sábado, novembro 08, 2008

5dias

Como alguns já terão reparado, desde domingo passado também passei a escrever no 5dias.
Por aqui a regularidade manter-se-á, random.

domingo, novembro 02, 2008

BPN - temos o direito de saber

Há menos de duas semanas Cavaco disse publicamente que não tinha conhecimento de haver bancos portugueses em dificuldades, já depois da CGD ter injectado capital no BPN. Era claro que nessa altura os bancos dos seus amigos Cadilhe e Dias Loureiro já era [ver o meu post de 11 de Outubro "Em quem devemos confiar?"].
Ainda não se conhece os contornos da nacionalização, mas para já há três perguntas a fazer:
1. Partindo do princípio que a dívida do BPN não foi contraída nas duas últimas semanas, quem determinou o empréstimo da CGD e quais foram os motivos?
2. Partindo do princípio que Constâncio sabia da situação real do BPN, que medidas foram tomadas pelo Banco de Portugal e qual as suas responsabilidades?
3. Quem tem responsabilidades na situação actual do Banco?

[notícia do Público]

sábado, novembro 01, 2008

Bella Ciao


[ver e ouvir até ao fim]

Em 2002, pouco tempo depois de ter ganho a sua segunda eleição e naquelas que foram denominadas como as "medidas búlgaras" por terem sido anunciadas em conferência de imprensa numa visita oficial à Bulgária, Berlusconi anunciou o despedimento de vários quadros da televisão do Estado, por o terem criticado publicamente.
Santoro era um dos mais antigos jornalistas da RAI, e moderava um programa de debate político com enorme popularidade. Foi despedido.
A Itália arrepiou-se quando Santoro iniciou o seu último programa deste modo.

Fascistas

A história resume-se em poucas palavras.
Em Itália, os estudantes têm vindo a manifestar-se contra a aprovação de uma lei para o ensino secundário. Tem havido uma imensa adesão, ocupações de escolas e muitas manifestações locais e nacionais.
Em Roma, um grupo de fascistas da organização Blocco Studentesco, beneficiando da conivência da polícia, Câmara Municipal de Roma e Governo, entrou na Piazza Navona dentro de uma carrinha e, armados com bastões, cintos e tacos de basebol carregaram sobre os estudantes do secundário.
As fotografias podem ser vistas aqui.
O governo de Berlusconi desmente o sucedido mas a história pode ser aprofundada aqui ou no texto do Party Program.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Com a Corda na Garganta




ACÇÃO DE PROTESTO
Vai realizar-se, no próximo dia 29 de Outubro, entre as 18 e as 24horas, uma concentração/acampamento “Com a Corda na Garganta” junto ao Ministério das Finanças, na Av. Infante D. Henrique (junto à Estação Sul e Sueste) de protesto de quem comprou casa e viu subir brutalmente a prestação a pagar ao banco.
Exigimos que o direito Constitucional à habitação seja efectivado!
PARTICIPA!!!!
Para mais informações contacta-nos via e-mail, ou deixa contacto:
http://comacordanagarganta.blogspot.com/

PETIÇÃO
http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?cor12008&1

Marx, Engels, Lenine


Marx já morreu, Lenine também,
e logo agora que o Mundo não se está a sentir nada bem...

terça-feira, outubro 28, 2008

Frei Betto pede desculpas em nome do mercado

via "O Tempo das Cerejas"

«Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos.
Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos – os economistas neoliberais – saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés.
Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.
Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me.
Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante.
Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.
Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezanove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período. Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação. Para contê-la, o governo subiu os juros... e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.
Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou. Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro. Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado! Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores. Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisarão repensar suas políticas econômicas.
Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência. Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.»
24.10.2008

domingo, outubro 26, 2008

As certezas de Sócrates

A determinada altura da entrevista à TSF, Sócrates diz qualquer coisa como:
- Esta crise não é cíclica, mas sabemos que ocorre de cem em cem anos (...)

P.s. - Não foi transcrito para a versão do DN...

Fazer o "trabalhinho" II



Leio aqui que o BE apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa uma moção equivalente à proposta que havia apresentado na Assembleia da República, sobre o casamento de cidadãos com o mesmo sexo. A proposta foi aprovada por PS, PCP, PEV, BE e de quatro deputados do PSD.
Pensar-se-ia que estamos perante mais uma frente crítica às directrizes de Sócrates, mas olhando-se para a bancada socialista encontramos deputados socialistas que, da noite para o dia, alteraram o seu sentido de voto - Miguel Coelho e Maria de Belém Roseira.
Ou as várias acumulações e trabalhos partidários a que estes deputados estão sujeitos, os fez não entender o que se votava, ou vêm a sua função de deputados (nacionais ou municipais), no mínimo, com alguma leviandade.

Presidentes de juntas sem salários

Orçamento de Estado não tem inscritas verbas para pagar os vencimentos de 330 autarcas de freguesia.

sábado, outubro 25, 2008

Movimentações Eleitorais

Paulo Pedroso publica um texto sobre o comportamento eleitoral dos portugueses e as suas mais recentes tendências.
Esquecendo os nomes dos "grupos", esquerda comunista e radical é (no mínimo) pouco rigoroso, parece-me que a questão fundamental destes gráficos são as fronteiras. Se é verdade que um PS, quando em oposição pode ser visto como Centro-Esquerda, quando está no Governo isso já não acontece - veja-se por exemplo as posições deste partido sobre o Código do Trabalho. Assim sendo, o gráfico terá de ser mais dinâmico e muito ténue no que concerne às fronteiras entre o único grupo, de acordo com Pedroso, que apenas tem um partido e os que estão, teoricamente, à sua direita.

Orçamento Participativo em Lisboa

Enviei esta proposta:

Em sede de Orçamento Participativo e, enquanto cidadão residente em Lisboa e encarregado de educação de uma antiga utente dos Estabelecimentos de Infância da Fundação D. Pedro IV, cumpre-me propor o seguinte:
A Fundação D. Pedro IV é uma instituição que administra sete Estabelecimentos de Infância na cidade de Lisboa designados como Arroios, Calafates, Junqueira, Olivais, Santa Quitéria, Santana e São Vicente, abrangendo cerca de 850 crianças, de idades compreendidas entre os 4 meses e os 10 anos, distribuídas pelas valências de Creche, Jardim de Infância e Actividades de Tempos Livres (A.T.L.).
Conforme é sabido, desde o início, que esta Fundação tem estado envolta em polémica, seja pela forma como foi constituída, pelos processos que de inquérito e investigação que envolvem os seus administradores, pelo conjunto de empresas imobiliárias que actuam no espaço da sua sede (edifício que é património do Estado e no qual existe um dos Estabelecimentos de Infância) e detidas pelos seus administradores, pela gestão dos estabelecimentos de infância e pela gestão dos bairros sociais que em 2005 lhe fora atribuída.
Estes casos têm vindo a ser notícia ao longo dos últimos anos em vários orgãos de comunicação social, ou foram detalhadamente descritos num relatório da Inspecção Geral da Segurança Social (Processo 75/96) no qual se propunha a extinção da Instituição.
A ausência de sensibilidade social que a Fundação D. Pedro IV tem demonstrado na sua forma de actuação levou a que, em 2007, a Assembleia da República reconhecesse a incapacidade da instituição para gerir os bairros sociais dos Lóios e Amendoeiras retirando-lhe a sua gestão, que lhe havia sido atribuída dois anos antes.
Perante a estranheza do reconhecimento da incapacidade social da Fundação D. Pedro IV nas matérias que dizem respeito aos bairros sociais e a manutenção dos estabelecimentos de infância, a tutela declarou a sua incapacidade para acolher e gerir as sete instituições e 850 crianças.
É neste ponto que, em meu entender, a Câmara Municipal de Lisboa deve tomar parte no processo.
É assumido por todos que a rede pública de estabelecimentos de infância em Lisboa é insuficiente. Por outro lado, o processo de desertificação da cidade de Lisboa não se inverte exclusivamente construindo ou reabilitando habitação, mas sim criando condições objectivas para que novas famílias possam habitar a cidade.
Ora, se por um lado, é evidente para a opinião pública e para alguns organismos do Estado que a Fundação D. Pedro IV não cumpre os seus objectivos sociais, designadamente ao nível dos estabelecimentos de infância, e se a Câmara Municipal de Lisboa entende como objectivo vital uma política de incentivo à domicialização de novas famílias dentro da cidade e consequente criação de um sistema de estabelecimentos de infância municipais de maior dimensão, em sede de Orçamento Participativo proponho:

- Que a Câmara Municipal de Lisboa, informe o governo da sua disponibilidade para gerir e assumir o património actualmente gerido pela Fundação D. Pedro IV, no que diz respeito, aos seus estabelecimentos de infância;

- Que a Câmara Municipal de Lisboa, inicie todos os procedimentos junto da tutela para a transferência do referido património;

- Que a Câmara Municipal de Lisboa, cabimente, já para o próximo ano, as verbas decorrentes da gestão e administração destes sete estabelecimentos de infância.

Cantiga do Bandido

«O PS está aberto a uma coligação de Esquerda. É bom não esquecer que já a tentou na eleição intercalar e tem tentado desde aí», afirmou ao SOL o vice-presidente da autarquia, Marcos Perestrello, acrescentando que esta posição é independente do nome que os sociais-democratas apresentarem: «O PSD ainda não disse qual é o seu candidato».
Se falhar a coligação, a estratégia de Costa será a de se apresentar com vários nomes da Esquerda, como Helena Roseta (se desistir de concorrer pelo Movimento Cidadãos por Lisboa) e Sá Fernandes. E tentar até alargar à direita a sua equipa.
No Bloco, porém, não é ainda clara a estratégia que será seguida. Com uma Convenção marcada para Janeiro, os bloquistas são cautelosos a falar do futuro. Isto, apesar de ser cada vez mais evidente a aproximação do vereador José Sá Fernandes a Costa. E cada vez mais patente o desconforto do Bloco com essa aproximação.


Estas declarações são um clássico da política autárquica e da política sem princípios.
Durante os últimos dois anos de PS+BE e quatro anos de PSD+Carmona+CDS, não houve nenhuma força política que tanto se tivesse demarcado das opções de fundo do governo de Lisboa, como a CDU.
Desde a continuada cedência de espaços públicos para eventos comerciais e publicitários, à recorrente cedência a privados do planeamento das áreas mais rentáveis da cidade, à falta de transparência e "amiguismo" nos actos relacionados com a gestão urbana, à inexistente política de manutenção e recuperação das vias e ruas da cidade, à falta de apoio às colectividades locais, à tradicional preocupação em distribuir gestores e administradores de cartão partidário pelas empresas geridas pela CML ...

terça-feira, outubro 21, 2008

Fazer o "trabalhinho"

TAKE 1
Na eminência da perda de deputados, na eminência do deputado-do-fim-da-lista-que-foi para-a-AR-porque-os-que-estavam-à-frente-foram-para-o-governo não entrar, Jaime Gama adverte que é preciso fazer o "trabalhinho" porque pode não haver para todos:
"Jaime Gama avisa deputados do PS que se quiserem ser reeleitos têm de fazer o trabalho de casa"

TAKE 2
Os deputados do PS intranquilizam-se:
"Deputados do PS incomodados com discurso "paternalista" de Jaime Gama"

sábado, outubro 18, 2008

O que Sócrates diz e o governo não escreve:

"Sócrates diz que Orçamento de Estado de 2009 é para ajudar empresas e famílias"
Público

Nos tempos que correm, os portugueses vão sofrendo com as consequências das "gentes de Sócrates" terem uma maioria absoluta.
O orçamento de Estado, apresentado de uma forma atrapalhada e pouco transparente, não revela especial interesse no apoio às famílias e às empresas (que não estejam ligadas à banca). BE e PCP, durante esta semana, fizeram propostas justas e que vão ao encontro das preocupações das pessoas e que, ontem, foram chumbadas pela mole de deputados de Sócrates.
O BE apresentou uma proposta contra a especulação nos preços da gasolina (o barril do petróleo está a mais de metade do preço do que estava há 2 meses, e as gasolinas pouco baixam) e um regime de crédito bonificado para com os cidadãos desempregados - REJEITADO.
O PCP apresentou uma resolução que defende a descida da Taxa de Juro e o estabelecimento de um spread máximo, a aplicar pela CGD, de 0,50% (o spread médio subiu de 0,61% há um ano para 0,95% nos nossos dias) - REJEITADO.

Cavaco promulga em meia hora

Cavaco anuncia com orgulho que houve uma lei, proposta pelo Governo que promulgou em meia hora.
Será algo para ajudar as famílias? Uma medida para quem está desempregado? Um qualquer apoio para quem está com dificuldades a pagar o crédito? O aumento das pensões? O aumento dos salários? NÃO!
A urgência é a "medida supositório": a garantia de 20 milhões para a banca.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Como desincentivar a participação:

Orçamento Participativo em Lisboa

A Pergunta:

A questão posta nos termos correctos, após sugestão de um amigo:
Se, neste momento, o perigo é a falta de liquidez da banca, por que será que o Estado não apoia os cidadãos a amortizarem os empréstimos?
Assim, o Estado, ajudaria a banca a ter liquidez e as famílias a estarem menos endividadas.

terça-feira, outubro 14, 2008

Afinal os Bancos são instituições de solidariedade social

Carlos Santos Ferreira, no programa Prós & Contras da RTP1 defendeu a tese que as garantias dadas pelo Estado não eram para os bancos mas para os cidadãos, pois estas verbas serviriam para poderem dar mais crédito.
Percebemos agora que o crédito não é um grande negócio para a banca, mas uma iniciativa de solidariedade social.
Assim sendo, qualquer cidadão quando for negociar o seu "spread", já tem um argumento perante a banca: não ter dinheiro. Vai ser só facilidades!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Garantias para quê?

O governo, o Banco de Portugal e o Presidente da República afirmaram várias vezes que a banca portuguesa estava a passar à margem da crise. Os banqueiros, em tom descontraído, reafirmam a sua tranquilidade e bonomia. Cavaco chegou a dizer que de acordo com as informações que tinha não havia nenhum banco em dificuldades.
A serem verdadeiras estas declarações, nenhum banco recorrerá às garantias oferecidas pelo governo.

Lógica Matemática

Com o nosso dinheiro, o governo, apoia a banca.
Com o nosso dinheiro, a banca, apoia o governo.

Durão Barroso

"A culpa da crise não é do mercado mas sim dos organismos de Estado que deviam fazer a regulação"

Prós e Contras, RTP1

Será só em Espanha?



via "O tempo das cerejas"

O Público mente [Actualização]

"As taxas Euribor caíram acentuadamente hoje, um dia depois de os governos da Zona Euro terem aceita um plano que garante os empréstimos entre os bancos e que admite a nacionalização de instituições financeiras em dificuldades."

Em comparação com a Euribor a 6 meses de 5ª feira passada, esta é uma queda de 0,081%. A diminuição da taxa de referência em 0,50% ou as decisões dos governos nacionais, não se estam a traduzir em nada, que não, mais mordomias para a banca.

[Actualização] A RTP também propaga a mesma mentira.

sábado, outubro 11, 2008

I. A “crise” na sociedade capitalista

Em tempos de incerteza, não me parece muito arriscado diagnosticar que quem, à esquerda, tem vindo a referir que os tempos que vivemos anunciam o fim do capitalismo, está enganado. A história ou a leitura de Marx, tornam clara a relação genética e cíclica dos momentos de crise com o desenvolver da sociedade capitalista.
Aliás, essa é um pouco a história do Séc. XX. Violentos momentos de crise e guerra em paralelo com ofensivas contra os direitos dos cidadãos.

II. É o capitalismo que vos fala

Temos antena aberta para todos os responsáveis.
Bush fala num “eles” que causaram a crise, McCain nos de “Wall Street”, Sócrates culpa os que defendiam “mais mercado”, Berardo critica as vinte “companies” que detêm 27% da riqueza no Mundo e Salgueiro culpa a imprudência dos portugueses.
Rapidamente o mais fervoroso adepto da economia de mercado de ontem, lança chavões esquerdistas, contra os “outros”. Na crise perde-se pudor e a última honestidade, culpando-se “o outro” abstracto.
Mas quando alguém diz, que estes “outros” sois vós, imediatamente se transfigura o discurso para o da inevitabilidade da sociedade capitalista.

III. Os Media e o capitalismo


Na próxima semana anuncia-se para a RTP1 do serviço público, um debate denominado “Prós e Contras”, para o qual estão convidados os presidentes dos quatro maiores bancos nacionais.
Na situação actual, o capitalismo ganha cegueira e silencia outras vozes, para a defesa do seu estado em todos os horários nobres.
A dúvida e a falta de confiança que temos em quem nos governa (nos bancos, nas empresas, e nos governos), sedimenta-se na rua mas é expulsa do debate. Por razões de força maior, o pluralismo segue dentro de momentos.

IV. Em quem confiar?

Sabemos que no contexto actual a informação é cada vez mais filtrada e oculta. Quem conhece alguém que trabalhe numa agência bancária ou quem tenha passado por um banco na última semana, sabe que existe um processo de levantamento de dinheiro compulsivo, que os telejornais ocultam. Para quê ter uma conta à ordem, sem juros, e com a instabilidade do dinheiro desaparecer?
Na hora de zelar pelas suas poupanças, os portugueses sabem, que Cavaco, Sócrates, Teixeira dos Santos ou Constâncio, têm outras agendas e que nunca demonstraram especial carinho pela palavra dada.
Alguém tem dúvidas que, Cavaco ou Sócrates não estão a fazer tudo para aguentar o BPN, dos amigos Dias Loureiro e Cadilhe, às nossas custas – ver a notícia do DN de hoje.

V. Quem ganha e perde com a crise?


A notícia que alguns quadros de topo da AIG, após a injecção de capital por parte do estado, foram passar uma semana a um “resort” turístico (leia-se a propósito o comunicado da empresa que não o desmente), ou os prémios e regalias com que os administradores de grandes empresas continuam a viver, ajuda a desenhar o retrato de uma crise que apenas atinge as classes médias e baixas do mundo inteiro.
Apesar de uma ou outra voz do regime anunciar “investigações” ou “multas”, não é difícil adivinhar que ninguém se aproximará de uma cela.

VI. A “crise” e o seu carácter revolucionário

Ainda que pense que estas “crises” são de carácter endémico, cíclico e necessárias à sobrevivência do capitalismo, também acredito que são estes os momentos em que mais se fragiliza.
Sinais como a manifestação de ontem em Londres “Make the fat cat pay” ou o processo de depósitos massivos no banco Inglês que no dia anterior tinha sido nacionalizado (o que levou o governo a bloquear os depósitos), revelam a necessidade de uma maior intervenção do Estado, pondo em causa as bases do neoliberalismo.
Aliás, parece que os defensores do mercado livre ou da diminuição do peso do Estado, embora continuem a discursar se afastam conjunturalmente do anteriormente defendido.

VII. A táctica de Sócrates

Sócrates não inova. O primeiro discurso é contra “os que defendiam menos Estado”, esquecendo por momentos a Esquerda Moderna que extingue hospitais e maternidades, que obriga as universidades públicas a dependerem de receitas privadas ou que despede e reforma compulsivamente os funcionários do Estado. Declara-se a favor de uma maior regulação e de um papel mais interventivo do Estado, contrariando a amálgama ideológica que consta no Programa do Governo do PS:

O actual estágio de desenvolvimento das Economias Ocidentais colocou, na ordem do dia, a necessidade de coexistência das três tipologias estruturantes da actividade económica: as formas de organização típicas da Economia de Mercado, cuja sua mais acabada expressão são as Empresas obedecendo naturalmente ao primado do lucro; o Estado que, nos seus
vários níveis, procura a geração dos bens públicos; e as Organizações de Cidadãos que buscam juntar critérios de eficiência com os objectivos sociais de produção de determinados bens públicos críticos (saúde, solidariedade social, educação, habitação, etc.), ou seja que traduzem a simbiose entre a economia de mercado e as preocupações sociais.
“ pp. 66

Desta forma o primeiro ministro procura ocultar o seu passado recente e coloca-se de fora.
Contudo, em paralelo e num esforço olímpico do triplo salto, ensaia o discurso que em Portugal não será assim tão mau porque “nós” (agora sim, “eles”) prepararam o país.
Nada que Salazar não tenha feito.

A Sá Fernandização do PSD:

Lisboa: PSD quer substituir construção polémica no Largo do Rato por um jardim

sexta-feira, outubro 10, 2008

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

O mundo anda preocupado com a "crise". Durante o fim de semana tenciono escrever um pouco sobre isso.
Contudo, hoje mesmo, o PS prepara-se para baixar a democracia ao grau zero. Os seus deputados demonstrando um "elevado" valor cívico e moral aceitarão, depois do reconhecimento do Kosovo, mais um ditame do Pai Sócrates ao votarem contra as propostas de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Se a questão fosse posta num dos partidos de esquerda, facilmente os jornais lhe chamariam um comportamento estalinista. Como é com o PS referem que é o respeito pela decisão maioritária.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Quando te sentires apertado, culpa quem está à volta...



"O presidente da Associação Portuguesa de Bancos justificou, esta quarta-feira, as constantes subidas da Euribor com a falta de confiança no mercado interbancário. À TSF, João Salgueiro culpou ainda os portugueses pelo excesso de endividamento."

Na opinião do homem os portugueses são estúpidos. Só é pena é que tenha sempre vivido à custa do dinheiro dos portugueses. De cabeça perdida, o ex-Ministro e banqueiro do regime, vem agora dizer que a culpa é dos portugueses.
É nos momentos de tensão que caiem as máscaras da "seriedade" e da "inteligência".

domingo, setembro 21, 2008

Tudo bons rapazes

"JS desiste de agendar proposta sobre casamento homossexual na actual legislatura"

A "palavra" dos jotas durou 1 mês. Gente de confiança.

Defendemos isto, até fazermos exactamente o contrário

[Somos por uma] "segurança social pública que garanta o futuro das pensões"
José Sócrates, 20 de Setembro de 2008

Com esta declaração de Sócrates pudemos ter a certeza de duas coisas:
1. Sócrates já pensou sobre a hipótese de privatizar as reformas;
2. Dentro de um ano o PS, em coro, poderá dizer exactamente o contrário.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Pedro Ornelas

Há alguns anos que sou frequentador assíduo do Céu sobre Lisboa e, no passado 11 de Julho, conheci o Pedro Ornelas - ambos fomos convidados para escrever um projecto para viajantes, ele com a paisagem, eu com a arquitectura.
Mas só hoje me apercebi que o Pedro era o autor do Céu sobre Lisboa, e que faleceu uns dias depois de o conhecer. A morte é sempre uma coisa estranha e absurda.

[Soube da notícia através do Daniel Carrapa e aconselho a leitura do post escrito pelo Ivan Nunes]

quarta-feira, agosto 27, 2008

Recursos naturais

27.08.2008, Paulo Varela Gomes in Público

É Agosto, há férias aí em Portugal, volto portanto a assuntos relacionados com a questão fundacional com que se deparam os portugueses que saem fronteiras e entram "na Europa": porque é que nós não somos assim?
Sou historiador da arte e da arquitectura. Ao visitar recentemente as cidades flamengas, coloquei a mim próprio duas perguntas dedutíveis a partir da tal questão fundacional, perguntas que há anos faço a mim próprio mal chego a Salamanca ou Sevilha: porque é que só temos um mosteiro da Batalha e um mosteiro dos Jerónimos, quando na Flandres, na Espanha, na França, há dezenas?
De facto, não é possível comparar sem uma espécie de desmaio da alma o património artístico português com aquele de outras regiões da Europa de dimensão populacional semelhante: Castela, Aragão, a antiga Borgonha, a França parisiense, a Toscânia, o Véneto, a Lombardia, a Alemanha do norte (ao nível português estarão a Galiza, Nápoles, a Inglaterra, a Dinamarca, a Polónia).
Portugal foi senhor da "navegação e do comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia" (para já não falar do Brasil). Para onde foi a riqueza que teria resultado dessa "época de ouro" de expansão?
A historiografia e a ideologia anticlerical e republicana conta-nos desde o século XIX que tudo ou quase tudo se teria evaporado por culpa da nobreza e do clero, classes dominantes que teriam gasto em coisas sumptuárias os proveitos da expansão. Pois muito bem, pergunto eu que sou historiador da arte: onde está a arte, essa coisa sumptuária por excelência?
Não está. E não está porque não havia em Portugal riqueza nenhuma, poderio marítimo ou não poderio marítimo.
A riqueza, aquela que deu palácios, mosteiros, catedrais, pintura e escultura, a nobres, clérigos e príncipes, franceses e castelhanos, flamengos e toscanos, não veio da expansão marítima. Veio da terra.
No seu relatório Rumo à Vitória (1964), Álvaro Cunhal entrou numa espécie de polémica imaginária com Salazar. Este teria por hábito afirmar que Portugal é um país pobre. Não senhor, escreve Cunhal, "os recursos naturais do país são suficientes para garantir o bem-estar material a todos os portugueses".
O bem-estar, é possível. Agora grande arte e arquitectura, não. Os "recursos naturais do país", ou seja, em termos tradicionais, a agricultura, foi sempre miserável e, com ela, miseráveis os aristocratas, os conventos, os príncipes incultos, desinteressados das artes. O facto de só haver em Portugal um mosteiro dos Jerónimos diz tudo o que é preciso sobre o que foram as classes dominantes do reino, e a monarquia, na "época de ouro": pobres.
Os proventos resultantes do senhorio "da navegação e do comércio" ficavam nele, pagando a vastíssima rede de fortalezas que os portugueses deixaram pelo mundo inteiro e os homens que nessas fortalezas viveram e morreram. Serviram para proteger um império que não dava dinheiro à custa de todo o dinheiro que dava.
Pensando bem: há nisto alguma coisa de extraordinário.

sábado, agosto 23, 2008

Notícias pouco surpreendentes:

"Valentim admite apoiar Sócrates"
Valentim Loureiro nunca fará campanha pelo PS, mas simpatiza com Sócrates e admite apoiá-lo nas legislativas.
Suspenso do PSD, Valentim Loureiro poderá apoiar José Sócrates nas próximas legislativas. "Ele até já oferece computadores, como eu fiz há muitos anos", diz Valentim.

Ricardo Jorge Pinto
18:00 | Sexta-feira, 22 de Ago de 2008

quinta-feira, agosto 21, 2008

Jogos Olímpicos

De quatro em quatro levanta-se o habitual torpor dos atletas de sofá, sobre a prestação dos atletas portugueses, este ano apimentadas, pelas declarações do comandante da delegação portuguesa Vicente Moura - o primeiro rato a abandonar o barco.
No dia em que Vanessa conquistou a primeira medalha, o comandante veio fazer declarações despropositadas atacando veladamente outros atletas e pondo uma enorme tensão sobre toda a comitiva e em especial sobre os atletas que ainda tinham de efectuar as suas provas. Já todos sabíamos que o comandante teria poucas condições para continuar, por causa das suas declarações e pelo facto de estar à mais de 400 anos a trabalhar de 4 em 4 anos. Mas passado uns dias, o comandante resolveu anunciar que se demitia, ainda antes do Jogos terminarem.
Que os atletas digam disparates, não me preocupa nada. Que quem é pago para comandar (e não para opinar), desestabilize, isso sim, é dinheiro mal gasto do erário público. E já lá vão tantos quatro anos!

quarta-feira, agosto 20, 2008

Férias II

Castelo Branco
Para outras visitas aqui fica o Flickr da mãe

Férias I

Tal como no ano passado aqui fica o Top 3 da Amélia no Youtube:


Pedro e o Lobo


Pantera Cor de Rosa


Pluto's Fledgling

sábado, agosto 16, 2008

"Sócrates reaproxima-se de Alegre"

Por Helena Pereira com Sónia Trigueirão no Sol
Sócrates reaproximou-se de Manuel Alegre, tendo almoçado com ele por duas vezes. Depois do distanciamento de Alegre em relação à direcção do PS, esta ‘reconciliação’ mostra que Sócrates não quer perder as pontes com a esquerda do partido, tendo certamente em vista as próximas legislativas e presidenciais

José Sócrates e Manuel Alegre foram de férias em clima de grande sintonia. A hipótese de Manuel Alegre voltar a candidatar-se às eleições presidenciais, mas desta vez com o apoio do PS, está a ganhar força. Seria uma nova forma de cooperação estratégica entre socialistas
Os dois almoçaram juntos num restaurante de Lisboa e fizeram as pazes depois do comício do Teatro da Trindade (organizado pelo Bloco de Esquerda no final de Maio e em que Alegre desferiu um duro ataque ao Governo do PS). Na altura, Alegre afirmou que a sua «lealdade é para com os portugueses e para os que votaram no PS e estão na pobreza» e quis mostrar, ao lado do BE, que é possível «quebrar o tabu e o preconceito segundo o qual as esquerdas não se podem unir».

quinta-feira, agosto 07, 2008

Época parva 03

"Staying at Manchester is no sacrifice; it is a great honour"

Ronaldo tirou o dia de ontem para se desdobrar em entrevistas e preparar o regresso a casa.

Época parva 02

Tribunal confirma condenação a Tavares Moreira

Afinal parece que o sempre respeitável ex-ministro (se a memória não me falha!), banqueiro, e governador do Banco de Portugal andou a dizer umas mentiras inocentes. No Bloco Central é tudo gente séria!

Época parva 01

"Depois de ter proibido as massagens, o comandante da zona marítima do Algarve resolveu proibir a distribuição de maçãs nas praias algarvias por considerar que esta acção seria apenas pura publicidade."

E assim a Fundação Portuguesa de Cardiologia e a Associação de Produtores de Alcobaça, foram proibidas de "fazer concorrência" aos bares e cafés das zonas concessionadas. O comandante da zona marítima do Algarve ao serviço do Estado, diligentemente, a servir o interesse privado.

quarta-feira, julho 30, 2008

Deputados deram mais de 1.500 faltas, Carlos Gonçalves (PSD) e Manuel Alegre (PS) no "top"

Lisboa, 30 Jul (Lusa) - Os 230 deputados deram mais de 1.500 faltas nas 109 reuniões plenárias da terceira sessão legislativa, apenas 10 das quais injustificadas, e Carlos Gonçalves (PSD) e Manuel Alegre são os recordistas, com 39.
Numa consulta feita pela Agência Lusa ao registo de presença dos 230 deputados em funções até ao fim da sessão no "site" do Parlamento (www.parlamento.pt), a 18 de Julho, conclui-se que grande parte das faltas do socialista e ex-candidato presidencial Manuel Alegre (27) foram devidas a doença.
O social-democrata Carlos Gonçalves, eleito pelo círculo da emigração, deu duas faltas injustificadas e 37 justificadas, todas elas com o mesmo motivo: trabalho político.
A avaliar pelos dados da Assembleia, nenhum deputado perdeu o mandato - o que acontece a quem tiver mais do que quatro faltas injustificadas, segundo o regimento - embora ainda existam 103 faltas por justificar aos serviços da Assembleia.
Dos 230 deputados, seis tiveram que descontar uma parte do ordenado por terem faltas injustificadas - 1/10 na primeira falta, 1/20 na segunda e restantes.
Um deles foi o ex-líder parlamentar do PSD Luís Marques Guedes, que teve três faltas injustificadas, mais uma do que Maria Antónia Almeida Santos (PS) e do que ex-líder parlamentar Pedro Santana Lopes (PSD). O antigo autarca Luís Pita Ameixa (PS) e os dois ex-secretários de Estado Jorge Costa e Miguel Frasquilho (PSD) têm averbadas uma falta cada um.
Na lista dos mais faltosos, há 16 deputados com mais de 20 faltas justificadas.
Paula Cristina Duarte, do PS, é a terceira na lista, com 38 faltas, 22 das quais por doença, 12 por motivos de "força maior" e três por "motivo considerado relevante".
Mário David, do PSD, deu 30 faltas justificadas com trabalho político e uma estava ainda por justificar, enquanto com 27 faltas ficaram Jorge Pereira e José Freire Antunes (PSD), com este último a justificar todas as ausências por doença.
Alcídia Lopes (PS) e Virgílio Costa (PSD), "recordista" em 2006, tiveram 25 faltas justificadas cada, enquanto Jorge Neto e Sérgio Vieira, também do PSD, faltaram a 23 sessões.
Com 21 faltas cada estão o madeirense Guilherme Silva e Miguel Santos (PSD) e Maria Carrilho (PS). O deputado do PS e ex-presidente da câmara de Lisboa João Soares teve 20 faltas - 15 justificadas e cinco por justificar.
Trabalho político foi o motivo para explicar 959 faltas, seguindo-se 334 por doença. Da lista, 57 faltas foram justificadas por motivos de força maior, 19 por motivo considerado relevante. Oito por paternidade, mais oito por casamento, 14 por luto e uma por maternidade.
O regimento da Assembleia da República estabelece como um dos deveres dos deputados é "participar nas votações", mas o Estatuto dos Deputados considera "motivo justificado a doença, o casamento, a maternidade e a paternidade, o luto, missão ou trabalho parlamentar e o trabalho político ou do partido a que o deputado pertence".
Um deputado, ainda segundo o regimento, perde o mandato quando dá mais do que quatro faltas injustificadas a reuniões plenárias por cada sessão legislativa (de Setembro a Julho de cada ano).
A divulgação das faltas dos deputados, a par da sua declaração de rendimentos, na página da Internet do Parlamento foi uma das inovações no regimento da Assembleia que entrou em vigor em Setembro de 2007.
IEL/NS

terça-feira, julho 29, 2008

Para refletir com factos:

DN de 29.07.2008

Maioria das propostas do Governo apoiada pelo PSD
Existe de facto um 'bloco central' na aprovação parlamentar das leis oriundas do Governo. Os números são indesmentíveis. A maioria dos diplomas (30 em 55) obteve luz verde da bancada social-democrata. Segue-se o CDS-PP. À esquerda, o panorama é exactamente o oposto
Em 55 propostas do Governo, PSD votou a favor de 30

O PSD é o partido que mais vezes vota ao lado do PS na aprovação das propostas do Governo. Na última sessão parlamentar, os sociais-democratas votaram favoravelmente mais de metade das iniciativas que o Executivo de José Sócrates levou à Assembleia da República: de um total de 55 propostas de lei aprovadas em votação final global, a maior bancada da oposição deu o seu acordo a 30.
Os deputados do PSD são também os que menos vezes votaram contra os diplomas do Governo - fizeram-no em 14 propostas. E optaram pela abstenção em 11 casos. A seguir ao PSD é ainda à direita que as leis socialistas encontram maior adesão: o CDS-PP votou 24 vezes ao lado do PS (absteve-se em 16 e votou contra 15).
À esquerda, a tendência é bem diferente: PCP e BE acusam o Governo de ser de direita e agem em conformidade. Os dois partidos têm votações muito semelhantes - ambos chumbaram 32 propostas oriundas dos ministérios. O Bloco aprovou 18, os comunistas menos uma. A posição inverte-se na abstenção, com o PCP a votar essa opção seis vezes e os bloquistas cinco.
O PEV revela números iguais aos dos comunistas nas votações finais globais (a última etapa do processo legislativo no Parlamento, após o que os diplomas seguem para aprovação do Presidente da República).
A terceira sessão legislativa - que decorreu entre Setembro de 2007 e Julho de 2008 - marcou um decréscimo significativo nos diplomas que o Governo levou ao Parlamento: no ano anterior foram 60, agora 43. O facto de o número de propostas aprovadas ser superior deve-se à circunstância de algumas terem transitado da sessão anterior.
Dos 55 textos do Executivo aprovados nesta sessão, houve 13 casos em que o PS puxou da sua maioria absoluta para fazer aprovar propostas de lei que recolheram o parecer desfavorável de todas as bancadas da oposição. Em percentagem representa cerca de 24%, mas desta lista constam alguns dos mais emblemáticos diplomas da sessão. A começar no Orçamento do Estado, continuando pela gestão e avaliação do desempenho da administração pública, as alterações ao Estatuto do Jornalista (que voltou ao Parlamento depois de ter sido vetado por Cavaco), a lei de Segurança Interna ou a da Organização e Investigação Criminal. Além destas, há mais seis propostas em que o PS foi o único partido que votou a favor, mas com abstenções entre a oposição.

Bloco antagoniza-se
A situação contrária aconteceu exactamente o mesmo número de vezes: no último ano, 13 propostas do Governo mereceram aprovação unânime no plenário. Tratou-se, em vários casos, da transposição de directivas europeias, noutros de um processo negocial nas comissões parlamentares que acabou em consenso.
As votações da terceira sessão legislativa vêm confirmar a tendência de anos anteriores: o PSD é o partido que mais vota favoravelmente as propostas de lei do Executivo de Sócrates, seguido pelo CDS.
Já os comunistas são os campeões nos "chumbos". O Bloco de Esquerda foi o partido que variou mais em termos de votação - na primeira sessão os bloquistas votaram mais vezes a favor do que contra, no segundo ano inverteram a tendência, que mantém agora.

segunda-feira, junho 30, 2008

O menino de oiro...

«Francisco Queirós, professor e Coordenador da Comissão Concelhia de Coimbra do PCP, habitual colunista do Diário As Beiras, apresenta-nos, na sua coluna de hoje, dia 26 de Junho de 2008, um texto intitulado "O valente Dinis", o qual começa da forma seguinte: "José Sócrates esteve em Coimbra a 14 e 15 deste mês. Entre visitas e inaugurações teve tempo para convidar os sindicatos para uma reunião. Os dirigentes sindicais do distrito embora sem falsas esperanças não perderam a oportunidade de expor as suas posições ao primeiro-ministro. No início do encontro, mandavam as mais elementares regras de boa educação, o chefe do governo deveria cumprimentar os seus convidados com civilidade. O que fez Sócrates ? Dirigiu-se aos sindicalistas: "Então hoje como os senhores estão aqui não organizam nenhuma daquelas manifestações para me insultar!". Um dos dirigentes sindicais rebateu: "Senhor primeiro-ministro permita-me que lhe diga que a forma como se nos dirigiu não foi nada correcta! Participo sempre em todas as manifestações contra as políticas do seu governo e nunca o insultei!". Os presentes aguardaram ainda um pedido de desculpa, talvez uma discreta correcção de tom e de forma ... Mas não! Sócrates acrescentou: "Ah! então vocês são os cobardes que ficam atrás a empurrar os que me insultam ..."

via LisboaLisboa2

terça-feira, junho 24, 2008

Quem te viu e quem te vê...

"PS e PSD: quando um dos partidos é governo, o outro deve ser oposição, sob pena de alimentarem a centrifugação política" - Vital Moreira.

sábado, junho 21, 2008

Bloco Central

Jornais, rádios e televisões comentam a possibilidade da aliança PS/PSD.
Há mais de 30 anos que foi feita mas nunca será assumida. Pode ser vista no governo, na banca, nos dirigentes da administração pública...

terça-feira, junho 17, 2008

Números do Tratado de Lisboa

1% dos europeus (irlandeses) decidiu rejeitar o Tratado de Lisboa que 0.0001% (governantes) dos europeus procurava impor a todos.

sexta-feira, junho 13, 2008

Marvila ganhou as Marchas Populares

Nunca fui ver as marchas e, ao contrário do Daniel, não sou grande apreciador da coisa. Contudo a vitória de Marvila tem um significado político. Uma das freguesias mais ignorada pela autarquia (ora PSD ora PS+BE), cujos bairros têm sido motivo das mais diversas negociatas de contornos obscuros por parte dos governos do bloco central e com um presidente da junta que olimpicamente ignora as reais preocupações da sua população, é o centro das mais activas organizações populares da cidade.
Parabéns aos seus activistas de Marvila nas Marchas e na vida!

Irlandeses bloqueiam carreira de Sócrates


Via Zero de Conduta

Hoje somos todos irlandeses

Por agora, parece que o não venceu na Irlanda. Um povo, votando por todos os povos da Europa, conseguiu atingir de uma forma contundente a Europa das 65 horas semanais de trabalho. Mas as coisas não deverão ficar por aqui...

Mas que esquerda é esta, amigo?

" Lisboa: hipermercado «compra» Jardim da Estrela"

quinta-feira, junho 12, 2008

Tratado de Lisboa

O Tratado de Lisboa vai a votos.
Na sequência da crescente atmosfera de redução dos direitos dos trabalhadores (com a possibilidade de aumento de número de horas de trabalho), da descredibilização e incompetência dos governantes, da crise do petróleo e dos alimentos, os regimes europeus num golpe palaciano e anti-democrático, decidiram fugir ao sufrágio popular do referido Tratado.
Apenas na Irlanda resiste uma réstia de esperança (de quem não concorda com o Tratado ou de quem, concordando com o Tratado, preza os procedimentos democráticos), que o Não vença.
Hoje, na Irlanda, decide-se o futuro da Europa e de Portugal.

domingo, junho 08, 2008

Eles vêm aí outra vez

Militantes do PS tentam controlar palavras de ordem de manifestação

Diz-nos a Lusa, num texto intitulado "Corrente socialista combaterá "sem hesitação tentativas de instrumentalização" do sindicalismo por forças políticas" que a corrente da CGTP composta por militantes do PS não concordou com a palavra de ordem "Está na hora, está na hora do governo se ir embora".
O que estava acordado segundo Carlos Trindade era a palavra de ordem: "Está na hora, está na hora desta política se ir embora".
Numa altura em que milhões de portugueses já contestam abertamente esta maioria absoluta, nos mais diversos sectores, ainda há gente que procura adornar as virgulas. Caso o governo fosse do PSD será que Carlos Trindade se preocuparia com a referida palavra de ordem?
Para além da palavra de ordem (que apenas Carlos Trindade e uns quantos militantes do PS desejariam gritar) não ter uma métrica fácil e em última análise querer dizer sensivelmente a mesma coisa que os militantes do PS não queriam que os 200 mil gritassem, as suas declarações aos jornalistas atribuindo esta situação a uma instrumentalização do PCP é uma atitude sectária e uma clara tentativa de controlo da manifestação.

sábado, junho 07, 2008

A gestão do Espaço Público municipal e a cedência da Praça das Flores pelo Vereador Sá Fernandes

Os Vereadores do PCP na CML
Lisboa, 3 de Junho de 2008

Os jornais têm noticiado duas novidades na gestão de Espaços Verdes da responsabilidade do vereador José Sá Fernandes: a primeira, é a cedência pela CML da Praça das Flores para uma realização privada publicitário-comercial de grande aparato e duas semanas de duração (lançamento de um novo modelo de automóvel) a que ridícula e inadequadamente o Vereador chama «parceria público-privada» e a segunda é a perspectiva destas operações se virem a repetir noutros jardins de Lisboa.

Ausência de informação à Câmara
Uma primeira nota negativa deste caso da Praça das Flores é, desde logo, o facto de nem sequer na sessão de quarta-feira passada o mesmo vereador ter informado a CML do que se estava a preparar, sendo evidente que nessa altura todo o negócio estaria ajustado. O carácter discutível da operação, os montantes financeiros envolvidos (150 000 euros), os prejuízos e incómodos causados à população seriam outros tantos motivos que exigiriam a consulta da Vereação, acrescendo ainda que é referida a «recuperação» do jardim pelo concessionário automobilístico, que evidentemente se imporia pelos danos que serão provocados no local.

Uma zona sitiada
Interessa sublinhar que os prejuízos para os munícipes residentes na área são reais: uma praça de grande equilíbrio urbanístico, mas de dimensões relativamente reduzidas, será objecto de enorme espalhafato de movimentações e equipamentos, proibições de acessos, alterações de circulação de pessoas e viaturas (incluindo transportes públicos), instalação de aparelhagens sonoras, até mesmo dificuldades no acesso ao comércio local, nomeadamente a farmácia ali existente.
Acrescente-se que não foi dada qualquer informação aos habitantes e comerciantes da área, muito menos a questão foi com eles discutida, nem pela Câmara Municipal, nem sequer pela Junta de Freguesia das Mercês, de resto, discutível participante no negócio.
Tudo isto se passa exactamente quando a CML mantém sobre taxas de ruído e de ocupação de espaço público um absurda conflito com as colectividades populares organizadoras dos arraiais populares tradicionais de Junho, pondo em muitos casos em causa a sua realização.

Posição dos Vereadores do PCP
Os Vereadores do PCP questionam este modelo de gestão e levantarão esta questão na próxima sessão de Câmara, embora em tal momento a operação publicitária esteja concluída (o que, relacionando com o silêncio do Vereador Sá Fernandes na última reunião, não deixa de ser significativo). Das conclusões a que se chegar e das decisões que a realidade venha a aconselhar, os Vereadores do PCP darão público conhecimento – e em especial aos moradores afectados – tendo em vista que, abusos de poder deste tipo e a utilização dos espaços verdes da Cidade em operações de carácter privado e de mais que duvidosa legitimidade e relevância para o interesse público, se venham a repetir.

Novo Benfica


No dia em que joga a selecção, em que Quim foi afastado e em que Moreira não foi convocado aqui fica o blogue do Novo Benfica.

+ Praça das Flores | seja feita a tua vontade:

olá,
A Câmara Municipal de Lisboa e os seus vereadores marco perestrello e josé sá fernandes acharam por bem alugar a Praça das Flores, durante 17 dias, a uma marca de automóveis, a Skoda. Durante estes 17 dias, a Skoda realizará várias festas nocturnas de lançamento internacional de um seu novo modelo automóvel, ocupando ininterruptamente a praça. As pessoas - transeuntes, população do bairro, turistas - não poderão ter acesso à praça entre as 17h e a 01h, período durante o qual decorre a festa privada da Skoda. Uma parte de estrada está vedada e o jardim está todo ele vedado, com gradeamento disfarçado de arbustos. Existem uns seguranças privados à 'porta' (?!?) do jardim e muita polícia. Existiram já confrontos entre a polícias e os habitantes, com dois destes a serem levados para a esquadra. As festas sucessivas fazem barulho sucessivo, noite após noite. O comércio local (excepto os restaurantes e cafés mais finos que estão instalados na praça e que estão abertos apenas para os convidados-skoda) está a ser prejudicado, segundo os próprios. MAS, mais importante, há um sentimento de revolta pela privatização do espaço público que está em curso (ou, como dizia um vizinho, 'quem tem o pilim é quem manda aqui nos joaquim').
Os moradores e os comerciantes, entre a revolta e o conformismo, estão a pensar organizar algumas coisas de que darei conta assim que tiver mais informação.
Entretanto, peço-vos que divulguem esta situação.
um abraço
zé neves

ps - o meu interesse nisto é triplo: como eleitor e apoiante do sá fernandes, tenho algum peso acumulado na consciência face a tudo isto; sou morador, embora o barulho não chegue à minha rua; e, por fim, tenho um preconceito ideológico que me leva a achar que os espaços públicos devem ser comunizados em vez de serem privatizados.

Praça das Flores, símbolo de resistência

Sendo a cidade, desde a sua constituição enquanto tal, o centro das mais importantes dinâmicas sociais transformadoras e de reunião das populações, as praças e espaços públicos são o primeiro elemento urbano que os regimes autoritários tendem a procurar dominar.
A venda temporária da Praça das Flores a uma empresa de automóveis, por despacho conjunto dos vereadores Perestrello (PS) e Sá Fernandes (BE), para além de impedir o direito ao descanso de quem vive nas sua imediações atenta contra o direito à livre utilização do espaço público. Nenhuma eleição legitima esta venda.

sexta-feira, junho 06, 2008

quarta-feira, junho 04, 2008

Revogação parcial DL 73/73

Uma vergonha.
A primeira Iniciativa Legislativa Popular, subscrita por 35.000 cidadãos e há mais de 2 anos a aguardar nos corredores da Assembleia da República, corre o risco de ser chumbada pela maioria absoluta que nos governa.
Esperam, os deputados socialistas, por uma legislação mais lata... mais global... mais tudo... mais anos, digo eu.
Nada de novo, ou nada que não fosse espectável.
Mas, ao menos, que seja votada!

segunda-feira, junho 02, 2008

O Rock in Rio da Esquerda


Imagem via Arrastão [link corrigido]

Regressado das trevas da maioria absoluta, Manuel Alegre ir-se-á revelar de esquerda em concerto bloquista.

Boicote


via Troll Urbano

É impressão minha ou a Galp está a fazer publicidade como nunca.
Na passada semana recebi uma carta em casa. Sinto-me honrado e importante. Fez-me ficar com a sensação que se não pusesse gasolina 1, 2 e 3 de Junho, lhes provocava um rombo.

P.s. - acho vergonhoso utilizarem, no anúncio da rádio, um cântico do glorioso. Todos os benfiquista se deverão indignar!

sábado, maio 31, 2008

Coisas várias

Este blogue não morreu. Eu é que tenho andado com muito que fazer e pensar... Coisas "comezinhas".
Na próxima 4ª Feira irei à Assembleia da República, como subscritor da primeira Iniciativa Legislativa de Cidadãos sobre a revogação parcial do DL 73/73 - já passaram 3 anos! Escreverei sobre o assunto.

quarta-feira, maio 14, 2008

Sócrates e Pinho fumaram...

Após este pedido de desculpas, por uma "polémica" que põe em causa a nação, decidi escrever um pedido de desculpas à EMEL. Pode ser que pegue.

domingo, maio 04, 2008

Maio de 68


Durante este mês celebra-se os 40 anos do mês que abalou o mundo. Estudantes e operários conseguiram, por um mês, trazer o poder para a rua. Paris viveu uma das épocas mais criativas e de maior desenvolvimento cultural, que marcou toda uma geração. Depois, com a "democracia do papel na urna de «X» em «X» anos" o poder conseguiu aniquilar a força do povo, conquistando para o seu lado alguns dos mais fervorosos "anarquistas".

Daniel Cohn-Bendit, popularizado por uma triste frase de Marchais(PCF), ao mesmo tempo que é um símbolo dos estudantes do Maio de 68 também simboliza a forma como o capital consegue integrar e corromper para continuar a sua marcha. O antigo "Dany le Rouge" é hoje um euro-deputado bem sucedido e que, no seu site pessoal, se indigna contra aqueles que apelida de serem da extrema-esquerda do seu partido, por não o quererem novamente como candidato (ver o video).

Os percursos de traição não estragam nem diminuem o carácter revolucionário desses dias que actualmente se comemoram.
Sous les pavés la plage!

sábado, abril 26, 2008

25 de Abril de 1974

Há 34 anos não era nascido - aliás, fazendo as contas às 40 semanas, constatei recentemente que terei sido produzido 3/4 semanas após o 28 de Novembro de 1975.
Contudo aqui fica o interessante testemunho do Vitor Dias, à data, preso em Caxias.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril

Hoje saímos à rua.
Subimos aos Mártires da Pátria, descemos a Rua das Pretas e desfilamos na Avenida.
Vamos vendo amigos, sabendo deles (e de outros) e conversando sobre a situação.
É 25 e é Abril.
Viva!

Sempre



"Este é de 1976. Tem 32 anos... Espero que ainda esteja vivo.
Bj Pai"

quinta-feira, abril 24, 2008

Vergonha na Assembleia Municipal de Lisboa

Utilizando uma maioria de deputados municipais (em que os lisboetas há muito não se revêm) PSD e CDS, chumbaram a proposta do PCP em atribuir o nome de uma rua na parte oriental da cidade, ao artista plástico Rogério Ribeiro.

[ver aqui]

sexta-feira, abril 18, 2008

World Wrestling Entertainment


Só uma luta a sério, fará com que o PSD volte a conquistar as atenções dos portugueses porque, politicamente, o PS de Sócrates já ocupou o seu espaço político.

terça-feira, abril 15, 2008

Enrico Berlinguer

Hoje, por motivos óbvios, devo recordar Berlinguer.
Nunca percebi bem o "eurocomunismo", por que se batia e, sobretudo, contra o que se batia. Com as últimas eleições em Espanha e Itália, eventualmente terá concluído o seu ciclo histórico.

Bem a propósito, descobri uma impressionante reportagem no You Tube, sobre o seu funeral:

Bandabardo - Beppeanna

Esquerda travestida, acaba sempre falida!

Além de vencer, Berlusconi levou tudo, os anéis e os dedos dos Italianos. Mas este post não é sobre Berlusconi, mas sobre a esquerda.
A esquerda foi abalroada. A fraca prestação do Governo Prodi e a sua continua cedência aos partidos ditos de centro (que o fizeram cair), mais uma vez, revelou-se um logro. Veltroni, presidente da Câmara de Roma, nem na sua região conseguiu vencer. A Rifondazione Comunista coligada com os Verdes e o Partido dos Comunistas Italianos, atrás dum arco-iris e sem a foice e o martelo, ficou, pela primeira vez, de fora do Parlamento e do Senado, perdendo 3/4 dos seus votantes. O partido sósia do Bloco de Esquerda, a Sinistra Crítica, pouco fez se não retirar uns votos aqui e ali.
A Itália é dos países que conheço no qual a consciência política é maior. Falo com um amigo italiano, que me faz a lista dos amigos de esquerda que não foram votar. Estão "incazzati con la sinistra", diz.

[resultados no site do La Repubblica]

sábado, abril 12, 2008

Fernando Chalana

Chalana terá chorado após a derrota na Luz diante a Académica. "Há dias assim", disse.
Esta é a explicação que só um benfiquista pode aceitar. Vimos jogar Chalana, tantas vezes bem (poucas mal), e não esquecemos o seu coração.
Chalana, ao menos, põe a equipa a jogar.
Fica Chalana.

Zandiguismo Benfiquista

Escrevo pouco sobre futebol, mas a 17 de Agosto do ano passado escrevi o seguinte:

"Chegada a hora do início de mais uma temporada de bola, aqui ficam os "bitaites", deste fervoroso benfiquista:
Devolver à procedência: Butt, Luís Filipe (caso Nelson fique), Stretenovic, Bergessio e Freddy Adu, esperando ainda para ver o que fazem Diáz e Di Maria.
Fazer regressar: Rui Nereu para terceiro guarda-redes, João Pereira para disputar o lugar com Nelson, os defesas centrais José Fonte ou Hugo Carreira e Nunes (Málaga) ou Manuel do Carmo (PSV Eindhoven) e os médios João Coimbra, Tiago Gomes e Hélio Roque(emprestados).
Recuperar jogadores do plantel tais como: Moreira, Manú, Nuno Assis e Yu Dabao
Não querendo fazer todas estas mexidas, diria que a única e quase unanimemente considerada como vital será a substituição de Fernando Santos, cujos estragos já se começam a equivaler aos dos tempos de Artur Jorge.
Para o substituir, deixemo-nos de tretas, e contrate-se o enorme Diamantino (que com a passagem a treinador ganhou o direito a também utilizar apelido) Miranda. Mantendo Chalana e regressando Diamantino, pudemos também ter garantido que o Benfica não perderá escandalosamente com a equipa de segundo escalão que este brilhante jogador do Benfica dos Anos 80 estiver a treinar."


Não é nada de especial prever os jogadores que não iam ter sucesso no Benfica (o único meio-erro é o Di Maria, que se revela um bom jogador). Contudo escrevo este post pelo treinador.
Os cobres que o Benfica teria/irá poupar caso lessem/leiam este blogue...

Coligações

Concordo com a análise que o Rui Tavares faz sobre as perspectivas eleitorais para 2009 (se nada de especial acontecer entretanto) mas discordo das suas conclusões.
O cenário que o BE (ou o PCP), num governo de maioria PS, pode vir a dar a mudança para um "horizonte plausível" parece-me absolutamente errada - aliás esta tese também já foi defendida recentemente pelo Daniel Oliveira (aqui e aqui) e pelo Bernardino Aranda.
Poderia começar por uma argumentação corrente, procurando provar que, pelas políticas praticadas se chega à conclusão que o PS não é um partido de centro-esquerda. Mas nem vou por aí.
O que me parece evidente, é que actualmente as cúpulas do PS, não está agregadas por uma identidade política comum - seja ela de esquerda ou de direita. A maioria dos dirigentes do PS, são-no, por representarem interesses individuais, particulares ou privados e as suas decisões políticas fundamentais são tomadas em função desses interesses.
Desta forma estamos num impasse. Se a história nos diz que organizações políticas de espectros opostos, conseguem fazer pontes para tomadas de decisão concretas, também nos diz que coligações, como a que alguns simpatizantes/militantes do BE começam a defender, derivam em "lodaçais" (recordando a expressão de Guterres) que acabam por atingir todos - veja-se as "Mãos Limpas" em Itália.

Esquerda nem vê-la...

"António Costa passa testemunho a Correia de Campos"

quarta-feira, abril 09, 2008

Menomale che c'è Zé

Confesso que penso que a reportagem sobre José Sá Fernandes tem mais de anedótico do que de conteúdo político. À partida pensei que a coisa até tivesse sido produzida lá no gabinete, a voz do narrador parece ser de um português, mas se um amigo me diz que não, eu acredito.
Contudo, depois de ver o filme de Berlusconi, não resisto a pô-lo ao lado da reportagem sobre Sá Fernandes, que só peca por não ser cantada:


Parte I


Parte II

Lá chegaremos [actualização]



[actualização]
Recebido por email de Aqui quem fala sou eu

Pensando bem...

terça-feira, abril 08, 2008

Coligações ou o preço do poder?

A propósito da eterna questão "coligações" que o Bernardino levanta nos comentários ao meu post "A internacionalização de Sá Fernandes ou a esquerda perdida" tenciono, em breve, escrever sobre a matéria.

segunda-feira, abril 07, 2008

Solidariedade



O Pedro Jorge, electricista interveio no Programa Prós e Contras de dia 28 de Janeiro. De uma forma simples e crua pôs a nu a arrogância e meiocridade do tecido empresarial protuguês, representado por quem nos governa e se senta à sua mesa.
O Pedro enfrenta um processo disciplinar por delito de opinião.

segunda-feira, março 31, 2008

Jaime Gama

Diz-nos o Público de hoje que os militantes do PS Madeira estão indignados com os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim. Nada de novo debaixo do sol. Tanto Gama como Jardim, ao longo dos últimos 30 anos, representam o que de pior tem a política, por isso, defendem-se mutuamente.
Para os jornalistas mais atentos, sugiro que investiguem as eventuais ligações de Jaime Gama à Fundação D. Pedro IV e ao Eng. Canto Moniz - e não digam que fui eu que disse. Como dizia o outro, quem se mete com o PS, leva.

sábado, março 29, 2008

China e o Tibete

Comecemos por referir que não há nada que me desperte especial interesse pelo regime chinês. Diria mais, o facto de se intitularem comunistas (embora cada vez menos) incomoda-me, não me agrada que o PC Chinês participe na Festa do Avante e não vejo que da experiência chinesa se possa retirar qualquer experiência interessante para a construção da democracia avançada, e comunista, que o PCP defende.
Também não compreendo as declarações, mais ou menos embaraçadas de alguns dirigentes do PCP sobre a situação no Tibete até porque, historicamente, o PCP e o PC Chinês nunca estiveram próximos.
Contudo, admito, que não sei o suficiente sobre o Tibete para defender a sua autonomia ou o inverso, embora não embarque numa tese só porque um líder religioso o defende. Para que se perceba alguma coisa sobre o tibetanos e o Dalai Lama, aconselho vivamente o texto do André Levy sobre a matéria.

Vara... Lello... Canas...

Este texto, escrito por João Paulo Guerra, no Diário Económico tem vindo a circular pela blogosfera. Associo-me à divulgação de mais uma pouca vergonha. Desta vez é sobre o "socialista" Vitalino Canas.

Mudança
por João Paulo Guerra

O Diário de Notícias de ontem publicou uma interessante comparação entre a legislação laboral tal como os socialistas a defendiam, enquanto oposição ao governo PSD/CDS, e aquilo que o PS agora preconiza na qualidade de governo.
O que pode concluir-se da comparação é que diversas medidas do Código Laboral de Bagão Félix, então criticadas na declaração de voto dos socialistas, são agora ultrapassadas em diversos aspectos anti-laborais pelo próprio PS.
O que é que mudou nestes cinco anos? O carácter das relações entre o capital e o trabalho, as regras dominantes da economia, a relação entre poder económico e político? O que mudou foi o PS. Aliás, vários acontecimentos da vida política centraram-se nestes últimos cinco no supremo desígnio de liquidar o PS que havia.
Em muitas questões essenciais, o actual PS e o PSD são gémeos separados à nascença. Mas há um aspecto fulcral que os distingue: o PS tem mais facilidade em fazer a vida negra ao mundo do trabalho que a direita propriamente dita. Ou seja: o PS liquida direitos laborais em nome dos trabalhadores o que, por razões históricas e de registo de patente política, condiciona a contestação às suas políticas. Na oposição, o PS capitaliza a contestação às mesmíssimas políticas que, uma vez no governo, põe em prática. Esta regra teve um hiato excepcional durante a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues, “ministro dos pobres” no governo e contestatário consequente da política laboral da direita na oposição. Arrumado politicamente Ferro Rodrigues, mais nenhum obstáculo se levantou a que o PS faça no governo igual ou pior que aquilo que critica à direita quando está na oposição. Chamem à mudança “cabala” ou outro palavrão qualquer.

A internacionalização de Sá Fernandes ou a esquerda perdida

O vídeo do herói português na Aljazeera (podem-no encontrar aqui), a polémica das ventoinhas e a ausência na votação sobre a entrega da Medalha da Cidade a Durão Barroso, são mais sinais do lamentável equívoco que o BE e os seus apoiantes continuam a tentar esconder.

Se é para escolher assim, preferia o Rui Costa

Começo a minha participação neste blogue, não escrevendo directamente sobre a Baixa projectada por Manuel da Maia e Eugénio dos Santos, mas de uma realidade que muito a condiciona: a Frente Ribeirinha.
Não é novo o interesse de iminentes advogados da nossa praça por Lisboa. Também não é novo que esse interesse apareça com uma retórica de militância e de desinteresse pelos valores terrenos, associados à ideia de um D. Sebastião "que faz falta".
Hoje, pode ler-se no Público (edição impressa mas em parte referido aqui) que José Miguel Júdice «ameaçou Sócrates de abandonar a Zona Ribeirinha» caso não obtivesse uma data para a constituição das respectivas sociedades gestoras. A notícia refere ainda, citando o famoso advogado, que «se o Presidente [da República] puser obstáculos, deixarei de fazer parte da sociedade", que chefiará a título gracioso».
Esta história também já não é nova, dado que durante a campanha eleitoral António Costa havia apresentado José Miguel Júdice como o único cidadão de Lisboa capaz de levar por diante este enorme desafio.
Eu, arquitecto (e provavelmente tendencioso), sempre me interroguei se não seria melhor nomear alguém que tivesse alguma coisa a ver com o planeamento de cidade, que tivesse conhecimentos técnico-científicos sobre as frentes ribeirinhas (lembrei-me das inúmeras teses de doutoramento e mestrado que existem sobre a frente ribeirinha de Lisboa) ou que o modelo de intervenção territorial fosse objecto de uma discussão pública sendo a nomeação decorrente desse processo. Mas não.
Imediatamente após a vitória de António Costa e, por designação do primeiro-ministro, José Miguel Júdice foi nomeado, aparecendo contra ventos e marés como o promitente salvador da nossa mal tratada frente ribeirinha.
É óbvio, que a perspicácia de Júdice não deve ser desvalorizada. Prevenindo eventuais críticas, conseguiu introduzir na notícia do Público algumas notas sobre os seus conhecimentos: «neste ano que passou dedicou "mais de 350 horas a estes assuntos". Sem quaisquer custos para o erário, sublinhou, visitou zonas ribeirinhas requalificadas na Europa, no Japão e nos Estados Unidos».
Contudo, após esta entrevista/notícia do Público há algo que me deixa muito preocupado. Embora, à primeira vista, seja do agrado de todos a forma militante como alguns advogados têm arregaçado as mangas para trabalhar em prol da nossa cidade, não deixo de me preocupar como irão sobreviver.
Como me parece evidente, José Miguel Júdice, a partir do momento que assuma funções como Presidente do Conselho de Administração da Sociedade para a Reabilitação da Frente Ribeirinha, deverá terminar toda e qualquer relação comercial que tenha (a título individual ou através das empresas em que participa) com operadores que actuem na zona ou que estejam interessados em actuar, o que lhe resultará num prejuízo.



De qualquer forma, se era para escolher assim (alguém que todos conhecêssemos, que tivesse capacidade económica para desempenhar o cargo sem remuneração, e que não implicasse ter os conhecimentos técnico-científicos para o cargo) preferia que tivesse sido nomeado o Rui Costa.
Em primeiro lugar, tendo António Costa sido eleito por apenas 56.751 eleitores dos 524.248 inscritos, a nomeação de uma referência benfiquista aumentaria consideravelmente a sua base social de apoio. Em segundo lugar porque, estando Rui Costa num momento de alteração de carreira, esta nomeação não lhe implicaria tanto com a vida, como aparentemente irá suceder com José Miguel Júdice. Por último, diria que com a nomeação de Rui Costa, se houvesse interesses para favorecer, poderíamos estar descansados que o Benfica estaria na primeira linha - o que nos faria viver mais felizes!

publicado no Observatório da Baixa

Observatório da Baixa

O Observatório da Baixa constituiu-se recentemente. Também irei participar.

sábado, março 22, 2008

Arquitectura ou um futuro desperdiçado

Estando a arquitectura longe de ser um novo ofício, o “Relatório - Profissão: Arquitecto/a” [2006] - organizado pelo Instituto de Ciências Sociais e realizado Manuel Villaverde Cabral (coord.) e Vera Borges, publicado pela Ordem dos Arquitectos, revela uma profissão muito jovem e tendencialmente feminina. Concentremo-nos na análise do acesso à profissão dos primeiros, com o conhecimento que a maioria dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos e que cerca de dois terços ainda não terá atingido os 40, de acordo com o referido estudo. Partamos do principio, sem nos preocuparmos em fazer a sua demonstração nestas curtas linhas, que o acesso à profissão é difícil, moroso e destruidor do potencial que o país criou nas universidades.
Perante a precária situação dos jovens arquitectos em Portugal, há uma corrente justificativa que se centra, genericamente, em dois argumentos: 1) as universidades estão longe das necessidades do mercado preparando mal os seus licenciados; 2) no país há arquitectos a mais.
Comecemos pela primeira questão. Sendo uma argumentação de carácter marcadamente ideológico, interroguemo-nos se a academia deve servir o mercado. Veja-se os exemplos recentes das licenciaturas em gestão, em grande destaque nos anos 90, e actualmente máquinas produtoras de licenciados para o fundo de desemprego. Como qualquer teórico do neoliberalismo defende, o mercado é veloz e modifica-se em tempos muito inferiores a de uma licenciatura.
Por outro lado, em Portugal, o Estado ainda é um dos principais agentes de educação de nível superior devendo, à partida, qualificar os seus cidadãos para que intervenham no desenvolvimento do seu país, o que não corresponde necessariamente aos interesses do referido mercado. Como bem soube resumir Manuel Tainha, diria que no caso específico da arquitectura, e contra o sentido do Tratado de Bolonha, a academia não deve papaguear o ofício.
A segunda argumentação, por vezes associada à primeira, é a de que há arquitectos a mais.
De acordo com os números disponíveis, em Portugal existe aproximadamente 1 arquitecto por cada 625 cidadãos. Embora este número possa impressionar, se pensarmos num quadro em que cada cidadão ao longo da sua vida necessitará três vezes dos serviços de um arquitecto, passamos a ter 1875 projectos por arquitecto. Contudo ambos os raciocínios são falaciosos, apenas importando o segundo para destruir a ideia subjacente ao primeiro.
Uma licenciatura em arquitectura deve continuar a ser, uma formação de carácter universitário que produz cidadãos com habilitações para exercer arquitectura, mas também deve poder construir profissionais com conhecimentos técnico-científicos que permitam ao licenciado enveredar por outras áreas profissionais com inevitáveis relações com a arquitectura como crítico de arquitectura, professor, cenógrafo, político ou treinador de futebol. Ou seja, o que importa é que sejam formados mais licenciados, pois o seu trabalho e conhecimento nunca é demais num país que tarda em evoluir. Mas se é verdade que este discurso assentaria bem a qualquer governante da nação, a prática diz-nos que sucede exactamente o contrário.
A utilização abusiva da urgência dos processos ou de empresas públicas e privadas para mascarar os concursos públicos, a continuada concentração da encomenda pública em estruturas bem relacionadas com os partidos do bloco central e as precárias relações laborais dentro dos escritórios de arquitectura, têm conduzido à rejeição da profissão ou a um violento processo de emigração, dos quadros superiores que o país formou.
Em Portugal, em geral, o jovem arquitecto é visto com desconfiança. O seu conhecimento de carácter universitário, a sua dinâmica e a sua prática profissional recente, são desvalorizadas em detrimento de quem está infiltrado nas teias do poder, tantas vezes pouco qualificado e/ou com um historial de resultados medíocre. Aliás as últimas revelações do passado profissional do Primeiro-Ministro actual reforçam este sentimento. Embora a discussão mediática se tenha centrado sobre argumentos de legalidade e de carácter estético, para o comum dos arquitectos é particularmente chocante a forma como hoje, um dos mais alto-responsáveis da nação, assume e corrobora tais actos. A institucionalização da antiga prática de José Sócrates, destruiu com poucas palavras, anos de trabalho pela revogação do DL 73/73, de consciencialização da importância da arquitectura como forma de melhoria das condições de vida e destrói, sobretudo, as expectativas de acesso à profissão de quem após seis anos de estudo e alguns de prática profissional, procura trabalhar no seu país.
Contudo, apesar de todas estas vicissitudes, os ateliers de arquitectura constituídos por jovens arquitectos despontam pelo país, baseados em estruturas colaborativas que vão resistindo, criando emprego e ganhando concursos dentro e fora do país. Contrariando a lógica de mercado que entende o vizinho como o primeiro inimigo, os resultados e notoriedade de uns tem vindo a ajudar outros a projectarem-se.
Urge que este fenómeno seja estudado e desenvolvido como, até ver, única forma de aproveitar o potencial científico-técnico constituído pelas universidades e como forma de subverter as medíocres teias de interesse e compadrio que dominam o país.

Tiago Mota Saraiva
Artigo para a Revista Construir - Março de 2008

Que diz o pivô

Emissão online do Pedro Penilo.
[link]

domingo, março 16, 2008

sábado, março 15, 2008

ps... p..... s.... p...... s........ s........ s.......s......

Sócrates convocou uma manifestação de rua, depois transformo-a em comício dentro de um pavilhão que não encheu. O braço de ferro que o aparelho do PS queria fazer com o país demonstrou que a maioria absoluta está na rua.

Entrevista de Sá Fernandes ao Correio da Manhã

O Daniel Oliveira qualifica a entrevista de Sá Fernandes ao Correio da Manhã de excelente. Eu não posso deixar de me sentir embaraçado por parte da esquerda da minha cidade o ter eleito.

Síndrome "O meu umbigo":

"O meu acordo com o PS traduz-se numa frase: trabalhar com o objectivo Lisboa. É o que dizia o meu cartaz. Lisboa. O meu pensamento é só Lisboa e os lisboetas. Não penso em rigorosamente mais nada."

Síndrome "Cavaco não diria melhor":
"E tenho de trabalhar muito"

Síndrome "A Nova Esquerda":
"Trabalhar muito com os serviços para ter os miradouros arranjados, para ter os corredores feitos, alguns corredores do Plano Verde, para ter as pistas cicladas, para dar pontapés de saída numa espécie de projectos. E isto tudo sem dinheiro."

Síndrome "A Banca como Juiz da República":
"Eu não consigo perceber que tendo os bancos, e foram uma série de bancos, aceite o plano de saneamento, como é que o Tribunal de Contas se meteu nesta conversa."

Síndrome de "Ruas Verdes, Casas Verdes e Marcianos para as habitar":

- Isso vai ser um bico-de-obra?
- Vai ser um bico-de-obra. Mas aí, pode ter a certeza absoluta, que nós vamos pôr os pés bem enterrados na terra porque isso tem um impacto fortíssimo na cidade. Mas sabe que neste Plano Verde já pusemos o aeroporto da Portela verde.
- Todo ou uma área?
- Já está marcado como área verde.
- Toda a zona?
- Toda a zona com excepção das construções. Também não é preciso que seja tudo verde. Mas marcámos já tudo como verde."

Síndrome de "Com o Louçã ou com o Costa?":
"Agora são precisos seis anos"

Síndrome de "...mas como só me interessa Lisboa":

"Como sabe, e eu já o disse publicamente, não sou grande adepto deste Governo. Acho que tem governado mal. Mas no que toca a Lisboa tem havido um bom relacionamento com o Governo. Uma tem a ver com a frente ribeirinha e a passagem para Lisboa das zonas não portuárias. E eu aí também estou orgulhoso do meu contributo. Há muitos anos que luta por isso. Falta concretizar, mas já há um papel escrito. Nesse aspecto acho que houve um bom relacionamento."

Em jeito de conclusão, esta parece-me ser a afirmação mais clarificadora:"Não sei se há posições diferentes. Eu sei o que é que combinei com o Francisco Louçã. E foi tudo muito claro. Trabalhar durante este ano e meio para Lisboa e por Lisboa. O único interesse. O meu cartaz dizia que era esse o único interesse. Daqui a um ano logo se vê o que é que é melhor para Lisboa. Não é o que é melhor para o PS, para o Bloco de Esquerda. É o que é melhor para Lisboa."
Esta afirmação de Sá Fernandes contém duas das noções que mais odeio no discurso político contemporâneo. A secundarização dos conteúdos políticos, em prol do abstracto "melhor para Lisboa", é o elemento comum a todos os fenómenos de populismo e um discurso caro a Cavaco Silva. Por outro lado, simboliza um total desrespeito pelos militantes do Bloco, sujeitando a sua estratégia partidária a uma "combinação" com Louçã.
Por fim diria que toda a entrevista demonstra que o vereador Sá Fernandes ainda não percebeu que o Bloco em Lisboa, vale mais votos do que Sá Fernandes.

Disso já ninguém dúvida:

"Sócrates assinou despacho igual ao dos sobreiros e não foi investigado"

Militantes do PS são melhor acolhidos na manifestação de professores que em comícios do próprio partido

O receio de ter no Pavilhão do Académico do Porto «pessoas menos entusiasmadas ou que até possam vaiar Sócrates» levou a máquina partidária do PS a fazer uma selecção dos militantes para o comício desta tarde, disse ao SOL um dirigente concelhio.

terça-feira, março 11, 2008

Rogério Ribeiro (1930-2008)

Para aliviar

"Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga. Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.O relatório diz:'Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

domingo, março 09, 2008

Que nojo!

Emídio Rangel, no Correio da Manhã, escreve um texto que é uma consequência lógica do discurso do Governo: um perigoso ataque aos professores, aos direitos democráticos e à liberdade de pensar de cada um.
A culpa não é de Emídio, ele sempre foi a tropa de choque dos governos e quanto mais à direita melhor!

"Hooligans em Lisboa" de Emídio Rangel

sábado, março 08, 2008

Demissão já!



"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre. Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira"
Ministro Augusto Santos Silva

Confrontado com mais uma manifestação contra o governo, o Ministro Santos Silva de cabeça perdida por alguém se arrogar a manifestar-se à porta de uma reunião do PS, entre provocações directas aos manifestantes, soltou esta violenta frase que aqui transcrevo.
Apesar do calor da situação e do nervosismo do Sr. Ministro, estas palavras mais do que ferirem os visados ou o partido a que pertencem, atingem todos os democratas, comunistas, socialistas, anarquistas, republicanos, católicos progressistas, que foram presos, torturados e todas as famílias daqueles portugueses que nunca mais voltaram das prisões do fascismo e da guerra.
Augusto Santos Silva, insultou o povo (porque não foram só comunistas!) que transformou o enterro de Álvaro Cunhal numa manifestação de massas de homenagem a todos os combatentes anti-fascistas.
Não me interessa comparar os exílios de Soares com os anos de prisão e de tortura de Cunhal, como faz o ministro Silva (que será apenas um precalço na História de Portugal). Interessa-me sim, não deixar que a memória colectiva do meu povo, seja violentada por uma qualquer personagem sinistra.