segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro 1973

Hoje, blogues amigos do outro lado do mundo, resolveram lembrar o golpe que destruiu uma das mais interessantes experiências de libertação de um povo. O 11 de Setembro de 1973 para além de ter sido um dia de destruição, tal como em 2001, foi também o início dos dias negros em que o Chile e a América Latina foram lentamente mergulhando. No Chile de Allende tudo se julgou ser possível. A ironia de uma luta eleitoral, vivida e vencida pelo povo, e da implantação serena de uma Democracia foi destruída pela violenta repressão fascista liderada por um General, cujo nome nunca deixará de nos arrepiar.
Deixo algumas referências de textos que fui lendo:

"O Outro 11 de Setembro"
"O sonho de Salvador Allende"
"Nunca Olvidar"
"Onze de Setembro, Santiago de Chile"
"Conselhos para leitura de hoje"
Chile, 11 Setembro de 1973
Chile - 33 anos depois

2 comentários:

Arrebenta disse...

Orchestral Vaginas in the Dark


Alguém disse que morremos aos poucos. É verdade que, nesse dia, morreu uma parte significativa de mim. Por várias razões, e por mais essa, eu não gostaria de escrever este texto.

Vivemos num tempo de Mentira. Os Órgãos de Comunicação Social diariamente nos intoxicam, não com produtos, mas com uma nova Ideologia, a de que tudo pode ser relato, e os relatos deixaram de ser verdadeiros, ou falsos, para passarem a ser meros... relatos, que agradam, ou não agradam, ao grande público.

Dificilmente saberemos o que realmente aconteceu, no dia 11/09/01: as teses entrecruzam-se com as hipóteses, as ficções com a Crueza, os interesses com a Verdade.

Lembro-me da hora de almoço, e relembro-me de uma voz comentar, ao ver-se o impacto com a Segunda Torre, de que "estávamos a presenciar uma repetição do acidente (!)". Não era uma repetição, e não era um acidente, era um puro acto de barbárie. Nesse instante, relampejaram-me três coisas pela cabeça: a de que se tratava de um atentado; a de que estávamos em guerra, e uma outra, porventura mais subtil, a de que Bush, o Desprezível, tinha sido eleito para um segundo mandato.

Depois, lembro-me de coisas ainda mais deprimentes: do pequeno símio a discursar, perante as Câmaras da Grande Democracia, e a piscar o olho a Lady Bush, na assistência, como a querer dizer-lhe que tudo estava a correr como previsto... O resto já vocês sabem, os cavalheiros da Teoria da Conspiração, os Crentes na Figura Fictícia de Bin Laden, os Devotos da Mentira chamada Bush, os Blairs, os Barrosos, os Aznars, os Portas, a Transgressão Afegã, para proteger os depósitos de Gás Natural e assegurar que as Rotas de 1/3 dos Opiáceos Mundiais eram repostas (os talibãs tinham proibído o Tráfico...), os Iraques, os Líbanos, os Hezbollahs, a Ameaça Atómica, as prisões, as torturas, os mortos e os mutilados, as Censuras Indiscriminadas, a Desmoralizaçao da Economia e da Sociedade Mundiais. Na realidade, era uma mesa demasiado lauta, e uma oportunidade única, para que se não tivessem sentado, em seu redor, todos os rostos do Crime Organizado, desde a Administração Bush, aos Integralistas Islâmicos, passando pelas poderosas redes do Tráfico do Petróleo, das Armas, da Droga e das Almas.

É pena não se poder reescrever a História: tudo teria sido mais simples se, como se pressupunha num estado civilizado, uma dúvida, sobre votos mal perfurados e mal contados, enfiados em caixas de sapatos nos balcões de velhas do indescritível Interior Americano, tivesse obrigado, como obrigaria em qualquer país europeu, a uma repetição do acto eleitoral, em caso de dúvida... Pelo contrário, verificou-se que existia uma América onde já se dissolvera a independência dos Três Poderes, e o Judicial estava a servir tenebrosas sombras sustentadoras do Político. O Presidente já não iria ser Al Gore, o inventor da Internet, mas, sim, Bush, o eterno Amigo do Corredor da Morte.

Era a Cantata do Iluminismo a fazer soar os seus derradeiros acordes. A seu modo, o 11 de Setembro tanto marcou o fim do Séc. XX, como marcou o Fim da Idade Contemporânea.

Tenebrae.

É um facto que a desproporção das Torres desiquilibrava a "sky-line" de Nova Iorque, por outro lado, era o grito terminal de uma cidade que assistira ao derrubar de todas as fronteiras da Crítica, que soubera pôr em causa tudo e todos os Princípios, que lançara a Raiz da Amoralidade e do Ateísmo absolutos, onde se gritara pelo Fim da Arte, pelo Fim da Literatura, e pelo desmoronar do Homem Tradicional. Fálicas, as Torres marcavam o predomínio absoluto da Sexualidade sobre os valores da Repressão e da Morte.

Em hipótese, entrevejo uma mão a querer riscá-las do horizonte; quase consigo ouvir, mesmo, uma sonolenta conversa de Lady Bush, a dizer que "odiava aqueles edifícios"... Desde Helena de Tróia, muitos comentários femininos desencadearam incalculáveis hecatombes. Depois das Torres, e numa sociedade onde o "Peace and Love" já tinha sido barbaramente degolado pelo desleixado alastrar da SIDA, sucedeu-se o abate de mais outros símbolos dos Anos Loucos das Décadas de 60 e 70, e do Verão Indiano do início de 80: foi o "Concorde", a suspensão dos voos dos vaivéns espaciais, a ameaça de desactivação do "Hubble", a pura Ascensão da Obscuridade, em todas as suas frentes.

A derradeira nota é positiva: em Nova Iorque, as pessoas andam demasiado apressadas para se cumprimentarem, um "smile" postiço, uma troca de monossílabos, e aquelas sombras desaparecem, como se nunca se tivessem entrecruzado. De repente, a Catástrofe, e uma espantosa solidariedade colectiva, como se todas aquelas gentes, de um só golpe, tivessem descoberto que viviam num dos mais espantosos lugares do Planeta. Lembro-me de um homem de máscara, posta contra aquela voragem de poeiras mortais, a oferecer um pouco de respiração a um desconhecido, seu conterrâneo, caído no chão.

Eu vivo num país onde o dia-a-dia de cada um é minuciosamente devassado pelas sombrias mãos raquíticas das Mães de Braganza, que, por detrás das suas cortinas, procuram informar-se da mais pequena transgressão do seu medíocre quotidiano. Em caso de calamidade histórica, o Povo de Nova Iorque uniu-se, em toda a sua grandeza; arriscávamo-nos, aqui, a que todas aquelas mãozinhas da fresta da cortina, que tão bem conhecemos, subitamente transformassem, em uníssono, e monocromático, o seu olhar coscuvilheiro, num negro cobarde de janelas fechadas.

Saudações por tudo, e também por isso, para a distante Nova Iorque, "Caput Mundi", capital do Mundo, e tão próxima, neste dia!...

Arrebenta disse...

Orchestral Vaginas in the Dark


Alguém disse que morremos aos poucos. É verdade que, nesse dia, morreu uma parte significativa de mim. Por várias razões, e por mais essa, eu não gostaria de escrever este texto.

Vivemos num tempo de Mentira. Os Órgãos de Comunicação Social diariamente nos intoxicam, não com produtos, mas com uma nova Ideologia, a de que tudo pode ser relato, e os relatos deixaram de ser verdadeiros, ou falsos, para passarem a ser meros... relatos, que agradam, ou não agradam, ao grande público.

Dificilmente saberemos o que realmente aconteceu, no dia 11/09/01: as teses entrecruzam-se com as hipóteses, as ficções com a Crueza, os interesses com a Verdade.

Lembro-me da hora de almoço, e relembro-me de uma voz comentar, ao ver-se o impacto com a Segunda Torre, de que "estávamos a presenciar uma repetição do acidente (!)". Não era uma repetição, e não era um acidente, era um puro acto de barbárie. Nesse instante, relampejaram-me três coisas pela cabeça: a de que se tratava de um atentado; a de que estávamos em guerra, e uma outra, porventura mais subtil, a de que Bush, o Desprezível, tinha sido eleito para um segundo mandato.

Depois, lembro-me de coisas ainda mais deprimentes: do pequeno símio a discursar, perante as Câmaras da Grande Democracia, e a piscar o olho a Lady Bush, na assistência, como a querer dizer-lhe que tudo estava a correr como previsto... O resto já vocês sabem, os cavalheiros da Teoria da Conspiração, os Crentes na Figura Fictícia de Bin Laden, os Devotos da Mentira chamada Bush, os Blairs, os Barrosos, os Aznars, os Portas, a Transgressão Afegã, para proteger os depósitos de Gás Natural e assegurar que as Rotas de 1/3 dos Opiáceos Mundiais eram repostas (os talibãs tinham proibído o Tráfico...), os Iraques, os Líbanos, os Hezbollahs, a Ameaça Atómica, as prisões, as torturas, os mortos e os mutilados, as Censuras Indiscriminadas, a Desmoralizaçao da Economia e da Sociedade Mundiais. Na realidade, era uma mesa demasiado lauta, e uma oportunidade única, para que se não tivessem sentado, em seu redor, todos os rostos do Crime Organizado, desde a Administração Bush, aos Integralistas Islâmicos, passando pelas poderosas redes do Tráfico do Petróleo, das Armas, da Droga e das Almas.

É pena não se poder reescrever a História: tudo teria sido mais simples se, como se pressupunha num estado civilizado, uma dúvida, sobre votos mal perfurados e mal contados, enfiados em caixas de sapatos nos balcões de velhas do indescritível Interior Americano, tivesse obrigado, como obrigaria em qualquer país europeu, a uma repetição do acto eleitoral, em caso de dúvida... Pelo contrário, verificou-se que existia uma América onde já se dissolvera a independência dos Três Poderes, e o Judicial estava a servir tenebrosas sombras sustentadoras do Político. O Presidente já não iria ser Al Gore, o inventor da Internet, mas, sim, Bush, o eterno Amigo do Corredor da Morte.

Era a Cantata do Iluminismo a fazer soar os seus derradeiros acordes. A seu modo, o 11 de Setembro tanto marcou o fim do Séc. XX, como marcou o Fim da Idade Contemporânea.

Tenebrae.

É um facto que a desproporção das Torres desiquilibrava a "sky-line" de Nova Iorque, por outro lado, era o grito terminal de uma cidade que assistira ao derrubar de todas as fronteiras da Crítica, que soubera pôr em causa tudo e todos os Princípios, que lançara a Raiz da Amoralidade e do Ateísmo absolutos, onde se gritara pelo Fim da Arte, pelo Fim da Literatura, e pelo desmoronar do Homem Tradicional. Fálicas, as Torres marcavam o predomínio absoluto da Sexualidade sobre os valores da Repressão e da Morte.

Em hipótese, entrevejo uma mão a querer riscá-las do horizonte; quase consigo ouvir, mesmo, uma sonolenta conversa de Lady Bush, a dizer que "odiava aqueles edifícios"... Desde Helena de Tróia, muitos comentários femininos desencadearam incalculáveis hecatombes. Depois das Torres, e numa sociedade onde o "Peace and Love" já tinha sido barbaramente degolado pelo desleixado alastrar da SIDA, sucedeu-se o abate de mais outros símbolos dos Anos Loucos das Décadas de 60 e 70, e do Verão Indiano do início de 80: foi o "Concorde", a suspensão dos voos dos vaivéns espaciais, a ameaça de desactivação do "Hubble", a pura Ascensão da Obscuridade, em todas as suas frentes.

A derradeira nota é positiva: em Nova Iorque, as pessoas andam demasiado apressadas para se cumprimentarem, um "smile" postiço, uma troca de monossílabos, e aquelas sombras desaparecem, como se nunca se tivessem entrecruzado. De repente, a Catástrofe, e uma espantosa solidariedade colectiva, como se todas aquelas gentes, de um só golpe, tivessem descoberto que viviam num dos mais espantosos lugares do Planeta. Lembro-me de um homem de máscara, posta contra aquela voragem de poeiras mortais, a oferecer um pouco de respiração a um desconhecido, seu conterrâneo, caído no chão.

Eu vivo num país onde o dia-a-dia de cada um é minuciosamente devassado pelas sombrias mãos raquíticas das Mães de Braganza, que, por detrás das suas cortinas, procuram informar-se da mais pequena transgressão do seu medíocre quotidiano. Em caso de calamidade histórica, o Povo de Nova Iorque uniu-se, em toda a sua grandeza; arriscávamo-nos, aqui, a que todas aquelas mãozinhas da fresta da cortina, que tão bem conhecemos, subitamente transformassem, em uníssono, e monocromático, o seu olhar coscuvilheiro, num negro cobarde de janelas fechadas.

Saudações por tudo, e também por isso, para a distante Nova Iorque, "Caput Mundi", capital do Mundo, e tão próxima, neste dia!...