segunda-feira, agosto 20, 2007
A Saída de Fernando Santos e o regresso de Camacho
Diz-se que foi pelo resultado no Bessa, pelo jogo com o FC Copenhagen, pelas declarações de Nuno Gomes no final do jogo com o Leixões, mas só eu sei que foi pelo que escrevi há alguns dias neste blog.
Nuno Gomes, Mantorras, Luisão, Petit e Moreira, são estes os únicos resistentes de quando Camacho por cá passou e construiu uma equipa - de que Trapattoni no ano seguinte se veio a aproveitar.
Só é pena que Camacho só chegue agora.
Nuno Gomes, Mantorras, Luisão, Petit e Moreira, são estes os únicos resistentes de quando Camacho por cá passou e construiu uma equipa - de que Trapattoni no ano seguinte se veio a aproveitar.
Só é pena que Camacho só chegue agora.
domingo, agosto 19, 2007
Destruição de transgénicos ou acção boomerang
Irrita-me a expressão "se fizeres isto, perdes a razão", pois normalmente utiliza-se para evitar que ajamos em circunstâncias em que temos toda a razão.
Contudo os 100 ecologistas que destruíram um campo de milho transgénico em Silves, não só perderam a razão, como atrasaram uma discussão sobre os alimentos transgénicos, que urge fazer em Portugal.
A sua acção directa, apenas prejudicou o agricultor e teve como reacção nesta "época pateta", que as discussões se centrassem sobre fait-divers eco-terroristas(!?) e direito de propriedade, secundarizando o impacto pretendido.
sábado, agosto 18, 2007
Felgueiras Gate
Há muito que não se ouve falar deste caso e estranhamente a comunicação social, dele, parece estar alheada remetendo-o para os fundos das páginas:
Conselho de Estado autorizou Jorge Coelho a depor no "saco azul" do PS
18.08.2007, António Arnaldo Mesquita, PÚBLICO
O Conselho de Estado (CE) autorizou Jorge Coelho a prestar depoimento por escrito no julgamento do processo do "saco azul" do Partido Socialista de Felgueiras, apurou o PÚBLICO.
Arrolado pela defesa do arguido Horácio Costa, ex-vereador e antigo assessor da principal arguida, Fátima Felgueiras, Jorge Coelho vai responder às questões que lhe forem colocadas pelo advogado Pedro Martinho, podendo os restantes causídicos acrescentar novas perguntas, oportunidade que lhes foi dada pelo colectivo. Pedro Martinho foi notificado anteontem do deferimento do CE, durante a sessão que decorreu na parte da manhã, para assegurar a validade da prova.
Os esclarecimentos que Jorge Coelho deverá prestar relacionam-se com documentos que os dois titulares da conta onde era movimentados os fundos do "saco azul", Horácio Costa e Joaquim Freitas, garantem ter remetido para o então ministro de Estado do Governo de António Guterres. Ambos garantiram ao tribunal terem alertado Jorge Coelho e outros dirigentes nacionais do PS para eventuais irregularidades no financiamento do PS de Felgueiras.
Ao Tribunal de Felgueiras também já chegou a autorização concedida pela Assembleia da República para o deputado Renato Sampaio depor. Actual líder da federação distrital do Porto do PS, Renato Sampaio deverá ser questionado sobre diligências que terá feito para demover Horácio Costa e Joaquim Freitas de colaborarem com os investigadores do caso do "saco azul". Horácio Costa assegurou na sala de audiências que Sampaio lhe terá prometido um emprego de "muito receber e pouco fazer", no caso de não colaborar no esclarecimento dos factos. Esta revelação foi formal e prontamente desmentida pelo líder da distrital do Porto do PS, horas depois de ter sido feita pelo ex-assessor de Fátima Felgueiras.
No julgamento devem depor ainda oralmente Narciso Miranda e Armando Vara, devendo o primeiro-ministro José Sócrates enviar um testemunho escrito.
Conselho de Estado autorizou Jorge Coelho a depor no "saco azul" do PS
18.08.2007, António Arnaldo Mesquita, PÚBLICO
O Conselho de Estado (CE) autorizou Jorge Coelho a prestar depoimento por escrito no julgamento do processo do "saco azul" do Partido Socialista de Felgueiras, apurou o PÚBLICO.
Arrolado pela defesa do arguido Horácio Costa, ex-vereador e antigo assessor da principal arguida, Fátima Felgueiras, Jorge Coelho vai responder às questões que lhe forem colocadas pelo advogado Pedro Martinho, podendo os restantes causídicos acrescentar novas perguntas, oportunidade que lhes foi dada pelo colectivo. Pedro Martinho foi notificado anteontem do deferimento do CE, durante a sessão que decorreu na parte da manhã, para assegurar a validade da prova.
Os esclarecimentos que Jorge Coelho deverá prestar relacionam-se com documentos que os dois titulares da conta onde era movimentados os fundos do "saco azul", Horácio Costa e Joaquim Freitas, garantem ter remetido para o então ministro de Estado do Governo de António Guterres. Ambos garantiram ao tribunal terem alertado Jorge Coelho e outros dirigentes nacionais do PS para eventuais irregularidades no financiamento do PS de Felgueiras.
Ao Tribunal de Felgueiras também já chegou a autorização concedida pela Assembleia da República para o deputado Renato Sampaio depor. Actual líder da federação distrital do Porto do PS, Renato Sampaio deverá ser questionado sobre diligências que terá feito para demover Horácio Costa e Joaquim Freitas de colaborarem com os investigadores do caso do "saco azul". Horácio Costa assegurou na sala de audiências que Sampaio lhe terá prometido um emprego de "muito receber e pouco fazer", no caso de não colaborar no esclarecimento dos factos. Esta revelação foi formal e prontamente desmentida pelo líder da distrital do Porto do PS, horas depois de ter sido feita pelo ex-assessor de Fátima Felgueiras.
No julgamento devem depor ainda oralmente Narciso Miranda e Armando Vara, devendo o primeiro-ministro José Sócrates enviar um testemunho escrito.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Benfica, por benfiquista
Chegada a hora do início de mais uma temporada de bola, aqui ficam os "bitaites", deste fervoroso benfiquista:
Devolver à procedência: Butt, Luís Filipe (caso Nelson fique), Stretenovic, Bergessio e Freddy Adu, esperando ainda para ver o que fazem Diáz e Di Maria.
Fazer regressar: Rui Nereu para terceiro guarda-redes, João Pereira para disputar o lugar com Nelson, os defesas centrais José Fonte ou Hugo Carreira e Nunes (Málaga) ou Manuel do Carmo (PSV Eindhoven) e os médios João Coimbra, Tiago Gomes e Hélio Roque(emprestados).
Recuperar jogadores do plantel tais como: Moreira, Manú, Nuno Assis e Yu Dabao
Não querendo fazer todas estas mexidas, diria que a única e quase unanimemente considerada como vital será a substituição de Fernando Santos, cujos estragos já se começam a equivaler aos dos tempos de Artur Jorge.
Para o substituir, deixemo-nos de tretas, e contrate-se o enorme Diamantino (que com a passagem a treinador ganhou o direito a também utilizar apelido) Miranda. Mantendo Chalana e regressando Diamantino, pudemos também ter garantido que o Benfica não perderá escandalosamente com a equipa de segundo escalão que este brilhante jogador do Benfica dos Anos 80 estiver a treinar.
Ainda José Sócrates no wikipedia
A Fernanda Câncio no artigo que hoje escreve no DN e no post e comentários do 5dias, confunde a discussão. Será legítimo que o cidadão altere aquilo que a Wikipédia diz sobre o próprio? Legítimo é. E fiável também pode até ser.
Contudo o que aqui está em causa não é isso.
O que está em causa na descoberta feita pelo Vasco Carvalho, é a tentativa continuada de ocultação de factos relativos ao Primeiro Ministro e, sobretudo, a utilização instrumental do aparelho de Estado para reescrita da história.
Contudo o que aqui está em causa não é isso.
O que está em causa na descoberta feita pelo Vasco Carvalho, é a tentativa continuada de ocultação de factos relativos ao Primeiro Ministro e, sobretudo, a utilização instrumental do aparelho de Estado para reescrita da história.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Contra-Informação
Com base na ferramenta criada por um estudante de doutoramento de Caltech que nos permite aceder ao historial de alterações feitas no Wikipédia, Vasco Carvalho do Zero de Conduta demonstra o zelo que o aparelho de Estado português tem para com o que é escrito sobre José Sócrates.
Uma investigação de serviço público.
Uma investigação de serviço público.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Celestino de Castro [actualização]
Hoje à tarde realizou-se o funeral do Celestino de Castro, com família, amigos, camaradas e representação do PCP e da Ordem dos Arquitectos.
Contudo, não posso deixar de salientar, a ensurdecedora ausência da Faculdade que lhe deu o diploma (FAUTL) e da Faculdade que ficou encarregue de gerir o seu espólio (FAUP) doado, em vida, ao PCP.
No site da Ordem dos Arquitectos está um texto que reescrevi a partir da entrevista que lhe fiz em 2004.
[link]
[actualização]
No site da Secção Regional Sul da OA ou da Trienal, claro, nem uma palavra para o seu associado.
Contudo, não posso deixar de salientar, a ensurdecedora ausência da Faculdade que lhe deu o diploma (FAUTL) e da Faculdade que ficou encarregue de gerir o seu espólio (FAUP) doado, em vida, ao PCP.
No site da Ordem dos Arquitectos está um texto que reescrevi a partir da entrevista que lhe fiz em 2004.
[link]
[actualização]
No site da Secção Regional Sul da OA ou da Trienal, claro, nem uma palavra para o seu associado.
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O Bloco de Esquerda no seu pior
A Isabel Faria, do Troll Urbano e da Mesa Nacional do BE, havia enviado, há alguns dias, um texto contra "O Acordo" PS/BE, para a Esquerda.net o site do BE. A "linha justa" lá publicou o texto, mas precedido de um texto ultra-sectário do meu ex-camarada João Semedo. João Semedo bate na direita, no PS, no PCP, e lá pelo meio acusa os militantes do BE críticos do acordo, de apenas quererem umas linhas na comunicação social.
Ontem e hoje acho que este tipo de argumentação é uma vergonha.
Ontem e hoje acho que este tipo de argumentação é uma vergonha.
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terça-feira, agosto 14, 2007
Eleições na Ordem dos Arquitectos II
Nas eleições para a Ordem dos Arquitectos, haverá argumentos e propostas que abrangerão toda e qualquer candidatura. Descentralização, transferência de poderes para as delegações e núcleos, revogação do Decreto 73/73, promoção da arquitectura...
Partamos apenas do último ponto - Promoção da Arquitectura.
Continuaremos no estafado modelo das exposições, comissariados, publicações e convites aos famosos? Que modelos de gestão para as áreas da cultura? As actividades culturais terão necessariamente de dar lucro, as despesas terão de equivaler às receitas ou entende-se que uma parte da quota paga pelo associado deverá reverter para actividades desta índole? E que modelos para a escolha dos comissários, júris, exposições monográficas? Concurso ou nomeação pela Ordem?
Será que ainda ninguém percebeu que na Ordem dos Arquitectos, com quase 16 mil associados, já nem todos se conhecem? Quando se fala em reforçar a participação dos associados, então que se comece por aqui, descobrindo-o e não alinhando em receitas e com pessoas que independentemente de quem está à frente da Ordem, estão sempre à sua volta.
Partamos apenas do último ponto - Promoção da Arquitectura.
Continuaremos no estafado modelo das exposições, comissariados, publicações e convites aos famosos? Que modelos de gestão para as áreas da cultura? As actividades culturais terão necessariamente de dar lucro, as despesas terão de equivaler às receitas ou entende-se que uma parte da quota paga pelo associado deverá reverter para actividades desta índole? E que modelos para a escolha dos comissários, júris, exposições monográficas? Concurso ou nomeação pela Ordem?
Será que ainda ninguém percebeu que na Ordem dos Arquitectos, com quase 16 mil associados, já nem todos se conhecem? Quando se fala em reforçar a participação dos associados, então que se comece por aqui, descobrindo-o e não alinhando em receitas e com pessoas que independentemente de quem está à frente da Ordem, estão sempre à sua volta.
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segunda-feira, agosto 13, 2007
Celestino de Castro e Herculano Neves
“Raças, crenças, lutas, ideais, arte, tudo isso vai passando e uma grande dúvida se vai cavando dentro de nós sobre os nossos dias em que se tornará tudo isto que hoje vemos à nossa volta? Em que desandará toda a civilização actual? O que haverá de estável nos nossos dias que poderá manter-se e continuar?”
CASTRO, CELESTINO e HERCULANO NEVES (1948), "Em que se fala de uma pretendida feição nacional a dar à obra arquitectónica e tantas vezes invocada", em "I Congresso Nacional de Arquitectura - Relatório da Comissão Executiva, Teses, Conclusões e Votos do Congresso", pp. 54-60, Lisboa: Sindicato Nacional dos Arquitectos, 1948.
CASTRO, CELESTINO e HERCULANO NEVES (1948), "Em que se fala de uma pretendida feição nacional a dar à obra arquitectónica e tantas vezes invocada", em "I Congresso Nacional de Arquitectura - Relatório da Comissão Executiva, Teses, Conclusões e Votos do Congresso", pp. 54-60, Lisboa: Sindicato Nacional dos Arquitectos, 1948.
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Celestino de Castro (1920-2007)
[Celestino de Castro à conversa com Pitum Keil do Amaral, no Congresso dos Arquitectos em Almada (Novembro de 2006)]
Sandra Ramos, in site da Ordem dos Arquitectos
Foi uma figura central do modernismo português, porém, embora referenciado em muitas publicações, o seu trabalho que se confunde com a sua vida, é pouco conhecido.
Entrevistei-o em 2004[1], para falarmos sobre o 1º Congresso Nacional de Arquitectura (1948) e o Inquérito à Arquitectura Popular (publicado pela 1ª vez em 1961 e recentemente reeditado pela Ordem dos Arquitectos[2]) e acabámos a falar da sua vida, de Portugal, da União Soviética e do Mundo de hoje. Não quis que a entrevista tivesse imagem, pois o que lhe interessava era que as pessoas ouvissem o que tinha para dizer.
Para além da sua participação nestes dois momentos históricos para aquilo que entendemos hoje como arquitectura portuguesa, Celestino de Castro, teve um percurso profissional e de vida indissociável da história de Portugal. Com muitas encomendas de projectos nos anos 50, usufruindo de uma certa abertura do regime, nos anos 60 é obrigado “a mergulhar” na clandestinidade (1963) e, dois anos mais tarde, a exilar-se em França (1965). Regressa a Portugal em 1974 (no mesmo voo de Álvaro Cunhal e Domingos Abrantes), trabalhando fugazmente na Câmara Municipal de Lisboa, para mais tarde vir a desempenhar funções na Direcção Geral das Construções Hospitalares até Junho de 1990.
A sua experiência de vida, de liberdade e de falta dela, de trabalho em França, de viagens de Moscovo a Washington, de sonho e utopia para aquilo que, mantendo-se sempre fiel aos seus príncipios, entendia ser o caminho para a emancipação do seu povo torna-o, uma figura incontornável da arquitectura portuguesa do séc. XX.
Até amanhã, camarada.
[1] CELESTINO DE CASTRO, in entrevista/vídeo a Tiago Mota Saraiva - Lisboa 2004, espólio da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.
[2] AAVV (2004), "Arquitectura Popular em Portugal", 4ª edição, Vol. I e II, Lisboa: Centro Editor Livreiro da Ordem dos Arquitectos [Lisboa 1961].
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sábado, agosto 11, 2007
sexta-feira, agosto 10, 2007
"Foi Assim (ou assado?)"
Durante este período de suspensão, estive pouco atento a leituras na blogosfera, contudo não posso deixar de salientar o excelente texto do Nuno Tito sobre o livro "Foi Assim" de Zita Seabra.
quinta-feira, agosto 09, 2007
"O Acordo"
É um facto que durante a campanha eleitoral Sá Fernandes manifestou disponibilidade para um acordo com "as forças de esquerda" para viabilizar um governo da cidade. Contudo poucos se arriscariam a prever que o BE assinaria um acordo (sozinho!) com o PS, para constituir uma força minoritária de governo da Câmara Municipal de Lisboa - ainda não consegui perceber se o acordo abrangerá a Assembleia Municipal e as Freguesias.
Não partilho a tese que este acordo é uma traição para com as pessoas que votaram na candidatura proposta pelo BE, pois julgo que ainda ninguém percebeu realmente qual a génese sociológica dos votantes do BE, sob que forma é que se manifestam, nem se estarão ou não de acordo em que o BE assuma o papel de consciência crítica do regime neo-liberal (leia-se o que escreve o Rui Faustino sobre a Convenção do BE).
Contudo é irrefutável, por mais silêncios que se pretendam gerir, que há militantes do BE ou simples votantes, que se sentem traídas por este acordo.
Comecemos pelo passado, que como qualquer força política o BE começa a ter. Tal como nos recorda, o Rick Dangerous a última candidatura do BE à CML antes de Sá Fernandes, tinha uma linha estratégica clara de rejeição da candidatura da coligação PS/PCP (com princípios bem mais à esquerda do que a que foi preconizada por António Costa). Há seis anos a candidatura, encabeçada por Miguel Portas, dizia ser inaceitável qualquer tipo de alianças à esquerda pois considerava existirem projectos de cidade inconciliáveis. Então, Santana Lopes venceu as eleições com uma diferença sofrida, de menos de mil votos, tendo o BE obtido alguns milhares de votos sem que elegesse qualquer vereador.
Hoje, é Portas, Louçã e Pedro Soares (nº 2 da Candidatura e coordenador autárquico do BE-Lisboa) que vêm a terreiro de três em três dias defender o acordo como um dever de estado(comentando as declarações de Francisco Martins Rodrigues, comentando as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa e comentando as declarações de Joaquim Fortunato respectivamente).
Por outro lado, a tese que Daniel Oliveira procura defender no Arrastão, que com esta aliança o BE tenderá a ocupar o "espaço que vai da esquerda mais radical à esquerda reformista mais consequente" parece-me que ainda fragiliza mais a opção tomada - nunca, nem à esquerda nem à direita uma coligação favoreceu o partido menos votado.
Contudo a tese do Daniel Oliveira é válida e revela uma linha política que, metendo a foice em seara alheia, gostaria que fosse discutida por todos os militantes e simpatizantes do BE continuamente iludidos por folclores socialistas.
Eu que, conforme já o escrevi neste blogue, sempre vi o BE como o partido com o qual o PCP deveria trabalhar no sentido da construção de uma sociedade diferente, preciso que o BE se esclareça.
Um BE de esquerda, com socialistas, libertários e esquerdistas faz-me falta.
Um BE muleta do PS, consciência crítica do neoliberalismo ou como o PP da esquerda, não me faz falta.
[deixo para mais tarde a apreciação sobre o documento "Acordo sobre Políticas para Lisboa"]
Não partilho a tese que este acordo é uma traição para com as pessoas que votaram na candidatura proposta pelo BE, pois julgo que ainda ninguém percebeu realmente qual a génese sociológica dos votantes do BE, sob que forma é que se manifestam, nem se estarão ou não de acordo em que o BE assuma o papel de consciência crítica do regime neo-liberal (leia-se o que escreve o Rui Faustino sobre a Convenção do BE).
Contudo é irrefutável, por mais silêncios que se pretendam gerir, que há militantes do BE ou simples votantes, que se sentem traídas por este acordo.
Comecemos pelo passado, que como qualquer força política o BE começa a ter. Tal como nos recorda, o Rick Dangerous a última candidatura do BE à CML antes de Sá Fernandes, tinha uma linha estratégica clara de rejeição da candidatura da coligação PS/PCP (com princípios bem mais à esquerda do que a que foi preconizada por António Costa). Há seis anos a candidatura, encabeçada por Miguel Portas, dizia ser inaceitável qualquer tipo de alianças à esquerda pois considerava existirem projectos de cidade inconciliáveis. Então, Santana Lopes venceu as eleições com uma diferença sofrida, de menos de mil votos, tendo o BE obtido alguns milhares de votos sem que elegesse qualquer vereador.
Hoje, é Portas, Louçã e Pedro Soares (nº 2 da Candidatura e coordenador autárquico do BE-Lisboa) que vêm a terreiro de três em três dias defender o acordo como um dever de estado(comentando as declarações de Francisco Martins Rodrigues, comentando as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa e comentando as declarações de Joaquim Fortunato respectivamente).
Por outro lado, a tese que Daniel Oliveira procura defender no Arrastão, que com esta aliança o BE tenderá a ocupar o "espaço que vai da esquerda mais radical à esquerda reformista mais consequente" parece-me que ainda fragiliza mais a opção tomada - nunca, nem à esquerda nem à direita uma coligação favoreceu o partido menos votado.
Contudo a tese do Daniel Oliveira é válida e revela uma linha política que, metendo a foice em seara alheia, gostaria que fosse discutida por todos os militantes e simpatizantes do BE continuamente iludidos por folclores socialistas.
Eu que, conforme já o escrevi neste blogue, sempre vi o BE como o partido com o qual o PCP deveria trabalhar no sentido da construção de uma sociedade diferente, preciso que o BE se esclareça.
Um BE de esquerda, com socialistas, libertários e esquerdistas faz-me falta.
Um BE muleta do PS, consciência crítica do neoliberalismo ou como o PP da esquerda, não me faz falta.
[deixo para mais tarde a apreciação sobre o documento "Acordo sobre Políticas para Lisboa"]
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De regresso...
Em Lisboa prepara-se tudo, 2 anos de campanha, pelo meio um PDM e algumas decisões complicadas e anúncios estúpidos. Sá Fernandes com o PS e o BE em delírio. A Ordem que vai a votos, por enquanto, sem entusiasmar. O Benfica que vende as pérolas prognosticando-se mais uma temporada de sofrimento. Entretanto haverá uma ou outra reflexão sobre o atelier e sobre a necessidade de trabalhar fora de Portugal. Alto, que o principal motivo deste interregno chama mais uma vez: Papá!!!!!!!!
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Eleições na Ordem dos Arquitectos I
As eleições para a Ordem dos Arquitectos estão, pretensamente, ao rubro com candidatos que despontam por baixo de cada pedra que se levanta - o que não é bom nem mau...
Para já ainda há pouco a dizer, mas algo a lamentar.
As gerações mais jovens e enorme maioria dos associados da OA*, parecem continuar alheadas da participação na instituição para a qual disciplinadamente continuam a pagar 190,00 €/ano sem a fiscalizar, e a aceitar de uma forma mais ou menos silenciosa todas as decisões que dela provêem sem nela participar.
Será que, ao contrário de outros, não se apercebem da importância que a Ordem tem na sua vida actual, seja pela sua existência seja pelas suas ausências?
Será que a Margarida Pinho se revê no discurso de algum pré-candidato?
Iremos ficar por aqui?
* ver estudo "Inquérito à Profissão" realizado pelos investigadores do ICS: Manuel Villaverde Cabral (coordenador) e Vera Borges
DISCLAIMER:
Fiz parte do Conselho Directivo Nacional da OA nos dois últimos mandatos tendo desempenhado, nos três últimos anos, a função de Tesoureiro Nacional.
Concordo com o ponto dos Estatutos da OA que limita a dois mandatos (seis anos) o tempo de participação no mesmo orgão directivo da OA.
Para já ainda há pouco a dizer, mas algo a lamentar.
As gerações mais jovens e enorme maioria dos associados da OA*, parecem continuar alheadas da participação na instituição para a qual disciplinadamente continuam a pagar 190,00 €/ano sem a fiscalizar, e a aceitar de uma forma mais ou menos silenciosa todas as decisões que dela provêem sem nela participar.
Será que, ao contrário de outros, não se apercebem da importância que a Ordem tem na sua vida actual, seja pela sua existência seja pelas suas ausências?
Será que a Margarida Pinho se revê no discurso de algum pré-candidato?
Iremos ficar por aqui?
* ver estudo "Inquérito à Profissão" realizado pelos investigadores do ICS: Manuel Villaverde Cabral (coordenador) e Vera Borges
DISCLAIMER:
Fiz parte do Conselho Directivo Nacional da OA nos dois últimos mandatos tendo desempenhado, nos três últimos anos, a função de Tesoureiro Nacional.
Concordo com o ponto dos Estatutos da OA que limita a dois mandatos (seis anos) o tempo de participação no mesmo orgão directivo da OA.
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sexta-feira, julho 20, 2007
Eu sei que vou voltar... [actualização]
Para já deixo um cheirinho, para outros comentarem:
[video]
Será justo acrescentar que este video não é da autoria do atelier de Gonçalo Byrne, mas sim uma spot publicitário elaborado pelo promotor. Não pretendo com isto desvalorizar os seus conteúdos e a faceta arquitecto-estrela que nele está contida.
Acrescento ainda que discordo da análise que o Daniel Carrapa faz, quando desvaloriza e afasta este vídeo da análise/crítica do processo de projecto em curso.
[video]
Será justo acrescentar que este video não é da autoria do atelier de Gonçalo Byrne, mas sim uma spot publicitário elaborado pelo promotor. Não pretendo com isto desvalorizar os seus conteúdos e a faceta arquitecto-estrela que nele está contida.
Acrescento ainda que discordo da análise que o Daniel Carrapa faz, quando desvaloriza e afasta este vídeo da análise/crítica do processo de projecto em curso.
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quarta-feira, maio 02, 2007
Suspensão de actividade
O tempo vai escasseando.
Nas últimas semanas apareceram na minha vida novos desafios, que me levam a ter de abdicar de algumas coisas que me tomam tempo. Assim sendo o randomblog, suspenderá a sua actividade a partir de hoje. Talvez regresse aqui ou noutro lugar. A ver vamos.
Um abraço e agradecimento a todos os que se mantiveram atentos ao que ia escrevendo, nos últimos tempos de uma forma, cada vez mais, irregular.
Nas últimas semanas apareceram na minha vida novos desafios, que me levam a ter de abdicar de algumas coisas que me tomam tempo. Assim sendo o randomblog, suspenderá a sua actividade a partir de hoje. Talvez regresse aqui ou noutro lugar. A ver vamos.
Um abraço e agradecimento a todos os que se mantiveram atentos ao que ia escrevendo, nos últimos tempos de uma forma, cada vez mais, irregular.
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sexta-feira, abril 20, 2007
Afinal diz que era uma espécie de uma história muito mal contada
Nota de imprensa do PCP:
A propósito da noticia do DN hoje publicada sob o título «PCP veta “Gato”» o PCP entende esclarecer o seguinte:
● Só por absoluta inexactidão, ou declarada má fé, se pode atribuir ao PCP, como é intenção da peça, a atitude de veto de Ricardo Araújo Pereira a propósito da intervenção de um jovem em representação de organizações juvenis na iniciativa de comemoração do 25 de Abril.
● Em rigor o que se pode afirmar é que esta questão, a exemplo do que sucedeu com a inviabilização do acordo sobre o “Apelo” dos promotores, é expressão da atitude dos que, no quadro da comissão promotora, agiram para impedir nas comemorações quaisquer referências ou juízos críticos à acção do governo do PS.
● Na actual situação – de agravamento dos problemas dos jovens e em particular dos jovens trabalhadores, que a recente lei sobre trabalho temporário veio acentuar, e de que a acção de luta de jovens trabalhadores de 28 de Março foi expressivo testemunho – a JCP apresentou e defendeu, desde o primeiro momento, por razões de actualidade política, a proposta (que chegou a ser consensualizada embora com a ausência da JS) de um jovem dirigente sindical (Pedro Frias) para a referida representação. É na sequência do desacordo manifestado já em momento posterior pelo representante da Juventude Socialista a esta proposta que o nome de Ricardo Araújo Pereira é apresentado e defendido (três reuniões mais tarde) pela JS e o BE. Perante o desacordo destas organizações àquela proposta foi ainda adiantado em alternativa, por iniciativa da Interjovem o nome de Joana Bastos para eventual consideração.
● Foi a falta de consenso entre as várias organizações juvenis – indispensável no processo de construção de decisões da comissão promotora das comemorações do 25 de Abril – que inviabilizou o acordo necessário para a referida escolha.
● O sentido que o título do DN e a peça que o acompanha pretende atingir é assim manifestamente tendencioso. Com igual «rigor» o DN poderia ter titulado “PS(ou BE) veta jovem sindicalista”.
● É assim absolutamente falso que o PCP tenha “vetado” o nome de Ricardo Araújo Pereira. Para o PCP, a presença de todos quantos, como Ricardo Araújo Pereira, e tantos outros designadamente dos meios artísticos e culturais, se queiram associar às comemorações de Abril é sinal de uma desejável manifestação de vontade democrática de participação e dos afirmação de valores de Abril.
19.04.2007
O Gabinete de Imprensa do PCP
A propósito da noticia do DN hoje publicada sob o título «PCP veta “Gato”» o PCP entende esclarecer o seguinte:
● Só por absoluta inexactidão, ou declarada má fé, se pode atribuir ao PCP, como é intenção da peça, a atitude de veto de Ricardo Araújo Pereira a propósito da intervenção de um jovem em representação de organizações juvenis na iniciativa de comemoração do 25 de Abril.
● Em rigor o que se pode afirmar é que esta questão, a exemplo do que sucedeu com a inviabilização do acordo sobre o “Apelo” dos promotores, é expressão da atitude dos que, no quadro da comissão promotora, agiram para impedir nas comemorações quaisquer referências ou juízos críticos à acção do governo do PS.
● Na actual situação – de agravamento dos problemas dos jovens e em particular dos jovens trabalhadores, que a recente lei sobre trabalho temporário veio acentuar, e de que a acção de luta de jovens trabalhadores de 28 de Março foi expressivo testemunho – a JCP apresentou e defendeu, desde o primeiro momento, por razões de actualidade política, a proposta (que chegou a ser consensualizada embora com a ausência da JS) de um jovem dirigente sindical (Pedro Frias) para a referida representação. É na sequência do desacordo manifestado já em momento posterior pelo representante da Juventude Socialista a esta proposta que o nome de Ricardo Araújo Pereira é apresentado e defendido (três reuniões mais tarde) pela JS e o BE. Perante o desacordo destas organizações àquela proposta foi ainda adiantado em alternativa, por iniciativa da Interjovem o nome de Joana Bastos para eventual consideração.
● Foi a falta de consenso entre as várias organizações juvenis – indispensável no processo de construção de decisões da comissão promotora das comemorações do 25 de Abril – que inviabilizou o acordo necessário para a referida escolha.
● O sentido que o título do DN e a peça que o acompanha pretende atingir é assim manifestamente tendencioso. Com igual «rigor» o DN poderia ter titulado “PS(ou BE) veta jovem sindicalista”.
● É assim absolutamente falso que o PCP tenha “vetado” o nome de Ricardo Araújo Pereira. Para o PCP, a presença de todos quantos, como Ricardo Araújo Pereira, e tantos outros designadamente dos meios artísticos e culturais, se queiram associar às comemorações de Abril é sinal de uma desejável manifestação de vontade democrática de participação e dos afirmação de valores de Abril.
19.04.2007
O Gabinete de Imprensa do PCP
quinta-feira, abril 19, 2007
Geração
Sentido-me desafiado pelo desproposito para reabir o baú dos tesourinhos deprimentes da nossa cultura, recordo o texto que escrevi como resposta à revista em causa:
A REVOLTA DOS BÁRBAROS
O último "JA" de Janeiro, Fevereiro e Março de 2004, foi consagrado à "minha geração".
Até há bem pouco tempo considerava que o tema das gerações me estaria de alguma forma alheio. Não me conseguindo encaixar em nenhuma geração, parecia-me que a discussão seria mais de índole futebolística - tipo selecção nacional de Sub-17 vs Veteranos. Contudo a minha opinião inverteu-se quando, numa reunião de arquitectos, me foi dito que abordar a questão dos salários seria uma temática fracturante da classe, ao que respondi que para a "minha geração" fracturante seria não o abordar.
Assim este texto parte da seguinte premissa - ser jovem arquitecto, na actualidade, é uma condição social.
Lendo as diversas opiniões sobre a "minha geração", interessa-me sobretudo o texto do Alexandre Alves Costa que coloca uma série de questões de fundo em detrimento dos clichés habituais.
A reflexão do Alexandre Alves Costa é uma inteligente sinopse de vários momentos do séc. XX em que o 25 de Abril e o processo revolucionário subsequente se afirmam como denominador comum de toda a construção do texto.
A primeira questão que o texto me levanta é o facto da geração dos Filhos de Abril ainda não existir ou ser uma criança durante a Revolução. Ou seja, tenho dúvidas que para a construção de uma tese sobre uma determinada geração se possa partir de um elemento que ela fisicamente não presenciou.
Por mais que me custe dizê-lo, as primeiras memórias políticas da "minha geração" remontam aos Governos do Bloco Central ou de Cavaco , chegámos à arquitectura com a queda do Muro de Berlim, a divisão da União Soviética e com a Guerra do Golfo, e demos os primeiros passos na profissão com a Guerra dos Balcãs, Iraque II e Afeganistão. A "minha geração" não leu Althusser nem Breton, mas lê Naomi Klein, Negri, Virilio ou Arundhati Roy.
Poder-se-ia, contudo, dizer que esta geração não aproveitou as "portas que Abril abriu", as "liberdades" ou a "democracia", deixando-se enredar na trama dos individualismos - argumento com o qual até posso concordar. Mas julgo que o Alexandre também concordará que "as portas que Abril abriu" têm vindo passo a passo a ser fechadas (até ao último R) o que não poderá ser só imputável à "minha geração".
A "minha geração" viveu in situ a neoliberalização das Universidades, perdeu a guerra das propinas, e assistiu ao aumento exponencial das licenciaturas de arquitectura. Ao chegar ao mercado de trabalho vive neste regime de exploração que se agrava de dia para dia. Daí resulta a condição de que parti para este texto: ser jovem arquitecto em Portugal é uma condição social.
Dir-se-ia que somos culpados em aceitar salários de miséria, dir-se-ia que aceitar o trabalho não remunerado é promover a concorrência desleal, dir-se-ia que não o denunciar é deontologicamente questionável, dir-se-ia que somos burgueses e que se realmente precisássemos de sobreviver não aceitávamos esta condição.
Mas este fascismo social que as universidades instituem e o mercado aplaude , onde se impõe um mestre dizendo ao discípulo que ainda está sob aprendizagem, fazendo-o crer que a sua actividade produtiva não tem tradução em termos económicos, ou que tem de dar a alma ao ofício vendendo primeiro o corpo, directa após directa, não é mais do que uma escravatura dos tempos modernos.
Essa nova forma de fascismo é uma condicionante fundamental que marca toda uma geração e, isso não pode ficar à margem de uma análise da "minha geração".
Neste ponto tenho a certeza que tanto o e-studio (atelier do qual faço parte com mais 4 colegas) como o Atelier 15 concordam. É necessário um esforço tremendo a escritórios que não alinham neste fascismo quando concorrem em concursos contra outros que arregimentam um batalhão de estagiários.
Também me interessa os discursos que são feitos em torno das imagens - "não constituindo construção de alternativas metodológicas para o exercício disciplinar" .
Ora o problema das imagens, do 3D ou do Photoshop, não se põe para os ateliers constituídos pela nova geração. Esta geração domina essas ferramentas que surgem actualmente como uma forma de expressão e comunicação de uma ideia, tal como um esquisso. Na minha opinião o esquisso do Monumento às Associações de Moradores do Siza é tão virtual como o 3D da Casa do Voo dos Pássaros do Bernardo Rodrigues, sendo igualmente legítimos como forma de expressão de uma ideia arquitectónica.
Parece-me mais estranho é a utilização dos 3D's, Photoshop's e afins por parte de quem não domina directamente esses instrumentos, dando a outros a oportunidade de fazer a "imagem" daquilo que não lhes vai na alma.
Por último vem a constatação de que cada vez é maior o número de jovens arquitectos que se associam para abrir atelier. Divide-se as despesas numa primeira fase, fazem-se concursos, sobrevive-se. Pondo de lado a vontade de estrelato de que tanto somos acusados, baralham o sistema quando se assumem com um nome de grupo (Auz, a.s*, Emitflesti ou Stereomatrix), em detrimento das individualidades. Um atelier da contemporaneidade é cada vez mais o produto de quem nele trabalha e não das estrelas que o encabeçam.
A última estação é a Esperança, claro. Olhar para o rol de quinze escolhidos e ver que muitos ficaram de fora. E assim se fará a revolta dos bárbaros!
1. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.
2. Chamo Filhos de Abril pois esta denominação parece-me mais correcta que a de Geração X - retirado de um livro publicado há 13 anos, sobre uma geração dos Anos 80
3. Só assim Mário Soares ou Freitas do Amaral podem ser vistos hoje como adeptos dos movimentos anti-globalização
4. Muitas vezes o Mercado e a Universidade até são a mesma pessoa.
5. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.
A REVOLTA DOS BÁRBAROS
O último "JA" de Janeiro, Fevereiro e Março de 2004, foi consagrado à "minha geração".
Até há bem pouco tempo considerava que o tema das gerações me estaria de alguma forma alheio. Não me conseguindo encaixar em nenhuma geração, parecia-me que a discussão seria mais de índole futebolística - tipo selecção nacional de Sub-17 vs Veteranos. Contudo a minha opinião inverteu-se quando, numa reunião de arquitectos, me foi dito que abordar a questão dos salários seria uma temática fracturante da classe, ao que respondi que para a "minha geração" fracturante seria não o abordar.
Assim este texto parte da seguinte premissa - ser jovem arquitecto, na actualidade, é uma condição social.
Lendo as diversas opiniões sobre a "minha geração", interessa-me sobretudo o texto do Alexandre Alves Costa que coloca uma série de questões de fundo em detrimento dos clichés habituais.
A reflexão do Alexandre Alves Costa é uma inteligente sinopse de vários momentos do séc. XX em que o 25 de Abril e o processo revolucionário subsequente se afirmam como denominador comum de toda a construção do texto.
A primeira questão que o texto me levanta é o facto da geração dos Filhos de Abril ainda não existir ou ser uma criança durante a Revolução. Ou seja, tenho dúvidas que para a construção de uma tese sobre uma determinada geração se possa partir de um elemento que ela fisicamente não presenciou.
Por mais que me custe dizê-lo, as primeiras memórias políticas da "minha geração" remontam aos Governos do Bloco Central ou de Cavaco , chegámos à arquitectura com a queda do Muro de Berlim, a divisão da União Soviética e com a Guerra do Golfo, e demos os primeiros passos na profissão com a Guerra dos Balcãs, Iraque II e Afeganistão. A "minha geração" não leu Althusser nem Breton, mas lê Naomi Klein, Negri, Virilio ou Arundhati Roy.
Poder-se-ia, contudo, dizer que esta geração não aproveitou as "portas que Abril abriu", as "liberdades" ou a "democracia", deixando-se enredar na trama dos individualismos - argumento com o qual até posso concordar. Mas julgo que o Alexandre também concordará que "as portas que Abril abriu" têm vindo passo a passo a ser fechadas (até ao último R) o que não poderá ser só imputável à "minha geração".
A "minha geração" viveu in situ a neoliberalização das Universidades, perdeu a guerra das propinas, e assistiu ao aumento exponencial das licenciaturas de arquitectura. Ao chegar ao mercado de trabalho vive neste regime de exploração que se agrava de dia para dia. Daí resulta a condição de que parti para este texto: ser jovem arquitecto em Portugal é uma condição social.
Dir-se-ia que somos culpados em aceitar salários de miséria, dir-se-ia que aceitar o trabalho não remunerado é promover a concorrência desleal, dir-se-ia que não o denunciar é deontologicamente questionável, dir-se-ia que somos burgueses e que se realmente precisássemos de sobreviver não aceitávamos esta condição.
Mas este fascismo social que as universidades instituem e o mercado aplaude , onde se impõe um mestre dizendo ao discípulo que ainda está sob aprendizagem, fazendo-o crer que a sua actividade produtiva não tem tradução em termos económicos, ou que tem de dar a alma ao ofício vendendo primeiro o corpo, directa após directa, não é mais do que uma escravatura dos tempos modernos.
Essa nova forma de fascismo é uma condicionante fundamental que marca toda uma geração e, isso não pode ficar à margem de uma análise da "minha geração".
Neste ponto tenho a certeza que tanto o e-studio (atelier do qual faço parte com mais 4 colegas) como o Atelier 15 concordam. É necessário um esforço tremendo a escritórios que não alinham neste fascismo quando concorrem em concursos contra outros que arregimentam um batalhão de estagiários.
Também me interessa os discursos que são feitos em torno das imagens - "não constituindo construção de alternativas metodológicas para o exercício disciplinar" .
Ora o problema das imagens, do 3D ou do Photoshop, não se põe para os ateliers constituídos pela nova geração. Esta geração domina essas ferramentas que surgem actualmente como uma forma de expressão e comunicação de uma ideia, tal como um esquisso. Na minha opinião o esquisso do Monumento às Associações de Moradores do Siza é tão virtual como o 3D da Casa do Voo dos Pássaros do Bernardo Rodrigues, sendo igualmente legítimos como forma de expressão de uma ideia arquitectónica.
Parece-me mais estranho é a utilização dos 3D's, Photoshop's e afins por parte de quem não domina directamente esses instrumentos, dando a outros a oportunidade de fazer a "imagem" daquilo que não lhes vai na alma.
Por último vem a constatação de que cada vez é maior o número de jovens arquitectos que se associam para abrir atelier. Divide-se as despesas numa primeira fase, fazem-se concursos, sobrevive-se. Pondo de lado a vontade de estrelato de que tanto somos acusados, baralham o sistema quando se assumem com um nome de grupo (Auz, a.s*, Emitflesti ou Stereomatrix), em detrimento das individualidades. Um atelier da contemporaneidade é cada vez mais o produto de quem nele trabalha e não das estrelas que o encabeçam.
A última estação é a Esperança, claro. Olhar para o rol de quinze escolhidos e ver que muitos ficaram de fora. E assim se fará a revolta dos bárbaros!
1. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.
2. Chamo Filhos de Abril pois esta denominação parece-me mais correcta que a de Geração X - retirado de um livro publicado há 13 anos, sobre uma geração dos Anos 80
3. Só assim Mário Soares ou Freitas do Amaral podem ser vistos hoje como adeptos dos movimentos anti-globalização
4. Muitas vezes o Mercado e a Universidade até são a mesma pessoa.
5. Costa, Alexandre Alves. "Os Modernos são em geral superiores aos antigos." Jornal dos Arquitectos, Janeiro, Fevereiro e Março 2004, pp. 8-13.
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