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domingo, outubro 26, 2008
As certezas de Sócrates
A determinada altura da entrevista à TSF, Sócrates diz qualquer coisa como:
- Esta crise não é cíclica, mas sabemos que ocorre de cem em cem anos (...)
P.s. - Não foi transcrito para a versão do DN...
- Esta crise não é cíclica, mas sabemos que ocorre de cem em cem anos (...)
P.s. - Não foi transcrito para a versão do DN...
sábado, outubro 11, 2008
I. A “crise” na sociedade capitalista
Em tempos de incerteza, não me parece muito arriscado diagnosticar que quem, à esquerda, tem vindo a referir que os tempos que vivemos anunciam o fim do capitalismo, está enganado. A história ou a leitura de Marx, tornam clara a relação genética e cíclica dos momentos de crise com o desenvolver da sociedade capitalista.
Aliás, essa é um pouco a história do Séc. XX. Violentos momentos de crise e guerra em paralelo com ofensivas contra os direitos dos cidadãos.
Aliás, essa é um pouco a história do Séc. XX. Violentos momentos de crise e guerra em paralelo com ofensivas contra os direitos dos cidadãos.
II. É o capitalismo que vos fala
Temos antena aberta para todos os responsáveis.
Bush fala num “eles” que causaram a crise, McCain nos de “Wall Street”, Sócrates culpa os que defendiam “mais mercado”, Berardo critica as vinte “companies” que detêm 27% da riqueza no Mundo e Salgueiro culpa a imprudência dos portugueses.
Rapidamente o mais fervoroso adepto da economia de mercado de ontem, lança chavões esquerdistas, contra os “outros”. Na crise perde-se pudor e a última honestidade, culpando-se “o outro” abstracto.
Mas quando alguém diz, que estes “outros” sois vós, imediatamente se transfigura o discurso para o da inevitabilidade da sociedade capitalista.
Bush fala num “eles” que causaram a crise, McCain nos de “Wall Street”, Sócrates culpa os que defendiam “mais mercado”, Berardo critica as vinte “companies” que detêm 27% da riqueza no Mundo e Salgueiro culpa a imprudência dos portugueses.
Rapidamente o mais fervoroso adepto da economia de mercado de ontem, lança chavões esquerdistas, contra os “outros”. Na crise perde-se pudor e a última honestidade, culpando-se “o outro” abstracto.
Mas quando alguém diz, que estes “outros” sois vós, imediatamente se transfigura o discurso para o da inevitabilidade da sociedade capitalista.
III. Os Media e o capitalismo
Na próxima semana anuncia-se para a RTP1 do serviço público, um debate denominado “Prós e Contras”, para o qual estão convidados os presidentes dos quatro maiores bancos nacionais.
Na situação actual, o capitalismo ganha cegueira e silencia outras vozes, para a defesa do seu estado em todos os horários nobres.
A dúvida e a falta de confiança que temos em quem nos governa (nos bancos, nas empresas, e nos governos), sedimenta-se na rua mas é expulsa do debate. Por razões de força maior, o pluralismo segue dentro de momentos.
IV. Em quem confiar?
Sabemos que no contexto actual a informação é cada vez mais filtrada e oculta. Quem conhece alguém que trabalhe numa agência bancária ou quem tenha passado por um banco na última semana, sabe que existe um processo de levantamento de dinheiro compulsivo, que os telejornais ocultam. Para quê ter uma conta à ordem, sem juros, e com a instabilidade do dinheiro desaparecer?
Na hora de zelar pelas suas poupanças, os portugueses sabem, que Cavaco, Sócrates, Teixeira dos Santos ou Constâncio, têm outras agendas e que nunca demonstraram especial carinho pela palavra dada.
Alguém tem dúvidas que, Cavaco ou Sócrates não estão a fazer tudo para aguentar o BPN, dos amigos Dias Loureiro e Cadilhe, às nossas custas – ver a notícia do DN de hoje.
Na hora de zelar pelas suas poupanças, os portugueses sabem, que Cavaco, Sócrates, Teixeira dos Santos ou Constâncio, têm outras agendas e que nunca demonstraram especial carinho pela palavra dada.
Alguém tem dúvidas que, Cavaco ou Sócrates não estão a fazer tudo para aguentar o BPN, dos amigos Dias Loureiro e Cadilhe, às nossas custas – ver a notícia do DN de hoje.
V. Quem ganha e perde com a crise?
A notícia que alguns quadros de topo da AIG, após a injecção de capital por parte do estado, foram passar uma semana a um “resort” turístico (leia-se a propósito o comunicado da empresa que não o desmente), ou os prémios e regalias com que os administradores de grandes empresas continuam a viver, ajuda a desenhar o retrato de uma crise que apenas atinge as classes médias e baixas do mundo inteiro.
Apesar de uma ou outra voz do regime anunciar “investigações” ou “multas”, não é difícil adivinhar que ninguém se aproximará de uma cela.
VI. A “crise” e o seu carácter revolucionário
Ainda que pense que estas “crises” são de carácter endémico, cíclico e necessárias à sobrevivência do capitalismo, também acredito que são estes os momentos em que mais se fragiliza.
Sinais como a manifestação de ontem em Londres “Make the fat cat pay” ou o processo de depósitos massivos no banco Inglês que no dia anterior tinha sido nacionalizado (o que levou o governo a bloquear os depósitos), revelam a necessidade de uma maior intervenção do Estado, pondo em causa as bases do neoliberalismo.
Aliás, parece que os defensores do mercado livre ou da diminuição do peso do Estado, embora continuem a discursar se afastam conjunturalmente do anteriormente defendido.
Sinais como a manifestação de ontem em Londres “Make the fat cat pay” ou o processo de depósitos massivos no banco Inglês que no dia anterior tinha sido nacionalizado (o que levou o governo a bloquear os depósitos), revelam a necessidade de uma maior intervenção do Estado, pondo em causa as bases do neoliberalismo.
Aliás, parece que os defensores do mercado livre ou da diminuição do peso do Estado, embora continuem a discursar se afastam conjunturalmente do anteriormente defendido.
VII. A táctica de Sócrates
Sócrates não inova. O primeiro discurso é contra “os que defendiam menos Estado”, esquecendo por momentos a Esquerda Moderna que extingue hospitais e maternidades, que obriga as universidades públicas a dependerem de receitas privadas ou que despede e reforma compulsivamente os funcionários do Estado. Declara-se a favor de uma maior regulação e de um papel mais interventivo do Estado, contrariando a amálgama ideológica que consta no Programa do Governo do PS:
“O actual estágio de desenvolvimento das Economias Ocidentais colocou, na ordem do dia, a necessidade de coexistência das três tipologias estruturantes da actividade económica: as formas de organização típicas da Economia de Mercado, cuja sua mais acabada expressão são as Empresas obedecendo naturalmente ao primado do lucro; o Estado que, nos seus
vários níveis, procura a geração dos bens públicos; e as Organizações de Cidadãos que buscam juntar critérios de eficiência com os objectivos sociais de produção de determinados bens públicos críticos (saúde, solidariedade social, educação, habitação, etc.), ou seja que traduzem a simbiose entre a economia de mercado e as preocupações sociais. “ pp. 66
Desta forma o primeiro ministro procura ocultar o seu passado recente e coloca-se de fora.
Contudo, em paralelo e num esforço olímpico do triplo salto, ensaia o discurso que em Portugal não será assim tão mau porque “nós” (agora sim, “eles”) prepararam o país.
Nada que Salazar não tenha feito.
“O actual estágio de desenvolvimento das Economias Ocidentais colocou, na ordem do dia, a necessidade de coexistência das três tipologias estruturantes da actividade económica: as formas de organização típicas da Economia de Mercado, cuja sua mais acabada expressão são as Empresas obedecendo naturalmente ao primado do lucro; o Estado que, nos seus
vários níveis, procura a geração dos bens públicos; e as Organizações de Cidadãos que buscam juntar critérios de eficiência com os objectivos sociais de produção de determinados bens públicos críticos (saúde, solidariedade social, educação, habitação, etc.), ou seja que traduzem a simbiose entre a economia de mercado e as preocupações sociais. “ pp. 66
Desta forma o primeiro ministro procura ocultar o seu passado recente e coloca-se de fora.
Contudo, em paralelo e num esforço olímpico do triplo salto, ensaia o discurso que em Portugal não será assim tão mau porque “nós” (agora sim, “eles”) prepararam o país.
Nada que Salazar não tenha feito.
sexta-feira, outubro 10, 2008
Casamento entre pessoas do mesmo sexo
O mundo anda preocupado com a "crise". Durante o fim de semana tenciono escrever um pouco sobre isso.
Contudo, hoje mesmo, o PS prepara-se para baixar a democracia ao grau zero. Os seus deputados demonstrando um "elevado" valor cívico e moral aceitarão, depois do reconhecimento do Kosovo, mais um ditame do Pai Sócrates ao votarem contra as propostas de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Se a questão fosse posta num dos partidos de esquerda, facilmente os jornais lhe chamariam um comportamento estalinista. Como é com o PS referem que é o respeito pela decisão maioritária.
Contudo, hoje mesmo, o PS prepara-se para baixar a democracia ao grau zero. Os seus deputados demonstrando um "elevado" valor cívico e moral aceitarão, depois do reconhecimento do Kosovo, mais um ditame do Pai Sócrates ao votarem contra as propostas de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Se a questão fosse posta num dos partidos de esquerda, facilmente os jornais lhe chamariam um comportamento estalinista. Como é com o PS referem que é o respeito pela decisão maioritária.
domingo, setembro 21, 2008
Defendemos isto, até fazermos exactamente o contrário
[Somos por uma] "segurança social pública que garanta o futuro das pensões"
José Sócrates, 20 de Setembro de 2008
Com esta declaração de Sócrates pudemos ter a certeza de duas coisas:
1. Sócrates já pensou sobre a hipótese de privatizar as reformas;
2. Dentro de um ano o PS, em coro, poderá dizer exactamente o contrário.
José Sócrates, 20 de Setembro de 2008
Com esta declaração de Sócrates pudemos ter a certeza de duas coisas:
1. Sócrates já pensou sobre a hipótese de privatizar as reformas;
2. Dentro de um ano o PS, em coro, poderá dizer exactamente o contrário.
sábado, agosto 23, 2008
Notícias pouco surpreendentes:
"Valentim admite apoiar Sócrates"
Valentim Loureiro nunca fará campanha pelo PS, mas simpatiza com Sócrates e admite apoiá-lo nas legislativas.
Suspenso do PSD, Valentim Loureiro poderá apoiar José Sócrates nas próximas legislativas. "Ele até já oferece computadores, como eu fiz há muitos anos", diz Valentim.
Ricardo Jorge Pinto
18:00 | Sexta-feira, 22 de Ago de 2008
Valentim Loureiro nunca fará campanha pelo PS, mas simpatiza com Sócrates e admite apoiá-lo nas legislativas.
Suspenso do PSD, Valentim Loureiro poderá apoiar José Sócrates nas próximas legislativas. "Ele até já oferece computadores, como eu fiz há muitos anos", diz Valentim.
Ricardo Jorge Pinto
18:00 | Sexta-feira, 22 de Ago de 2008
sábado, agosto 16, 2008
"Sócrates reaproxima-se de Alegre"
Por Helena Pereira com Sónia Trigueirão no Sol
Sócrates reaproximou-se de Manuel Alegre, tendo almoçado com ele por duas vezes. Depois do distanciamento de Alegre em relação à direcção do PS, esta ‘reconciliação’ mostra que Sócrates não quer perder as pontes com a esquerda do partido, tendo certamente em vista as próximas legislativas e presidenciais
José Sócrates e Manuel Alegre foram de férias em clima de grande sintonia. A hipótese de Manuel Alegre voltar a candidatar-se às eleições presidenciais, mas desta vez com o apoio do PS, está a ganhar força. Seria uma nova forma de cooperação estratégica entre socialistas
Os dois almoçaram juntos num restaurante de Lisboa e fizeram as pazes depois do comício do Teatro da Trindade (organizado pelo Bloco de Esquerda no final de Maio e em que Alegre desferiu um duro ataque ao Governo do PS). Na altura, Alegre afirmou que a sua «lealdade é para com os portugueses e para os que votaram no PS e estão na pobreza» e quis mostrar, ao lado do BE, que é possível «quebrar o tabu e o preconceito segundo o qual as esquerdas não se podem unir».
Sócrates reaproximou-se de Manuel Alegre, tendo almoçado com ele por duas vezes. Depois do distanciamento de Alegre em relação à direcção do PS, esta ‘reconciliação’ mostra que Sócrates não quer perder as pontes com a esquerda do partido, tendo certamente em vista as próximas legislativas e presidenciais
José Sócrates e Manuel Alegre foram de férias em clima de grande sintonia. A hipótese de Manuel Alegre voltar a candidatar-se às eleições presidenciais, mas desta vez com o apoio do PS, está a ganhar força. Seria uma nova forma de cooperação estratégica entre socialistas
Os dois almoçaram juntos num restaurante de Lisboa e fizeram as pazes depois do comício do Teatro da Trindade (organizado pelo Bloco de Esquerda no final de Maio e em que Alegre desferiu um duro ataque ao Governo do PS). Na altura, Alegre afirmou que a sua «lealdade é para com os portugueses e para os que votaram no PS e estão na pobreza» e quis mostrar, ao lado do BE, que é possível «quebrar o tabu e o preconceito segundo o qual as esquerdas não se podem unir».
segunda-feira, junho 30, 2008
O menino de oiro...
«Francisco Queirós, professor e Coordenador da Comissão Concelhia de Coimbra do PCP, habitual colunista do Diário As Beiras, apresenta-nos, na sua coluna de hoje, dia 26 de Junho de 2008, um texto intitulado "O valente Dinis", o qual começa da forma seguinte: "José Sócrates esteve em Coimbra a 14 e 15 deste mês. Entre visitas e inaugurações teve tempo para convidar os sindicatos para uma reunião. Os dirigentes sindicais do distrito embora sem falsas esperanças não perderam a oportunidade de expor as suas posições ao primeiro-ministro. No início do encontro, mandavam as mais elementares regras de boa educação, o chefe do governo deveria cumprimentar os seus convidados com civilidade. O que fez Sócrates ? Dirigiu-se aos sindicalistas: "Então hoje como os senhores estão aqui não organizam nenhuma daquelas manifestações para me insultar!". Um dos dirigentes sindicais rebateu: "Senhor primeiro-ministro permita-me que lhe diga que a forma como se nos dirigiu não foi nada correcta! Participo sempre em todas as manifestações contra as políticas do seu governo e nunca o insultei!". Os presentes aguardaram ainda um pedido de desculpa, talvez uma discreta correcção de tom e de forma ... Mas não! Sócrates acrescentou: "Ah! então vocês são os cobardes que ficam atrás a empurrar os que me insultam ..."
via LisboaLisboa2
via LisboaLisboa2
terça-feira, junho 17, 2008
Números do Tratado de Lisboa
1% dos europeus (irlandeses) decidiu rejeitar o Tratado de Lisboa que 0.0001% (governantes) dos europeus procurava impor a todos.
sexta-feira, junho 13, 2008
quarta-feira, junho 04, 2008
Revogação parcial DL 73/73
Uma vergonha.
A primeira Iniciativa Legislativa Popular, subscrita por 35.000 cidadãos e há mais de 2 anos a aguardar nos corredores da Assembleia da República, corre o risco de ser chumbada pela maioria absoluta que nos governa.
Esperam, os deputados socialistas, por uma legislação mais lata... mais global... mais tudo... mais anos, digo eu.
Nada de novo, ou nada que não fosse espectável.
Mas, ao menos, que seja votada!
A primeira Iniciativa Legislativa Popular, subscrita por 35.000 cidadãos e há mais de 2 anos a aguardar nos corredores da Assembleia da República, corre o risco de ser chumbada pela maioria absoluta que nos governa.
Esperam, os deputados socialistas, por uma legislação mais lata... mais global... mais tudo... mais anos, digo eu.
Nada de novo, ou nada que não fosse espectável.
Mas, ao menos, que seja votada!
quarta-feira, maio 14, 2008
Sócrates e Pinho fumaram...
Após este pedido de desculpas, por uma "polémica" que põe em causa a nação, decidi escrever um pedido de desculpas à EMEL. Pode ser que pegue.
sábado, abril 12, 2008
Coligações
Concordo com a análise que o Rui Tavares faz sobre as perspectivas eleitorais para 2009 (se nada de especial acontecer entretanto) mas discordo das suas conclusões.
O cenário que o BE (ou o PCP), num governo de maioria PS, pode vir a dar a mudança para um "horizonte plausível" parece-me absolutamente errada - aliás esta tese também já foi defendida recentemente pelo Daniel Oliveira (aqui e aqui) e pelo Bernardino Aranda.
Poderia começar por uma argumentação corrente, procurando provar que, pelas políticas praticadas se chega à conclusão que o PS não é um partido de centro-esquerda. Mas nem vou por aí.
O que me parece evidente, é que actualmente as cúpulas do PS, não está agregadas por uma identidade política comum - seja ela de esquerda ou de direita. A maioria dos dirigentes do PS, são-no, por representarem interesses individuais, particulares ou privados e as suas decisões políticas fundamentais são tomadas em função desses interesses.
Desta forma estamos num impasse. Se a história nos diz que organizações políticas de espectros opostos, conseguem fazer pontes para tomadas de decisão concretas, também nos diz que coligações, como a que alguns simpatizantes/militantes do BE começam a defender, derivam em "lodaçais" (recordando a expressão de Guterres) que acabam por atingir todos - veja-se as "Mãos Limpas" em Itália.
O cenário que o BE (ou o PCP), num governo de maioria PS, pode vir a dar a mudança para um "horizonte plausível" parece-me absolutamente errada - aliás esta tese também já foi defendida recentemente pelo Daniel Oliveira (aqui e aqui) e pelo Bernardino Aranda.
Poderia começar por uma argumentação corrente, procurando provar que, pelas políticas praticadas se chega à conclusão que o PS não é um partido de centro-esquerda. Mas nem vou por aí.
O que me parece evidente, é que actualmente as cúpulas do PS, não está agregadas por uma identidade política comum - seja ela de esquerda ou de direita. A maioria dos dirigentes do PS, são-no, por representarem interesses individuais, particulares ou privados e as suas decisões políticas fundamentais são tomadas em função desses interesses.
Desta forma estamos num impasse. Se a história nos diz que organizações políticas de espectros opostos, conseguem fazer pontes para tomadas de decisão concretas, também nos diz que coligações, como a que alguns simpatizantes/militantes do BE começam a defender, derivam em "lodaçais" (recordando a expressão de Guterres) que acabam por atingir todos - veja-se as "Mãos Limpas" em Itália.
sábado, março 22, 2008
Arquitectura ou um futuro desperdiçado
Estando a arquitectura longe de ser um novo ofício, o “Relatório - Profissão: Arquitecto/a” [2006] - organizado pelo Instituto de Ciências Sociais e realizado Manuel Villaverde Cabral (coord.) e Vera Borges, publicado pela Ordem dos Arquitectos, revela uma profissão muito jovem e tendencialmente feminina. Concentremo-nos na análise do acesso à profissão dos primeiros, com o conhecimento que a maioria dos inscritos na Ordem dos Arquitectos tem menos de 35 anos e que cerca de dois terços ainda não terá atingido os 40, de acordo com o referido estudo. Partamos do principio, sem nos preocuparmos em fazer a sua demonstração nestas curtas linhas, que o acesso à profissão é difícil, moroso e destruidor do potencial que o país criou nas universidades.
Perante a precária situação dos jovens arquitectos em Portugal, há uma corrente justificativa que se centra, genericamente, em dois argumentos: 1) as universidades estão longe das necessidades do mercado preparando mal os seus licenciados; 2) no país há arquitectos a mais.
Comecemos pela primeira questão. Sendo uma argumentação de carácter marcadamente ideológico, interroguemo-nos se a academia deve servir o mercado. Veja-se os exemplos recentes das licenciaturas em gestão, em grande destaque nos anos 90, e actualmente máquinas produtoras de licenciados para o fundo de desemprego. Como qualquer teórico do neoliberalismo defende, o mercado é veloz e modifica-se em tempos muito inferiores a de uma licenciatura.
Por outro lado, em Portugal, o Estado ainda é um dos principais agentes de educação de nível superior devendo, à partida, qualificar os seus cidadãos para que intervenham no desenvolvimento do seu país, o que não corresponde necessariamente aos interesses do referido mercado. Como bem soube resumir Manuel Tainha, diria que no caso específico da arquitectura, e contra o sentido do Tratado de Bolonha, a academia não deve papaguear o ofício.
A segunda argumentação, por vezes associada à primeira, é a de que há arquitectos a mais.
De acordo com os números disponíveis, em Portugal existe aproximadamente 1 arquitecto por cada 625 cidadãos. Embora este número possa impressionar, se pensarmos num quadro em que cada cidadão ao longo da sua vida necessitará três vezes dos serviços de um arquitecto, passamos a ter 1875 projectos por arquitecto. Contudo ambos os raciocínios são falaciosos, apenas importando o segundo para destruir a ideia subjacente ao primeiro.
Uma licenciatura em arquitectura deve continuar a ser, uma formação de carácter universitário que produz cidadãos com habilitações para exercer arquitectura, mas também deve poder construir profissionais com conhecimentos técnico-científicos que permitam ao licenciado enveredar por outras áreas profissionais com inevitáveis relações com a arquitectura como crítico de arquitectura, professor, cenógrafo, político ou treinador de futebol. Ou seja, o que importa é que sejam formados mais licenciados, pois o seu trabalho e conhecimento nunca é demais num país que tarda em evoluir. Mas se é verdade que este discurso assentaria bem a qualquer governante da nação, a prática diz-nos que sucede exactamente o contrário.
A utilização abusiva da urgência dos processos ou de empresas públicas e privadas para mascarar os concursos públicos, a continuada concentração da encomenda pública em estruturas bem relacionadas com os partidos do bloco central e as precárias relações laborais dentro dos escritórios de arquitectura, têm conduzido à rejeição da profissão ou a um violento processo de emigração, dos quadros superiores que o país formou.
Em Portugal, em geral, o jovem arquitecto é visto com desconfiança. O seu conhecimento de carácter universitário, a sua dinâmica e a sua prática profissional recente, são desvalorizadas em detrimento de quem está infiltrado nas teias do poder, tantas vezes pouco qualificado e/ou com um historial de resultados medíocre. Aliás as últimas revelações do passado profissional do Primeiro-Ministro actual reforçam este sentimento. Embora a discussão mediática se tenha centrado sobre argumentos de legalidade e de carácter estético, para o comum dos arquitectos é particularmente chocante a forma como hoje, um dos mais alto-responsáveis da nação, assume e corrobora tais actos. A institucionalização da antiga prática de José Sócrates, destruiu com poucas palavras, anos de trabalho pela revogação do DL 73/73, de consciencialização da importância da arquitectura como forma de melhoria das condições de vida e destrói, sobretudo, as expectativas de acesso à profissão de quem após seis anos de estudo e alguns de prática profissional, procura trabalhar no seu país.
Contudo, apesar de todas estas vicissitudes, os ateliers de arquitectura constituídos por jovens arquitectos despontam pelo país, baseados em estruturas colaborativas que vão resistindo, criando emprego e ganhando concursos dentro e fora do país. Contrariando a lógica de mercado que entende o vizinho como o primeiro inimigo, os resultados e notoriedade de uns tem vindo a ajudar outros a projectarem-se.
Urge que este fenómeno seja estudado e desenvolvido como, até ver, única forma de aproveitar o potencial científico-técnico constituído pelas universidades e como forma de subverter as medíocres teias de interesse e compadrio que dominam o país.
Tiago Mota Saraiva
Artigo para a Revista Construir - Março de 2008
Perante a precária situação dos jovens arquitectos em Portugal, há uma corrente justificativa que se centra, genericamente, em dois argumentos: 1) as universidades estão longe das necessidades do mercado preparando mal os seus licenciados; 2) no país há arquitectos a mais.
Comecemos pela primeira questão. Sendo uma argumentação de carácter marcadamente ideológico, interroguemo-nos se a academia deve servir o mercado. Veja-se os exemplos recentes das licenciaturas em gestão, em grande destaque nos anos 90, e actualmente máquinas produtoras de licenciados para o fundo de desemprego. Como qualquer teórico do neoliberalismo defende, o mercado é veloz e modifica-se em tempos muito inferiores a de uma licenciatura.
Por outro lado, em Portugal, o Estado ainda é um dos principais agentes de educação de nível superior devendo, à partida, qualificar os seus cidadãos para que intervenham no desenvolvimento do seu país, o que não corresponde necessariamente aos interesses do referido mercado. Como bem soube resumir Manuel Tainha, diria que no caso específico da arquitectura, e contra o sentido do Tratado de Bolonha, a academia não deve papaguear o ofício.
A segunda argumentação, por vezes associada à primeira, é a de que há arquitectos a mais.
De acordo com os números disponíveis, em Portugal existe aproximadamente 1 arquitecto por cada 625 cidadãos. Embora este número possa impressionar, se pensarmos num quadro em que cada cidadão ao longo da sua vida necessitará três vezes dos serviços de um arquitecto, passamos a ter 1875 projectos por arquitecto. Contudo ambos os raciocínios são falaciosos, apenas importando o segundo para destruir a ideia subjacente ao primeiro.
Uma licenciatura em arquitectura deve continuar a ser, uma formação de carácter universitário que produz cidadãos com habilitações para exercer arquitectura, mas também deve poder construir profissionais com conhecimentos técnico-científicos que permitam ao licenciado enveredar por outras áreas profissionais com inevitáveis relações com a arquitectura como crítico de arquitectura, professor, cenógrafo, político ou treinador de futebol. Ou seja, o que importa é que sejam formados mais licenciados, pois o seu trabalho e conhecimento nunca é demais num país que tarda em evoluir. Mas se é verdade que este discurso assentaria bem a qualquer governante da nação, a prática diz-nos que sucede exactamente o contrário.
A utilização abusiva da urgência dos processos ou de empresas públicas e privadas para mascarar os concursos públicos, a continuada concentração da encomenda pública em estruturas bem relacionadas com os partidos do bloco central e as precárias relações laborais dentro dos escritórios de arquitectura, têm conduzido à rejeição da profissão ou a um violento processo de emigração, dos quadros superiores que o país formou.
Em Portugal, em geral, o jovem arquitecto é visto com desconfiança. O seu conhecimento de carácter universitário, a sua dinâmica e a sua prática profissional recente, são desvalorizadas em detrimento de quem está infiltrado nas teias do poder, tantas vezes pouco qualificado e/ou com um historial de resultados medíocre. Aliás as últimas revelações do passado profissional do Primeiro-Ministro actual reforçam este sentimento. Embora a discussão mediática se tenha centrado sobre argumentos de legalidade e de carácter estético, para o comum dos arquitectos é particularmente chocante a forma como hoje, um dos mais alto-responsáveis da nação, assume e corrobora tais actos. A institucionalização da antiga prática de José Sócrates, destruiu com poucas palavras, anos de trabalho pela revogação do DL 73/73, de consciencialização da importância da arquitectura como forma de melhoria das condições de vida e destrói, sobretudo, as expectativas de acesso à profissão de quem após seis anos de estudo e alguns de prática profissional, procura trabalhar no seu país.
Contudo, apesar de todas estas vicissitudes, os ateliers de arquitectura constituídos por jovens arquitectos despontam pelo país, baseados em estruturas colaborativas que vão resistindo, criando emprego e ganhando concursos dentro e fora do país. Contrariando a lógica de mercado que entende o vizinho como o primeiro inimigo, os resultados e notoriedade de uns tem vindo a ajudar outros a projectarem-se.
Urge que este fenómeno seja estudado e desenvolvido como, até ver, única forma de aproveitar o potencial científico-técnico constituído pelas universidades e como forma de subverter as medíocres teias de interesse e compadrio que dominam o país.
Tiago Mota Saraiva
Artigo para a Revista Construir - Março de 2008
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