sábado, novembro 11, 2006

OE 2007 - para criancinhas

Imagine-se um ecossistema de 10 zebras:
A zebra X recebe 5000 batatinhas por mês;
As outras zebras recebem 350 batatinhas por mês;
Como se pode poupar 1000 batatinhas?

1. (MODELO CAPITALISTA) A zebra X cobra às outras nove zebras as 1000 batatinhas, dependerá da zebra X a metodologia a adoptar, ou seja, se as 1000 batatinhas serão pagas apenas por uma das zebras ou por várias;

2. (MODELO CAPITALISTA LIGHT ) O estado retira 100 batatinhas a cada uma das zebras, ou seja, a zebra X passa a receber 4900 batatinhas por mês e as outras zebras passam a receber 250 batatinhas por mês;

3. (MODELO CAPITALISTA DE LOOK IGUALITÁRIO) O estado retira 12,26% a cada uma das zebras, ou seja, a zebra X passa a receber 4370 batatinhas por mês e as outras zebras passam a receber 305,90 batatinhas por mês;

4. (UTOPIA ou MODELO OBSOLETA) O estado distribui as 7150 batatinhas pelas dez zebras, ou seja, cada umas das zebras passa a receber 715 batatinhas por mês.

L'architecture d'aujourd'hui N° 366 - septembre 2006 - Portugal


É bem verdade que tenho alguma coisa a ver com isto.
Em Novembro de 2005 fui com o colega de direcção da OA - Pedro Guilherme, tratar de outras guerras a Paris e, solicitámos uma reunião com a direcção da AA. Conhecemos o Axel Sowa (que explica a sua versão aqui) com o qual imediatamente se criou uma relação de enorme empatia. Dizia desconhecer o número de 1976, e logo lhe explicámos, com um brilhozinho nos olhos a sua importância e o papel importante que a revista significou para a internacionalização das experiências que então se viviam em Portugal.
Acabámos a reunião com a disponibilidade mútua de conceber um número duplo da revista com um novo número da revista, trinta anos depois, e a republicação da revista de 1976 (a ser lançado no Congresso da Ordem dos Arquitectos). Tínhamos um ano para o fazer e uma semana de visitas para organizar.
Fizemos um circuito: Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Mesas redondas, conversas, visitas, mais de 60 pessoas a conversar sobre arquitectura portuguesa, a dizer bem e mal.
Pelo meio teria muitas estórias para contar, dos meandros destas coisas e dos quais sempre tentámos fugir.
Desde a tentativa de alguns dos teóricos e críticos do regime, que regularmente nos vão tentando doutrinar sobre o que devemos pensar sobre arquitectura portuguesa, ao tentarem bichanar ao ouvido do director da revista o que é a arquitectura portuguesa. Até à estranheza de se confrontarem em pé de igualdade com "os outros", gente que desconheciam e que "invadem" a classe.
De positivo recordo o espanto agradado, do colega Raul Hestnes Ferreira, por desconhecer a maioria das pessoas da mesa na qual falava e o comentário final de Axel sobre a maturidade dos arquitectos portugueses mais jovens.
O produto final, que agora me chegou às mãos e no qual não tive qualquer interferência, é a revista sobre arquitectura portuguesa que sempre imaginei. Não conheço a maioria das pessoas que nela escreveram, nem conheço grande parte dos projectos que estão publicados. Uma prova para os mais reaccionários (não são muitos, mas ainda detêm o poder) que existe um novo mundo a nascer nas barbas das oligarquias instaladas.
Preocupem-se.

domingo, novembro 05, 2006

Proposta de Revisão do Decreto n.º 73/73

"Artigo 9.º n. 3 - Os projectos de arquitectura de edifícios correntes, sem exigências especiais, que não excedam dois pisos acima da soleira e cuja área não ultrapasse os 400 m2 podem também ser elaborados por agentes técnicos de arquitectura e engenharia com carteira profissional e cumprindo as demais condições inerentes à sua actividade."

Procurando esquecer a terminologia profundamente inculta (para não lhe chamar outra coisa) na qual se designa "edifícios correntes, sem exigências especiais", tentarei neste texto analisar a causa desta excepção.
Para além de inúmeras outras construções, o grande mercado que aqui se procura designar é o da habitação e, mais concretamente, a moradia. Digamos que no início pensei no Bairro Alto e em todos os centros históricos do país cujos edifícios, pela escassez de espaço, não têm na sua maioria mais de 400 m2, contudo por vezes têm mais de dois pisos e depois há a regulamentação do IPPAR que não permite aceitar projectos de arquitectura sem serem assinados por arquitectos...
Portanto, ainda ninguém me conseguiu demover desta ideia, que aquilo que de facto preocupa o IMOPPI e o governo são as moradias.
Ora lamentavelmente, com o desordenamento do território reinante, estas moradias despontam como cogumelos e constroem a actual paisagem do país. É um mercado, e que mercado!
Num país em que as obras maiores são sempre motivo de grande destaque mediático e no qual já é exigido um razoável conhecimento técnico, é na pequena e média construção, muito desqualificada, que vai reinando a barbárie.
A falta de exigência na habitação própria por parte do cidadão, quer ao nível da sustentabilidade, térmica ou tecnologia, alicerçada numa cultura estética e regulamentação ainda do Antigo Regime, proporciona a constituição de um mercado de vigarices, no qual só lucra quem constrói.
Fundamentado em pequenas empresas da construção, de poucos funcionários e muitos imigrantes sem qualquer vínculo, este mercado de vigarice, movimenta avultadas verbas transformando-o num dos mais rentáveis do país.
Essas empresas não querem nem qualificação, nem sustentabilidade nem regulação. Querem um arquitecto avençado para poderem ter o alvará e mais nada.
Por outro lado são estas empresas que constroem os poderes políticos, financiam as campanhas municipais, os clubes de futebol e fazem obras "gratuitas" nas colectividades para os presidentes poderem inaugurar.
É todo um sistema que reina neste país e que se mexe sorrateiramente dentro de todo e qualquer estrutura de poder. Recordo aliás o discurso da deputada do PS por ocasião da aprovação da iniciativa legislativa, na qual pedia calma às Câmaras Municipais dizendo que a aprovação daquele documento não significava que todos os projectos de arquitectura tivessem de ser feitos por arquitectos. Recordo ainda o saco azul de Felgueiras ou as investigações à gestão autárquica de José Luis Judas em Cascais - dois casos em que estavam envolvidas as construtoras de que falo.

Considerações finais:

1.
É um pouco ingénuo, após a vinda a público deste documento, continuar a referir-se que a principal preocupação do governo são os agentes técnicos que exercem há muito tempo esta actividade. Se assim fosse ter-se-ia procurado uma disposição transitória que de acordo com aquilo que tem sido o discurso do governo seria o da qualificação destes técnicos, criando um quadro legal que lhes permitisse obter a qualificação necessária para continuar a exercer.

2.
Na minha óptica, enquanto arquitecto e sócio de uma empresa de arquitectura, entendo que a obrigatoriedade de todos os projectos de arquitectura serem realizados por arquitectos não nos trará mais trabalho, não o defendendo por isso, por uma mera questão corporativa como o fazem os agentes técnicos. Entendo que a qualidade não se decreta mas regula-se. Ou seja, a consequência óbvia de um mercado profundamente desqualificado (como é o caso da maioria da construção em Portugal) imediatamente a seguir à revogação do 73/73, não será na procura da qualidade arquitectónica, mas sim da assinatura.

3.
O documento que está em cima da mesa é aviltante para os cidadãos, para os arquitectos em geral, mas sobretudo para os jovens arquitectos. O estado dá um sinal de uma incrível falta de respeito por toda uma geração de jovens arquitectos que teve seis ou cinco anos de universidade, um difícil e tortuoso período de inserção profissional e que anseia constituir uma vida a partir da profissão que escolheu.

para breve...

Em breve escreverei sobre o significado dos "400 m2"...

Novo DL 73/73 - actualização

Parece que o governo se procura demarcar do projecto lei, atribuindo a sua autoria ao IMOPPI.
Mas por que continua o governo a delegar competências neste Instituto Público, cujos objectivos são os de "acompanhar a regulação e regulamentação" (e não o de legislar sobre uma matéria com esta importância)?
Por que dá o governo competências de regulamentar todo o sector ao Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares?

Para que serve a Ordem? - Não nos servirá um sindicato?

A estrutura de organização dos arquitectos, com a passagem de associação profissional para Ordem, per si, pouco ganhou em termos de representatividade e relevância nas orientações políticas nacionais nas matérias que à arquitectura dizem respeito, ao contrário daquilo que era a análise feita à época, quando inclusivamente se defendia que os Estatutos da OA revogariam automaticamente o DL 73/73.
Com a passagem para Ordem dos Arquitectos, os arquitectos perderam contudo, a capacidade de ter uma estrutura que os defenda ao nível laboral, tendo em conta que, às ordens profissionais lhes é vedado o direito de pronúncia sobre essas matérias.
A situação actual é grave e muito difícil de registar.
A crescente proliferação do trabalho temporário e eventual com o consequente recibo verde e os poucos apoios utilizados para as PME's nestas áreas, coloca (sobretudo as novas gerações) numa situação de desemprego ou trabalho precário sem que integrem qualquer estatística ou possam recorrer a medidas de apoio social.
É importante, por isso, que no quadro da única estrutura de representação dos arquitectos, a Ordem, se discuta a forma de organização a adoptar, no sentido de ganhar novamente uma voz numa matéria cujos problemas se têm vindo a agravar ao longo dos últimos anos.

Julgamento de Saddam

Enforcamento! Assisto através da televisão a uma lenta e tortuosa carnificina. Um dia todos serão julgados?

quinta-feira, novembro 02, 2006

A Assembleia da República e a revogação do Decreto Lei 73/73

ACTUALIZAÇÃO:
Comunicado da Ordem dos Arquitectos
Proposta do Governo + IMOPPI para a alteração do DL 73/73
Proposta do Governo + IMOPPI para a alteração do RGEU


Comunicado de Imprensa da Ordem dos Arquitectos
Lisboa, 2 de Novembro de 2006


1. Em 18 de Maio passado, a Assembleia da República aprovou, na generalidade e por unanimidade, um projecto de lei ( Projecto de lei nº 183/X "Arquitectura: um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos (revogação parcial do decreto 73/73 de 28 de Fevereiro)" ) decorrente de uma iniciativa de cidadãos dinamizada pela Ordem dos Arquitectos, que pretendia revogar o decreto 73/73, ao abrigo do qual a arquitectura pode ser feita por pessoas sem qualificação.
A lei da iniciativa legislativa de cidadãos ( Lei 17/2003, de 4 de Junho, art. 11º e 12º ) estipula que a votação na especialidade deve ocorrer no prazo máximo de 30 dias de trinta dias sobre a votação na generalidade e a votação final global no prazo máximo de 15 dias após a votação na especialidade.
O governo, por sua vez, comprometeu-se, na pessoa do Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campos, a apresentar um projecto de diploma mais abrangente, que não envolvesse apenas a arquitectura, no prazo de 90 dias.
Passaram os trinta dias, passaram os quinze dias, passaram os noventa dias e não aconteceu nada. Nem a Assembleia votou, nem o governo apresentou o seu projecto. Tudo o que existe é uma proposta de trabalho de revisão do decreto 73/73, elaborada pelo IMOPPI ( Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário ) com data de Julho de 2006.

2. A proposta do IMOPPI, a que só agora tivemos acesso através do Secretário de Estado Paulo Campos, não cumpre no essencial os objectivos pretendidos pela iniciativa de cidadãos aprovada na generalidade pela Assembleia da República. Contraria mesmo o seu sentido global, ao admitir que "os projectos de edifícios correntes, sem exigências especiais, que não excedam dois pisos acima da soleira e cuja área não ultrapasse os 400m2 podem também ser elaborados por agentes técnicos de arquitectura e engenharia (…)". Ficámos perplexos. Não se tem sequer a ideia do que significa este limiar de 400m2. Para além de toda a habitação unifamiliar, este limiar deixa de fora muitos equipamentos públicos, restaurantes, estabelecimentos comerciais, supermercados, escritórios e por aí fora. A esta área correspondem valores de obra de 400 ou 500 mil euros. Vai tudo isto ser excluído da exigência de ser pensado e projectado por um arquitecto, inscrito na Ordem, sujeito às regras disciplinares e deontológicas da profissão e consciente de todas as obrigações regulamentares do bem construir? A arquitectura não é um bem de luxo, é um bem de interesse público. O Estado não pode demitir-se do dever de exigir qualidade arquitectónica no dia-a-dia de todos os cidadãos.

3. O Governo não pode alterar, contrariar ou revogar as disposições dos estatutos das associações profissionais sem uma autorização legislativa da Assembleia da República. Ora os actos próprios do arquitecto, em Portugal, só podem ser feitos por arquitectos inscritos na Ordem, de acordo com o nosso Estatuto ( Decreto-lei nº 176/98, de 3 de Julho, art. 42º ). Se técnicos sem um diploma de arquitectura passassem a ter competência legal para fazer projectos de arquitectura, seria porventura inútil a existência de uma Ordem de Arquitectos.
Também seriam inúteis todos os esforços feitos pelo Estado e pelas Universidades, nas últimas décadas, no sentido de multiplicar licenciaturas em arquitectura a fim de pôr termo à carência de qualificações nesta disciplina profissional. Para que serviriam os mais de 30 cursos de arquitectura homologados pelo Estado português?

4. Mas há mais. A formação em arquitectura está regulada há mais de 20 anos pela Directiva Arquitectos ( Directiva 85/384/CEE, de 10 de Junho ), que Portugal subscreveu e transpôs para o direito interno em 1990. Ao abrigo desta Directiva e da Directiva Profissões ( Directiva 2005/36/CE, de 7 de Setembro ) o ensino da arquitectura exige uma formação superior longa ( 5 anos ). Isto mesmo foi salvaguardado pelo decreto-lei ( Decreto-lei nº 74/2006, de 24 de Março ) que transpôs para a nossa ordem jurídica o sistema de Bolonha e que estabeleceu, para a obtenção do diploma de arquitectura, um "mestrado integrado" ( 5 anos ). Para que servirão 5 anos de estudos superiores se com o equivalente ao 12º ano, ou com uma curta especialização tecnológica, se podem praticar os mesmos actos? É isto qualificar os recursos humanos, grande prioridade nacional todos os dias reafirmada pelo governo?

5. A Constituição da República comete ao Estado e às autarquias ( Artigo 66º ) a responsabilidade de promover "a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamente no plano arquitectónico e da protecção das zonas históricas". O próprio Estado português tomou, em 2001, a iniciativa de propor em Conselho Europeu a aprovação de uma Resolução ( Resolução 2001/C73/04, de 12 de Fevereiro ) relativa à qualidade arquitectónica em meio urbano e rural, que recorda ser a criação arquitectónica do interesse público. Estranha forma esta de zelar pela qualidade baixando o nível de exigências profissionais requeridas para a sua prática. Como é que se pode defender uma Política Nacional de Arquitectura, como se refere, e bem, na proposta de PNPOT ( Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, www.territorioportugal.pt ) que está em debate público, entregando a técnicos sem qualificação superior a quantidade de construção que a proposta do IMOPPI permite? Estamos perante um grave equívoco: a questão não é de mera regulação de mercado, matéria a que o IMOPPI tem sabido responder bem, mas de qualificação, conhecimento e rigor técnico e científico.

6. Para que servem as votações na Assembleia da República? Para que serviu o processo participativo que levou à aprovação unânime da Resolução nº 52/2003, de 22 de Maio e à votação na generalidade, também por unanimidade, do projecto de lei nº 183/X? O país vai continuar a ser retalhado por construções espalhadas pelo território sem qualquer qualidade ou exigência? O mais estranho é que o governo já legislou em sentido exactamente inverso, ao definir regulamentos altamente exigentes em matérias como acessibilidades, conforto e eficiência energética. Também no novo regime do arrendamento se reconhece a necessidade de arquitectos para tarefas de verificação da habitabilidade do parque habitacional. Não faz sentido exigir arquitectos por um lado e dispensá-los por outro. O problema português não se resolve baixando exigências e qualificações, mas sim elevando-as.

7. Enfim, tudo isto revela um total desconhecimento ou desinteresse pela arquitectura como fenómeno social, cultural e patrimonial. A proposta do IMOPPI, tal como está, seria um verdadeiro retrocesso em relação ao famigerado decreto 73/73. Viria tornar definitiva uma excepção que naquele diploma era apenas transitória. E iria desfigurar uma iniciativa de cidadãos cujo processo legislativo está em curso, ignorando deliberações já tomadas pela Assembleia da República. Assim, não.

8. Já apelámos ao governo para intervir no processo de forma a corrigir o que consideramos um erro trágico. Também nesta matéria é preciso que o governo tenha a coragem de não ceder aos interesses instalados em circuitos pouco exigentes e pouco transparentes de licenciamento das edificações, que minam a qualidade da construção civil e põem em causa a credibilidade do próprio Estado. Se temos o território no estado em que temos, tal também se deve à manutenção de um regime legal de qualificação profissional obsoleto e nefasto.

9. Cabe à Assembleia da República cumprir as regras que ela própria determinou. Iremos a partir de agora solicitar com urgência ao seu Presidente que promova o cumprimento da lei, agendando no mais breve prazo o nosso projecto para votação na especialidade e final global. Estamos disponíveis para melhorar o diploma que apresentámos. Mas não aceitaremos vê-lo desfigurado ou sistematicamente esquecido e adiado, em nome de interesses que nada têm a ver com a defesa e valorização do nosso território, da nossa paisagem e do nosso património edificado.

DL 73/73

Ainda esta tarde, haverá novidades através de um comunicado da Ordem dos Arquitectos.
E não são boas.

domingo, outubro 29, 2006

"Quando a curiosidade bate à porta do 'atelier'"

Muito interessante a entrevista da Inês Lobo ao DN.

Para que serve a Ordem? - XI Congresso dos Arquitectos Portugueses

Com o aproximar do Congresso, a decorrer nos próximos dias 23-25 de Novembro, iniciarei neste blogue um conjunto de post/reflexões polémicas sobre o tema: Para que serve a Ordem?

Crónicas de um país de província

A Secção Regional Norte está a promover uma iniciativa intitulada "Procura Arquitecto?", que consiste na diponibilização no seu site de uma galeria de autores-arquitectos com a seguinte linha editorial:

"O PROCURA ARQUITECTO? é um directório sócio-profissional de arquitectos-projectistas da região norte de Portugal, promovido e gerido pela OA/SRN. Destina-se ao público, em geral, e ao promotor de intervenções arquitectónicas e urbanísticas, em particular, procurando facultar-lhes um instrumento de busca que facilite a identificação e selecção de arquitecto para determinada intervenção que porventura tenha em vista."

Aquilo que numa primeira fase até poderia ser considerado uma boa ideia, cai no ridículo quando colocamos algumas questões óbvias:
Pode uma empresa com sede no Norte inscrever-se? Não.
Pode um grupo de arquitectos co-autores inscrever-se? Não.
Pode um associado da Ordem dos Arquitectos inscrito na SRS inscrever-se? Não.
Pode um associado da Ordem dos Arquitectos inscrito na SRN e com residência em Lisboa inscrever-se? Sim.
Perceber a prática da arquitectura contemporânea é perceber que cada vez menos (e ainda bem!), existe aquela imagem poética do Arquitecto-criador, sentado ao estirador a fazer o "seu" projecto. Hoje, felizmente, a prática é mais colectiva e multidisciplinar, e tem muitos actores e autores. Não perceber isto é procurar institucionalizar um conservadorismo unipessoal que destrói a visão contemporânea que o cidadão deve ter da prática profissional do arquitecto.
Por outro lado, a limitação regional é tão ridícula quanto redutora e, inscrevê-la em editorial, é a prova da existência de várias Ordens dentro da Ordem.

domingo, outubro 22, 2006

Novos Links

Conforme poderão reparar fiz um esforço de actualização do Randomblog.
Novo cabeçalho (para dizer o mesmo), correcções na forma de colocar comentários para evitar o spam e muitos (e bons!) novos links na coluna da direita, alguns já referenciados e outros que fui descobrindo.
Destaco, em primeiro lugar, o blog da casa o-nome, e o 5 dias, conforme já havia feito.
São referenciados novos e velhos blogues de gentes do meu lado do muro que, pelo que se pode constatar, cada vez com mais peso na blogosfera nacional; Luta Social, a Peste, Assedio, Assim foi temperado o aço, Anónimo do Sec. XXI (Sérgio Ribeiro), Gora Euskal Herria askatuta, Air bush, Eu, o outro, vocês e todos, Hora absurda, João V. Aguiar, Lapas do Almonda, Drella no Couço, Bandeira Rubra.
Por outro lado procurei reparar de algumas ausências imperdoáveis como o blog do Paulo Querido, Hotel Lisboa, Bichos Carpinteiros, Avesso do avesso, Um blog sobre kleist, Corta-Fitas e o Escrita em dia (Carlos Narciso) - aliás com um excelente texto sobre a SIC e a diferença de classes.
Um blog sobre Lisboa, Lisboa Lisboa, que tanto precisa de ser discutida. O blog do Zé Fanha, já anteriormente referenciado.
Ainda há os que vou lendo por tudo e por nada; Solvstag, Metroplinetida, .G, a Ervilha, Deste Lado, Monastero Segreto e o Cromos dos Cromos.
Para último, deixo os velhos amigos do Braganza mothers.

O estória dos governantes que odeiam as pessoas que vivem no país que governam

"O secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, afirmou hoje que a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".
Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores"."São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", declarou o governante à rádio TSF. "Este défice tem de ser pago por quem o gerou", disse ainda Castro Guerra.De acordo com as contas do secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, o défice vai ser recuperado num prazo de três a cinco anos.Apesar de ter admitido que o aumento do preço é elevado, Castro Guerra afirmou que "os custos são os custos".Questionado sobre o facto de o aumento para as empresas ser menor, o responsável referiu que "isso tem um fundamento". "As empresas estão a competir no mercado e nós não podemos por razões de energia reduzir a competitividade das empresas e mesmo assim já é um aumento substancial", explicou.António Castro Guerra lembrou que os aumentos são da exclusiva competência da Entidade Reguladora do Sector Energético, mas admitiu que "no futuro o Governo pode criar mecanismos que evitem aumentos tão elevados".Sobre o mesmo assunto, o ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou ao "Diário de Notícias" que "o Governo está a analisar a situação"."

Revisão do RGEU


O governo, por despacho, entregou a condução do processo de revisão do RGEU ao IMOPPI (que também ficou com a revisão do DL 73/73). O Governo delega as suas competências de legislador ao Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário para rever uma lei de 1951 que é da maior importância para a construção do território em Portugal.
Embora o documento ainda seja reservado já pode ser lido e copiado a partir do site da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção.
Formato em PDF.
(Reservo a minha posição sobre este documento para daqui a uma semana)

Direito à arquitectura ou o lobby do betão

No dia 18 de Maio deste ano a Assembleia da República aprovou por unanimidade a primeira Iniciativa Legislativa de Cidadãos, que visava legislar sobre uma matéria que desde 2003 a Assembleia da República havia aprovado, também por unanimidade.
A Iniciativa Legislativa baixou à discussão na especialidade.
Desde então, passaram cinco meses e uma matéria que aparentemente parecia colher uma unanimidade amedrontada foi para a gaveta (quem sabe se a mesma onde guardaram o socialismo)... em breve dirão que a Ordem dos Engenheiros entrou em processo eleitoral e mais tarde dirão que a Ordem dos Arquitectos entrará em processo eleitoral...

Governo "corajoso" ou governo mentiroso

Em todas as áreas, quando o governo é contestado, imediatamente surgem declarações de um ou outro ministro no sentido de denegrir quem contesta e/ou afirmando que é mais um lobby que o governo está a enfrentar.
Curioso é ver que o governo "corajoso" enfrenta os professores esquecendo as máfias que dominam o ensino privado, enfrenta os funcionários públicos esquecendo os administradores das empresas de estado ou o aparelho do PS, enfrenta os arquitectos esquecendo os construtores ou enfrenta os médicos esquecendo as multinacionais farmacêuticas...

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto"

de Rui Campos Matos (escrito para o Diário de Notícias da Madeira, secção Arquitectura e Território)
Texto retirado do blog Sobrevoando

Quantas pessoas, quando chega o momento de construir a moradia com que sempre sonharam, não passam pela aflição de perguntar a si próprias: será que vou ter de aturar um arquitecto?Neste pequeno artigo, tentarei explicar como construir uma nova casa, sem se sujeitar às exigências de um desses profissionais. Para que o empreendimento seja levado a cabo com êxito há que fazer três importantes escolhas: estilo, técnico e empreiteiro.
O estiloEis-nos perante a primeira decisão a tomar - o estilo da casa. Felizmente não é difícil porque existem apenas dois: o tradicional (também conhecido por rústico) e o moderno, que vem colhendo cada vez mais adeptos entre os jovens.O tradicional caracteriza-se pelo típico telhado de aba e canudo, a janela de alumínio aos quadradinhos, a lareira de cantaria com a sua chaminé e o imprescindível barbecu, testemunho dos inumeráveis prazeres da vida rústica. Já o moderno é completamente diferente, tão diferente que até as coisas mudam de nome. O telhado desaparece, dando lugar à cobertura plana; a janela perde os quadradinhos e passa a chamar-se vão; à chaminé, em tubo de aço inoxidavel, chama-se fuga; e barbecu é um termo obsceno que deve ser evitado na presença das senhoras.Não existem, pois, quaisquer espécie de dúvidas quanto a questões de estilo - ou se é tradicional ou se é moderno, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível.
O técnicoEscolhido o estilo, há que escolher o alfaiate, que aqui designaremos pelo técnico. Trata-se de uma escolha muito fácil, porque o que não falta são técnicos. Intitulem-se eles construtores civis diplomados, agentes técnicos de engenharia, electricistas habilitados ou desenhadores habilidosos, todos se regem pela mesma cartilha, a de João de Deus: o pinto pia, a pipa pinga... Não passaram cinco anos a estudar arquitectura? Não estagiaram mais dois? Que importa isso? Concentremo-nos apenas nas suas virtudes:1- Projecto elaborado em tempo recorde.2- Preço: 999 .Mas como conseguem eles ser tão eficazes? É simples: antes de encomendado, o projecto já está feito. Até parece milagre! Mas não é, o que se passa é o seguinte: o técnico tem duas pastas no computador, uma para projectos em estilo tradicional, outra para os modernos. Escolhido o estilo pelo cliente, é fácil, emenda daqui, remenda de acolá e, numa tarde, o projecto está feito! Para quê complicar?Mas o rapaz parecia semi-analfabeto, disse que não podia assinar o projecto, mas que havia outro técnico que podia.... Não é caso para preocupações, trata-se de uma situação corrente em que um técnico analfabeto paga a um técnico habilitado para que este, a troco de uns trocos, assine de cruz. Está tudo incluído no pacote e, (ironia do destino!), quantas vezes o técnico habilitado não é um arquitecto daqueles que faltaram às aulas de religião e moral...Aprovado o projecto, o técnico já não é preciso para nada. É dizer-lhe adeus que ele até agradece, porque de obra não percebe nada nem quer perceber, quem percebe disso é o empreiteiro a nossa terceira e última escolha.
O empreiteiroO primeiro encontro entre cliente e empreiteiro costuma ser decisivo. É nele que terá de se estabelecer, entre o primeiro e o segundo, uma relação de confiança cega, em tudo semelhante à fé. A fé de quem acredita que, com um projecto feito por um técnico, que não especifica nada, que não pormenoriza nada e que não quantifica nada, não vai ser enganado por um homem que passa o dia a fazer contas de cabeça... Entre cinco pequenos empreiteiros, como escolher o indicado para construir a moradia? Infelizmente, chegados a este ponto, não posso recomendar senão fé, muita fé e confiança, porque tudo o resto é irrelevante:1- O valor do orçamento é irrelevante, foi feito com base no projecto do tal técnico, é um número atirado para o ar, um número que, com os imprevistos, há-de subir ainda umas quantas vezes.2- O prazo estabelecido para concluir a obra vai depender do bom ou mau tempo e, nesse capítulo, só Deus sabe.3- As garantias dadas são as que estão na lei - cinco anos. Se a casa apresentar defeitos, reclame; se a reclamação não for atendida, recorra ao tribunal (também pode recorrer ao pai natal se achar que demora menos tempo...)Em suma, não vale a pena perder tempo com ninharias, o mais importante é ter fé.
ConclusãoSe, apesar de conscienciosamente feitas estas três escolhas, as coisas não correrem lá muito bem, se a casa ficar pelo dobro do preço, se no Verão se assar lá dentro e no Inverno se tiritar de frio, se para abrir a porta do armário for preciso arrastar a mesa de cabeceira, se o vizinho protestar com o barbecu, se a cobertura plana meter água, não vale a pena desesperar, resta sempre a consolação de não ter tido de aturar um arquitecto.

Rui Campos Matos, arquitecto

quarta-feira, outubro 18, 2006

Pergunta irónica:

Em que momento é que um militante ou congressista do PS pode solicitar a alteração de um ponto da moção do seu líder?