sexta-feira, julho 21, 2006

FCT = Fuga de Cérebros com Talento

Governo português promove a fuga de cérebros de Portugal.
Ser bolseiro de investigação tornou-se hoje uma profissão altamente qualificada e a baixo custo. Durante anos, um bolseiro recebia uma bolsa para desenvolver investigação associada à obtenção de um grau académico. Era-se bolseiro por um período definido, geralmente curto, depois entrava-se no mercado de trabalho. Hoje, porque não se quer abrir vagas nos quadros das Universidades, Laboratórios do Estado e demais centros de investigação, porque o tecido empresarial nacional continua a não absorver trabalhadores científicos qualificados, ser bolseiro tornou-se uma profissão, um modo de vida precário que se tende a prolongar no tempo.
Isto representa a precarização do trabalho científico. Um bolseiro trabalha, mas não tem o estatuto jurídico de um trabalhador. Não tem direito a um regime de segurança social pleno ou férias. Um bolseiro não paga IRS. É como se fosse um trabalhador ilegal, sob a falsa capa do eterno estudante. Os bolseiros são hoje responsáveis por uma parte substancial da investigação científica feita em Portugal, representando mais de um terço da força de trabalho científica. Muitos têm o mestrado, o doutoramento, 3-6 anos de pós-doutoramento, e continuam a não ser reconhecidos como aquilo que, de facto, são: trabalhadores. Recebem por vezes muito menos que colegas que integram o quadro das instituições, apesar de terem as mesmas ou mais habilitações. Com isto, consegue-se mão-de-obra qualificada, a baixíssimo custo.
Calcula-se que mais de 20% dos nossos quadros qualificados abandonam o País, para procurarem no estrangeiro um emprego com salário digno, compatível com as suas qualificações, para poderem antever um futuro, e não sentirem a instabilidade da vida de bolseiro. Exigimos que se cumpra a recomendação da Carta Europeia do Investigador: que sejam oferecidas condições dignas e atractivas aos investigadores de forma a criar uma Europa competitiva em Investigação e Desenvolvimento. Manter a condição de bolseiro é destruir mão-de-obra altamente qualificada. É desperdiçar o esforço de investimento feito na formação avançada dos recursos humanos do país! A qualificação superior de um investigador doutorado representa um investimento público de mais de 50 mil euros. Não criar condições para reter estes quadros representa um prejuízo para o país. As medidas recentemente anunciadas são claramente insuficientes e estão longe de poder vir a resolver este problema. Entretanto, anuncia-se igualmente um aumento da atribuição de mais bolsas...
É preciso dizer basta! Para investir em Ciência há que investir nos seus recursos humanos. Mais bolsas não é a solução. Exigimos a criação de emprego científico.

JUNTA-TE AO NOSSO PROTESTO. FUGA DE CÉREBROS NO AEROPORTO DE LISBOA. 24 DE JULHO ÀS 18 HORAS. JUNTO ÀS PARTIDAS
NÃO FALTES.

1 comentário:

João Aguiar disse...

De facto é vergonhosa a política científica do governo PS. E com Bolonha e correspondente hierarquização do tecido académico europeu, ainda mais força se dará ao movimento de fuga de cérebros para as universidades mais avançadas da Europa e aprofundamento da divisão internacional do trabalho. Portugal será cada vez mais um país de turismo enquanto que a Alemanha, França e a Inglaterra concentrarão os sectores industriais de alta tecnologia, logo ficarão com os técnicos mais qualificados.

Há um texto interessante do João Ferreira sobre a política de bolsas do governo Sócrates num dos números do Avante do mês de Abril.