sua mulher AUSTRALIANA, fala o seu chefe de gabinete mas ele continua calado. Agora diz-se que está com dores nas costas e que já vai a caminho o médico sul-coreano para lhe tratar da saúde. Entretanto quem manda, ele ou a esposa? Ou o chefe de gabinete?
- Alkatiri continua a insistir no cumprimento da Constituição e propôs (e foi aceite) as reuniões dos Conselhos Supriores de Defesa e do Estado;
- enquanto decorria a conferência de imprensa de Alkatiri um grupo armado dirigiu-se para o Hotel Timor onde decorria a conferência com intenções de agressão. A tropa da Austrália não fez nada, olhou para o lado e deixou passar.
- o primeiro ministro da Austrália fez declarações públicas contra o governo de Timor. Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal reagiu muito bem, com sentido de Estado e condenou essa ingerência, o Min. Neg. Estrangeiros da Austrália veio depois emendar a mão...
- o tenebroso bispo de Dili veio juntar a sua voz às dos "rebeldes" exigindo a demissão do Governo. Recorde-se que foi na residência oficial deste senhor, Bispo de Dili, que no ano passado, aquando da manifestação da Igreja contra o Governo, dois portugueses foram retidos, espancados e sujeitos a um tribunal popular...
- o estranho comportamento das Nações Unidas... - os portugueses e outros "advisers" internacionais, com diversas funções de consultoria, junto do Governo de Timor, não quiseram sair. Recusaram a saída porque isso seria esvaziar o Governo de apoios, por exemplo jurídicos, seria fechar o Tribunal de Recurso e outros. A ONU obrigou alguns a irem HOJE para a Austrália (Darwin).
Há de facto um golpe de Estado em andamento, as forças da Austrália têm deixado correr todos os tumultos, não desarmam os vândalos, certamente que estarão lá para favorecer uma "negociação" que tenha como objectivo demitir o Governo, dissolver o Parlamento, criar um ambiente que lhe seja mais propício aos seus interesses petrolíferos...
Vai-se clarificando quem está a fazer o quê, para além do ruído provocado pelo vandalismo, quem se aproveita? Algumas notícias das últimas horas:
- Xanana continua calado, não fala, fala a sua mulher AUSTRALIANA, fala o seu chefe de gabinete mas ele continua calado. Agora diz-se que está com dores nas costas e que já vai a caminho o médico sul-coreano para lhe tratar da saúde. Entretanto quem manda, ele ou a esposa? Ou o chefe de gabinete?
- Alkatiri continua a insistir no cumprimento da Constituição e propôs (e foi aceite) as reuniões dos Conselhos Supriores de Defesa e do Estado;
- enquanto decorria a conferência de imprensa de Alkatiri um grupo armado dirigiu-se para o Hotel Timor onde decorria a conferência com intenções de agressão. A tropa da Austrália não fez nada, olhou para o lado e deixou passar.
- o primeiro ministro da Austrália fez declarações públicas contra o governo de Timor. Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal reagiu muito bem, com sentido de Estado e condenou essa ingerência, o Min. Neg. Estrangeiros da Austrália veio depois emendar a mão...
- o tenebroso bispo de Dili veio juntar a sua voz às dos "rebeldes" exigindo a demissão do Governo. Recorde-se que foi na residência oficial deste senhor, Bispo de Dili, que no ano passado, aquando da manifestação da Igreja contra o Governo, dois portugueses foram retidos, espancados e sujeitos a um tribunal popular...
- o estranho comportamento das Nações Unidas... - os portugueses e outros "advisers" internacionais, com diversas funções de consultoria, junto do Governo de Timor, não quiseram sair. Recusaram a saída porque isso seria esvaziar o Governo de apoios, por exemplo jurídicos, seria fechar o Tribunal de Recurso e outros. A ONU obrigou alguns a irem HOJE para a Austrália (Darwin).
Há de facto um golpe de Estado em andamento, as forças da Austrália têm deixado correr todos os tumultos, não desarmam os vândalos, certamente que estarão lá para favorecer uma "negociação" que tenha como objectivo demitir o Governo, dissolver o Parlamento, criar um ambiente que lhe seja mais propício aos seus interesses petrolíferos...
sexta-feira, junho 02, 2006
Mais Timor
A notícia de última hora da TVI era que os GNR's não foram antes para Timor (nem se sabia se partiriam hoje) porque o "nosso credível amigo" Ramos Horta teria assinado um acordo com a Austrália em como todas as forças no terreno estariam sob a chefia australiana.
quarta-feira, maio 31, 2006
Para quem pouco percebe sobre o que se passa em Timor, mas não se deixa enganar pelos contadores de histórias do costume:
Aqui ficam alguns blogues de portugueses em Dili:
Timor Online
Entre Sonhos
Timor Verdade
Enfado
hanoin oin-oin
Aromas do Oriente
Actualização:
Blog do Público sobre Timor
Blog de um jornalista do Expresso em Timor
Timor Online
Entre Sonhos
Timor Verdade
Enfado
hanoin oin-oin
Aromas do Oriente
Actualização:
Blog do Público sobre Timor
Blog de um jornalista do Expresso em Timor
Carrilho
Seja pelo nome, seja pela família o homem é dado a grandes títulos. Naquilo que diz até pode ter muita razão, mas pela forma como personaliza as suas afirmações, transforma-as em boatos.
Timor - A diplomacia portuguesa
A diplomacia portuguesa não percebeu que a questão fundamental para desempenhar um papel importante no futuro de Timor não era fazer mas sim ensinar a fazer. A diplomacia portuguesa também não percebeu que um povo, qualquer que ele seja, só vive quando tem comida para viver, senão apenas tenta sobreviver.
As declarações de Freitas do Amaral sobre a posição australiana são certíssimas, mas tardias.
As declarações de Freitas do Amaral sobre a posição australiana são certíssimas, mas tardias.
Timor
Perante o determinismo mediático que já transformou Alkatiri no grande culpado da actual situação de Timor, manifesto a minha pouca compreensão dos factos e algumas dúvidas a milhares de quilómetros de distância.
Mari Alkatiri é o Primeiro-Ministro de Timor Leste (democraticamente eleito) e ao contrário daquilo que se anunciava para o congresso da FRETLIN, largamente apoiado pelo seu partido. Que erros lhe são apontados?
Esta dúvida é ainda mais actual quando se assiste a um contínuo esfaquear e discursos provocatórios, seja por parte de Ramos Horta (pessoa a quem nem emprestava o meu comando de televisão) ou por Xanana.
Por outro lado, segundo algumas crónicas de portugueses que lá estão, de um momento para o outro os revoltosos passaram a estar armados não de catanas mas de G3's. Quem lhes deu as armas?
Por que querem os australianos a queda do actual governo democraticamente eleito? Por que saiu a ONU? Quem vai comandar as tropas internacionais que vão tentar restabelecer a paz? Quem vai comandar a GNR? Por que é que Xanana faz a conferência de imprensa em inglês?
Mari Alkatiri é o Primeiro-Ministro de Timor Leste (democraticamente eleito) e ao contrário daquilo que se anunciava para o congresso da FRETLIN, largamente apoiado pelo seu partido. Que erros lhe são apontados?
Esta dúvida é ainda mais actual quando se assiste a um contínuo esfaquear e discursos provocatórios, seja por parte de Ramos Horta (pessoa a quem nem emprestava o meu comando de televisão) ou por Xanana.
Por outro lado, segundo algumas crónicas de portugueses que lá estão, de um momento para o outro os revoltosos passaram a estar armados não de catanas mas de G3's. Quem lhes deu as armas?
Por que querem os australianos a queda do actual governo democraticamente eleito? Por que saiu a ONU? Quem vai comandar as tropas internacionais que vão tentar restabelecer a paz? Quem vai comandar a GNR? Por que é que Xanana faz a conferência de imprensa em inglês?
De regresso
Terei estado demasiado tempo ausente?
Já não se pode ter uma filha e eis que desperta uma discussão interessante sobre a profissão de arquitecto, entre este "comunista convicto", como adjectiva o Lourenço, e o jMAC . Entretanto a blogosfera avança aos arrastões com o regresso, de salutar, do Daniel Oliveira desta vez a solo e... também ele a escrever sobre arquitectura! E ainda - como diria um proscrito apresentador de TV, até Vital Moreira veio zurzir um ou outro disparate sobre os arquitectos, do alto da sua cadeira do poder.
A este ponto só faltava o José Pacheco Pereira responder ao post que escrevi sobre a sua biografia de Álvaro Cunhal, e teria de constituir um gabinete de estudos para produzir textos.
Já não se pode ter uma filha e eis que desperta uma discussão interessante sobre a profissão de arquitecto, entre este "comunista convicto", como adjectiva o Lourenço, e o jMAC . Entretanto a blogosfera avança aos arrastões com o regresso, de salutar, do Daniel Oliveira desta vez a solo e... também ele a escrever sobre arquitectura! E ainda - como diria um proscrito apresentador de TV, até Vital Moreira veio zurzir um ou outro disparate sobre os arquitectos, do alto da sua cadeira do poder.
A este ponto só faltava o José Pacheco Pereira responder ao post que escrevi sobre a sua biografia de Álvaro Cunhal, e teria de constituir um gabinete de estudos para produzir textos.
domingo, maio 21, 2006
Finalmente @méli@!
A todos os amigos, visitantes, curiosos, polemicistas, anónimos, feios ou belos, ricos e pobres, burgueses ou operários, é só para dizer que ontem, dia 20 de Maio às 19h49m fui pai! Este blog segue dentro de momentos...
quinta-feira, maio 18, 2006
Que viva o mercado da "livre-opulência"
O Hardblog, a propósito de um comentário meu, levanta uma questão bastante interessante de se discutir, sobre a necessidade ou não, de existirem entidades reguladoras, associações profissionais e, acrescento eu pois decorre do raciocínio, sindicatos. O jMAC defende que deverá ser o mercado a fazer essa regulação, resumida na frase: "se um arquitecto é competente, terá trabalho".
Esta visão não trás nada de novo, aliás, é a postura vigente na prática profissional. Veja-se por exemplo como o político-decisor, assim que é eleito ou nomeado, passa imediatamente a ser o melhor técnico de urbanismo. Veja-se, por exemplo, a quantidade de "concursos" por honorários que existem no mercado em que ganha quem apresenta um preço menor, sendo que esse preço menor decorre sempre da exploração de quem nesses ateliers trabalha. Veja-se ainda, por exemplo, o desemprego encapuçado entre os jovens arquitectos com pouca experiência de trabalho, mas que vão sendo substituídos nos ateliers de arquitectura por um, dois ou três estagiários que aceitam trabalhar sem remuneração.
É o mercado! É o mercado que faz com que quem tem o poder, ou os euros, embora não tendo qualificação ou cultura para avaliar, decide a maioria da encomenda do país e determina quem presta e quem não presta. É o mercado que estimula a canibalização dos honorários sempre às custas do mais fraco. É o mercado que estimula a "livre concorrência" entre a mão-de-obra escrava e alguém que quer viver da sua actividade profissional.
É num mercado selvagem que vivemos. No mundo em que a Ordem não pode intervir, o Estado não quer, e um sindicato que não se cria.
O mercado e esta "livre-concorrência" que diz defender, não é boa nem para a arquitectura nem para o técnico que a tenta exercer de uma forma competente e séria. Mas sê-lo-á para o consumidor?
Vejamos o exemplo dos concursos por honorários, como se consegue baixar os valores de honorários?
Há muita imaginação nesta área.
Há quem faça projectos (por vezes gratuitos) e que depois recebem percentagens de cada um dos materiais que aplicam aumentando exponencialmente os custos de obra. Há quem diminua os custos da estrutura, recorrendo a técnicos de especialidades que se fazem cobra à folha e a estagiários não remunerados. Há quem diminua as horas de trabalho e envolvimento que qualquer projecto requer. Em todas estas situações o consumidor também perde.
E quem ganha com esta situação?
Ganha o técnico que consegue explorar o colega assalariado, enganar o cliente ao aplicar os materiais mais caros e, que entrega o projecto mais rápido, sem acompanhar a obra nem fazer o projecto de execução.
Ganham os agentes económicos intermediários. Quem contracta, constrói e vende, sem nunca habitar.
Que viva o mercado, pim!
Esta visão não trás nada de novo, aliás, é a postura vigente na prática profissional. Veja-se por exemplo como o político-decisor, assim que é eleito ou nomeado, passa imediatamente a ser o melhor técnico de urbanismo. Veja-se, por exemplo, a quantidade de "concursos" por honorários que existem no mercado em que ganha quem apresenta um preço menor, sendo que esse preço menor decorre sempre da exploração de quem nesses ateliers trabalha. Veja-se ainda, por exemplo, o desemprego encapuçado entre os jovens arquitectos com pouca experiência de trabalho, mas que vão sendo substituídos nos ateliers de arquitectura por um, dois ou três estagiários que aceitam trabalhar sem remuneração.
É o mercado! É o mercado que faz com que quem tem o poder, ou os euros, embora não tendo qualificação ou cultura para avaliar, decide a maioria da encomenda do país e determina quem presta e quem não presta. É o mercado que estimula a canibalização dos honorários sempre às custas do mais fraco. É o mercado que estimula a "livre concorrência" entre a mão-de-obra escrava e alguém que quer viver da sua actividade profissional.
É num mercado selvagem que vivemos. No mundo em que a Ordem não pode intervir, o Estado não quer, e um sindicato que não se cria.
O mercado e esta "livre-concorrência" que diz defender, não é boa nem para a arquitectura nem para o técnico que a tenta exercer de uma forma competente e séria. Mas sê-lo-á para o consumidor?
Vejamos o exemplo dos concursos por honorários, como se consegue baixar os valores de honorários?
Há muita imaginação nesta área.
Há quem faça projectos (por vezes gratuitos) e que depois recebem percentagens de cada um dos materiais que aplicam aumentando exponencialmente os custos de obra. Há quem diminua os custos da estrutura, recorrendo a técnicos de especialidades que se fazem cobra à folha e a estagiários não remunerados. Há quem diminua as horas de trabalho e envolvimento que qualquer projecto requer. Em todas estas situações o consumidor também perde.
E quem ganha com esta situação?
Ganha o técnico que consegue explorar o colega assalariado, enganar o cliente ao aplicar os materiais mais caros e, que entrega o projecto mais rápido, sem acompanhar a obra nem fazer o projecto de execução.
Ganham os agentes económicos intermediários. Quem contracta, constrói e vende, sem nunca habitar.
Que viva o mercado, pim!
quarta-feira, maio 17, 2006
18 de Maio - DL 73/73

Amanhã, 18 de Maio, discussão e votação na Assembleia da República do projecto de lei nº 183/X - Arquitectura, um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos
Ponto de encontro na Assembleia da República às 14:30h
Para quem vem do Norte do País (Organização OASRN):
08:00h | Partida do Porto
12:00h | Chegada prevista a Lisboa
14:30h | Entrada na Assembleia da República
15:00h | Início do debate em plenário
18:00h | Votações do projecto de Lei
19:00h | Regresso ao Porto
Martins da Cruz

Este senhor foi/é:
- Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal organizador da Cimeira da Guerra nas Lages e conhecido dos portugueses por ter metido uma cunha ao seu colega do Ensino Superior para a admissão da sua filha num curso superior.
- representante dos interesses da Carlyle, conhecido do mundo pela sua aparição no filme de Michael Moore
- Afinsa, o que fazia não sei, mas este senhor está sempre onde é preciso...
terça-feira, maio 16, 2006
Ivania Elena
É sempre bom ver notícias de sucesso de uma amiga que vive, há muito, no estrangeiro. Portuguesa, bailarina e agora também actriz. Aqui fica o seu site.
De comentário a post
Agora quem quer desesperadamente esta terra são os Austrálias!!! Estão em pulgas para terem um pretexto para que possam pôr as "garras" sobre Timor-Leste... Este episodio dos 800 militares em Darwin, e dos barcos ao largo de Timor, apenas me ajuda a confirmar algo que tenho vindo a verificar... A Austrália começa a julgar-se os Estados Unidos da Ásia... Metem dó! Julgam-se os maiores e os donos disto tudo... O que acho piada é o facto de eles saberem que os timorenses vão bem mais "à bola" com os "tugas", do que com eles!!! E isso deixa-os pior que estragados!!! Agora até gostava que a GNR viesse mesmo... só para meter nervos aos "cangurus"!
oRdEp
Dili, East Timor
oRdEp
Dili, East Timor
Claro que concordo
O jMAC no Hardblog, tem vindo a publicar uma (até agora) trilogia de posts de opinião, intitulados "inutilidade pública". Para já apetece-me comentar o primeiro de 2 de Maio.
"Se a perspectiva de estágio não-remunerado é o horizonte mais próximo, com toda a exploração esclavagista a que procedem os patronos, expliquem-me como poderá o candidato disponibilizar os ditos 300 à corporativa instituição"
jMAC, Hardblog
Não posso deixar de concordar com o fundamental da argumentação do jMAC neste post.
O candidato à Admissão da OA, para além de estar a iniciar um processo no qual os seus direitos laborais não estão minimamente assegurados, paga um processo que não deveria, na minha opinião acarretar.
Mas façamos o enquadramento da questão. Quando o primeiro Regulamento Interno de Admissão (RIA) começou a ser preparado, na segunda metade dos anos 90, quando nem eu nem creio que o próprio jMAC, éramos associados, foi posta a questão: Quem paga o processo de admissão?
Por mais imaginação que tenhamos havia três hipóteses: o Estado, o sócio da OA ou o candidato. Na impossibilidade de ser o Estado (que ao que julgo saber financia parte do processo de admissão dos advogados) ficámos apenas com duas hipóteses.
Na altura decidiu-se que o ónus recairia, então, sobre o candidato coisa que se prolonga até aos dias de hoje.
Contudo, como o jMAC bem sabe e como muito lamento, a Ordem dos Arquitectos é uma organização tricéfala constituida por três poderes com três gestões diferentes (CDN e as duas Secções Regionais) e um único responsável por dar a cara (CDN). Este valor de 300 € (receita das secções regionais) é definido em função das despesas que as secções regionais têm com o processo. Neste caso as informações que tenho é que, enquanto numa secção dá um ligeiro lucro, na outra dá prejuizo, por isso, tendo já havido algumas pressões para que o valor ainda possa ser mais aumentado.
No novo sistema de admissão, lutarei para que este valor diminuia significativamente.
"Se a perspectiva de estágio não-remunerado é o horizonte mais próximo, com toda a exploração esclavagista a que procedem os patronos, expliquem-me como poderá o candidato disponibilizar os ditos 300 à corporativa instituição"
jMAC, Hardblog
Não posso deixar de concordar com o fundamental da argumentação do jMAC neste post.
O candidato à Admissão da OA, para além de estar a iniciar um processo no qual os seus direitos laborais não estão minimamente assegurados, paga um processo que não deveria, na minha opinião acarretar.
Mas façamos o enquadramento da questão. Quando o primeiro Regulamento Interno de Admissão (RIA) começou a ser preparado, na segunda metade dos anos 90, quando nem eu nem creio que o próprio jMAC, éramos associados, foi posta a questão: Quem paga o processo de admissão?
Por mais imaginação que tenhamos havia três hipóteses: o Estado, o sócio da OA ou o candidato. Na impossibilidade de ser o Estado (que ao que julgo saber financia parte do processo de admissão dos advogados) ficámos apenas com duas hipóteses.
Na altura decidiu-se que o ónus recairia, então, sobre o candidato coisa que se prolonga até aos dias de hoje.
Contudo, como o jMAC bem sabe e como muito lamento, a Ordem dos Arquitectos é uma organização tricéfala constituida por três poderes com três gestões diferentes (CDN e as duas Secções Regionais) e um único responsável por dar a cara (CDN). Este valor de 300 € (receita das secções regionais) é definido em função das despesas que as secções regionais têm com o processo. Neste caso as informações que tenho é que, enquanto numa secção dá um ligeiro lucro, na outra dá prejuizo, por isso, tendo já havido algumas pressões para que o valor ainda possa ser mais aumentado.
No novo sistema de admissão, lutarei para que este valor diminuia significativamente.
sexta-feira, maio 12, 2006
A Carta
Carta do Presidente Iraniano Ahmedi-nejad ao Presidente dos EUA George W. Bush traduzida a partir do Inglês (julgo que a tradução para português terá sido feita pelo André Levy)
quinta-feira, maio 11, 2006
Paradoxos do "capitalismo democrático"
Questiona-se a legitimidade de Evo Morales em nacionalizar as reservas de gás e petróleo do país, que constava no seu programa sufragado nas eleições na Bolívia. Não se questiona a legitimidade de um Governo eleito por 2.588.312 dos 8.944.508 eleitores tomar medidas contra a opinião generalizada da população e que não constava do programa eleitoral sufragado. Recordo, por exemplo, o encerramento das maternidades.
quarta-feira, maio 10, 2006
Timor
"- Que a tensão é pouco sentida, não fosse o deserto das ruas" - é isso que nos dizem os relatos dos que por lá estão. Por vezes lá se vai soltando a frase: "O que eles (americanos/australianos) queriam é que nos fossemos embora".
Através dos blogues do Guilherme e do Pedro pode-se acompanhar em directo as vidas de dois portugueses em Díli. Arak atek!
Através dos blogues do Guilherme e do Pedro pode-se acompanhar em directo as vidas de dois portugueses em Díli. Arak atek!
Aos muitos que têm pedido notícias:
O dia de ontem foi bem passado! Das urgências da Maternidade Alfredo da Costa, passeando até aos jardins da Gulbenkian, cirandando para apressar, e de novo a maternidade. Mas nada! A Amélia ainda não dá sinais de querer conhecer mais alguém que não a sua mãe. A médica diz que de Domingo não passa...
segunda-feira, maio 08, 2006
Publicidade Institucional:
Da gaveta para fora. Ensaios sobre Marxistas
As Edições Afrontamento e a Livraria Bulhosa têm o prazer de convidar V. Exa. para a sessão de apresentação do livro
A sessão terá lugar no dia 11 de Maio, pelas 18.30 horas, na Livraria Bulhosa, Campo Grande, 10 B, em Lisboa. A obra será apresentada por António Borges Coelho, José Bragança de Miranda e Luís Trindade.
O livro é organizado por José Neves.
Participam na obra: António Louçã, Fernando Oliveira Baptista, Francisco Louçã, Frederico Ágoas, Gisela da Conceição, João de Almeida Santos, José Bragança de Miranda, José Neves, Manuel Gusmão, Michael Löwy e Toni Negri.
As Edições Afrontamento e a Livraria Bulhosa têm o prazer de convidar V. Exa. para a sessão de apresentação do livro
A sessão terá lugar no dia 11 de Maio, pelas 18.30 horas, na Livraria Bulhosa, Campo Grande, 10 B, em Lisboa. A obra será apresentada por António Borges Coelho, José Bragança de Miranda e Luís Trindade.
O livro é organizado por José Neves.
Participam na obra: António Louçã, Fernando Oliveira Baptista, Francisco Louçã, Frederico Ágoas, Gisela da Conceição, João de Almeida Santos, José Bragança de Miranda, José Neves, Manuel Gusmão, Michael Löwy e Toni Negri.
sábado, maio 06, 2006
Último post sobre o DL73/73 antes da decisão da Assembleia
Mais uma vez uma reflexão, não sobre o decreto, mas sobre os interesses instalados que põe em causa. Interesses esses mensuráveis pelo autêntico pânico que está a provocar nas caixas de comentários deste blogue(*).
Julgo que o Diogo me começará a dar razão, quando algures escrevi que, a luta séria (concorde-se ou não) que a Apela tem vindo a travar contra o actual sistema de admissão da Ordem, está a ser alimentada e utilizada por todos os interesses instalados para que os "sistemas" não se alterem. Mas há mais:
Quando se fala sobre a remuneração dos estagiários e jovem arquitectos, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se fala sobre o facto de não existirem concursos públicos e as obras serem adjudicadas directamente, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se verifica que o Estado homologou licenciaturas cuja carga horária anual é igual à carga anual de apenas uma disciplina noutras licenciaturas, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se põe a hipótese da petição não ser aprovada na Assembleia da República, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Tudo, tem sido utilizado para denegrindo, mentindo e caluniando, deixar a mensagem que a alteração ao decreto não devia passar. E viva o bloco central de interesses!
DIA 18 DE MAIO TOD@S À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PARA DERROTAR OS INTERESSES INSTALADOS!
(*) este post é dedicado ao indivíduo que anonimamente tem vindo a espalhar afirmações mentirosas, calúniosas e ameaças mas que, de uma forma azelha faz os comentários sob diversos nomes (para parecer que o próprio são muitos), esquecendo-se que existe um sistema de análise de visitas que revela que essa pessoa é sempre a mesma...
Julgo que o Diogo me começará a dar razão, quando algures escrevi que, a luta séria (concorde-se ou não) que a Apela tem vindo a travar contra o actual sistema de admissão da Ordem, está a ser alimentada e utilizada por todos os interesses instalados para que os "sistemas" não se alterem. Mas há mais:
Quando se fala sobre a remuneração dos estagiários e jovem arquitectos, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se fala sobre o facto de não existirem concursos públicos e as obras serem adjudicadas directamente, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se verifica que o Estado homologou licenciaturas cuja carga horária anual é igual à carga anual de apenas uma disciplina noutras licenciaturas, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Quando se põe a hipótese da petição não ser aprovada na Assembleia da República, diz-se que a culpa é da Ordem e que a alteração ao decreto não devia passar.
Tudo, tem sido utilizado para denegrindo, mentindo e caluniando, deixar a mensagem que a alteração ao decreto não devia passar. E viva o bloco central de interesses!
DIA 18 DE MAIO TOD@S À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PARA DERROTAR OS INTERESSES INSTALADOS!
(*) este post é dedicado ao indivíduo que anonimamente tem vindo a espalhar afirmações mentirosas, calúniosas e ameaças mas que, de uma forma azelha faz os comentários sob diversos nomes (para parecer que o próprio são muitos), esquecendo-se que existe um sistema de análise de visitas que revela que essa pessoa é sempre a mesma...
quarta-feira, maio 03, 2006
"O nosso esforço não acaba aqui"
A Assembleia da República vai discutir e votar, a 18 de Maio, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos «Arquitectura: Um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos», que pretende revogar parcialmente o Decreto 73/73.
ler "O nosso esforço não acaba aqui" de Helena Roseta
ler "O nosso esforço não acaba aqui" de Helena Roseta
As nacionalizações na Bolívia
Perante a decisão de Evo Morales que determina que a Bolívia recupera a propriedade, posse e controlo das reservas de gás e petróleo do país, os meios de comunicação portugueses têm vindo a difundir, a grande preocupação que esta decisão provocou no governo do Brasil. Contudo a realidade desmente a ideia que se pretende difundir.
Aqui deixo transcrita a nota do governo brasileiro, emitida no dia de ontem, sobre a decisão da Bolívia:
O gasoduto Bolívia-Brasil está em funcionamento há sete anos, como resultado de negociações empreendidas por sucessivos governos há mais de cinqüenta anos.
A decisão do governo boliviano de nacionalizar as riquezas de seu subsolo e controlar sua industrialização, transporte e comercialização, é reconhecida pelo Brasil como ato inerente à sua soberania. O Brasil, como manda a sua Constituição, exerce pleno controle sobre as riquezas de seu próprio subsolo.
O governo brasileiro agirá com firmeza e tranqüilidade em todos os foros, no sentido de preservar os interesses da Petrobras e levará adiante as negociações necessárias para garantir o relacionamento equilibrado e mutuamente proveitoso para os dois países.
O governo brasileiro esclarece, finalmente, que o abastecimento de gás natural para seu mercado está assegurado pela vontade política de ambos os países, conforme reiterou o presidente Evo Morales em conversa telefônica com o presidente Lula e, igualmente, por dispositivos contratuais amparados no Direito Internacional. Na mesma ocasião, foi esclarecido que o tema do preço do gás será resolvido por meio de negociações bilaterais.
Os presidentes deverão encontrar-se nos próximos dias para aprofundar questões do relacionamento Bolívia e Brasil e da segurança energética da América do Sul.
Brasília, 2 de maio de 2006
Aqui deixo transcrita a nota do governo brasileiro, emitida no dia de ontem, sobre a decisão da Bolívia:
O gasoduto Bolívia-Brasil está em funcionamento há sete anos, como resultado de negociações empreendidas por sucessivos governos há mais de cinqüenta anos.
A decisão do governo boliviano de nacionalizar as riquezas de seu subsolo e controlar sua industrialização, transporte e comercialização, é reconhecida pelo Brasil como ato inerente à sua soberania. O Brasil, como manda a sua Constituição, exerce pleno controle sobre as riquezas de seu próprio subsolo.
O governo brasileiro agirá com firmeza e tranqüilidade em todos os foros, no sentido de preservar os interesses da Petrobras e levará adiante as negociações necessárias para garantir o relacionamento equilibrado e mutuamente proveitoso para os dois países.
O governo brasileiro esclarece, finalmente, que o abastecimento de gás natural para seu mercado está assegurado pela vontade política de ambos os países, conforme reiterou o presidente Evo Morales em conversa telefônica com o presidente Lula e, igualmente, por dispositivos contratuais amparados no Direito Internacional. Na mesma ocasião, foi esclarecido que o tema do preço do gás será resolvido por meio de negociações bilaterais.
Os presidentes deverão encontrar-se nos próximos dias para aprofundar questões do relacionamento Bolívia e Brasil e da segurança energética da América do Sul.
Brasília, 2 de maio de 2006

10 detidos
19 armas de fogo apreendidas
1 pistola de nove milímetros
2 pistolas de calibre 6,35
500 munições
22 carregadores de nove milímetros
2 silenciadores
A receita para uma manhã de divertimento e pancadaria dos GOE. Se naquele bairro de Camarate moravam 2000 pessoas então quererá dizer que 0,50 % das pessoas do bairro foram detidas. Contudo "podemos ficar descansados" pois cada um dos habitantes daquele bairro apanhou o seu susto, ao ver um encapuçado com uma arma irromper-lhe pela casa.
terça-feira, maio 02, 2006
Retratos de Maio III
General William "Gus" Pagonis ao serviço da Sears: "I'm using the skills I used in the military exactly here in the civilian world. The difference is instead of moving ammunition, water and fuel, I'm moving dresses appliances and lipstick" .
Em 1991 durante a 1ª Guerra do Golfo, o General William "Gus" Pagonis, dirigiu a logística para as operações do exército norte-americano na Arábia Saudita e no Kuwait. Esta missão incluía a deslocação de 40 000 contentores com mais de sete milhões de refeições, a protecção de diversos acampamentos com mais de 300 000 soldados, o transporte de mais de 12 000 tanques e outros veículos de combate, o transporte de mais de 800 milhões de munições e o abastecimento com mais de 1,3 biliões de barris de gasolina . Em 1993 a multinacional "Sears", com mais 800 lojas e 3700 postos, confrontada no ano anterior com uma perda de 3.9 biliões de dólares, nomeou o General Pagonis para seu vice-presidente com a responsabilidade de organizar uma radical reestruturação na área da logística da empresa. Com o sistema que implementou, o general, conseguiu fazer a "Sears" poupar um bilião de dólares anuais, eliminando distribuidores, transportadores e todo o departamento de entregas ao domicílio. Este acontecimento fez com que a empresa começasse a dar preferência a empregados provenientes da escola militar de West Point.
Em 1991 durante a 1ª Guerra do Golfo, o General William "Gus" Pagonis, dirigiu a logística para as operações do exército norte-americano na Arábia Saudita e no Kuwait. Esta missão incluía a deslocação de 40 000 contentores com mais de sete milhões de refeições, a protecção de diversos acampamentos com mais de 300 000 soldados, o transporte de mais de 12 000 tanques e outros veículos de combate, o transporte de mais de 800 milhões de munições e o abastecimento com mais de 1,3 biliões de barris de gasolina . Em 1993 a multinacional "Sears", com mais 800 lojas e 3700 postos, confrontada no ano anterior com uma perda de 3.9 biliões de dólares, nomeou o General Pagonis para seu vice-presidente com a responsabilidade de organizar uma radical reestruturação na área da logística da empresa. Com o sistema que implementou, o general, conseguiu fazer a "Sears" poupar um bilião de dólares anuais, eliminando distribuidores, transportadores e todo o departamento de entregas ao domicílio. Este acontecimento fez com que a empresa começasse a dar preferência a empregados provenientes da escola militar de West Point.
Retratos de Maio II
"Normas de Conduta do Freeport Designer Outlet" afixadas na sua entrada:
1. Não é permitido o uso da forças, linguagem menos própria, gestos obscenos ou comentários racistas e/ou religiosos nas instalações da Freeport Designer Outlet.
2. Não são permitidos comportamentos intimidatórios que possam provocar distúrbios
3. Não é permitido correr, andar de bicicleta, ou utilizar outros meios de transporte tais como skate ou patins, obstruir ou interferir com o normal percurso do tráfego de peões
4. A colocação do lixo será efectuado apenas nos locais indicados. É proibido colocar o lixo em lugares que não tenham sido destinados para esse efeito
5. É proibido escrever, desenhar ou destruir qualquer propriedade da Freeport Designer Outlet
6. Com excepção para os cães de guia, qualquer outro tipo de animal está proibido de entrar nas instalações da Freeport Designer Outlet
7. Não é permitido tocar ou cantar qualquer tipo de música
8. Não é permitido a promoção comercial de qualquer tipo de actividade sem o prévio consentimento da Freeport Designer Outlet.
9. Não é permitido qualquer tipo de peditório ou outros tipos de contribuições, doações ou distribuições de folhetos comerciais e/ou promocionais, ofertas de amostras ou retirar dinheiro das fontes de água
10.Todos os visitantes do centro devem estar devidamente vestidos para frequentar o espaço comercial
11. Não é permitido sentar em locais para além daqueles marcados com bancos
12. Não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas fora dos pontos de venda autorizados/licenciados
13. Apenas com a autorização prévia da Administração da Freeport Leisure Designer Resourt poderá fotografar o local.
1. Não é permitido o uso da forças, linguagem menos própria, gestos obscenos ou comentários racistas e/ou religiosos nas instalações da Freeport Designer Outlet.
2. Não são permitidos comportamentos intimidatórios que possam provocar distúrbios
3. Não é permitido correr, andar de bicicleta, ou utilizar outros meios de transporte tais como skate ou patins, obstruir ou interferir com o normal percurso do tráfego de peões
4. A colocação do lixo será efectuado apenas nos locais indicados. É proibido colocar o lixo em lugares que não tenham sido destinados para esse efeito
5. É proibido escrever, desenhar ou destruir qualquer propriedade da Freeport Designer Outlet
6. Com excepção para os cães de guia, qualquer outro tipo de animal está proibido de entrar nas instalações da Freeport Designer Outlet
7. Não é permitido tocar ou cantar qualquer tipo de música
8. Não é permitido a promoção comercial de qualquer tipo de actividade sem o prévio consentimento da Freeport Designer Outlet.
9. Não é permitido qualquer tipo de peditório ou outros tipos de contribuições, doações ou distribuições de folhetos comerciais e/ou promocionais, ofertas de amostras ou retirar dinheiro das fontes de água
10.Todos os visitantes do centro devem estar devidamente vestidos para frequentar o espaço comercial
11. Não é permitido sentar em locais para além daqueles marcados com bancos
12. Não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas fora dos pontos de venda autorizados/licenciados
13. Apenas com a autorização prévia da Administração da Freeport Leisure Designer Resourt poderá fotografar o local.
Retratos de Maio I
A Wal-Mart iniciou a sua actividade em 1962 tendo-se constituído, a partir de 1995, como a maior multinacional de grandes superfícies comerciais do mundo. Em 2000, equiparando os seus lucros ao produto interno bruto dos países mais ricos, a Wal-Mart ocuparia a 24ª posição com 165,0 biliões de dólares de proveitos, à frente de países como a Noruega (145,4 biliões de dólares), África do Sul (131,1 biliões de dólares), Arábia Saudita (128,9 biliões de dólares), Portugal (107,7 biliões de dólares) ou Israel (99,1 biliões de dólares).
1º de Maio
Passaram 120 anos do primeiro 1º de Maio em Chicago. Tantas coisas mudaram no mundo e tão poucas mudaram no mundo do trabalho.
sexta-feira, abril 28, 2006
Para conhecimento dos interessados:

Uma Ordem profissional não é um sindicato.
A Ordem dos Arquitectos, para além de ter uns Estatutos retorcidos e que só podem ser alterados em Assembleia Geral com 10% dos associados (cerca de 1 400 sócios), tendo depois de ser submetidos à Assembleia da República, não pode (por lei) tomar posições de carácter sindical/laboral (infelizmente). Mas pode fazê-lo sob a forma da ética e da deontologia.
Desta forma, para conhecimento e divulgação, aqui deixo a proposta de recomendação aprovada pelo CDN no dia 17 de Dezembro de 2004 e que foi tornada pública no Boletim dos Arquitectos do mês seguinte.
quarta-feira, abril 26, 2006
a Baixa do PORTO
a Baixa do PORTO
Mais um blogue que faz anos. Neste caso é um verdadeiro serviço público para a cidade do Porto. Parabéns.
Mais um blogue que faz anos. Neste caso é um verdadeiro serviço público para a cidade do Porto. Parabéns.
25 de Abril, o melhor e o pior
Foi no estrangeiro que passei o melhor e o pior 25 de Abril de que me recordo:
Em Madrid (1999) - Lavapiés, depois de ver inúmeras pessoas pelas ruas de cravo na lapela, aquela festa da liberdade no bar "Grândola" de umas peruanas a viver em Espanha. Eu e o Jorge, levámos cassetes, distribuímos cravos e cantámos a "Grândola" com sotaque castelhano.
Em Roma (2001) - também em Itália é feriado e dia da Libertação, neste caso das tropas nazis, a trabalhar.
Em Madrid (1999) - Lavapiés, depois de ver inúmeras pessoas pelas ruas de cravo na lapela, aquela festa da liberdade no bar "Grândola" de umas peruanas a viver em Espanha. Eu e o Jorge, levámos cassetes, distribuímos cravos e cantámos a "Grândola" com sotaque castelhano.
Em Roma (2001) - também em Itália é feriado e dia da Libertação, neste caso das tropas nazis, a trabalhar.
c(R)avaco?
Ontem pela primeira vez depois do 25 de Abril, um Presidente da República discursou na Assembleia da República sem um cravo vermelho na lapela.
Tal como não me agrada ver Cavaco Silva a cantar a "Grândola, Vila Morena" como se se tratasse do "Atirei o pau o gato", não me agradam os seus formais "discursos de esquerda" sem conteúdo ideológico, nem gostaria de o ver usar o cravo na lapela como se de uma papoila se tratasse.
Tal como não me agrada ver Cavaco Silva a cantar a "Grândola, Vila Morena" como se se tratasse do "Atirei o pau o gato", não me agradam os seus formais "discursos de esquerda" sem conteúdo ideológico, nem gostaria de o ver usar o cravo na lapela como se de uma papoila se tratasse.
32 anos após o 25 de Abril
Uma manhã de zapping.
Respiro os discursos de Heloísa Apolónia, João Semedo e Abílio Fernandes e fico ofegante com os disparates da direita, de fascismos recalcados, de Telmo Correia.
Aproximam-se os discursos de PS, PSD, o Presidente da AR e Cavaco. Nos intervalos a opinion maker da SIC vai-nos dizendo que o discurso de Cavaco será um discurso de esquerda... Intolerável! Mudo de canal. Não oiço Cavaco mais o seu "discurso de esquerda". Circulo pelos outros canais, sem 25 de Abril.
Paro na TVI, Lili Caneças diz que vivia melhor antes e que o 25 de Abril não teria acontecido sem Salgueiro Maia e o pobre Professor Marcelo (o original)... Cinha Jardim, com arrogância, interrompe e diz que o 25 de Abril é um dia triste que matou a sua mãe e por aí em diante...
Respiro os discursos de Heloísa Apolónia, João Semedo e Abílio Fernandes e fico ofegante com os disparates da direita, de fascismos recalcados, de Telmo Correia.
Aproximam-se os discursos de PS, PSD, o Presidente da AR e Cavaco. Nos intervalos a opinion maker da SIC vai-nos dizendo que o discurso de Cavaco será um discurso de esquerda... Intolerável! Mudo de canal. Não oiço Cavaco mais o seu "discurso de esquerda". Circulo pelos outros canais, sem 25 de Abril.
Paro na TVI, Lili Caneças diz que vivia melhor antes e que o 25 de Abril não teria acontecido sem Salgueiro Maia e o pobre Professor Marcelo (o original)... Cinha Jardim, com arrogância, interrompe e diz que o 25 de Abril é um dia triste que matou a sua mãe e por aí em diante...
segunda-feira, abril 24, 2006
Comentário certeiro:
Num recente post no Abrupto, Pacheco Pereira indigna-se pela exploração que a TVI fez da morte de um dos actores da série "Morangos com Açúcar". Leia-se, a pertinente resposta de um dos seus leitores:
No seu breve comentário acerca da morte de um actor de uma telenovela da TVI, considerou a exploração daquela como reveladora da miséria humana. O que a mim me parece é que «exploração» e «miséria» não são os dois conceitos mais apropriados para avaliar a decisão da TVI, se a avaliação e a análise desta decisão se basear nos pressupostos teóricos do liberalismo. São dois conceitos que remetem mais depressa para uma análise marxista, que vê neles uma expressão da alienação dos homens.Para um liberal que se preze, a TVI limitou-se a aproveitar uma oportunidade para conquistar audiências, para dessa forma se impôr no mercado. Como os liberais fazem questão em lembrar-nos, aquilo a que se assistiu foi apenas à espontaneidade dos agentes económicos que procuram satisfazer os seus interesses. Dizem-nos, também, que é dessa espontaneidade e da iniciativa individual que surgem produtos inovadores (como a morte em directo) capazes de conquistar os consumidores. Nessa medida, a morte como espectáculo e como mercadoria é, «apenas», mais um negócio em que os indivíduos podem e devem apostar e arriscar.E isto é assim porque para o liberalismo não tem existir qualquer imposição legal ou ética limitadora da iniciativa individual, pois isso seria um ataque ao livre funcionamento do mercado. Portanto, numa economia capitalista o ser e o dever-ser são o mesmo: o que o agente económico é, é o que agente moral deve ser; o interesse daquele confunde-se com os valores deste. Assim, qualquer indignação por parte do ser moral só pode ser uma expressão de um dualismo artificial, criado por quem quer fazer a quadratura do círculo.
(Rui Fernando)
No seu breve comentário acerca da morte de um actor de uma telenovela da TVI, considerou a exploração daquela como reveladora da miséria humana. O que a mim me parece é que «exploração» e «miséria» não são os dois conceitos mais apropriados para avaliar a decisão da TVI, se a avaliação e a análise desta decisão se basear nos pressupostos teóricos do liberalismo. São dois conceitos que remetem mais depressa para uma análise marxista, que vê neles uma expressão da alienação dos homens.Para um liberal que se preze, a TVI limitou-se a aproveitar uma oportunidade para conquistar audiências, para dessa forma se impôr no mercado. Como os liberais fazem questão em lembrar-nos, aquilo a que se assistiu foi apenas à espontaneidade dos agentes económicos que procuram satisfazer os seus interesses. Dizem-nos, também, que é dessa espontaneidade e da iniciativa individual que surgem produtos inovadores (como a morte em directo) capazes de conquistar os consumidores. Nessa medida, a morte como espectáculo e como mercadoria é, «apenas», mais um negócio em que os indivíduos podem e devem apostar e arriscar.E isto é assim porque para o liberalismo não tem existir qualquer imposição legal ou ética limitadora da iniciativa individual, pois isso seria um ataque ao livre funcionamento do mercado. Portanto, numa economia capitalista o ser e o dever-ser são o mesmo: o que o agente económico é, é o que agente moral deve ser; o interesse daquele confunde-se com os valores deste. Assim, qualquer indignação por parte do ser moral só pode ser uma expressão de um dualismo artificial, criado por quem quer fazer a quadratura do círculo.
(Rui Fernando)
sexta-feira, abril 21, 2006
Paisagens da Destruição
{Destruição}
conversas, sons, projecções e deambulações em Abril no Monte
sábado__22__conversas
15h00
// paisagens da destruição e demolições na cidade [José Pulido Valente/Tiago Mota Saraiva]
// difusão do comunicado da Frente para Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa
// apresentação do Mapa de Embelezamento Racional da Cidade de Lisboa
---------------------------------------------------------------------
O Monte § Rua do Monte Olivete, 30A, r/c 1200-280 Lisboa § ao Príncipe Real (perpendicular à Rua da Escola Politécnica, junto à Antiga Faculdade de Ciências) § <www.monteolivete.blogspot.com> § <monteolivete@gmail.com
terça-feira, abril 18, 2006
De comentários a post:
Pelo interesse que a discussão pode acarretar aqui ficam os comentários que foram surgindo a este texto:
Biranta on 4/15/2006 02:07:48 PM
O panorama aqui descrito, para os arquitectos, não é diferente do que se vive nas outras profissões (INCLUSIVE, nas restantes licenciaturas). Conheço, de relance, a petição (se é a mesma que foi noticiada como tendo sido encabeçada por Helena Roseta). Porém, parece-me duma ingenuidade, absurda, imaginar que a situação se resolve ou pode melhorar com a aprovação de alguma lei como a referida. É assim como imaginar que se podem curar tomores com aspirinas... A doença é mais profunda e exige "bistori"; isso são paliativos!
Os cidadãos deste país (e as diferentes classes profissionais ou académicas) têm de começar a perceber, para bem de todos, mas também e principalmente para seu próprio bem, que não podemos resolver os problemas parcialmente, empurrando uns para "caberem" outros, que irão continuar a fechar os olhos aos procedimentos cretinos e anacrónicos, apenas porque o "problema" deles "está resolvido". Não está! Ou se resolve o problema de fundo (de idoneidade e rectidão no exercício de toda e qualquer função, relativamente a todo e qualquer problema concreto) ou perceberemos, rapidamente, que o problema se mantém, quiçá se agrava. É o que se constuma designara como: "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma". Eu confio nas gerações mais novas e acredito que o seu papel vai ser determinante para alterar a nossa negra realidade, o que não acredito é que este tipo de medidas (proteccionistas quase) possa contribuir fortemente para isso, até pela sua especificidade (de se aplicarem, apenas, a uma classe profissional).
Varela on 4/15/2006 06:34:54 PM
Caro Tiago, Colegas e Outros.
Continua-se com a perigosa opção de misturar vários problemas num só. A questão da precariedade de trabalho dos jovens arquitectos é um facto, mas é um problema concreto de regulação laboral. Crie-se um sindicato!
ATENÇÃO. Por ser verdade ou boato, tem vindo a constar que a recente iniciativa para revogar do Decreto 73/73 está a ter como obstáculo actual um determinado ministro que, por motivos ou interesses que desconheço, tem vindo a protelar o processo. Enquanto nós andamos entretidos a administrar Weblogs e a escrever cartas para jornais, outros, lá se vão mexendo …
Não que a revogação deste “decreto” seja a panaceia para a resolução dos problemas dos arquitectos, mas porque é uma causa justa e, que sirva de exemplo de união dos jovens arquitectos já que dos aburguesados, das estrelas candentes e dos pré qualificados para os concursos já esperamos e nada fizeram.
É que se não conseguirmos levar a bom termo este processo, definitivamente vamos ser eternamente vistos na sociedade como uma classe de “Roger Rabbits”.
Saudações cordiais,
Nuno Helder Varela
nunovarela@clix.pt
Tiago Mota Saraiva on 4/17/2006 11:26:15 AM
Caro Biranta, embora a discussão do 73/73 não seja o centro do texto, julgo que a alteração da lei não resolve mas pode melhorar.
Caro Nuno, dar visibilidade e pôr as pessoas a discutir e a raciocinar sobre este problema, é uma das formas para combater os obscuros meandros e silêncios instalados.
FRQSTR=19026324|19026324|19026324|19026324|19026324 on 4/17/2006 08:27:46 PM
Que estranho...
Nada tenho contra a geração de arquitectos dos anos 90. Mas você, Tiago, é membro do Conselho Directivo da OA. Espanta-me que na sua preocupação paire apenas o destino dos diplomados nesse tempo. Seria de supor que a preocupação se estendesse aos arquitectos de outras gerações, inclusivé, as seguintes. Ou a OA não representa todos os Arquitectos?
Não residirá nesta postura o mesmo mal do qual acusa o estado?
Sobre a revisão do 73/73 (da qual sou a favor)parece-me que a OA adoptou o mesmo espírito de orgulhoso isolamento e imposição. Não estranho, portanto, que a votação em plenário - da iniciativa de cidadãos- redunde num fracasso.
Na minha opinião, acho difícil tentar abraçar problemas maiores, de repercussões externas quando, internamente, se sabe que para os menores tem havido uma total incapacidade para os resolver.
A comunicação social tem veiculado sistematicamente os problemas internos a que me refiro e que são do conhecimento geral.
Por fim, pergunto: É normal que a única forma de um membro efectivo comprovar que é arquitecto seja através de uma folha A4 (dobrada em 2/3 partes)? Então e as cédulas...ou cartões?
Eu sei que isto é "insignificante" mas é de insignificâncias que o mundo é feito...
António on 4/18/2006 12:26:14 AM
Também sou da opinião que a revogação do 73/73 não vai resolver o problema colocado pelo Tiago no seu Post, no entanto julgo que iria clarificar o mercado de trabalho e desta forma alguma coisa seria melhorada.
No entanto sinto que as coisas não andam. À mais de vinte anos que oiço falar deste anacrónico decreto, da Associação passou-se para a Ordem, julgo que uma das vantagens propagadas pelos defensores da criação da ordem, era a de que seria mais simples a alteração da lei com a existência de uma ordem, mas com um misto de sensação de impotência e chateado continuo a ver adiado esse momento.
Penso que a Ordem deveria fazer mais qualquer coisa, não sei o quê, mas sinto uma estranha sensação de que a ordem está sendo enrolada por uma maioria politica que, provavelmente, não está interessada na alteração da lei, mais que não seja por uma questão de evitar chatices.
Em relação à questão colocada pelo Nuno, sobre a criação de um Sindicato, acho a ideia interessante e gostaria que pudesse ser desenvolvida e discutida, para perceber de que forma um sindicato poderia contribuir para a resolução deste problema e de outros que se colocam à classe.
Saudações.
António
Varela on 4/18/2006 04:49:55 PM
Caro Tiago.
Não foi propriamente para obter uma reacção do administrador que coloquei a minha incitação.
Não deixa de ser sintomático, senão mesmo preocupante, que quando é colocada uma missiva num jornal nacional com a possibilidade de posterior discussão, arquitectura e jovens arquitectos, as intervenções por parte dos interessados são escassas e mesmo nulas!
A aguardar…
Varela
Tiago Mota Saraiva on 4/18/2006 07:42:16 PM
Caro Nuno,
Tens razão no que dizes. É confrangedor ver toda esta gente de que falo, emparedada por muro de silêncios e medos.
Em virtude da minha deformação marxista, parece-me que o primeiro passo, a ser dado por cada um, é formar uma consciência de classe (só uma deficiente cultura política pode confundi-lo com uma qualquer forma de corporativismo).
A partir desse momento estão criadas as condições para que se passe à acção, seja através da constituição sindicato (como propões tu e inúmeros outros colegas), de uma participação activa na Ordem dos Arquitectos ou de outras formas de luta que se entenda.
Para mim também é confrangedor, ver uma associação de jovens licenciados como a APELA (ou o blog arqportugal) que tanto destaque mediático consegue, estar apenas preocupada (com ou sem razão) com o acesso à Ordem dos Arquitectos de uns quantos jovens licenciados e, pura e simplesmente, esquecer o problema social gravíssimo que se assiste diariamente na profissão.
Aliás, é ainda mais confrangedor saber, que esta associação, nem sequer é contra o facto da maioria dos estágios não serem remunerados.
Biranta on 4/15/2006 02:07:48 PM
O panorama aqui descrito, para os arquitectos, não é diferente do que se vive nas outras profissões (INCLUSIVE, nas restantes licenciaturas). Conheço, de relance, a petição (se é a mesma que foi noticiada como tendo sido encabeçada por Helena Roseta). Porém, parece-me duma ingenuidade, absurda, imaginar que a situação se resolve ou pode melhorar com a aprovação de alguma lei como a referida. É assim como imaginar que se podem curar tomores com aspirinas... A doença é mais profunda e exige "bistori"; isso são paliativos!
Os cidadãos deste país (e as diferentes classes profissionais ou académicas) têm de começar a perceber, para bem de todos, mas também e principalmente para seu próprio bem, que não podemos resolver os problemas parcialmente, empurrando uns para "caberem" outros, que irão continuar a fechar os olhos aos procedimentos cretinos e anacrónicos, apenas porque o "problema" deles "está resolvido". Não está! Ou se resolve o problema de fundo (de idoneidade e rectidão no exercício de toda e qualquer função, relativamente a todo e qualquer problema concreto) ou perceberemos, rapidamente, que o problema se mantém, quiçá se agrava. É o que se constuma designara como: "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma". Eu confio nas gerações mais novas e acredito que o seu papel vai ser determinante para alterar a nossa negra realidade, o que não acredito é que este tipo de medidas (proteccionistas quase) possa contribuir fortemente para isso, até pela sua especificidade (de se aplicarem, apenas, a uma classe profissional).
Varela on 4/15/2006 06:34:54 PM
Caro Tiago, Colegas e Outros.
Continua-se com a perigosa opção de misturar vários problemas num só. A questão da precariedade de trabalho dos jovens arquitectos é um facto, mas é um problema concreto de regulação laboral. Crie-se um sindicato!
ATENÇÃO. Por ser verdade ou boato, tem vindo a constar que a recente iniciativa para revogar do Decreto 73/73 está a ter como obstáculo actual um determinado ministro que, por motivos ou interesses que desconheço, tem vindo a protelar o processo. Enquanto nós andamos entretidos a administrar Weblogs e a escrever cartas para jornais, outros, lá se vão mexendo …
Não que a revogação deste “decreto” seja a panaceia para a resolução dos problemas dos arquitectos, mas porque é uma causa justa e, que sirva de exemplo de união dos jovens arquitectos já que dos aburguesados, das estrelas candentes e dos pré qualificados para os concursos já esperamos e nada fizeram.
É que se não conseguirmos levar a bom termo este processo, definitivamente vamos ser eternamente vistos na sociedade como uma classe de “Roger Rabbits”.
Saudações cordiais,
Nuno Helder Varela
nunovarela@clix.pt
Tiago Mota Saraiva on 4/17/2006 11:26:15 AM
Caro Biranta, embora a discussão do 73/73 não seja o centro do texto, julgo que a alteração da lei não resolve mas pode melhorar.
Caro Nuno, dar visibilidade e pôr as pessoas a discutir e a raciocinar sobre este problema, é uma das formas para combater os obscuros meandros e silêncios instalados.
FRQSTR=19026324|19026324|19026324|19026324|19026324 on 4/17/2006 08:27:46 PM
Que estranho...
Nada tenho contra a geração de arquitectos dos anos 90. Mas você, Tiago, é membro do Conselho Directivo da OA. Espanta-me que na sua preocupação paire apenas o destino dos diplomados nesse tempo. Seria de supor que a preocupação se estendesse aos arquitectos de outras gerações, inclusivé, as seguintes. Ou a OA não representa todos os Arquitectos?
Não residirá nesta postura o mesmo mal do qual acusa o estado?
Sobre a revisão do 73/73 (da qual sou a favor)parece-me que a OA adoptou o mesmo espírito de orgulhoso isolamento e imposição. Não estranho, portanto, que a votação em plenário - da iniciativa de cidadãos- redunde num fracasso.
Na minha opinião, acho difícil tentar abraçar problemas maiores, de repercussões externas quando, internamente, se sabe que para os menores tem havido uma total incapacidade para os resolver.
A comunicação social tem veiculado sistematicamente os problemas internos a que me refiro e que são do conhecimento geral.
Por fim, pergunto: É normal que a única forma de um membro efectivo comprovar que é arquitecto seja através de uma folha A4 (dobrada em 2/3 partes)? Então e as cédulas...ou cartões?
Eu sei que isto é "insignificante" mas é de insignificâncias que o mundo é feito...
António on 4/18/2006 12:26:14 AM
Também sou da opinião que a revogação do 73/73 não vai resolver o problema colocado pelo Tiago no seu Post, no entanto julgo que iria clarificar o mercado de trabalho e desta forma alguma coisa seria melhorada.
No entanto sinto que as coisas não andam. À mais de vinte anos que oiço falar deste anacrónico decreto, da Associação passou-se para a Ordem, julgo que uma das vantagens propagadas pelos defensores da criação da ordem, era a de que seria mais simples a alteração da lei com a existência de uma ordem, mas com um misto de sensação de impotência e chateado continuo a ver adiado esse momento.
Penso que a Ordem deveria fazer mais qualquer coisa, não sei o quê, mas sinto uma estranha sensação de que a ordem está sendo enrolada por uma maioria politica que, provavelmente, não está interessada na alteração da lei, mais que não seja por uma questão de evitar chatices.
Em relação à questão colocada pelo Nuno, sobre a criação de um Sindicato, acho a ideia interessante e gostaria que pudesse ser desenvolvida e discutida, para perceber de que forma um sindicato poderia contribuir para a resolução deste problema e de outros que se colocam à classe.
Saudações.
António
Varela on 4/18/2006 04:49:55 PM
Caro Tiago.
Não foi propriamente para obter uma reacção do administrador que coloquei a minha incitação.
Não deixa de ser sintomático, senão mesmo preocupante, que quando é colocada uma missiva num jornal nacional com a possibilidade de posterior discussão, arquitectura e jovens arquitectos, as intervenções por parte dos interessados são escassas e mesmo nulas!
A aguardar…
Varela
Tiago Mota Saraiva on 4/18/2006 07:42:16 PM
Caro Nuno,
Tens razão no que dizes. É confrangedor ver toda esta gente de que falo, emparedada por muro de silêncios e medos.
Em virtude da minha deformação marxista, parece-me que o primeiro passo, a ser dado por cada um, é formar uma consciência de classe (só uma deficiente cultura política pode confundi-lo com uma qualquer forma de corporativismo).
A partir desse momento estão criadas as condições para que se passe à acção, seja através da constituição sindicato (como propões tu e inúmeros outros colegas), de uma participação activa na Ordem dos Arquitectos ou de outras formas de luta que se entenda.
Para mim também é confrangedor, ver uma associação de jovens licenciados como a APELA (ou o blog arqportugal) que tanto destaque mediático consegue, estar apenas preocupada (com ou sem razão) com o acesso à Ordem dos Arquitectos de uns quantos jovens licenciados e, pura e simplesmente, esquecer o problema social gravíssimo que se assiste diariamente na profissão.
Aliás, é ainda mais confrangedor saber, que esta associação, nem sequer é contra o facto da maioria dos estágios não serem remunerados.
Reacções ao artigo do Público
Foram curiosas, embora espectáveis, as reacções ao artigo que publiquei no Público.
Com certeza por deficiência minha, o centro das críticas (a favor ou contra), ou pelo menos o motivo das reacções, recaiu sobre o que escrevi sobre o DL 73/73. Contudo esse não era o objecto do artigo, mas sim, a condição em que vive uma determinada geração de arquitectos que, por sinal, representa metade da actual classe profissional. Sobre o DL 73/73, já escrevi aqui, aqui, aqui e aqui.
O centro do discurso, reflectido no seu título original e também na comparação com o CPE do governo francês, é a precariedade e a violenta exploração que sofre toda esta geração de arquitectos (e bem sei que não é só nesta profissão que isto se passa!). O meu discurso é, com certeza, de classe. Não o renego!
Existe uma condição comum a toda esta gente, e escrevi o artigo para que mais pessoas disso ganhem consciência.
Com certeza por deficiência minha, o centro das críticas (a favor ou contra), ou pelo menos o motivo das reacções, recaiu sobre o que escrevi sobre o DL 73/73. Contudo esse não era o objecto do artigo, mas sim, a condição em que vive uma determinada geração de arquitectos que, por sinal, representa metade da actual classe profissional. Sobre o DL 73/73, já escrevi aqui, aqui, aqui e aqui.
O centro do discurso, reflectido no seu título original e também na comparação com o CPE do governo francês, é a precariedade e a violenta exploração que sofre toda esta geração de arquitectos (e bem sei que não é só nesta profissão que isto se passa!). O meu discurso é, com certeza, de classe. Não o renego!
Existe uma condição comum a toda esta gente, e escrevi o artigo para que mais pessoas disso ganhem consciência.
segunda-feira, abril 17, 2006
Ausências
Os deputados não estiveram. Foi-nos dado um ranking de nomes da maioria ou do PSD que, na sua maioria, desconhecemos. Aqueles senhores que se sentam nas bancadas de trás da Assembleia, que não discursam, nem trabalham e que apenas são agentes de um ou outro interessado.
Quando oiço estas estórias, recordo-me sempre do então colega de liceu que, quando questionado sobre a sua vida futura, respondia querer ser deputado, acrescentando, do PS ou PSD e daqueles que se sentam lá atrás. O rapaz entretanto virou homem e agora já é lider numa das "jotas".
Quando oiço estas estórias, recordo-me sempre do então colega de liceu que, quando questionado sobre a sua vida futura, respondia querer ser deputado, acrescentando, do PS ou PSD e daqueles que se sentam lá atrás. O rapaz entretanto virou homem e agora já é lider numa das "jotas".
sábado, abril 15, 2006
A CONDIÇÃO DO JOVEM ARQUITECTO ou UMA GERAÇÃO SEM CONDIÇÃO
Em virtude do «emagrecimento», que tive de fazer no texto que hoje vem publicado no "Público", aqui fica o original:
Actualmente cerca de metade dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos de idade. Colocando a questão noutros termos, de acordo com o Decreto-Lei que é Estatuto desta organização profissional, metade dos cidadãos habilitados a exercer todos os actos próprios da arquitectura em solo nacional têm idade inferior a 35 anos.
Esta geração, formada nas universidades dos anos 90, foi cobaia de todos os sistemas (provas globais de acesso sobre "cultura", específicas, aferição ou globais) e é responsável por ter destacado das demais, as licenciaturas de arquitectura das universidades estatais, ao serem ano após ano os cursos superiores com as médias de entrada mais altas do país (quase sempre superior a medicina, até então crónica liderante). Nas universidades privadas, os sucessivos governos, iam alegremente permitindo o florescer do negócio das licenciaturas de arquitectura sem condições, que fundamentalmente, lhes resolvia o problema das universidades públicas estranguladas. Entretanto esta geração, não ficou às portas da Ordem como por vezes se pretende fazer crer, mas foi chegando à profissão.
É na profissão que, a geração na qual se enquadram os melhores alunos da última década, tem vindo a ser alvo de um violento processo de exclusão.
A maioria procurou iniciar a sua actividade profissional a partir do trabalho assalariado. Perante um mercado sequioso por retirar o máximo do trabalhador oferecendo-lhe o mínimo e com o aumento exponencial da qualidade da procura, constituiu-se um sistema de concorrência ultraliberal - desde a total ausência de remuneração até à precariedade do recibo verde. Não se andará muito longe da verdade ao afirmar que os princípios da lei que o governo francês procura impor com o CPE, já faz regra, nos ateliers de arquitectura em Portugal - seja sob a forma de estágios sem remuneração, de jovens arquitectos com salários abaixo dos mínimos ou de vínculos laborais inexistentes através da institucionalização do recibo verde.
Como consequência muitos partiram para o estrangeiro num processo idêntico à "mala de cartão" dos anos 60 mas, desta vez, com o certificado de habilitações nos braços.
Os mesmos governos que nos anos 90, para justificarem a inevitabilidade da implementação de uma propina, faziam sentir aos estudantes das universidades públicas que os seus cursos eram demasiado dispendiosos para o erário público (a arquitectura aparecia sempre no topo das listagens), no início desta década, dirigiram o discurso para a inevitabilidade da contenção da despesa e do consequente emagrecimento da administração pública. Assim, mais uma vez alegremente, assistem ao exílio destes técnicos superiores, sem rentabilizarem o investimento que diziam ter feito na sua formação.
Por outro lado, os que foram iniciando a sua actividade profissional por conta própria em Portugal, alguns como último recurso, confrontaram-se com um sistema vigente de cumplicidades e amizades, de promoções entre pares, que de tempos a tempos, resolve enfeitar o meio com uma ou outra "jovem revelação". Para os que ficaram, o acesso à encomenda pública é cada vez mais vedado designadamente a partir do momento em que os concursos começaram a ser massivamente participados e vencidos por jovens desta geração. Com a conivência do Estado, nos concursos públicos, quase que passou a ser regra haver uma prévia qualificação por curriculae vitae ou, simplesmente, deixaram de se fazer, contrariando a forma como os mais brilhantes arquitectos portugueses contemporâneos tiveram, em jovens, acesso à profissão (entre outros: Siza Vieira, Souto Moura, Carrilho da Graça ou Gonçalo Byrne).
Dentro em breve, em virtude de uma iniciativa de cidadãos da qual sou signatário, a Assembleia da República discutirá a revogação parcial do Decreto-Lei 73/73 no que diz respeito à prática profissional da arquitectura. Este decreto de 1973, que no seu preâmbulo se identifica como provisório, procurava entre outras coisas colmatar a existência de poucos arquitectos, permitindo a qualquer cidadão a assinatura de projectos de arquitectura. A lei, que na altura se pretendia qualificadora num país com escassas centenas de arquitectos, transformou-se num absurdo, quando a respectiva ordem profissional ameaça superar os catorze mil associados.
A aprovação deste diploma de revogação parcial e do reconhecimento que a prática profissional da arquitectura tem uma especificidade para a qual é necessária uma formação específica, é o passo mais importante para a geração da qual faço parte. A geração que teve as mais altas classificações do ensino secundário, que entretanto concluiu a universidade, e que se confronta diariamente com este mercado negro de trabalho, não pode ficar mais à espera.
Tiago Mota Saraiva - arquitecto
Autor do blog: http://www.rb02.blogspot.com
Actualmente cerca de metade dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos de idade. Colocando a questão noutros termos, de acordo com o Decreto-Lei que é Estatuto desta organização profissional, metade dos cidadãos habilitados a exercer todos os actos próprios da arquitectura em solo nacional têm idade inferior a 35 anos.
Esta geração, formada nas universidades dos anos 90, foi cobaia de todos os sistemas (provas globais de acesso sobre "cultura", específicas, aferição ou globais) e é responsável por ter destacado das demais, as licenciaturas de arquitectura das universidades estatais, ao serem ano após ano os cursos superiores com as médias de entrada mais altas do país (quase sempre superior a medicina, até então crónica liderante). Nas universidades privadas, os sucessivos governos, iam alegremente permitindo o florescer do negócio das licenciaturas de arquitectura sem condições, que fundamentalmente, lhes resolvia o problema das universidades públicas estranguladas. Entretanto esta geração, não ficou às portas da Ordem como por vezes se pretende fazer crer, mas foi chegando à profissão.
É na profissão que, a geração na qual se enquadram os melhores alunos da última década, tem vindo a ser alvo de um violento processo de exclusão.
A maioria procurou iniciar a sua actividade profissional a partir do trabalho assalariado. Perante um mercado sequioso por retirar o máximo do trabalhador oferecendo-lhe o mínimo e com o aumento exponencial da qualidade da procura, constituiu-se um sistema de concorrência ultraliberal - desde a total ausência de remuneração até à precariedade do recibo verde. Não se andará muito longe da verdade ao afirmar que os princípios da lei que o governo francês procura impor com o CPE, já faz regra, nos ateliers de arquitectura em Portugal - seja sob a forma de estágios sem remuneração, de jovens arquitectos com salários abaixo dos mínimos ou de vínculos laborais inexistentes através da institucionalização do recibo verde.
Como consequência muitos partiram para o estrangeiro num processo idêntico à "mala de cartão" dos anos 60 mas, desta vez, com o certificado de habilitações nos braços.
Os mesmos governos que nos anos 90, para justificarem a inevitabilidade da implementação de uma propina, faziam sentir aos estudantes das universidades públicas que os seus cursos eram demasiado dispendiosos para o erário público (a arquitectura aparecia sempre no topo das listagens), no início desta década, dirigiram o discurso para a inevitabilidade da contenção da despesa e do consequente emagrecimento da administração pública. Assim, mais uma vez alegremente, assistem ao exílio destes técnicos superiores, sem rentabilizarem o investimento que diziam ter feito na sua formação.
Por outro lado, os que foram iniciando a sua actividade profissional por conta própria em Portugal, alguns como último recurso, confrontaram-se com um sistema vigente de cumplicidades e amizades, de promoções entre pares, que de tempos a tempos, resolve enfeitar o meio com uma ou outra "jovem revelação". Para os que ficaram, o acesso à encomenda pública é cada vez mais vedado designadamente a partir do momento em que os concursos começaram a ser massivamente participados e vencidos por jovens desta geração. Com a conivência do Estado, nos concursos públicos, quase que passou a ser regra haver uma prévia qualificação por curriculae vitae ou, simplesmente, deixaram de se fazer, contrariando a forma como os mais brilhantes arquitectos portugueses contemporâneos tiveram, em jovens, acesso à profissão (entre outros: Siza Vieira, Souto Moura, Carrilho da Graça ou Gonçalo Byrne).
Dentro em breve, em virtude de uma iniciativa de cidadãos da qual sou signatário, a Assembleia da República discutirá a revogação parcial do Decreto-Lei 73/73 no que diz respeito à prática profissional da arquitectura. Este decreto de 1973, que no seu preâmbulo se identifica como provisório, procurava entre outras coisas colmatar a existência de poucos arquitectos, permitindo a qualquer cidadão a assinatura de projectos de arquitectura. A lei, que na altura se pretendia qualificadora num país com escassas centenas de arquitectos, transformou-se num absurdo, quando a respectiva ordem profissional ameaça superar os catorze mil associados.
A aprovação deste diploma de revogação parcial e do reconhecimento que a prática profissional da arquitectura tem uma especificidade para a qual é necessária uma formação específica, é o passo mais importante para a geração da qual faço parte. A geração que teve as mais altas classificações do ensino secundário, que entretanto concluiu a universidade, e que se confronta diariamente com este mercado negro de trabalho, não pode ficar mais à espera.
Tiago Mota Saraiva - arquitecto
Autor do blog: http://www.rb02.blogspot.com
quinta-feira, abril 13, 2006
Eles andam aí...
Ontem no programa da SIC-Notícias "Quadratura do Círculo", Pacheco Pereira (PSD), António Lobo de Xavier (CDS) e Jorge Coelho (PS) foram, mais ou menos eloquentemente, reconhecendo a inevitabilidade da existência de uma lei em Portugal parecida com o CPE francês.
Constatação do óbvio
"O Contrato para o Primeiro Emprego (CPE) de Villepin, não é nada que o governo de Sócrates não pudesse propor"
António Lobo de Xavier, in Quadratura do Círculo
António Lobo de Xavier, in Quadratura do Círculo
quarta-feira, abril 12, 2006
A ler:
"Piratas Informáticos !?" - Magnólia
Um bom texto de desmistificação da última campanha das editoras discográficas.
Um bom texto de desmistificação da última campanha das editoras discográficas.
terça-feira, abril 11, 2006
Lisboa alberga líderes de 300 maiores empresas do mundo

Imagem Indymedia - Portugal
Recebido por email:
De acordo com o jornal Público, Lisboa será nos dias 16, 17 e 18 de Setembro palco de recepção de cerca de 300 altos-quadros e dirigentes de multinacionais, como a BP, Pepsi, Motorola, Disney, Shell ou Texaco. O presidente da câmara municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues declarou que a escolha para o local do evento se deveu ao facto de Portugal estar longe do mapa do terrorismo e da insegurança. Depois de Bill Gates, Portugal parece querer reforçar o seu papel de pensão luxuosa da grande criminalidade legal. A presença dos grandes responsáveis por um mundo mais desigual e injusto, em que a pobreza, a miséria, a precaridade e a destruição ambientais constituem factores de captação de investimento, deverá ser alvo de uma resposta nas ruas. Definitivamente, não queremos ser parte do mapa do terrorismo e da insegurança. Pela nossa parte, estamos dispostos a participar na organização de acções que demonstrem a nossa indignação com a visita destas pessoas.
Bella Italia III
Da noite agitada, uma vitória retirada a ferros e aquela sensação estranha de que na recontagem rolarão muitos €urosconis.
segunda-feira, abril 10, 2006
O negócio da gripe
Recebido por email:
Sabes que o vírus da gripe das aves foi descoberto há 9 anos no Vietname? Sabes que desde então morreram apenas 100 pessoas em todo o mundo durante estes 9 anos? Sabes que os americanos foram quem informou da eficácia do TAMIFLU
(antiviral humano) como preventivo? Sabes que o TAMIFLU apenas alivia alguns sintomas da gripe comum? Sabes que a sua eficácia no tratamento da gripe comum está a ser questionada por grande parte da comunidade científica? Sabes que perante um suposto vírus mutante como o H5N1 o TAMIFLU apenas aliviará alguns sintomas? Sabes que a gripe das aves até ao momento apenas afecta as aves? Sabes quem comercializa o TAMIFLU? Laboratórios ROCHE. Sabes a quem comprou a ROCHE a patente do TAMIFLU em 1996? À GILEAD SCIENCES INC. Sabes quem era o presidente da GILEAD SCIENCES INC. E seu principal accionista? DONALD RUMSFELD, actual Secretário da Defesa dos Estados Unidos da América. Sabes que a principal base do TAMIFLU é o anis estrelado? Sabes quem é que detém 90% da produção desta árvore? ROCHE. Sabes que as vendas do TAMIFLU passaram de 254 milhões em 2004 para mais de 1.000 milhões em 2005? Sabes quantos milhões mais pode ganhar a ROCHE nos próximos meses se continuar este negócio do medo?
Ou seja, o resumo do negócio é o seguinte: os amigos do sr. Bush decidem que um fármaco como o TAMIFLU é a solução para uma pandemia que ainda não ocorreu e que causou 100 mortos no mundo inteiro desde à 9 anos. Este fármaco não cura nem sequer a gripe comum. O vírus não afecta o ser humano em condições normais. Rumsfeld vende a patente do TAMIFLU à ROCHE e esta paga-lhe uma verdadeira fortuna. A ROCHE adquire 90% da produção do anis estrelado que é a base do antiviral. Os governos de todo o mundo ameaçam com uma pandemia e compram à ROCHE quantidades industriais desse produto. Nós acabamos por pagar o medicamento a Rumsfeld, Cheney e Bush que fazem um belo negócio...
ESTAMOS LOUCOS, OU SOMOS TODOS IDIOTAS?
Ver Sociocracia
Sabes que o vírus da gripe das aves foi descoberto há 9 anos no Vietname? Sabes que desde então morreram apenas 100 pessoas em todo o mundo durante estes 9 anos? Sabes que os americanos foram quem informou da eficácia do TAMIFLU
(antiviral humano) como preventivo? Sabes que o TAMIFLU apenas alivia alguns sintomas da gripe comum? Sabes que a sua eficácia no tratamento da gripe comum está a ser questionada por grande parte da comunidade científica? Sabes que perante um suposto vírus mutante como o H5N1 o TAMIFLU apenas aliviará alguns sintomas? Sabes que a gripe das aves até ao momento apenas afecta as aves? Sabes quem comercializa o TAMIFLU? Laboratórios ROCHE. Sabes a quem comprou a ROCHE a patente do TAMIFLU em 1996? À GILEAD SCIENCES INC. Sabes quem era o presidente da GILEAD SCIENCES INC. E seu principal accionista? DONALD RUMSFELD, actual Secretário da Defesa dos Estados Unidos da América. Sabes que a principal base do TAMIFLU é o anis estrelado? Sabes quem é que detém 90% da produção desta árvore? ROCHE. Sabes que as vendas do TAMIFLU passaram de 254 milhões em 2004 para mais de 1.000 milhões em 2005? Sabes quantos milhões mais pode ganhar a ROCHE nos próximos meses se continuar este negócio do medo?
Ou seja, o resumo do negócio é o seguinte: os amigos do sr. Bush decidem que um fármaco como o TAMIFLU é a solução para uma pandemia que ainda não ocorreu e que causou 100 mortos no mundo inteiro desde à 9 anos. Este fármaco não cura nem sequer a gripe comum. O vírus não afecta o ser humano em condições normais. Rumsfeld vende a patente do TAMIFLU à ROCHE e esta paga-lhe uma verdadeira fortuna. A ROCHE adquire 90% da produção do anis estrelado que é a base do antiviral. Os governos de todo o mundo ameaçam com uma pandemia e compram à ROCHE quantidades industriais desse produto. Nós acabamos por pagar o medicamento a Rumsfeld, Cheney e Bush que fazem um belo negócio...
ESTAMOS LOUCOS, OU SOMOS TODOS IDIOTAS?
Ver Sociocracia
quinta-feira, abril 06, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
O Tigre e a Neve

O amor é o mais revolucionário dos sentimentos.
2003. A guerra no Iraque torna-se cada vez mais ameaçadora. Em Roma, Attilio (Roberto Benigni) poeta, está apaixonado por Vittoria (Nicoletta Braschi) e todas as noites sonha com o casamento de ambos.
Mas Vittoria não mostra interesse por ele e perde a paciência perante os esforços de sedução deste poeta teimoso e irracionalmente apaixonado. Um dia Attilio recebe uma chamada de um grande poeta iraquiano (Jean Reno) cuja biografia Vittoria está a escrever em Bagdad: Vittoria foi vítima de um dos primeiros bombardeamentos anglo-americanos na cidade e está moribunda no hospital. Animado pelo seu amor louco e a fim de salvar a sua amada, Attilio parte para o Iraque...
Um filme fantástico no qual o espectador deambula continuamente entre o rir e o chorar, da forma que Benigni já nos habituou. O argumento é constituído por uma história com várias histórias cheias de mensagens e significados: desde uma religiosidade pluralista e positiva, à desmistificação do conceito ocidentalizado que todo o árabe tem o seu harém e que por isso não pode amar.
segunda-feira, abril 03, 2006
USA
Ao que a comunicação social quer esconder a blogosfera procura dar voz - Os Eua, a guerra e a contestação interna.
Via Para mim tanto faz
Via Para mim tanto faz
sexta-feira, março 31, 2006
Lendo blogues...
«As grandes transformações sociais deram-se porque houve quem acreditasse que lutando podia tornar possível o que outros diziam não o ser.»
Álvaro Cunhal
via Abafos e Desabafos
Álvaro Cunhal
via Abafos e Desabafos
Aspirina B

A blogosfera perde muito com a dissidência de dois dos seus mais ilustres - Luís Raínha e o Nuno Ramos de Almeida do Aspirina B. Provavelmente deixará de contar com a minha visita diária.
quinta-feira, março 30, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
A importância dos blogues
A importância dos blogues, revela-se na capacidade de fazer circular informação à margem da que nos querem vender - Domaine d'Extension de la Lutte de Guy Birenbaum
Pode-se ler uma tradução no blogue deste camarada.
Pode-se ler uma tradução no blogue deste camarada.
"Le problème, c'est pas la chute, c'est l'atterrissage"
Das manifestações em França contra o CPE, a comunicação social portuguesa no meio de alguma histeria, preocupou-se em passar a imagem dos "vândalos de origem africana" que invadiram a cidade de Paris. Para além da imagem ter um conteúdo racista, não convém aprofundar as motivações.
A montra partida do McDonalds, tem um conteúdo político. Muitos dos "vândalos" trabalharam temporariamente no McDonalds, distribuiram pizzas no PizzaHut ou foram seguranças dos Bancos nos quais actualmente nem sequer podem abrir conta.
A revolta dos subúrbios é política, e reproduz uma raiva genérica contra uma sociedade que se desmorona. "Le problème, c'est pas la chute, c'est l'atterrissage"
Mathieu Kassovitz, "La Haine" (1995)
A montra partida do McDonalds, tem um conteúdo político. Muitos dos "vândalos" trabalharam temporariamente no McDonalds, distribuiram pizzas no PizzaHut ou foram seguranças dos Bancos nos quais actualmente nem sequer podem abrir conta.
A revolta dos subúrbios é política, e reproduz uma raiva genérica contra uma sociedade que se desmorona. "Le problème, c'est pas la chute, c'est l'atterrissage"
Mathieu Kassovitz, "La Haine" (1995)
terça-feira, março 28, 2006
Lisboa ao rubro
Desde as 15.00 que os automóveis "circulam mais" em Lisboa. É o regresso a casa de um país que espera, apagar as tristezas do regime, com a alegria de ver o David derrotar o Golias.
Esta noite é um daqueles momentos em que o futebol é mais do que um desporto: é política, é amor, é raiva, é vida.
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