terça-feira, junho 17, 2008

Números do Tratado de Lisboa

1% dos europeus (irlandeses) decidiu rejeitar o Tratado de Lisboa que 0.0001% (governantes) dos europeus procurava impor a todos.

sexta-feira, junho 13, 2008

Marvila ganhou as Marchas Populares

Nunca fui ver as marchas e, ao contrário do Daniel, não sou grande apreciador da coisa. Contudo a vitória de Marvila tem um significado político. Uma das freguesias mais ignorada pela autarquia (ora PSD ora PS+BE), cujos bairros têm sido motivo das mais diversas negociatas de contornos obscuros por parte dos governos do bloco central e com um presidente da junta que olimpicamente ignora as reais preocupações da sua população, é o centro das mais activas organizações populares da cidade.
Parabéns aos seus activistas de Marvila nas Marchas e na vida!

Irlandeses bloqueiam carreira de Sócrates


Via Zero de Conduta

Hoje somos todos irlandeses

Por agora, parece que o não venceu na Irlanda. Um povo, votando por todos os povos da Europa, conseguiu atingir de uma forma contundente a Europa das 65 horas semanais de trabalho. Mas as coisas não deverão ficar por aqui...

Mas que esquerda é esta, amigo?

" Lisboa: hipermercado «compra» Jardim da Estrela"

quinta-feira, junho 12, 2008

Tratado de Lisboa

O Tratado de Lisboa vai a votos.
Na sequência da crescente atmosfera de redução dos direitos dos trabalhadores (com a possibilidade de aumento de número de horas de trabalho), da descredibilização e incompetência dos governantes, da crise do petróleo e dos alimentos, os regimes europeus num golpe palaciano e anti-democrático, decidiram fugir ao sufrágio popular do referido Tratado.
Apenas na Irlanda resiste uma réstia de esperança (de quem não concorda com o Tratado ou de quem, concordando com o Tratado, preza os procedimentos democráticos), que o Não vença.
Hoje, na Irlanda, decide-se o futuro da Europa e de Portugal.

domingo, junho 08, 2008

Eles vêm aí outra vez

Militantes do PS tentam controlar palavras de ordem de manifestação

Diz-nos a Lusa, num texto intitulado "Corrente socialista combaterá "sem hesitação tentativas de instrumentalização" do sindicalismo por forças políticas" que a corrente da CGTP composta por militantes do PS não concordou com a palavra de ordem "Está na hora, está na hora do governo se ir embora".
O que estava acordado segundo Carlos Trindade era a palavra de ordem: "Está na hora, está na hora desta política se ir embora".
Numa altura em que milhões de portugueses já contestam abertamente esta maioria absoluta, nos mais diversos sectores, ainda há gente que procura adornar as virgulas. Caso o governo fosse do PSD será que Carlos Trindade se preocuparia com a referida palavra de ordem?
Para além da palavra de ordem (que apenas Carlos Trindade e uns quantos militantes do PS desejariam gritar) não ter uma métrica fácil e em última análise querer dizer sensivelmente a mesma coisa que os militantes do PS não queriam que os 200 mil gritassem, as suas declarações aos jornalistas atribuindo esta situação a uma instrumentalização do PCP é uma atitude sectária e uma clara tentativa de controlo da manifestação.

sábado, junho 07, 2008

A gestão do Espaço Público municipal e a cedência da Praça das Flores pelo Vereador Sá Fernandes

Os Vereadores do PCP na CML
Lisboa, 3 de Junho de 2008

Os jornais têm noticiado duas novidades na gestão de Espaços Verdes da responsabilidade do vereador José Sá Fernandes: a primeira, é a cedência pela CML da Praça das Flores para uma realização privada publicitário-comercial de grande aparato e duas semanas de duração (lançamento de um novo modelo de automóvel) a que ridícula e inadequadamente o Vereador chama «parceria público-privada» e a segunda é a perspectiva destas operações se virem a repetir noutros jardins de Lisboa.

Ausência de informação à Câmara
Uma primeira nota negativa deste caso da Praça das Flores é, desde logo, o facto de nem sequer na sessão de quarta-feira passada o mesmo vereador ter informado a CML do que se estava a preparar, sendo evidente que nessa altura todo o negócio estaria ajustado. O carácter discutível da operação, os montantes financeiros envolvidos (150 000 euros), os prejuízos e incómodos causados à população seriam outros tantos motivos que exigiriam a consulta da Vereação, acrescendo ainda que é referida a «recuperação» do jardim pelo concessionário automobilístico, que evidentemente se imporia pelos danos que serão provocados no local.

Uma zona sitiada
Interessa sublinhar que os prejuízos para os munícipes residentes na área são reais: uma praça de grande equilíbrio urbanístico, mas de dimensões relativamente reduzidas, será objecto de enorme espalhafato de movimentações e equipamentos, proibições de acessos, alterações de circulação de pessoas e viaturas (incluindo transportes públicos), instalação de aparelhagens sonoras, até mesmo dificuldades no acesso ao comércio local, nomeadamente a farmácia ali existente.
Acrescente-se que não foi dada qualquer informação aos habitantes e comerciantes da área, muito menos a questão foi com eles discutida, nem pela Câmara Municipal, nem sequer pela Junta de Freguesia das Mercês, de resto, discutível participante no negócio.
Tudo isto se passa exactamente quando a CML mantém sobre taxas de ruído e de ocupação de espaço público um absurda conflito com as colectividades populares organizadoras dos arraiais populares tradicionais de Junho, pondo em muitos casos em causa a sua realização.

Posição dos Vereadores do PCP
Os Vereadores do PCP questionam este modelo de gestão e levantarão esta questão na próxima sessão de Câmara, embora em tal momento a operação publicitária esteja concluída (o que, relacionando com o silêncio do Vereador Sá Fernandes na última reunião, não deixa de ser significativo). Das conclusões a que se chegar e das decisões que a realidade venha a aconselhar, os Vereadores do PCP darão público conhecimento – e em especial aos moradores afectados – tendo em vista que, abusos de poder deste tipo e a utilização dos espaços verdes da Cidade em operações de carácter privado e de mais que duvidosa legitimidade e relevância para o interesse público, se venham a repetir.

Novo Benfica


No dia em que joga a selecção, em que Quim foi afastado e em que Moreira não foi convocado aqui fica o blogue do Novo Benfica.

+ Praça das Flores | seja feita a tua vontade:

olá,
A Câmara Municipal de Lisboa e os seus vereadores marco perestrello e josé sá fernandes acharam por bem alugar a Praça das Flores, durante 17 dias, a uma marca de automóveis, a Skoda. Durante estes 17 dias, a Skoda realizará várias festas nocturnas de lançamento internacional de um seu novo modelo automóvel, ocupando ininterruptamente a praça. As pessoas - transeuntes, população do bairro, turistas - não poderão ter acesso à praça entre as 17h e a 01h, período durante o qual decorre a festa privada da Skoda. Uma parte de estrada está vedada e o jardim está todo ele vedado, com gradeamento disfarçado de arbustos. Existem uns seguranças privados à 'porta' (?!?) do jardim e muita polícia. Existiram já confrontos entre a polícias e os habitantes, com dois destes a serem levados para a esquadra. As festas sucessivas fazem barulho sucessivo, noite após noite. O comércio local (excepto os restaurantes e cafés mais finos que estão instalados na praça e que estão abertos apenas para os convidados-skoda) está a ser prejudicado, segundo os próprios. MAS, mais importante, há um sentimento de revolta pela privatização do espaço público que está em curso (ou, como dizia um vizinho, 'quem tem o pilim é quem manda aqui nos joaquim').
Os moradores e os comerciantes, entre a revolta e o conformismo, estão a pensar organizar algumas coisas de que darei conta assim que tiver mais informação.
Entretanto, peço-vos que divulguem esta situação.
um abraço
zé neves

ps - o meu interesse nisto é triplo: como eleitor e apoiante do sá fernandes, tenho algum peso acumulado na consciência face a tudo isto; sou morador, embora o barulho não chegue à minha rua; e, por fim, tenho um preconceito ideológico que me leva a achar que os espaços públicos devem ser comunizados em vez de serem privatizados.

Praça das Flores, símbolo de resistência

Sendo a cidade, desde a sua constituição enquanto tal, o centro das mais importantes dinâmicas sociais transformadoras e de reunião das populações, as praças e espaços públicos são o primeiro elemento urbano que os regimes autoritários tendem a procurar dominar.
A venda temporária da Praça das Flores a uma empresa de automóveis, por despacho conjunto dos vereadores Perestrello (PS) e Sá Fernandes (BE), para além de impedir o direito ao descanso de quem vive nas sua imediações atenta contra o direito à livre utilização do espaço público. Nenhuma eleição legitima esta venda.

sexta-feira, junho 06, 2008

quarta-feira, junho 04, 2008

Revogação parcial DL 73/73

Uma vergonha.
A primeira Iniciativa Legislativa Popular, subscrita por 35.000 cidadãos e há mais de 2 anos a aguardar nos corredores da Assembleia da República, corre o risco de ser chumbada pela maioria absoluta que nos governa.
Esperam, os deputados socialistas, por uma legislação mais lata... mais global... mais tudo... mais anos, digo eu.
Nada de novo, ou nada que não fosse espectável.
Mas, ao menos, que seja votada!

segunda-feira, junho 02, 2008

O Rock in Rio da Esquerda


Imagem via Arrastão [link corrigido]

Regressado das trevas da maioria absoluta, Manuel Alegre ir-se-á revelar de esquerda em concerto bloquista.

Boicote


via Troll Urbano

É impressão minha ou a Galp está a fazer publicidade como nunca.
Na passada semana recebi uma carta em casa. Sinto-me honrado e importante. Fez-me ficar com a sensação que se não pusesse gasolina 1, 2 e 3 de Junho, lhes provocava um rombo.

P.s. - acho vergonhoso utilizarem, no anúncio da rádio, um cântico do glorioso. Todos os benfiquista se deverão indignar!

sábado, maio 31, 2008

Coisas várias

Este blogue não morreu. Eu é que tenho andado com muito que fazer e pensar... Coisas "comezinhas".
Na próxima 4ª Feira irei à Assembleia da República, como subscritor da primeira Iniciativa Legislativa de Cidadãos sobre a revogação parcial do DL 73/73 - já passaram 3 anos! Escreverei sobre o assunto.

quarta-feira, maio 14, 2008

Sócrates e Pinho fumaram...

Após este pedido de desculpas, por uma "polémica" que põe em causa a nação, decidi escrever um pedido de desculpas à EMEL. Pode ser que pegue.

domingo, maio 04, 2008

Maio de 68


Durante este mês celebra-se os 40 anos do mês que abalou o mundo. Estudantes e operários conseguiram, por um mês, trazer o poder para a rua. Paris viveu uma das épocas mais criativas e de maior desenvolvimento cultural, que marcou toda uma geração. Depois, com a "democracia do papel na urna de «X» em «X» anos" o poder conseguiu aniquilar a força do povo, conquistando para o seu lado alguns dos mais fervorosos "anarquistas".

Daniel Cohn-Bendit, popularizado por uma triste frase de Marchais(PCF), ao mesmo tempo que é um símbolo dos estudantes do Maio de 68 também simboliza a forma como o capital consegue integrar e corromper para continuar a sua marcha. O antigo "Dany le Rouge" é hoje um euro-deputado bem sucedido e que, no seu site pessoal, se indigna contra aqueles que apelida de serem da extrema-esquerda do seu partido, por não o quererem novamente como candidato (ver o video).

Os percursos de traição não estragam nem diminuem o carácter revolucionário desses dias que actualmente se comemoram.
Sous les pavés la plage!

sábado, abril 26, 2008

25 de Abril de 1974

Há 34 anos não era nascido - aliás, fazendo as contas às 40 semanas, constatei recentemente que terei sido produzido 3/4 semanas após o 28 de Novembro de 1975.
Contudo aqui fica o interessante testemunho do Vitor Dias, à data, preso em Caxias.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril

Hoje saímos à rua.
Subimos aos Mártires da Pátria, descemos a Rua das Pretas e desfilamos na Avenida.
Vamos vendo amigos, sabendo deles (e de outros) e conversando sobre a situação.
É 25 e é Abril.
Viva!

Sempre



"Este é de 1976. Tem 32 anos... Espero que ainda esteja vivo.
Bj Pai"

quinta-feira, abril 24, 2008

Vergonha na Assembleia Municipal de Lisboa

Utilizando uma maioria de deputados municipais (em que os lisboetas há muito não se revêm) PSD e CDS, chumbaram a proposta do PCP em atribuir o nome de uma rua na parte oriental da cidade, ao artista plástico Rogério Ribeiro.

[ver aqui]

sexta-feira, abril 18, 2008

World Wrestling Entertainment


Só uma luta a sério, fará com que o PSD volte a conquistar as atenções dos portugueses porque, politicamente, o PS de Sócrates já ocupou o seu espaço político.

terça-feira, abril 15, 2008

Enrico Berlinguer

Hoje, por motivos óbvios, devo recordar Berlinguer.
Nunca percebi bem o "eurocomunismo", por que se batia e, sobretudo, contra o que se batia. Com as últimas eleições em Espanha e Itália, eventualmente terá concluído o seu ciclo histórico.

Bem a propósito, descobri uma impressionante reportagem no You Tube, sobre o seu funeral:

Bandabardo - Beppeanna

Esquerda travestida, acaba sempre falida!

Além de vencer, Berlusconi levou tudo, os anéis e os dedos dos Italianos. Mas este post não é sobre Berlusconi, mas sobre a esquerda.
A esquerda foi abalroada. A fraca prestação do Governo Prodi e a sua continua cedência aos partidos ditos de centro (que o fizeram cair), mais uma vez, revelou-se um logro. Veltroni, presidente da Câmara de Roma, nem na sua região conseguiu vencer. A Rifondazione Comunista coligada com os Verdes e o Partido dos Comunistas Italianos, atrás dum arco-iris e sem a foice e o martelo, ficou, pela primeira vez, de fora do Parlamento e do Senado, perdendo 3/4 dos seus votantes. O partido sósia do Bloco de Esquerda, a Sinistra Crítica, pouco fez se não retirar uns votos aqui e ali.
A Itália é dos países que conheço no qual a consciência política é maior. Falo com um amigo italiano, que me faz a lista dos amigos de esquerda que não foram votar. Estão "incazzati con la sinistra", diz.

[resultados no site do La Repubblica]

sábado, abril 12, 2008

Fernando Chalana

Chalana terá chorado após a derrota na Luz diante a Académica. "Há dias assim", disse.
Esta é a explicação que só um benfiquista pode aceitar. Vimos jogar Chalana, tantas vezes bem (poucas mal), e não esquecemos o seu coração.
Chalana, ao menos, põe a equipa a jogar.
Fica Chalana.

Zandiguismo Benfiquista

Escrevo pouco sobre futebol, mas a 17 de Agosto do ano passado escrevi o seguinte:

"Chegada a hora do início de mais uma temporada de bola, aqui ficam os "bitaites", deste fervoroso benfiquista:
Devolver à procedência: Butt, Luís Filipe (caso Nelson fique), Stretenovic, Bergessio e Freddy Adu, esperando ainda para ver o que fazem Diáz e Di Maria.
Fazer regressar: Rui Nereu para terceiro guarda-redes, João Pereira para disputar o lugar com Nelson, os defesas centrais José Fonte ou Hugo Carreira e Nunes (Málaga) ou Manuel do Carmo (PSV Eindhoven) e os médios João Coimbra, Tiago Gomes e Hélio Roque(emprestados).
Recuperar jogadores do plantel tais como: Moreira, Manú, Nuno Assis e Yu Dabao
Não querendo fazer todas estas mexidas, diria que a única e quase unanimemente considerada como vital será a substituição de Fernando Santos, cujos estragos já se começam a equivaler aos dos tempos de Artur Jorge.
Para o substituir, deixemo-nos de tretas, e contrate-se o enorme Diamantino (que com a passagem a treinador ganhou o direito a também utilizar apelido) Miranda. Mantendo Chalana e regressando Diamantino, pudemos também ter garantido que o Benfica não perderá escandalosamente com a equipa de segundo escalão que este brilhante jogador do Benfica dos Anos 80 estiver a treinar."


Não é nada de especial prever os jogadores que não iam ter sucesso no Benfica (o único meio-erro é o Di Maria, que se revela um bom jogador). Contudo escrevo este post pelo treinador.
Os cobres que o Benfica teria/irá poupar caso lessem/leiam este blogue...

Coligações

Concordo com a análise que o Rui Tavares faz sobre as perspectivas eleitorais para 2009 (se nada de especial acontecer entretanto) mas discordo das suas conclusões.
O cenário que o BE (ou o PCP), num governo de maioria PS, pode vir a dar a mudança para um "horizonte plausível" parece-me absolutamente errada - aliás esta tese também já foi defendida recentemente pelo Daniel Oliveira (aqui e aqui) e pelo Bernardino Aranda.
Poderia começar por uma argumentação corrente, procurando provar que, pelas políticas praticadas se chega à conclusão que o PS não é um partido de centro-esquerda. Mas nem vou por aí.
O que me parece evidente, é que actualmente as cúpulas do PS, não está agregadas por uma identidade política comum - seja ela de esquerda ou de direita. A maioria dos dirigentes do PS, são-no, por representarem interesses individuais, particulares ou privados e as suas decisões políticas fundamentais são tomadas em função desses interesses.
Desta forma estamos num impasse. Se a história nos diz que organizações políticas de espectros opostos, conseguem fazer pontes para tomadas de decisão concretas, também nos diz que coligações, como a que alguns simpatizantes/militantes do BE começam a defender, derivam em "lodaçais" (recordando a expressão de Guterres) que acabam por atingir todos - veja-se as "Mãos Limpas" em Itália.

Esquerda nem vê-la...

"António Costa passa testemunho a Correia de Campos"

quarta-feira, abril 09, 2008

Menomale che c'è Zé

Confesso que penso que a reportagem sobre José Sá Fernandes tem mais de anedótico do que de conteúdo político. À partida pensei que a coisa até tivesse sido produzida lá no gabinete, a voz do narrador parece ser de um português, mas se um amigo me diz que não, eu acredito.
Contudo, depois de ver o filme de Berlusconi, não resisto a pô-lo ao lado da reportagem sobre Sá Fernandes, que só peca por não ser cantada:


Parte I


Parte II

Lá chegaremos [actualização]



[actualização]
Recebido por email de Aqui quem fala sou eu

Pensando bem...

terça-feira, abril 08, 2008

Coligações ou o preço do poder?

A propósito da eterna questão "coligações" que o Bernardino levanta nos comentários ao meu post "A internacionalização de Sá Fernandes ou a esquerda perdida" tenciono, em breve, escrever sobre a matéria.

segunda-feira, abril 07, 2008

Solidariedade



O Pedro Jorge, electricista interveio no Programa Prós e Contras de dia 28 de Janeiro. De uma forma simples e crua pôs a nu a arrogância e meiocridade do tecido empresarial protuguês, representado por quem nos governa e se senta à sua mesa.
O Pedro enfrenta um processo disciplinar por delito de opinião.

segunda-feira, março 31, 2008

Jaime Gama

Diz-nos o Público de hoje que os militantes do PS Madeira estão indignados com os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim. Nada de novo debaixo do sol. Tanto Gama como Jardim, ao longo dos últimos 30 anos, representam o que de pior tem a política, por isso, defendem-se mutuamente.
Para os jornalistas mais atentos, sugiro que investiguem as eventuais ligações de Jaime Gama à Fundação D. Pedro IV e ao Eng. Canto Moniz - e não digam que fui eu que disse. Como dizia o outro, quem se mete com o PS, leva.

sábado, março 29, 2008

China e o Tibete

Comecemos por referir que não há nada que me desperte especial interesse pelo regime chinês. Diria mais, o facto de se intitularem comunistas (embora cada vez menos) incomoda-me, não me agrada que o PC Chinês participe na Festa do Avante e não vejo que da experiência chinesa se possa retirar qualquer experiência interessante para a construção da democracia avançada, e comunista, que o PCP defende.
Também não compreendo as declarações, mais ou menos embaraçadas de alguns dirigentes do PCP sobre a situação no Tibete até porque, historicamente, o PCP e o PC Chinês nunca estiveram próximos.
Contudo, admito, que não sei o suficiente sobre o Tibete para defender a sua autonomia ou o inverso, embora não embarque numa tese só porque um líder religioso o defende. Para que se perceba alguma coisa sobre o tibetanos e o Dalai Lama, aconselho vivamente o texto do André Levy sobre a matéria.

Vara... Lello... Canas...

Este texto, escrito por João Paulo Guerra, no Diário Económico tem vindo a circular pela blogosfera. Associo-me à divulgação de mais uma pouca vergonha. Desta vez é sobre o "socialista" Vitalino Canas.

Mudança
por João Paulo Guerra

O Diário de Notícias de ontem publicou uma interessante comparação entre a legislação laboral tal como os socialistas a defendiam, enquanto oposição ao governo PSD/CDS, e aquilo que o PS agora preconiza na qualidade de governo.
O que pode concluir-se da comparação é que diversas medidas do Código Laboral de Bagão Félix, então criticadas na declaração de voto dos socialistas, são agora ultrapassadas em diversos aspectos anti-laborais pelo próprio PS.
O que é que mudou nestes cinco anos? O carácter das relações entre o capital e o trabalho, as regras dominantes da economia, a relação entre poder económico e político? O que mudou foi o PS. Aliás, vários acontecimentos da vida política centraram-se nestes últimos cinco no supremo desígnio de liquidar o PS que havia.
Em muitas questões essenciais, o actual PS e o PSD são gémeos separados à nascença. Mas há um aspecto fulcral que os distingue: o PS tem mais facilidade em fazer a vida negra ao mundo do trabalho que a direita propriamente dita. Ou seja: o PS liquida direitos laborais em nome dos trabalhadores o que, por razões históricas e de registo de patente política, condiciona a contestação às suas políticas. Na oposição, o PS capitaliza a contestação às mesmíssimas políticas que, uma vez no governo, põe em prática. Esta regra teve um hiato excepcional durante a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues, “ministro dos pobres” no governo e contestatário consequente da política laboral da direita na oposição. Arrumado politicamente Ferro Rodrigues, mais nenhum obstáculo se levantou a que o PS faça no governo igual ou pior que aquilo que critica à direita quando está na oposição. Chamem à mudança “cabala” ou outro palavrão qualquer.

A internacionalização de Sá Fernandes ou a esquerda perdida

O vídeo do herói português na Aljazeera (podem-no encontrar aqui), a polémica das ventoinhas e a ausência na votação sobre a entrega da Medalha da Cidade a Durão Barroso, são mais sinais do lamentável equívoco que o BE e os seus apoiantes continuam a tentar esconder.

Se é para escolher assim, preferia o Rui Costa

Começo a minha participação neste blogue, não escrevendo directamente sobre a Baixa projectada por Manuel da Maia e Eugénio dos Santos, mas de uma realidade que muito a condiciona: a Frente Ribeirinha.
Não é novo o interesse de iminentes advogados da nossa praça por Lisboa. Também não é novo que esse interesse apareça com uma retórica de militância e de desinteresse pelos valores terrenos, associados à ideia de um D. Sebastião "que faz falta".
Hoje, pode ler-se no Público (edição impressa mas em parte referido aqui) que José Miguel Júdice «ameaçou Sócrates de abandonar a Zona Ribeirinha» caso não obtivesse uma data para a constituição das respectivas sociedades gestoras. A notícia refere ainda, citando o famoso advogado, que «se o Presidente [da República] puser obstáculos, deixarei de fazer parte da sociedade", que chefiará a título gracioso».
Esta história também já não é nova, dado que durante a campanha eleitoral António Costa havia apresentado José Miguel Júdice como o único cidadão de Lisboa capaz de levar por diante este enorme desafio.
Eu, arquitecto (e provavelmente tendencioso), sempre me interroguei se não seria melhor nomear alguém que tivesse alguma coisa a ver com o planeamento de cidade, que tivesse conhecimentos técnico-científicos sobre as frentes ribeirinhas (lembrei-me das inúmeras teses de doutoramento e mestrado que existem sobre a frente ribeirinha de Lisboa) ou que o modelo de intervenção territorial fosse objecto de uma discussão pública sendo a nomeação decorrente desse processo. Mas não.
Imediatamente após a vitória de António Costa e, por designação do primeiro-ministro, José Miguel Júdice foi nomeado, aparecendo contra ventos e marés como o promitente salvador da nossa mal tratada frente ribeirinha.
É óbvio, que a perspicácia de Júdice não deve ser desvalorizada. Prevenindo eventuais críticas, conseguiu introduzir na notícia do Público algumas notas sobre os seus conhecimentos: «neste ano que passou dedicou "mais de 350 horas a estes assuntos". Sem quaisquer custos para o erário, sublinhou, visitou zonas ribeirinhas requalificadas na Europa, no Japão e nos Estados Unidos».
Contudo, após esta entrevista/notícia do Público há algo que me deixa muito preocupado. Embora, à primeira vista, seja do agrado de todos a forma militante como alguns advogados têm arregaçado as mangas para trabalhar em prol da nossa cidade, não deixo de me preocupar como irão sobreviver.
Como me parece evidente, José Miguel Júdice, a partir do momento que assuma funções como Presidente do Conselho de Administração da Sociedade para a Reabilitação da Frente Ribeirinha, deverá terminar toda e qualquer relação comercial que tenha (a título individual ou através das empresas em que participa) com operadores que actuem na zona ou que estejam interessados em actuar, o que lhe resultará num prejuízo.



De qualquer forma, se era para escolher assim (alguém que todos conhecêssemos, que tivesse capacidade económica para desempenhar o cargo sem remuneração, e que não implicasse ter os conhecimentos técnico-científicos para o cargo) preferia que tivesse sido nomeado o Rui Costa.
Em primeiro lugar, tendo António Costa sido eleito por apenas 56.751 eleitores dos 524.248 inscritos, a nomeação de uma referência benfiquista aumentaria consideravelmente a sua base social de apoio. Em segundo lugar porque, estando Rui Costa num momento de alteração de carreira, esta nomeação não lhe implicaria tanto com a vida, como aparentemente irá suceder com José Miguel Júdice. Por último, diria que com a nomeação de Rui Costa, se houvesse interesses para favorecer, poderíamos estar descansados que o Benfica estaria na primeira linha - o que nos faria viver mais felizes!

publicado no Observatório da Baixa

Observatório da Baixa

O Observatório da Baixa constituiu-se recentemente. Também irei participar.

sábado, março 22, 2008

Arquitectura ou um futuro desperdiçado

Estando a arquitectura longe de ser um novo ofício, o “Relatório - Profissão: Arquitecto/a” [2006] - organizado pelo Instituto de Ciências Sociais e realizado Manuel Villaverde Cabral (coord.) e Vera Borges, publicado pela Ordem dos Arquitectos, revela uma profissão muito jovem e tendencialmente feminina. Concentremo-nos na análise do acesso à profissão dos primeiros, com o conhecimento que a maioria dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos e que cerca de dois terços ainda não terá atingido os 40, de acordo com o referido estudo. Partamos do principio, sem nos preocuparmos em fazer a sua demonstração nestas curtas linhas, que o acesso à profissão é difícil, moroso e destruidor do potencial que o país criou nas universidades.
Perante a precária situação dos jovens arquitectos em Portugal, há uma corrente justificativa que se centra, genericamente, em dois argumentos: 1) as universidades estão longe das necessidades do mercado preparando mal os seus licenciados; 2) no país há arquitectos a mais.
Comecemos pela primeira questão. Sendo uma argumentação de carácter marcadamente ideológico, interroguemo-nos se a academia deve servir o mercado. Veja-se os exemplos recentes das licenciaturas em gestão, em grande destaque nos anos 90, e actualmente máquinas produtoras de licenciados para o fundo de desemprego. Como qualquer teórico do neoliberalismo defende, o mercado é veloz e modifica-se em tempos muito inferiores a de uma licenciatura.
Por outro lado, em Portugal, o Estado ainda é um dos principais agentes de educação de nível superior devendo, à partida, qualificar os seus cidadãos para que intervenham no desenvolvimento do seu país, o que não corresponde necessariamente aos interesses do referido mercado. Como bem soube resumir Manuel Tainha, diria que no caso específico da arquitectura, e contra o sentido do Tratado de Bolonha, a academia não deve papaguear o ofício.
A segunda argumentação, por vezes associada à primeira, é a de que há arquitectos a mais.
De acordo com os números disponíveis, em Portugal existe aproximadamente 1 arquitecto por cada 625 cidadãos. Embora este número possa impressionar, se pensarmos num quadro em que cada cidadão ao longo da sua vida necessitará três vezes dos serviços de um arquitecto, passamos a ter 1875 projectos por arquitecto. Contudo ambos os raciocínios são falaciosos, apenas importando o segundo para destruir a ideia subjacente ao primeiro.
Uma licenciatura em arquitectura deve continuar a ser, uma formação de carácter universitário que produz cidadãos com habilitações para exercer arquitectura, mas também deve poder construir profissionais com conhecimentos técnico-científicos que permitam ao licenciado enveredar por outras áreas profissionais com inevitáveis relações com a arquitectura como crítico de arquitectura, professor, cenógrafo, político ou treinador de futebol. Ou seja, o que importa é que sejam formados mais licenciados, pois o seu trabalho e conhecimento nunca é demais num país que tarda em evoluir. Mas se é verdade que este discurso assentaria bem a qualquer governante da nação, a prática diz-nos que sucede exactamente o contrário.
A utilização abusiva da urgência dos processos ou de empresas públicas e privadas para mascarar os concursos públicos, a continuada concentração da encomenda pública em estruturas bem relacionadas com os partidos do bloco central e as precárias relações laborais dentro dos escritórios de arquitectura, têm conduzido à rejeição da profissão ou a um violento processo de emigração, dos quadros superiores que o país formou.
Em Portugal, em geral, o jovem arquitecto é visto com desconfiança. O seu conhecimento de carácter universitário, a sua dinâmica e a sua prática profissional recente, são desvalorizadas em detrimento de quem está infiltrado nas teias do poder, tantas vezes pouco qualificado e/ou com um historial de resultados medíocre. Aliás as últimas revelações do passado profissional do Primeiro-Ministro actual reforçam este sentimento. Embora a discussão mediática se tenha centrado sobre argumentos de legalidade e de carácter estético, para o comum dos arquitectos é particularmente chocante a forma como hoje, um dos mais alto-responsáveis da nação, assume e corrobora tais actos. A institucionalização da antiga prática de José Sócrates, destruiu com poucas palavras, anos de trabalho pela revogação do DL 73/73, de consciencialização da importância da arquitectura como forma de melhoria das condições de vida e destrói, sobretudo, as expectativas de acesso à profissão de quem após seis anos de estudo e alguns de prática profissional, procura trabalhar no seu país.
Contudo, apesar de todas estas vicissitudes, os ateliers de arquitectura constituídos por jovens arquitectos despontam pelo país, baseados em estruturas colaborativas que vão resistindo, criando emprego e ganhando concursos dentro e fora do país. Contrariando a lógica de mercado que entende o vizinho como o primeiro inimigo, os resultados e notoriedade de uns tem vindo a ajudar outros a projectarem-se.
Urge que este fenómeno seja estudado e desenvolvido como, até ver, única forma de aproveitar o potencial científico-técnico constituído pelas universidades e como forma de subverter as medíocres teias de interesse e compadrio que dominam o país.

Tiago Mota Saraiva
Artigo para a Revista Construir - Março de 2008

Que diz o pivô

Emissão online do Pedro Penilo.
[link]

domingo, março 16, 2008

sábado, março 15, 2008

ps... p..... s.... p...... s........ s........ s.......s......

Sócrates convocou uma manifestação de rua, depois transformo-a em comício dentro de um pavilhão que não encheu. O braço de ferro que o aparelho do PS queria fazer com o país demonstrou que a maioria absoluta está na rua.

Entrevista de Sá Fernandes ao Correio da Manhã

O Daniel Oliveira qualifica a entrevista de Sá Fernandes ao Correio da Manhã de excelente. Eu não posso deixar de me sentir embaraçado por parte da esquerda da minha cidade o ter eleito.

Síndrome "O meu umbigo":

"O meu acordo com o PS traduz-se numa frase: trabalhar com o objectivo Lisboa. É o que dizia o meu cartaz. Lisboa. O meu pensamento é só Lisboa e os lisboetas. Não penso em rigorosamente mais nada."

Síndrome "Cavaco não diria melhor":
"E tenho de trabalhar muito"

Síndrome "A Nova Esquerda":
"Trabalhar muito com os serviços para ter os miradouros arranjados, para ter os corredores feitos, alguns corredores do Plano Verde, para ter as pistas cicladas, para dar pontapés de saída numa espécie de projectos. E isto tudo sem dinheiro."

Síndrome "A Banca como Juiz da República":
"Eu não consigo perceber que tendo os bancos, e foram uma série de bancos, aceite o plano de saneamento, como é que o Tribunal de Contas se meteu nesta conversa."

Síndrome de "Ruas Verdes, Casas Verdes e Marcianos para as habitar":

- Isso vai ser um bico-de-obra?
- Vai ser um bico-de-obra. Mas aí, pode ter a certeza absoluta, que nós vamos pôr os pés bem enterrados na terra porque isso tem um impacto fortíssimo na cidade. Mas sabe que neste Plano Verde já pusemos o aeroporto da Portela verde.
- Todo ou uma área?
- Já está marcado como área verde.
- Toda a zona?
- Toda a zona com excepção das construções. Também não é preciso que seja tudo verde. Mas marcámos já tudo como verde."

Síndrome de "Com o Louçã ou com o Costa?":
"Agora são precisos seis anos"

Síndrome de "...mas como só me interessa Lisboa":

"Como sabe, e eu já o disse publicamente, não sou grande adepto deste Governo. Acho que tem governado mal. Mas no que toca a Lisboa tem havido um bom relacionamento com o Governo. Uma tem a ver com a frente ribeirinha e a passagem para Lisboa das zonas não portuárias. E eu aí também estou orgulhoso do meu contributo. Há muitos anos que luta por isso. Falta concretizar, mas já há um papel escrito. Nesse aspecto acho que houve um bom relacionamento."

Em jeito de conclusão, esta parece-me ser a afirmação mais clarificadora:"Não sei se há posições diferentes. Eu sei o que é que combinei com o Francisco Louçã. E foi tudo muito claro. Trabalhar durante este ano e meio para Lisboa e por Lisboa. O único interesse. O meu cartaz dizia que era esse o único interesse. Daqui a um ano logo se vê o que é que é melhor para Lisboa. Não é o que é melhor para o PS, para o Bloco de Esquerda. É o que é melhor para Lisboa."
Esta afirmação de Sá Fernandes contém duas das noções que mais odeio no discurso político contemporâneo. A secundarização dos conteúdos políticos, em prol do abstracto "melhor para Lisboa", é o elemento comum a todos os fenómenos de populismo e um discurso caro a Cavaco Silva. Por outro lado, simboliza um total desrespeito pelos militantes do Bloco, sujeitando a sua estratégia partidária a uma "combinação" com Louçã.
Por fim diria que toda a entrevista demonstra que o vereador Sá Fernandes ainda não percebeu que o Bloco em Lisboa, vale mais votos do que Sá Fernandes.

Disso já ninguém dúvida:

"Sócrates assinou despacho igual ao dos sobreiros e não foi investigado"

Militantes do PS são melhor acolhidos na manifestação de professores que em comícios do próprio partido

O receio de ter no Pavilhão do Académico do Porto «pessoas menos entusiasmadas ou que até possam vaiar Sócrates» levou a máquina partidária do PS a fazer uma selecção dos militantes para o comício desta tarde, disse ao SOL um dirigente concelhio.

terça-feira, março 11, 2008

Rogério Ribeiro (1930-2008)

Para aliviar

"Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga. Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.O relatório diz:'Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

domingo, março 09, 2008

Que nojo!

Emídio Rangel, no Correio da Manhã, escreve um texto que é uma consequência lógica do discurso do Governo: um perigoso ataque aos professores, aos direitos democráticos e à liberdade de pensar de cada um.
A culpa não é de Emídio, ele sempre foi a tropa de choque dos governos e quanto mais à direita melhor!

"Hooligans em Lisboa" de Emídio Rangel

sábado, março 08, 2008

Demissão já!



"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre. Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira"
Ministro Augusto Santos Silva

Confrontado com mais uma manifestação contra o governo, o Ministro Santos Silva de cabeça perdida por alguém se arrogar a manifestar-se à porta de uma reunião do PS, entre provocações directas aos manifestantes, soltou esta violenta frase que aqui transcrevo.
Apesar do calor da situação e do nervosismo do Sr. Ministro, estas palavras mais do que ferirem os visados ou o partido a que pertencem, atingem todos os democratas, comunistas, socialistas, anarquistas, republicanos, católicos progressistas, que foram presos, torturados e todas as famílias daqueles portugueses que nunca mais voltaram das prisões do fascismo e da guerra.
Augusto Santos Silva, insultou o povo (porque não foram só comunistas!) que transformou o enterro de Álvaro Cunhal numa manifestação de massas de homenagem a todos os combatentes anti-fascistas.
Não me interessa comparar os exílios de Soares com os anos de prisão e de tortura de Cunhal, como faz o ministro Silva (que será apenas um precalço na História de Portugal). Interessa-me sim, não deixar que a memória colectiva do meu povo, seja violentada por uma qualquer personagem sinistra.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Em dia de voto

Depois de anulado o anterior acto eleitoral, pouco participado, e no qual a lista vencedora teve de assumir funções e, passado dois meses, regressar à campanha, a Ordem dos Arquitectos vai hoje a votos.
Estou em crer que o triste espectáculo da exclusão de uma lista (que mais tarde por decisão judicial voltou a ser reintegrada) encerra o ciclo daqueles que pensam que podem levar uma organização profissional com mais de 16.000 associados no seu bolso.
Não sei quem irá ganhar, mas tenho a certeza que ainda não vai ser desta que, na futura direcção, emergirão as novas gerações que constituem a maioria dos seus associados. Para o próximo triénio, trata-se de escolher quem melhor lhes poderá abrir as portas da Ordem, sem que seja pela integração nas estreitas teias da promoção da arquitectura e no canto das exposições dos "notáveis".
Estou em crer que hoje, os associados darão razão a quem sempre se pronunciou pela manutenção da legalidade e pela aceitação de todas as listas, exercendo o seu voto de uma forma livre, consciente e mais participada.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Indignação

Independentemente das questões políticas, é cada vez mais comum dizer-se que actualmente temos os piores Ministros do pós-25 de Abril. A sua arrogância e desprezo pelos portugueses é directamente proporcional à sua subserviência a José Sócrates.
A "piadola" do Ministro da Agricultura sobre os dentes de Paulo Portas ou o racismo da Ministra da Educação quando, no programa "Prós e Contras", perante a força dos argumentos de uma professora do ensino secundário fez uma alusão ao facto da professora ser loira, são provas de uma enorme mediocridade e pobreza de espírito.

+ Ordem?

Conforme tenho vindo a manter, e embora já tenha exercido o meu direito de voto, entendi que não deveria apoiar publicamente nenhuma lista aos orgãos nacionais da Ordem dos Arquitectos.
Esta situação não me coibiu de ter opinião, de a manifestar e de me defender de alguns ataques, normalmente anónimos, de apoiantes de uma das listas, por sinal, a que integra mais elementos dos orgãos sociais cessantes.
Até ao dia de hoje, dos colegas que comigo participaram no anterior Conselho Directivo Nacional e que não se candidatam à reeleição, apenas o Fernando Gonçalves apoia uma lista (Lista A) - não se percebe bem, mas julgo que será o autor do blogue que inundou recentemente algumas caixas de comentários - Babel Logos.
Nesta medida ficaria mais claro, que para a elaboração deste texto nos indicasse que era redigido por um membro do Conselho Directivo Nacional cessante e por um apoiante da Lista A.
Contudo, não posso deixar passar as considerações que o Babel Logos faz sobre os supostos "riscos" que os arquitectos comunistas correm ao "atacar" a lista A. Defendendo a tese que a "lista A é a única que se propõe combater, de uma forma clara e sem ambiguidades, as tentativas de presidencialização da ordem, o que parece vir ao encontro daqueles que defendem as formas colegiais de exercício do poder político". O blogger afirma ainda como exemplo, aparentemente positivo, o seguinte: "Veja-se o que se passa na Assembleia da República. Todos os dias os deputados comunistas fustigam o governo de José Sócrates e a sua vontade de presidencializar as estruturas democráticas que gerem o quotidiano dos cidadãos".
Eu, se este Fernando Gonçalves for o que esteve comigo na direcção da OA nos últimos 3 anos, estranho vê-lo preocupado com os arquitectos comunistas. E, sobretudo, estranho que um apoiante da Lista A, saia "fora-da-ordem" para enunciar que a lista A, vai dizer uma ou outra coisa sobre Sócrates e a destrutiva governação deste país.

P.S. - Embora haja um longo rol de factos enunciados no texto, falta um documento que considero fundamental para a boa percepção de tudo o que se passou dentro da OA nos últimos tempos: Declaração de Voto do CDN sobre o Contencioso Eleitoral, aprovado por unanimidade.

P.S. 2 - E faltam ainda outras coisas, mal jeitosas, para a tese que perfilha...

domingo, fevereiro 24, 2008

Isenção das Taxas ao Rock in Rio:

por Paulo Ferrero

Votação da passada 3ª Feira na AML:
Favor: PS e PSD
Contra: CDS-PP, PCP, PEV
Abstenção: BE

Ou seja, a CML está em crise mas dispensa taxas a mega-concertos. Curiosidades: o PS que tinha votado contra a isenção nas edições passadas

Mas, em 30 de Maio de 2006 tinha sido:
Favor: PSD e CDS
Contra: PCP, PEV e BE
Abstenção: PS

Descubra as diferenças, ao sabor das conveniências.

Professores manifestam-se

De acordo com o Público mais de 2000 professores, nas Caldas da Rainha, Porto e Leiria, participaram ontem numa manifestação convocada por SMS. Utilizando uma prerrogativa da lei, que nem Cavaco se arvorava usar e que actualmente é regra, os "agentes de autoridade" identificaram quem falava à comunicação social.
Já sabemos que a "justiça de Sócrates" será tão célere a julgar estes cidadãos quanto eficiente a esconder outros processos.

sábado, fevereiro 23, 2008

... os índios

21 anos depois

Eleições

Apesar do favoritismo da lista A, a lista C vence as eleições na blogosfera:

- "Campanha" - Complexidade e Contradição

- "Declaração de Voto" - Khiasma

- "Voto C" - o despropósito

Tristeza

Pouco me tem apetecido escrever sobre a Ordem dos Arquitectos. Costumo dizer que estou a fazer o meu "período de nojo" - expressão utilizada na advocacia. Contudo, acompanho com atenção o que se vai passando e não posso deixar de me indignar perante comunicados como este, onde a partir de uma suposta defesa da honra se parte para o auto-elogio e para o assassínio de carácter dos opositores políticos.
Por trás deste comunicado, não consigo reconhecer as pessoas que prezo da lista A.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Costa (Governo) contra Costa (Autarca)

O Costa fez a lei da qual é o primeiro infractor.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

António Costa, sinais de um país em perigo

01. As críticas que António Costa lançou ao Público e, mais concretamente, a José António Cerejo são perigosas. Para além de se procurar desqualificar sem apresentar contra-prova, enunciam-se ameaças.

02. A imediata reacção da estranha entidade "Gabinete de Costa" - "Gabinete de Costa acusa TC de fazer «avaliação política»", sobre a apreciação do Tribunal Constitucional, revela a irritação perante as instituições democráticas. Não tarda, pedirá a maioria absoluta.

Tribunal de Contas chumba empréstimo de Costa

por Margarida Davim

O Tribunal de Contas não deu luz verde ao pedido apresentado pela Câmara de Lisboa para contrair um empréstimo de 360 milhões de euros para saldar as dívidas a fornecedores.
Os juízes da instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins entenderam que o artigo 40.º da Lei das Finanças Locais, invocado por António Costa, não se aplicava à situação de Lisboa , já que esta se encontra em desequilíbrio financeiro estrutural e não conjuntural, como argumentava o executivo da autarquia da capital.
Segundo o TC, as receitas do município são inferiores a 50% do valor total da dívida a fornecedores, pelo que o desequilíbrio financeiro é estrutural. Uma condição que obriga a autarquia a cumprir o disposto no artigo 41.º da Lei das Finanças Locais e a pedir a intervenção do Governo.
A decisão do TC, que teve como relator o juiz António Manuel dos Santos Soares, foi votada por unanimidade e apenas contou com uma declaração de voto – feita para justificar a decisão tomada e não para ir contra o proposto pelo relator.
Ao que o SOL apurou, a Assembleia Municipal vai, na sequência desta decisão, reunir de urgência na quinta-feira. A reunião vai juntar os líderes das várias bancadas municipais, para debater os passos que a autarquia deverá dar depois de conhecido este chumbo.

[link]

Crise?

"1. A Câmara Municipal de Lisboa foi hoje notificada do Acórdão do Tribunal de Contas relativo ao pedido de visto para o empréstimo que faz parte do Plano de Saneamento Financeiro do Município.

2. A Câmara Municipal de Lisboa irá proceder à análise do conteúdo do referido Acórdão, não se pronunciando sobre o conteúdo mesmo até terminar essa análise.

3. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa decidiu convocar uma reunião extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa para a próxima quinta-feira, dia 21 de Fevereiro, às 15h00.

4. O Presidente da CML ouvirá amanhã, dia 20 de Fevereiro, os principais credores da Câmara Municipal e reunirá ao final da tarde com a senhora presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e com os cabeças de lista de cada uma forças políticas representadas no Executivo Municipal."

[site da CML]

domingo, fevereiro 17, 2008

Vergonhoso

Não concordo com o Daniel. Os professores têm todo o direito de se indignar e de se manifestar junto à sede do PS num dia em que Sócrates e a "independente" Ministra procuram arregimentar as tropas. Aliás também o independente João Ferrão foi (obrigado?) a ir a outra reunião de militantes socialistas em Vila Franca de Xira.
Lamentável, mais uma vez, é a forma como o Primeiro-Ministro responde, começando imediatamente a lançar a calúnia e a suspeita sobre os manifestantes.

sábado, fevereiro 16, 2008

As artes de Sócrates



[imagem via Khiasma]

Só hoje li com alguma atenção os comentários do Público a cada um dos projectos de Sócrates. O mais grave é pensar que, 9 anos depois, José Sócrates, era nomeado por Guterres Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território!
Que curriculum tinha este Ministro!

P.S. - Vejo no "Perfil" que está no Portal do Governo, que José Sócrates já era porta-voz do PS para a área do Ambiente desde 1991.

Túnel do Rossio



+ uma obra de "concurso público" escondido
+ 9,5 milhões de euros do que o esperado
+ inauguração de ... milhões de euros

- transparência e democracia

Voz do Operário

A Voz faz 125 anos.
Lá estaremos hoje no Jantar Convívio.

CGTP

Decorre neste fim de semana o Congresso da CGTP. Li e indignei-me várias vezes sobre algumas notícias que vieram a público nas últimas semanas.
O combate e a teia de suspeitas que o governo e a maioria dos orgãos de comunicação social tem lançado sobre a CGTP, é uma prova que o movimento sindical não-governamentalizado, está vivo, e ameaça as negociatas que estão em cima da mesa.
A CGTP é "a" central sindical, e tem de ser capaz de, em unidade, conseguir arranjar espaço dentro dela para todos os movimentos sociais, partidos e organizações cujo objectivo seja a conquista (se calhar já não se trata da defesa...) de direitos para os trabalhadores.

[ver o Congresso Online]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O último dia de Telmo ou A noite do despacho

Eleições...

Mais desordem na acta da Comissão Eleitoral:
A Comissão Eleitoral reuniu com a presença de apenas um membro efectivo da anterior Mesa da Assembleia Geral da Ordem dos Arquitectos (também compareceu um membro suplente).
A actual Comissão de Gestão do CDN assistiu à reunião, ainda que pela acta, uma das listas se tenha manifestado contra a sua presença.
Carlos Guimarães demite-se em discordância com a decisão judicial, com a candidatura de Manuel Vicente e com a decisão da lista de João Belo Rodeia de não recorrer da decisão judicial.

[ver a acta]

domingo, fevereiro 03, 2008

Classe política

No seu comentário político na SIC Notícias, Mário Bettencourt Resendes procurou enquadrar os "esquemas" de Sócrates. Em primeiro lugar relativizou as questões rematando que "é mais um factor de descredibilização da classe política".
Não vejo porquê. Todas estas tramóias apenas atingem Sócrates e os dirigentes municipais da altura. Mais ninguém.
O que descredibiliza a classe política é a sua acção política. O que descredibiliza a política, por exemplo, são as ausências e votos favoráveis de Manuel Alegre em contradição com os seus discursos fora da Assembleia da República. Quando se vota em Sócrates sabe-se, cada vez melhor, no que se está a votar. O que descredibiliza a política é pensar-se que se vota no Alegre quando discursa fora da Assembleia, e no fundo estar-se a votar no Alegre da Assembleia - fiel de Sócrates.

Assembleia da Ordem dos Arquitectos do dia 1 de Fevereiro

Ordem de Trabalhos
Ponto Único: Apresentação e justificação da decisão do Conselho Directivo Nacional relativamente ao resultado dos processos judiciais interpostos contra a Ordem dos Arquitectos pelo Arq. Manuel da Conceição Machado Vicente, membro n.º 665 da Ordem dos Arquitectos.


Ainda perguntam porque não fui à Assembleia?

"Sem fundamento?????"

"“(...) declaro por minha honra (...) que pertenço ao quadro técnico da firma Sebastião dos Santos Goulão, Industrial de Construção Civil, na qual exerço as funções que competem à minha profissão por forma efectiva e permanente (...).”

Tenho Vital Moreira como uma pessoa inteligente. Não arranjo explicação para o seu argumentário sobre os "esquemas" de José Sócrates (aqui, aqui, aqui e aqui).
Que parte é que este professor da Universidade de Coimbra não terá percebido?

O carácter

"No caso de José Sócrates o eventual conflito de interesses nunca foi suscitado pelos seus superiores. Mas o PÚBLICO encontrou no arquivo municipal da Covilhã processos de obras feitas pela firma de cujo alvará ele era responsável em que as vistorias camarárias eram feitas por ele próprio e mais dois colegas."

A serem verdade as inúmeras histórias que o Público tem vindo a revelar, da Universidade Independente à Câmara Municipal da Covilhã, revelam um Primeiro-Ministro que sempre viveu de "esquemas" - alguns pequenos crimes (fazer vistorias em nome do Estado de projectos seus), outros de compadrios e "amiguismos", mas todos pouco recomendáveis.
Sou dos que acha que a existência de Sócrates, desde que foi eleito Primeiro Ministro, é muito mais prejudicial para o país do que o seu passado aparentemente pouco recomendável. Contudo, o seu passado, ajuda a explicar o presente - a guerra do BCP, o desvirtuar da Segurança Social, o desmantelamento sem complexos do Serviço Nacional de Saúde ou a ratificação parlamentar do Tratado Europeu.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Quem aprovou?

Afinal quem terá aprovado os "projectos de José Sócrates" na Câmara da Guarda? Terão sido os verdadeiros autores?

"Casas Vergonhosas"*

* Expressão utilizada por Vicente Jorge Silva, ex-deputado do PS.


[Notícia do Público]
[Galeria de Fotos]
[Resposta de Sócrates ao Público]

De acordo com mais uma brilhante investigação do José António Cerejo, constata-se que José Sócrates nos anos 80 terá assinado um conjunto de projectos na sua zona de influência.
Esclareça-se, desde já, a primeira coisa: o Engenheiro Técnico José Sócrates, podia em 1980 tal como pode hoje, assinar projectos de arquitectura, de estruturas e de todas as outras especialidades necessárias, de casas como as registadas na galeria de fotografias. O DL 73/73, por mais incrível que pareça (ou talvez não) continua em vigor.
Por outro lado, ciente que um ex-Primeiro Ministro deste país, anulou um contrato com um arquitecto, porque queria um projecto "com cortinadinhos e telhadinhos", parece-me que a questão da qualidade global dos projectos de arquitectura de José Sócrates, poderão ser diluídas num contexto cultural muito débil e que não se muda de um dia para o outro.
O problema para o país, é outro.
De acordo com o Público e com o Presidente da Câmara de então, Sócrates terá assinado projectos para a Câmara da Guarda, realizados por técnicos da própria Câmara. Ora para além desta informação ter de ser notícia (ao contrário da ridícula argumentação do visado) e matéria do foro criminal, é uma matéria que põe em causa o Estado. A ser verdade, José Sócrates, pôs em causa o Estado de Direito democrático e não deverá permanecer à frente do seu governo, sem que volte a ser sufragado.
A ver vamos o que acontece.

P.S. - aguardo com especial curiosidade o que terão a Ordem dos Arquitectos e dos Engenheiros para dizer sobre a matéria.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

"Só esses?"

Foi o comentário mais ouvido esta tarde na Assembleia da República entre os deputados do PS. Também houve quem celebrasse a saída de Correia de Campos.

[notícia do Expresso]

quarta-feira, janeiro 30, 2008

"Remodelação"

A saída de Correia de Campos e de Isabel Pires de Lima não surpreende ninguém. A Ministra da Cultura fez um péssimo trabalho e até 2009 o governo terá de tentar voltar a seduzir todos os intelectuais e gentes do espectáculo das áreas próximas do PS para integrarem as listas de notáveis para as eleições.
O Ministro da Saúde fez um óptimo trabalho para os grupos privados, foi mantido até à última, e só uma enorme contestação popular o terá feito cair. A Correia de Campos e a Sócrates deverão ser atribuídas todas as culpas de carácter criminal decorrentes das decisões contra o Serviço Nacional de Saúde que tomaram.

domingo, janeiro 27, 2008

Itália

Procurando perceber o que se passa após a demissão do Governo de Prodi, fica a frase do Il Manifesto:

PRODI SE N'E' ANDATO BERLUSCONI NON E' ANCORA TORNATO GODIAMOCI QUESTO MAGICO MOMENTO
[Prodi já foi, Berlusconi ainda não voltou, gozemos este momento mágico]

BCP, a arma secreta para o controle do défice do Estado no ano 2008!

por Delfim Sousa [*]

Este documento foi emitido e enviado aos media no dia 2 de Janeiro de 2008. Resistir.info aguardou até hoje que, face à gravidade da denúncia, ele fosse noticiado pela comunicação social – os jornais económicos e aqueles que se dizem "de referência". Como isso não aconteceu – o silêncio foi total – é legítimo suspeitar que estão a praticar a auto-censura. Foi por essa razão que resistir.info resolveu publicá-lo, embora consciente de que o seu autor (ex-militante do CDS) é um homem de formação conservadora.
É estranho o manto de silêncio, o tabu, sobre a provável e principal razão que envolve o interesse súbito de "todo o mundo" sobre o Banco Comercial Português: a possível transferência para a Segurança Social do fundo de pensões dos colaboradores do Banco avaliado em cerca de quatro mil milhões de euros. Esta transferência, a concretizar-se, será contabilizada como receita extraordinária da Segurança Social neste ano 2008 e controlará o défice do Estado satisfatoriamente. Esta solução que estará na mira do Governo Sócrates (sem dúvidas), já foi testada pelo Governo de Guterres (com a transferência do fundo de pensões do BNU, realizado pelo ex-ministro Sousa Franco) e pelo Governo de Santana Lopes, para controlar o défice e cumprir os valores limite fixados pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Assim, no ano de 2004, o ex-ministro das Finanças Bagão Félix transferiu fundos de pensões de empresas públicas (entre outros, o Fundo da Caixa Geral de Depósitos) para a Caixa Geral de Aposentações, conseguindo um encaixe financeiro de cerca de 1,9 mil milhões de euros (segundo foi noticiado). Estamos, na verdade, no cerne das negociações das cadeiras na Administração do BCP! Isto é, poderá o PS garantir um perfeito e tranquilo sucesso orçamental no Ano 2008, com uma total concordância do maior partido da oposição (?), tendo em vista o ano de eleições de 2009? Mas, é bom recordar e não esquecer (PS e PSD) o parecer do Tribunal de Contas sobre este tipo de operações:
"O impacto directo sobre as finanças públicas, que se projectará por um período longo, resultante das transferências referidas, tem um efeito positivo sobre as receitas do Estado no ano em que ocorreram, mas têm um efeito inverso nos anos posteriores, uma vez que as receitas não serão suficientes para suportar o valor das despesas".
Neste cenário, bem descrito pelo Tribunal de Contas, afirmamos que não se augura nada de bom para os reformados e trabalhadores no activo com a transferência do Fundo de Pensões para o Estado. Denunciamos a apatia e a ingenuidade dos Sindicatos e da Comissão de Trabalhadores do BCP em não verem e não perceberem o fundo real da situação. Ou, será que querem ver e perceber? Porque será que não defendem os legítimos interesses dos trabalhadores com absoluta firmeza e determinação? O Accionista mediático do BCP, Joe Berardo, o homem que "Sabe Tudo", que no seu apostolado de críticas e denúncias emite opiniões diversas, ainda não se pronunciou sobre esta matéria? Ou, será que sabe e não quer dizer? Ou, sabe mesmo da medida desejada pelo Governo de Sócrates? O Senhor Joe Berardo não é seguramente um "capitalista do povo", como quer fazer passar na imagem que vende. Pelo contrário, Berardo defende unicamente o seu dinheiro, os seus investimentos e o Fundo de Pensões representa uma responsabilidade para o Banco que quer ver eliminada, ou antes, transferida para o Estado. Finalmente, independentemente dos respeitáveis nomes que são apontados como candidatos às cadeiras do Conselho de Administração Executivo do BCP, os accionistas, os clientes, os colaboradores do Banco, gostavam de saber da voz dos Candidatos a Presidente , nos próximos dias que antecedem a Assembleia Geral, quais são os modelos e as orientações que pretendem imprimir na organização, se vão seguir a política das fusões, se vão continuar o Programa em marcha "Millennium 2010", etc. Ou seja, os Curricula Vitae de Santos Ferreira e Miguel Cadilhe são inquestionáveis, mas urge sentir e reflectir as linhas orientadoras de liderança que sustentam as suas candidaturas. Até agora vivemos no campo vago da dança dos nomes. Historicamente, o Banco Comercial Português sempre nos habituou à excelência na liderança e à clareza sólida dos objectivos a atingir. Por esta via, se atingiu o patamar de importância que o BCP hoje ocupa no sistema financeiro português.

[*] Accionista, Ex-Quadro do BCP, Ex-Sindicalista, Ex-Membro da Comissão de Trabalhadores do BCP, delfimsousa1@netcabo.pt


[via Abafos & Desabafos]

quinta-feira, janeiro 17, 2008

OPA hostil sobre as autarquias

Hoje na Assembleia da República prepara-se um verdadeiro assalto aos valores democráticos. PS e PSD, juntos em cartel como sucede sempre nestas situações, aprovarão uma lei autárquica que transformará toda a lógica das Câmaras Municipais. De acordo com este dois partidos os principais problemas nas Câmaras Municipais não são a corrupção, a burocracia, o distanciamento para com o povo. Para o PS e o PSD o principal problema é haver oposição nas Câmaras Municipais.
Desta forma os dois partidos que reinam em Portugal há mais de 30 anos, preparam-se para dar uma última machadada na representatividade dos governos municipais. Assim autarcas corruptos, que trabalhem pouco ou que se utilizem das respectivas Câmaras Municipais para alcançar lugares de protagonismo dentro dos seus partidos, agradecem.
Em 2009, competirá ao povo não ficar em casa e dar-lhes a resposta que merecem.

domingo, janeiro 13, 2008

Tratado de Lisboa

Em Portugal, poucos confiariam que a máquina mediática do Bloco Central deixasse que a discussão sobre a ratificação do Tratado de Lisboa fosse um pouco além do "ser-se ou não, a favor da Europa". Contudo, poucos pensariam que, para evitar a discussão e o voto em países em que a discussão política vai um pouco mais além do pensamento único, o Bloco Central Europeu impusesse a todos a decisão na secretaria.

Pub

Uma excelente campanha publicitária - [link]

«Comunismo e Nacionalismo»

Fui assistir ao doutoramento do Zé Neves sobre «Comunismo e Nacionalismo» em Portugal no século XX, e também me irritei com o pedantismo académico entre verdades fechadas e pensamentos de café. Aqui fica um interessante texto do Rick Dangerous sobre a matéria.

domingo, janeiro 06, 2008

em mudanças...

Comecei a escrever na blogosfera em 21 d Agosto de 2003, numa coisa a que chamei Ranbomblog. Mais tarde, fiz a mudança de site e de design do blogue para o Randomblog02. Nos próximos tempos estarei novamente de mudança de design e interactividade do blogue, no mesmo sítio, para o mais pós-moderno :RB02:.

O. [II]

Excelente texto sobre o Olímpio, do Jorge Silva Melo.

Luiz Pacheco 1925-2008

Pela blogosfera despontam inúmeros escritos de homenagem ao Pacheco. Eu, opto pelo silêncio remetendo, mais uma vez, a homenagem para o escrito do José Mário Silva.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Salários: Presidentes das empresas portuguesas ganham 30 vezes mais que trabalhadores

2 de Janeiro de 2008, 17:21

Lisboa, 02 Jan (Lusa) - Os presidentes das empresas portuguesas ganham, em média, 21,7 mil euros por mês, um valor 30 vezes superior ao rendimento salarial médio mensal dos trabalhadores por conta de outrém, que se situa nos 720 euros.
O ranking das funções mais bem pagas em Portugal, da Mercer Consulting, a que a agência Lusa teve acesso, revela que os presidentes delegados recebem em média, por ano, 304 mil euros (vencimento base e componentes fixas), o que, dividido por 14 meses, representa 21,7 mil euros por mês.
Seguem-se os administradores delegados, que usufruem de 167,8 mil euros por ano (12 mil euros por mês), e os directores gerais, com uma média anual de 127,4 mil euros (9 mil euros por mês), adianta o ranking da Mercer, com base em dados recolhidos junto das empresas em Junho de 2007.
Os últimos dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre do ano passado, revelam que o rendimento salarial médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrém é de 720 euros.
Na tradicional mensagem de Ano Novo, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, interrogou-se se "os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores".
Os dados do INE revelam que o rendimento salarial médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrém, por sectores de actividade, é de 779 euros nos serviços, 636 euros na indústria, construção, energia e água e 489 euros na agricultura, silvicultura e pesca.
Tendo em conta o escalão de rendimento salarial mensal líquido, os dados do INE referem que 41 por cento dos trabalhadores por conta de outrém integrava o escalão de rendimento salarial entre os 310 e os 600 euros.
Com salários entre os 600 e os 900 euros situavam-se cerca de 25 por cento dos trabalhadores por conta de outrém, de acordo com os dados do terceiro trimestre do ano passado.
Pelo contrário, apenas 0,5 por cento dos trabalhadores por conta de outrem integram o escalão de rendimento salarial mensal líquido de 3.000 ou mais euros.
Também apenas 0,6 por cento dos trabalhadores por conta de outrém recebe entre 2.500 e 3.000 euros.

TSM.
Lusa/Fim

segunda-feira, dezembro 31, 2007

O Natal do Capital

... Primeiro veio o Berardo. E comeu.
... Depois veio o Santos Ferreira. E comeu.
... Depois veio o Vara. E comeu.
... Depois veio a Opus Dei...
Não, não. A Opus Dei, foi com o Cadilhe e o Bagão no comboio ao Circo.