quinta-feira, setembro 25, 2008

Quando te sentires apertado, culpa quem está à volta...



"O presidente da Associação Portuguesa de Bancos justificou, esta quarta-feira, as constantes subidas da Euribor com a falta de confiança no mercado interbancário. À TSF, João Salgueiro culpou ainda os portugueses pelo excesso de endividamento."

Na opinião do homem os portugueses são estúpidos. Só é pena é que tenha sempre vivido à custa do dinheiro dos portugueses. De cabeça perdida, o ex-Ministro e banqueiro do regime, vem agora dizer que a culpa é dos portugueses.
É nos momentos de tensão que caiem as máscaras da "seriedade" e da "inteligência".

domingo, setembro 21, 2008

Tudo bons rapazes

"JS desiste de agendar proposta sobre casamento homossexual na actual legislatura"

A "palavra" dos jotas durou 1 mês. Gente de confiança.

Defendemos isto, até fazermos exactamente o contrário

[Somos por uma] "segurança social pública que garanta o futuro das pensões"
José Sócrates, 20 de Setembro de 2008

Com esta declaração de Sócrates pudemos ter a certeza de duas coisas:
1. Sócrates já pensou sobre a hipótese de privatizar as reformas;
2. Dentro de um ano o PS, em coro, poderá dizer exactamente o contrário.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Pedro Ornelas

Há alguns anos que sou frequentador assíduo do Céu sobre Lisboa e, no passado 11 de Julho, conheci o Pedro Ornelas - ambos fomos convidados para escrever um projecto para viajantes, ele com a paisagem, eu com a arquitectura.
Mas só hoje me apercebi que o Pedro era o autor do Céu sobre Lisboa, e que faleceu uns dias depois de o conhecer. A morte é sempre uma coisa estranha e absurda.

[Soube da notícia através do Daniel Carrapa e aconselho a leitura do post escrito pelo Ivan Nunes]

quarta-feira, agosto 27, 2008

Recursos naturais

27.08.2008, Paulo Varela Gomes in Público

É Agosto, há férias aí em Portugal, volto portanto a assuntos relacionados com a questão fundacional com que se deparam os portugueses que saem fronteiras e entram "na Europa": porque é que nós não somos assim?
Sou historiador da arte e da arquitectura. Ao visitar recentemente as cidades flamengas, coloquei a mim próprio duas perguntas dedutíveis a partir da tal questão fundacional, perguntas que há anos faço a mim próprio mal chego a Salamanca ou Sevilha: porque é que só temos um mosteiro da Batalha e um mosteiro dos Jerónimos, quando na Flandres, na Espanha, na França, há dezenas?
De facto, não é possível comparar sem uma espécie de desmaio da alma o património artístico português com aquele de outras regiões da Europa de dimensão populacional semelhante: Castela, Aragão, a antiga Borgonha, a França parisiense, a Toscânia, o Véneto, a Lombardia, a Alemanha do norte (ao nível português estarão a Galiza, Nápoles, a Inglaterra, a Dinamarca, a Polónia).
Portugal foi senhor da "navegação e do comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia" (para já não falar do Brasil). Para onde foi a riqueza que teria resultado dessa "época de ouro" de expansão?
A historiografia e a ideologia anticlerical e republicana conta-nos desde o século XIX que tudo ou quase tudo se teria evaporado por culpa da nobreza e do clero, classes dominantes que teriam gasto em coisas sumptuárias os proveitos da expansão. Pois muito bem, pergunto eu que sou historiador da arte: onde está a arte, essa coisa sumptuária por excelência?
Não está. E não está porque não havia em Portugal riqueza nenhuma, poderio marítimo ou não poderio marítimo.
A riqueza, aquela que deu palácios, mosteiros, catedrais, pintura e escultura, a nobres, clérigos e príncipes, franceses e castelhanos, flamengos e toscanos, não veio da expansão marítima. Veio da terra.
No seu relatório Rumo à Vitória (1964), Álvaro Cunhal entrou numa espécie de polémica imaginária com Salazar. Este teria por hábito afirmar que Portugal é um país pobre. Não senhor, escreve Cunhal, "os recursos naturais do país são suficientes para garantir o bem-estar material a todos os portugueses".
O bem-estar, é possível. Agora grande arte e arquitectura, não. Os "recursos naturais do país", ou seja, em termos tradicionais, a agricultura, foi sempre miserável e, com ela, miseráveis os aristocratas, os conventos, os príncipes incultos, desinteressados das artes. O facto de só haver em Portugal um mosteiro dos Jerónimos diz tudo o que é preciso sobre o que foram as classes dominantes do reino, e a monarquia, na "época de ouro": pobres.
Os proventos resultantes do senhorio "da navegação e do comércio" ficavam nele, pagando a vastíssima rede de fortalezas que os portugueses deixaram pelo mundo inteiro e os homens que nessas fortalezas viveram e morreram. Serviram para proteger um império que não dava dinheiro à custa de todo o dinheiro que dava.
Pensando bem: há nisto alguma coisa de extraordinário.

sábado, agosto 23, 2008

Notícias pouco surpreendentes:

"Valentim admite apoiar Sócrates"
Valentim Loureiro nunca fará campanha pelo PS, mas simpatiza com Sócrates e admite apoiá-lo nas legislativas.
Suspenso do PSD, Valentim Loureiro poderá apoiar José Sócrates nas próximas legislativas. "Ele até já oferece computadores, como eu fiz há muitos anos", diz Valentim.

Ricardo Jorge Pinto
18:00 | Sexta-feira, 22 de Ago de 2008

quinta-feira, agosto 21, 2008

Jogos Olímpicos

De quatro em quatro levanta-se o habitual torpor dos atletas de sofá, sobre a prestação dos atletas portugueses, este ano apimentadas, pelas declarações do comandante da delegação portuguesa Vicente Moura - o primeiro rato a abandonar o barco.
No dia em que Vanessa conquistou a primeira medalha, o comandante veio fazer declarações despropositadas atacando veladamente outros atletas e pondo uma enorme tensão sobre toda a comitiva e em especial sobre os atletas que ainda tinham de efectuar as suas provas. Já todos sabíamos que o comandante teria poucas condições para continuar, por causa das suas declarações e pelo facto de estar à mais de 400 anos a trabalhar de 4 em 4 anos. Mas passado uns dias, o comandante resolveu anunciar que se demitia, ainda antes do Jogos terminarem.
Que os atletas digam disparates, não me preocupa nada. Que quem é pago para comandar (e não para opinar), desestabilize, isso sim, é dinheiro mal gasto do erário público. E já lá vão tantos quatro anos!

quarta-feira, agosto 20, 2008

Férias II

Castelo Branco
Para outras visitas aqui fica o Flickr da mãe

Férias I

Tal como no ano passado aqui fica o Top 3 da Amélia no Youtube:


Pedro e o Lobo


Pantera Cor de Rosa


Pluto's Fledgling

sábado, agosto 16, 2008

"Sócrates reaproxima-se de Alegre"

Por Helena Pereira com Sónia Trigueirão no Sol
Sócrates reaproximou-se de Manuel Alegre, tendo almoçado com ele por duas vezes. Depois do distanciamento de Alegre em relação à direcção do PS, esta ‘reconciliação’ mostra que Sócrates não quer perder as pontes com a esquerda do partido, tendo certamente em vista as próximas legislativas e presidenciais

José Sócrates e Manuel Alegre foram de férias em clima de grande sintonia. A hipótese de Manuel Alegre voltar a candidatar-se às eleições presidenciais, mas desta vez com o apoio do PS, está a ganhar força. Seria uma nova forma de cooperação estratégica entre socialistas
Os dois almoçaram juntos num restaurante de Lisboa e fizeram as pazes depois do comício do Teatro da Trindade (organizado pelo Bloco de Esquerda no final de Maio e em que Alegre desferiu um duro ataque ao Governo do PS). Na altura, Alegre afirmou que a sua «lealdade é para com os portugueses e para os que votaram no PS e estão na pobreza» e quis mostrar, ao lado do BE, que é possível «quebrar o tabu e o preconceito segundo o qual as esquerdas não se podem unir».

quinta-feira, agosto 07, 2008

Época parva 03

"Staying at Manchester is no sacrifice; it is a great honour"

Ronaldo tirou o dia de ontem para se desdobrar em entrevistas e preparar o regresso a casa.

Época parva 02

Tribunal confirma condenação a Tavares Moreira

Afinal parece que o sempre respeitável ex-ministro (se a memória não me falha!), banqueiro, e governador do Banco de Portugal andou a dizer umas mentiras inocentes. No Bloco Central é tudo gente séria!

Época parva 01

"Depois de ter proibido as massagens, o comandante da zona marítima do Algarve resolveu proibir a distribuição de maçãs nas praias algarvias por considerar que esta acção seria apenas pura publicidade."

E assim a Fundação Portuguesa de Cardiologia e a Associação de Produtores de Alcobaça, foram proibidas de "fazer concorrência" aos bares e cafés das zonas concessionadas. O comandante da zona marítima do Algarve ao serviço do Estado, diligentemente, a servir o interesse privado.

quarta-feira, julho 30, 2008

Deputados deram mais de 1.500 faltas, Carlos Gonçalves (PSD) e Manuel Alegre (PS) no "top"

Lisboa, 30 Jul (Lusa) - Os 230 deputados deram mais de 1.500 faltas nas 109 reuniões plenárias da terceira sessão legislativa, apenas 10 das quais injustificadas, e Carlos Gonçalves (PSD) e Manuel Alegre são os recordistas, com 39.
Numa consulta feita pela Agência Lusa ao registo de presença dos 230 deputados em funções até ao fim da sessão no "site" do Parlamento (www.parlamento.pt), a 18 de Julho, conclui-se que grande parte das faltas do socialista e ex-candidato presidencial Manuel Alegre (27) foram devidas a doença.
O social-democrata Carlos Gonçalves, eleito pelo círculo da emigração, deu duas faltas injustificadas e 37 justificadas, todas elas com o mesmo motivo: trabalho político.
A avaliar pelos dados da Assembleia, nenhum deputado perdeu o mandato - o que acontece a quem tiver mais do que quatro faltas injustificadas, segundo o regimento - embora ainda existam 103 faltas por justificar aos serviços da Assembleia.
Dos 230 deputados, seis tiveram que descontar uma parte do ordenado por terem faltas injustificadas - 1/10 na primeira falta, 1/20 na segunda e restantes.
Um deles foi o ex-líder parlamentar do PSD Luís Marques Guedes, que teve três faltas injustificadas, mais uma do que Maria Antónia Almeida Santos (PS) e do que ex-líder parlamentar Pedro Santana Lopes (PSD). O antigo autarca Luís Pita Ameixa (PS) e os dois ex-secretários de Estado Jorge Costa e Miguel Frasquilho (PSD) têm averbadas uma falta cada um.
Na lista dos mais faltosos, há 16 deputados com mais de 20 faltas justificadas.
Paula Cristina Duarte, do PS, é a terceira na lista, com 38 faltas, 22 das quais por doença, 12 por motivos de "força maior" e três por "motivo considerado relevante".
Mário David, do PSD, deu 30 faltas justificadas com trabalho político e uma estava ainda por justificar, enquanto com 27 faltas ficaram Jorge Pereira e José Freire Antunes (PSD), com este último a justificar todas as ausências por doença.
Alcídia Lopes (PS) e Virgílio Costa (PSD), "recordista" em 2006, tiveram 25 faltas justificadas cada, enquanto Jorge Neto e Sérgio Vieira, também do PSD, faltaram a 23 sessões.
Com 21 faltas cada estão o madeirense Guilherme Silva e Miguel Santos (PSD) e Maria Carrilho (PS). O deputado do PS e ex-presidente da câmara de Lisboa João Soares teve 20 faltas - 15 justificadas e cinco por justificar.
Trabalho político foi o motivo para explicar 959 faltas, seguindo-se 334 por doença. Da lista, 57 faltas foram justificadas por motivos de força maior, 19 por motivo considerado relevante. Oito por paternidade, mais oito por casamento, 14 por luto e uma por maternidade.
O regimento da Assembleia da República estabelece como um dos deveres dos deputados é "participar nas votações", mas o Estatuto dos Deputados considera "motivo justificado a doença, o casamento, a maternidade e a paternidade, o luto, missão ou trabalho parlamentar e o trabalho político ou do partido a que o deputado pertence".
Um deputado, ainda segundo o regimento, perde o mandato quando dá mais do que quatro faltas injustificadas a reuniões plenárias por cada sessão legislativa (de Setembro a Julho de cada ano).
A divulgação das faltas dos deputados, a par da sua declaração de rendimentos, na página da Internet do Parlamento foi uma das inovações no regimento da Assembleia que entrou em vigor em Setembro de 2007.
IEL/NS

terça-feira, julho 29, 2008

Para refletir com factos:

DN de 29.07.2008

Maioria das propostas do Governo apoiada pelo PSD
Existe de facto um 'bloco central' na aprovação parlamentar das leis oriundas do Governo. Os números são indesmentíveis. A maioria dos diplomas (30 em 55) obteve luz verde da bancada social-democrata. Segue-se o CDS-PP. À esquerda, o panorama é exactamente o oposto
Em 55 propostas do Governo, PSD votou a favor de 30

O PSD é o partido que mais vezes vota ao lado do PS na aprovação das propostas do Governo. Na última sessão parlamentar, os sociais-democratas votaram favoravelmente mais de metade das iniciativas que o Executivo de José Sócrates levou à Assembleia da República: de um total de 55 propostas de lei aprovadas em votação final global, a maior bancada da oposição deu o seu acordo a 30.
Os deputados do PSD são também os que menos vezes votaram contra os diplomas do Governo - fizeram-no em 14 propostas. E optaram pela abstenção em 11 casos. A seguir ao PSD é ainda à direita que as leis socialistas encontram maior adesão: o CDS-PP votou 24 vezes ao lado do PS (absteve-se em 16 e votou contra 15).
À esquerda, a tendência é bem diferente: PCP e BE acusam o Governo de ser de direita e agem em conformidade. Os dois partidos têm votações muito semelhantes - ambos chumbaram 32 propostas oriundas dos ministérios. O Bloco aprovou 18, os comunistas menos uma. A posição inverte-se na abstenção, com o PCP a votar essa opção seis vezes e os bloquistas cinco.
O PEV revela números iguais aos dos comunistas nas votações finais globais (a última etapa do processo legislativo no Parlamento, após o que os diplomas seguem para aprovação do Presidente da República).
A terceira sessão legislativa - que decorreu entre Setembro de 2007 e Julho de 2008 - marcou um decréscimo significativo nos diplomas que o Governo levou ao Parlamento: no ano anterior foram 60, agora 43. O facto de o número de propostas aprovadas ser superior deve-se à circunstância de algumas terem transitado da sessão anterior.
Dos 55 textos do Executivo aprovados nesta sessão, houve 13 casos em que o PS puxou da sua maioria absoluta para fazer aprovar propostas de lei que recolheram o parecer desfavorável de todas as bancadas da oposição. Em percentagem representa cerca de 24%, mas desta lista constam alguns dos mais emblemáticos diplomas da sessão. A começar no Orçamento do Estado, continuando pela gestão e avaliação do desempenho da administração pública, as alterações ao Estatuto do Jornalista (que voltou ao Parlamento depois de ter sido vetado por Cavaco), a lei de Segurança Interna ou a da Organização e Investigação Criminal. Além destas, há mais seis propostas em que o PS foi o único partido que votou a favor, mas com abstenções entre a oposição.

Bloco antagoniza-se
A situação contrária aconteceu exactamente o mesmo número de vezes: no último ano, 13 propostas do Governo mereceram aprovação unânime no plenário. Tratou-se, em vários casos, da transposição de directivas europeias, noutros de um processo negocial nas comissões parlamentares que acabou em consenso.
As votações da terceira sessão legislativa vêm confirmar a tendência de anos anteriores: o PSD é o partido que mais vota favoravelmente as propostas de lei do Executivo de Sócrates, seguido pelo CDS.
Já os comunistas são os campeões nos "chumbos". O Bloco de Esquerda foi o partido que variou mais em termos de votação - na primeira sessão os bloquistas votaram mais vezes a favor do que contra, no segundo ano inverteram a tendência, que mantém agora.

segunda-feira, junho 30, 2008

O menino de oiro...

«Francisco Queirós, professor e Coordenador da Comissão Concelhia de Coimbra do PCP, habitual colunista do Diário As Beiras, apresenta-nos, na sua coluna de hoje, dia 26 de Junho de 2008, um texto intitulado "O valente Dinis", o qual começa da forma seguinte: "José Sócrates esteve em Coimbra a 14 e 15 deste mês. Entre visitas e inaugurações teve tempo para convidar os sindicatos para uma reunião. Os dirigentes sindicais do distrito embora sem falsas esperanças não perderam a oportunidade de expor as suas posições ao primeiro-ministro. No início do encontro, mandavam as mais elementares regras de boa educação, o chefe do governo deveria cumprimentar os seus convidados com civilidade. O que fez Sócrates ? Dirigiu-se aos sindicalistas: "Então hoje como os senhores estão aqui não organizam nenhuma daquelas manifestações para me insultar!". Um dos dirigentes sindicais rebateu: "Senhor primeiro-ministro permita-me que lhe diga que a forma como se nos dirigiu não foi nada correcta! Participo sempre em todas as manifestações contra as políticas do seu governo e nunca o insultei!". Os presentes aguardaram ainda um pedido de desculpa, talvez uma discreta correcção de tom e de forma ... Mas não! Sócrates acrescentou: "Ah! então vocês são os cobardes que ficam atrás a empurrar os que me insultam ..."

via LisboaLisboa2

terça-feira, junho 24, 2008

Quem te viu e quem te vê...

"PS e PSD: quando um dos partidos é governo, o outro deve ser oposição, sob pena de alimentarem a centrifugação política" - Vital Moreira.