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sábado, março 22, 2008

Arquitectura ou um futuro desperdiçado

Estando a arquitectura longe de ser um novo ofício, o “Relatório - Profissão: Arquitecto/a” [2006] - organizado pelo Instituto de Ciências Sociais e realizado Manuel Villaverde Cabral (coord.) e Vera Borges, publicado pela Ordem dos Arquitectos, revela uma profissão muito jovem e tendencialmente feminina. Concentremo-nos na análise do acesso à profissão dos primeiros, com o conhecimento que a maioria dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos e que cerca de dois terços ainda não terá atingido os 40, de acordo com o referido estudo. Partamos do principio, sem nos preocuparmos em fazer a sua demonstração nestas curtas linhas, que o acesso à profissão é difícil, moroso e destruidor do potencial que o país criou nas universidades.
Perante a precária situação dos jovens arquitectos em Portugal, há uma corrente justificativa que se centra, genericamente, em dois argumentos: 1) as universidades estão longe das necessidades do mercado preparando mal os seus licenciados; 2) no país há arquitectos a mais.
Comecemos pela primeira questão. Sendo uma argumentação de carácter marcadamente ideológico, interroguemo-nos se a academia deve servir o mercado. Veja-se os exemplos recentes das licenciaturas em gestão, em grande destaque nos anos 90, e actualmente máquinas produtoras de licenciados para o fundo de desemprego. Como qualquer teórico do neoliberalismo defende, o mercado é veloz e modifica-se em tempos muito inferiores a de uma licenciatura.
Por outro lado, em Portugal, o Estado ainda é um dos principais agentes de educação de nível superior devendo, à partida, qualificar os seus cidadãos para que intervenham no desenvolvimento do seu país, o que não corresponde necessariamente aos interesses do referido mercado. Como bem soube resumir Manuel Tainha, diria que no caso específico da arquitectura, e contra o sentido do Tratado de Bolonha, a academia não deve papaguear o ofício.
A segunda argumentação, por vezes associada à primeira, é a de que há arquitectos a mais.
De acordo com os números disponíveis, em Portugal existe aproximadamente 1 arquitecto por cada 625 cidadãos. Embora este número possa impressionar, se pensarmos num quadro em que cada cidadão ao longo da sua vida necessitará três vezes dos serviços de um arquitecto, passamos a ter 1875 projectos por arquitecto. Contudo ambos os raciocínios são falaciosos, apenas importando o segundo para destruir a ideia subjacente ao primeiro.
Uma licenciatura em arquitectura deve continuar a ser, uma formação de carácter universitário que produz cidadãos com habilitações para exercer arquitectura, mas também deve poder construir profissionais com conhecimentos técnico-científicos que permitam ao licenciado enveredar por outras áreas profissionais com inevitáveis relações com a arquitectura como crítico de arquitectura, professor, cenógrafo, político ou treinador de futebol. Ou seja, o que importa é que sejam formados mais licenciados, pois o seu trabalho e conhecimento nunca é demais num país que tarda em evoluir. Mas se é verdade que este discurso assentaria bem a qualquer governante da nação, a prática diz-nos que sucede exactamente o contrário.
A utilização abusiva da urgência dos processos ou de empresas públicas e privadas para mascarar os concursos públicos, a continuada concentração da encomenda pública em estruturas bem relacionadas com os partidos do bloco central e as precárias relações laborais dentro dos escritórios de arquitectura, têm conduzido à rejeição da profissão ou a um violento processo de emigração, dos quadros superiores que o país formou.
Em Portugal, em geral, o jovem arquitecto é visto com desconfiança. O seu conhecimento de carácter universitário, a sua dinâmica e a sua prática profissional recente, são desvalorizadas em detrimento de quem está infiltrado nas teias do poder, tantas vezes pouco qualificado e/ou com um historial de resultados medíocre. Aliás as últimas revelações do passado profissional do Primeiro-Ministro actual reforçam este sentimento. Embora a discussão mediática se tenha centrado sobre argumentos de legalidade e de carácter estético, para o comum dos arquitectos é particularmente chocante a forma como hoje, um dos mais alto-responsáveis da nação, assume e corrobora tais actos. A institucionalização da antiga prática de José Sócrates, destruiu com poucas palavras, anos de trabalho pela revogação do DL 73/73, de consciencialização da importância da arquitectura como forma de melhoria das condições de vida e destrói, sobretudo, as expectativas de acesso à profissão de quem após seis anos de estudo e alguns de prática profissional, procura trabalhar no seu país.
Contudo, apesar de todas estas vicissitudes, os ateliers de arquitectura constituídos por jovens arquitectos despontam pelo país, baseados em estruturas colaborativas que vão resistindo, criando emprego e ganhando concursos dentro e fora do país. Contrariando a lógica de mercado que entende o vizinho como o primeiro inimigo, os resultados e notoriedade de uns tem vindo a ajudar outros a projectarem-se.
Urge que este fenómeno seja estudado e desenvolvido como, até ver, única forma de aproveitar o potencial científico-técnico constituído pelas universidades e como forma de subverter as medíocres teias de interesse e compadrio que dominam o país.

Tiago Mota Saraiva
Artigo para a Revista Construir - Março de 2008

domingo, janeiro 13, 2008

«Comunismo e Nacionalismo»

Fui assistir ao doutoramento do Zé Neves sobre «Comunismo e Nacionalismo» em Portugal no século XX, e também me irritei com o pedantismo académico entre verdades fechadas e pensamentos de café. Aqui fica um interessante texto do Rick Dangerous sobre a matéria.

domingo, setembro 16, 2007

Aprender sempre

Para quem sente a angústia de estar num canto envolto numa realidade de capelas e para quem anseia estar a par do que se vai falando e dizendo pelo mundo, no que à cultura e arquitectura dizem respeito, o fim de semana raramente nos desilude com o suplemento do El Pais: "Babelia".
Lembro de "ter sido iniciado" pelo amigo Fernando, na altura professor, que todas as 2ªs Feiras de manhã, para estimular a pontualidade dos alunos, fazia 30 minutos de consulta e discussão sobre o que se tinha escrito de arquitectura nos últimos dias. Raramente havia qualquer coisa dos media portugueses, normalmente encerrados em discursos laudatórios.

sábado, abril 14, 2007

A entrevista


A entrevista correu-lhe mal.
O problema político não está resolvido: Sócrates terá sido beneficiado por ser Secretário de Estado? A resposta só se saberá quando for feita a comparação com processos de transferência similares e que aparentemente seriam frequentes - baseando-me nas declarações de Sócrates quando refere que era normal os alunos do ISEL transferirem-se para a UNI.
A utilização indevida do título, os diferentes documentos de Estado assinados pelo próprio em que dizia ter uma licenciatura que não tinha, e as prudentes faltas de memoria que existiram neste processo, levantam uma dúvida moral e ética sobre o actual primeiro-ministro.
Contudo, regressemos às medidas do Governo, que é aí que Sócrates nos pode fazer pior.

domingo, abril 01, 2007

Um argumento parolo:

Ao DN, uma fonte do gabinete de Sócrates garantiu que o chefe do Governo está a ser alvo de "uma série de boatos e atoardas sem qualquer fundamento". De acordo com a mesma fonte, o primeiro-ministro tem "um certificado de habilitações inatacável". Mais: já depois da licenciatura, concluiu um MBA em gestão de empresas no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, "e foi o melhor aluno desse curso".

Não é a inteligência ou a capacidade de estudo de José Sócrates que está em causa, mas sim o facto de, aparentemente, ter mentido nas suas habilitações académicas. Será que não percebem?

Sócrates

Há um mês atrás o curriculum vitae de José Sócrates referia ser Engenheiro com pós-graduação em Engenharia Sanitária, na Escola Nacional de Saúde Pública. Se o "Engenheiro" já foi alterado para Licenciado em Engenharia, de acordo com quem tem vindo a revelar todas estas histórias, também parece que a "pós-graduação" afinal não o era.
Contudo o juízo, neste caso, não deve ser político. Politicamente, se o primeiro-ministro é o não licenciado, é absolutamente indiferente.
O juízo é ético. A serem verdade todas estas histórias, Sócrates representa o Portugal do "chico espertismo" e do preconceito social. Aquele Portugal que pensa que quem não tem um título antes do nome, deve ser menos do que os que têm.

segunda-feira, março 26, 2007

Também tencionam acabar com o Ensino Artístico?



O MovArte realizou com sucesso a sua primeira reunião plenária apenas dois dias depois da esperada publicação do Estudo de Avaliação do Ensino Artístico. Este relatório foi por isso o centro das atenções neste plenário, e embora merecendo uma análise mais aprofundada importa desde já destacar alguns pontos preocupantes:
* O MovArte denuncia a circularidade da investigação subjacente a este relatório, mediante a qual a articulação entre “descrição”, “análise” e “interpretação” parece reiterar a priori as necessidades do “Ministério da Educação”;
* A ausência de uma base factual e científica que contribuiu para um declarado desconhecimento da realidade em estudo;
* Denunciamos a perigosa associação do ensino supletivo a uma “espécie de instituições de ocupação dos tempos livres”, subvalorizando o seu aspecto altamente profissionalizante de onde provém a maioria dos músicos profissionais portugueses;
* Consideramos este estudo um gigantesco artigo de opinião com uma expressa finalidade dirigista, o que é assumido pela própria comissão redactora na introdução do documento.
O Movimento de Defesa do Ensino Artístico junta-se ao período de discussão pública sobre o relatório até dia 30 de Abril. Neste sentido estamos a criar um grupo análise e resolução de uma alternativa sólida a apresentar ao Ministério da Educação no referido período.
Apelamos a todos os interessados a uma colaboração activa com o trabalho do MovArte.


[Comunicado do Movimento]

domingo, março 25, 2007

Do Portugal Profundo*

Mais uma vez, na sua homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa procurou baralhar.
Ainda não ouvi ninguém defender que um Primeiro Ministro deve ser licenciado ou ter o título de Dr. ou Eng., conforme Marcelo pretendeu fazer crer. O que está em causa é a mesquinhez/pequenez de gente que, sem o ser, utiliza esses títulos.

* peço desculpa pela cópia descarada ao título do blogue Portugal Profundo, mas parece-me ser a medida exacta para o post.

Puristas?

Reparo no artigo de Vital Moreira sobre as frequentes "incorrecções" na utilização de títulos profissionais, considerando normal o que se passa com o título profissional até há uma semana utilizado pelo Primeiro Ministro.
Como considero a inteligência e honestidade de Vital Moreira, penso que este artigo terá, com certeza, sido escrito por um vírus maldoso.
O verdadeiro Vital Moreira, profundo conhecedor do Estatuto das Ordens Profissionais, sabe que o título profissional de arquitecto ou engenheiro é uma competência delegada pelo Estado, nas respectivas associações públicas. O verdadeiro Vital Moreira também sabe que a utilização do título não depende de se desempenhar ou não a profissão, conforme o texto enuncia, mas sim do facto de se estar inscrito como membro efectivo de cada uma das associações públicas.
O verdadeiro Vital Moreira também sabe, que o facto de ser membro efectivo de uma Ordem profissional coloca o sócio ao abrigo de um código deontológico sendo a garantia para o cidadão, que o técnico possui as habilitações necessárias para exercer a sua profissão.

24 de Março - Dia do Estudante

Com a aproximação do 24 de Março, os dias começavam a ficar mais curtos. Havia que começar a pintar as tarjas, a academia mobilizava-se e engalanava-se para mais uma jornada de luta. O dia, em pleno cavaquismo, frequentemente acabava assim:


Sobre a origem e história do 24 de Março, aconselho o escrito do Vítor Dias.

Engenheiro

A Ordem dos Engenheiros "é a associação pública representativa dos licenciados em Engenharia que exercem a profissão de engenheiro" (Artº 1º do seu Estatuto).
O Estado português delegou, nesta associação pública, a competência de atribuição do título de Engenheiro e o seu uso, fazendo depender o exercício da profissão, da inscrição enquanto membro efectivo da Ordem (Artº 3º).
Quando se verifica que um cidadão português utiliza o título de Engenheiro sem estar inscrito na respectiva Ordem, aquela associação pública deverá comunicá-lo ao Ministério Público.
Posso estar muito enganado, mas julgo que não terá sido nem no último mês, nem no último ano, que a Ordem dos Engenheiros se apercebeu que o Primeiro Ministro José Sócrates não constava dos seus registos enquanto Membro Efectivo desta associação pública.

sábado, março 24, 2007

Universidade Independente

Divertidos, foram os dias em que um conjunto de jovens arquitectos se reunia para construir uma nova/reconstruída licenciatura de arquitectura. Assumíamos que não percebíamos nada da actividade de docência, mas que íamos tentar fazer uma escola à imagem de um atelier.
Eu, o Miguel, o Pedro, a Catarina, o Pedro, o Paulo André (ex-emitflesti), o Rogério e a Alessia, entre outros, com uma inconsciente esperança de estruturar um curso de arquitectura e, uma consistente dúvida sobre as vontades da universidade.
Depois dos trabalhos feitos, programas revistos e do curso combinado, lá apareceu um destes doutorados da irmandade para nos tutelar, e o reitor Arouca para nos falar dos dinheiros e de uns quantos amigos que o doutorado gostaria de integrar.
Dou hoje graças a-todos-os-santinhos-que-me-aparecerem-à-frente, por lhes termos voltado as costas.
Pobres alunos de arquitectura da Universidade Independente.